Bom dia! Para começar o ano bem, temos nova What If da sub-série "Contos da Segunda Guerra". Os protagonistas são um dos OTPs mais amados da Grindhouse, Bob Dylan e Fanny Fitzwilliam. Boa leitura!
Fanny Fitzwilliam estava com muito medo. A Gestapo já havia levado seu namorado, Paul Simon. Ela tinha certeza de que ele havia morrido nas câmaras de gás. Passou a vestir preto e fez de tudo para refrear seus sentimentos pelo soldado Ray Davies, cujo destacamento estava acampado perto de sua casa, em respeito a Paul.
E agora seu melhor amigo, Bob Zimmerman, que desde o início da guerra havia adotado o nome Bob Dylan, parecia estar na mira da odiosa polícia política alemã. Ela faria o possível para escondê-lo, como havia feito com Paul. Se ele também caísse nas mãos da Gestapo, ela enlouqueceria. Aquela guerra horrorosa precisava acabar. As pessoas que tinham o judaísmo como religião não deveriam viver com medo. Ninguém deveria.
- Bob, por favor, em hipótese alguma saia daqui! - ela disse ao amigo, que estava escondido em sua casa.
- Fanny, eu não aguento ficar tanto tempo trancado dentro de casa!
- E eu não aguentaria saber que você foi levado para um campo de concentração! Eu quero você bem longe daquele... Daquele antro de maldade.
- Eles não vão me pegar, Fanny!
- Oh, Bob! - ela puxou o amigo para um abraço.
Se ele fosse pego, Fanny culpar-se-ia para sempre. Os dias passavam, com Bob tentando acalmar a receosa Fanny, e para isso contava com os pais e a irmã dela, Elinor. Porém, um dia, três sujeitos mal-encarados apareceram na casa dos Fitzwilliam.
- O que querem? - perguntou o sr. Fitzwilliam.
- Procuramos herr Robert Zimmerman. - disse um deles, com forte sotaque alemão.
- Aqui não há nenhum... - começou o pai de Fanny, mas foi interrompido pelo próprio Bob.
- Eu sou Robert Zimmerman. - disse ele.
- Queira acompanhar-nos, herr Zimmerman. - ordenou um segundo agente da Gestapo.
- Bob! Não! - gritou Fanny, correndo para salvar o amigo. - Vocês já levaram meu namorado, seus imundos, não vão levar meu melhor amigo também!
- Ordens do Führer, fraulein. - disse o terceiro.
- Aquele homem asqueroso! - exclamou Fanny, com muita raiva.
- Não ouse insultar o grande líder da nação alemã, mocinha tola! - retrucou o primeiro agente.
- Grande líder! - Fanny disse ironicamente. - Um homem cruel, isso sim!
Diante de seus pais, sua irmã e Bob, ela foi esbofeteada pelo segundo agente da Gestapo, o que serviu apenas para deixá-la ainda mais enfurecida.
- Querem levar Bob? Pois bem, levem-me também!
Os três agentes trocaram olhares entre si. Fanny encarava-os com um brilho quase selvagem em seus olhos.
- Andem! Ou estão com medo de uma mocinha tola e frágil?
Com raiva pela fala de Fanny, agarraram-na, além de Bob, e jogaram os dois amigos dentro de um furgãozinho sujo, mesmo com os protestos do sr. e da sra. Fitzwilliam e de Elinor. Bob estava furioso com Fanny.
- Você ficou louca?
- Eu não iria deixar você ir para aquele lugar horrível sem mim!
- Fanny, por que...?
- Eles me tiraram Paul! Eu não vou permitir que me tirem você também! - ela tinha lágrimas nos olhos. - Vou libertar você, e também todos os outros!
- Você decididamente ficou louca, Fanny.
- Eu talvez tenha ficado, Bob. Mas eu farei isso... Ou morrerei tentando!
Bob não pôde evitar sorrir. Ele amava aquela garota. Se ao menos ele pudesse estar com ela lá dentro.... Mas não foi bem assim. Os dois foram separados logo que chegaram ao campo de concentração. Raramente se viam. Ambos eram deploravelmente mal-tratados e torturados.
No quartinho apertado e úmido que dividia com outras seis garotas, Fanny não conseguia dormir, pensando em Bob. Temia pela vida dele e temia mais ainda não conseguir bolar um bom plano de fuga a tempo.
- Eu vou salvar você e todos que aqui estão, Bob. Eu juro. - ela dizia em seus pensamentos, antes de dormir.
Numa certa manhã, pouco depois do toque de levantar, Fanny era a única que ainda estava no quarto. Um agente abriu a porta, empurrou Bob lá para dentro e rosnou:
- Fale logo o que precisa dizer a ela. E então morrerá. - e bateu a porta.
Fanny sufocou um grito ao ver seu querido amigo. Ele estava muito magro, mortalmente pálido, com olheiras, cheio de hematomas e com o cabelo cacheado desgrenhado. Ela o apertou num abraço.
- Bob, Bob... O que fizeram com você? - ela acariciou o rosto dele.
- Fanny... Eu estou nas últimas.
- Não diga isso! Vou tirar você daqui! - disse ela, segurando a mão dele.
- Fanny, além de estar alquebrado e cansado, vou ser mandado para as câmaras de gás ainda hoje. Inevitavelmente vou morrer.
- Não... Não. Não vai. - ela olhou no fundo dos olhos dele, suas lágrimas escorrendo por sua face.
- Fanny, eu... Eu tenho que dizer algo.
- Diga.
- Eu... Eu te amo, Fanny! Eu te amo muito, muito mesmo.
Fanny olhou para ele, sem acreditar.
- Bob...
- Eu entendo se você... Se você... - e ele caiu desfalecido nos braços dela. Fanny colou o ouvido no peito dele. Não ouvia o coração bater.
- Não... Não! - ela tocou o rosto dele. Gelado... Como a morte.
Aos prantos, ela se sentou, com a cabeça dele em seu colo.
- Eu também te amo, Bob. - ela sussurrou, alisando os cabelos dele, a dor comprimindo seu coração. - Eu juro... Eu vou te encontrar na próxima vida! Espere por mim!
Fanny conseguiu escapar do campo, levando muitos com ela. Ela se casou com um homem chamado Allan Clarke, e foi feliz com ele, porém, nunca se esqueceu de Bob. Em 1982, 40 anos depois da morte de Bob, ela se juntou a ele.
Em 2013...
- Oi, caloura. Bonita camiseta. - Fanny foi cumprimentada por um rapaz de cabelos cacheados e olhos claros, com feições judaicas. Ele vestia uma camiseta do Homem de Ferro. E ela, uma com os dizeres "A long time ago, in a very far, far away galaxy...".
- Obrigada. A sua também é. - disse ela, sem jeito.
- Eu sou Bob Dylan. Segundo ano de sociologia.
- Fanny Fitzwilliam. Caloura de geografia.
Os dois apertaram as mãos. E, não demorou muito, desenvolveram uma grande amizade. No entanto, logo aquele sentimento evoluiu para algo mais. Faltava apenas coragem.

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