Boa noite! Antes de começar a escrever mais, já posto o novo episódio da minissérie com jeito de novela. Boa leitura!
Dianna foi levada ao quarto do menino Henry, para conhecer seu novo
aluno, pelo próprio irmão mais velho do menino. Ao chegarem, Davy abriu a porta
e disse ao irmão pequeno:
- Henry, sua nova preceptora está aqui. Venha, não se
acanhe!
Um menino de no máximo oito anos largou os soldadinhos de chumbo com que
brincava e se levantou do chão. Ele automaticamente arrumou as roupas e o
cabelo. Sua preceptora em Londres exigia que ele estivesse sempre com uma
aparência impecável. Qual não foi a surpresa de Henry ao ver que a nova
preceptora era uma moça bonita e sorridente, completamente diferente da mulher
feia e emburrada que lhe dava aulas quando ainda morava na casa dos pais em
Londres!
- Olá, Henry. – disse Dianna, afável. – Eu sou a srta.
Mackenzie, sua nova preceptora. Mas, se você quiser, pode me chamar de Dianna,
eu não me importo. Sempre tratei a minha preceptora pelo nome.
- Você teve uma preceptora quando criança? – Henry
perguntou, surpreso.
- Tive. Tive sim. Eu gostava muito dela... Espero que goste
de mim também. Vou te ensinar o que for necessário, e vou cobrar que sempre
estude suas lições, mas nós vamos brincar bastante também! Combinado? – Dianna
quis saber, sorrindo para o menino.
- Combinado, srta... Digo, Dianna. – disse Henry, sorrindo
também.
Dianna não podia deixar de notar que Henry se parecia muito com seu
irmão mais velho, principalmente quando sorria. Tirou os olhos do menino por um
momento e deparou