sábado, 24 de janeiro de 2015

All The King's Horses - Capítulo 3

Boa tarde! Temos um novo capítulo de All The King's Horses! Este capítulo é um pouco diferente dos anteriores. Ele tem três POVs, e todos de personagens masculinos. Boa leitura! 



              
(Dylan's POV)


                Os cavaleiros da guarda do rei Edmund, das Terras do Leste, estavam em polvorosa e conversavam entre si com grande alarido. O assunto era a guerra que se aproximava, em que as Terras do Leste apoiariam as Terras do Norte.
                Entretanto, Sir Robert Dylan não pensava tanto na guerra propriamente dita, mas sim nas Terras do Norte. Ou melhor, em uma dama das Terras do Norte. A bela Lady Alice Stone recusara sua corte, e havia ficado noiva de um nobre germânico, Gehard Müller. Havia se passado um ano desde então, e o coração de Sir Dylan havia encontrado uma nova e arrebatadora paixão.
              As princesas das Terras do Leste, Elinor e Frances, eram conhecidas em todos os Quatro Reinos, e até mesmo em países mais distantes, pela sua grande beleza. Na opinião de Sir Dylan, a princesa Frances, a mais nova e sua grande amiga, era a mais bela, ainda que Elinor também fosse linda. Ele esperava ansioso pelo passeio matinal das princesas pelo pátio do palácio. A companhia da princesa Frances era a única coisa capaz de quebrar o seu quase constante mau humor.
                Por fim, as duas irmãs vieram ao pátio. Quase no mesmo momento, Sir Graham Nash abordou a princesa Elinor. Era quase palpável a paixão dele, ainda que a princesa estivesse noiva do herdeiro de um grande feudo das Terras do Leste, Lord Robert Plant.
                   A princesa Frances viu Sir Dylan, e deu-lhe um grande sorriso. O cavaleiro amava aquele sorriso. Ela se encaminhava para ele, quando Sir Allan Clarke colocou-se diante dela. Sir Dylan praguejou mentalmente. Não tinha nada contra Sir Allan... Exceto pelo fato de este ser seu rival. Toda a guarda real sabia que Sir Allan estava perdidamente apaixonado pela princesa Frances e desejava pedir a mão dela ao rei Edmund.
                      Finalmente a princesa conseguiu se livrar de Sir Allan e foi até Sir Dylan.


- Bom dia, minha princesa. – disse Sir Dylan, beijando a delicada mãozinha da princesa.
- Bom dia, Sir Dylan. – ela sorriu. Então disse, num tom de voz baixo: - Sir Allan está entusiasmado esta manhã.
- Ele está apaixonado, princesa Frances.
- Eu sei! E devo confessar que, ainda que fique lisonjeada, não desejo o amor dele.
- Mas, princesa, ele será um bom marido para você.
- Eu não creio nisso, Sir Dylan.
- Para falar a verdade, nem eu, minha princesa.

                          
                    A princesa deu uma pequena risada. Seus lindos olhos azuis resplandeceram, tirando o fôlego do cavaleiro.


- Sir Dylan, qual o motivo da guerra que se aproxima? – perguntou-lhe ela. – Meu pai diz que não me interessa...
- O rei James das Terras do Norte teve sua filha, a princesa Mary Anne, raptada por Lord Daltrey, um jovem e poderoso senhor feudal das Terras do Sul. Ele declarou guerra ao país de origem do raptor. As Terras do Oeste estão apoiando as Terras do Sul, e seu pai aliou-se ao Norte.
- Pergunto-me por que meu pai não me permite tomar parte nos assuntos do reino.
- Bem, princesa, não será Sua Alteza quem assumirá o comando do reino quando o reinado de seu pai terminar, mas sua irmã.
- Mesmo assim, creio que tenho o direito de saber! É o meu povo que está indo à guerra! Se puder ajudar...
- É muito corajosa, princesa Frances.
- Obrigada, Sir Dylan. Tenho treinado, com sua ajuda ou sozinha, há muitos anos. Sei lutar com uma espada e cavalgar tão bem quanto qualquer um de vocês, cavaleiros da guarda de papai. Porém, se ele souber disso... Não ficará feliz.
- Princesa, precisa impor-se!
- Sir Dylan, papai jamais dar-me-á ouvidos! Se eu disser a ele que desejo servir em nosso exército ou me casar com o homem que amo, ele ignorará!

            
                 “Casar com o homem que ama?”, Sir Dylan pensou, nervoso. “Será Sir Allan? Mas ela mesma não disse que não crê que ele será um bom marido?”

                                                            * * *
        

(George’s POV)

- Eu vi aquele lorde baixinho tirar a princesa Mary Anne para dançar! Se eu soubesse o que ele estava prestes a fazer... – resmungava Sir George.
- George, ninguém seria capaz de prever esse desatino de Lord Daltrey! – disse Sir John. - Nem mesmo Lord Page das Terras do Leste.

                 Lord Page das Terras do Leste, um dos jovens senhores feudais daquele país, amigo de infância de Elinor, a filha mais velha do rei Edmund, tinha fama por todos os Quatro Reinos de grande mago. Porém, nenhum boato foi comprovado.

- Você realmente se sente atraído pela minha irmã, não é, George? – provocou o príncipe Paul.
- Alteza, eu jamais teria quaisquer pretensões em relação à sua irmã! Não sou sequer digno de olhar para ela!
- Pois saiba que eu ficaria imensamente feliz em tê-lo como cunhado, meu caro companheiro.

                   Ao ouvir essa afirmação do príncipe, Sir George ruborizou-se, confirmando as suspeitas de seus três amigos, reunidos ao seu redor.

- Por falar em se sentir atraído... O que achou daquela ruiva das Terras do Oeste, John? – indagou Sir Richard, com um sorrisinho malicioso.
- Qual delas? Havia duas... – Sir John tentou desconversar.
- Ora, qual delas! A mais velha, Lady Roselyn Donovan! Lady Vivian é pouco mais do que uma menina! Ademais, o filho de Lord Romanov parece já estar interessado nela.
- Bom, Richard... Eu diria que Lady Roselyn Donovan é uma bela moça. Certamente, temos lindas mulheres aqui nas Terras do Norte. A filha de Lord Mackenzie, a de Lord Carlisle, a de Lord Stone. A nossa própria princesa. Desculpe, Paul, mas você tem mesmo uma bela irmã. – acrescentou Sir John ao notar o olhar enciumado do príncipe. – Mas aquela dama... Aquela dama era absolutamente maravilhosa!
- Eu sabia. – Sir Richard sorriu, triunfante. Sir George e o príncipe Paul, que também tinham suas suspeitas, viram-nas ser confirmadas.
- É uma pena que as Terras do Oeste sejam nossas inimigas nesta guerra. O que significa que não poderei cortejar Lady Roselyn antes que o conflito tenha fim. – suspirou Sir John. – Seria uma afronta ao rei James.
- Lord Michael Dolenz não está comprometido a uma dama de lá? – lembrou-se o príncipe Paul.
- Sim, está. – confirmou Sir Richard. – Lady Suzan Hardison. Amiga de Lady Roselyn, por sinal.
- Se conheço bem Lord Michael Dolenz, ele não se importa com o fato de que o país de sua noiva é atualmente nosso inimigo. É bem possível que não só mantenha o compromisso, como também se case com ela. – disse Sir George.
- A verdade é que Lord Michael Dolenz largaria a vida de nobre e se tornaria jogral, se pudesse. – disse Sir John. – Dizem que Lord Dolenz despediu o bufão de seu castelo porque seu próprio filho, Michael, era mais engraçado.

                    Sir John e os amigos desataram a rir. Precisavam aproveitar ao máximo cada momento de descontração que lhes era permitido, pois a sombra da guerra estava a cada dia mais próxima.

                                                                       * * * 


(Davy’s POV)


                  David Jones sabia que aquilo não era certo. Ele era um mero escudeiro. Ela era uma dama, a filha de um importantíssimo senhor feudal. A noiva de seu amo, Lord Tork. E, antes de mais nada, a noiva de Peter, seu amigo de infância.
                 No entanto, quando ele pensava naquela jovem que conhecera no baile, e que havia acabado de ver depois que saíra da estrebaria do castelo de Lord Mackenzie, tinha mais certeza de que seria impossível refrear seus sentimentos. Lady Dianna Mackenzie era tudo que ele poderia querer. Era bela e charmosa, como qualquer um podia ver. Era versada em todas as artes que a moda da época determinava que uma dama deveria conhecer, como cantar e tocar instrumentos, o que ele pôde observar num certo momento no baile de Lord Tork, em que este pediu a Lady Dianna que cantasse algo.
                 E ela havia tido as mesmas aulas que o irmão. Entendia de história, geografia, latim, literatura grega e romana, matemática, astronomia. David achava que aquela combinação de conhecimentos “femininos” e “masculinos” tornava Lady Dianna ainda mais atraente.
                  Ele não aguentava. Precisava revelar seus sentimentos a ela, custasse o que custasse. Esperou o fim do jantar para falar com ela. Quando ela se dirigia aos seus aposentos, foi atrás dela. Por sorte, ninguém o viu. Chamou-a.

- Lady Dianna?
- Oh! Sr. Jones! Não ouvi o senhor se aproximando.
- Perdão, milady.
- Sem problema.
- Lady Dianna... Antes que eu parta para a guerra, preciso... Dizer-lhe algo.
- Sim, sr. Jones?
- Milady... Quando a vi pela primeira vez, no baile de Lord Tork, eu fiquei fascinado por sua beleza. E fiquei mais fascinado quando mais tarde, no mesmo baile, você mostrou suas habilidades musicais. Ouvi também Lord Tork falar sobre a sua primorosa educação. Eu não posso evitar. É meu único pensamento, milady.
- Sr. Jones...
- Chame-me de David, minha amada. – ele pegou e beijou a mão dela.
- Está bem. – Lady Dianna suspirou. – A partir de agora, David, deve me chamar de Dianna.
- Como quiser, mi... Digo, Dianna.
- Então me ama, David?
- Desde o momento em que a vi pela primeira vez, Dianna.
- Eu também o amo desde aquele momento, David. Quando pus os olhos em você, julguei ter um anjo diante de mim.
- Porém, sou apenas um pobre escudeiro. Você é a filha de um importante lorde das Terras do Norte! Não sou digno sequer de beijar sua mão delicada!
- Isso não me importa. Eu quero você, e apenas você!      
- Mas e Lord Tork?
- Eu não me importo com ele! Sei que ele pode muito bem encontrar outra noiva, uma noiva que realmente possa amá-lo.
- Dianna, seus pais...
- David, eles não podem tentar conter meu desejo de me casar com o homem que eu amo! Eles próprios se casaram por amor, deveriam entender meu lado!
- Minha amada, eu juro, farei o meu melhor nesta guerra! Se a sorte estiver ao meu lado, o rei James sagrar-me-á cavaleiro, e eu poderei desposá-la!
- Rezarei por você, David. – ela pegou a mão dele e apertou-a carinhosamente.
- Dianna, permite que eu te roube um beijo?
- Quantos quiser.

                         O escudeiro envolveu a bela dama em seus braços e deu-lhe um beijo apaixonado e quase desesperado. Ele não sabia se viveria para vê-la novamente. Ou se seria sagrado cavaleiro para poder fazer dela sua esposa. Quando terminaram o beijo, ele disse:

- Está tarde. Você não deveria se recolher a seus aposentos?
- Eu deveria, mas não quero deixá-lo, meu amor!

                           Então ouviram uma voz que ambos temiam.


- David! Onde está? Preciso falar com você sobre os preparativos de guerra!
- Oh, meu Deus, é ele. – Dianna sussurrou. – Se ele nos vir juntos...
- Corra para seus aposentos, Dianna! Que eu esteja em seus sonhos esta noite! – David falou, extremamente baixo.
- Você estará. – ela correu para seus aposentos, soprando um beijo para ele.
- Já vou, Lord Tork! – disse David, tentando aparentar o máximo de naturalidade possível ao caminhar em direção ao amo e amigo.
- Onde você estava, David? – perguntou Lord Tork, ao finalmente encontrar seu escudeiro.
- Estava observando as tapeçarias de Lord Mackenzie. – mentiu David. – Lindas peças, não?
- Sim, maravilhosas. – concordou Lord Tork. – Contudo, evidentemente, a coisa mais bela no castelo de Lord Mackenzie é sua filha. Eu espero que essa guerra logo tenha um término! Mal posso esperar para desposar Lady Dianna!


                        David ficou quieto. Temia muito não poder evitar aquele casamento. Ele sabia que deveria desejar que o amigo fosse feliz... Mas e se a verdadeira fonte de felicidade de Lord Tork estivesse em outra jovem, não em Dianna?
                            



                                 

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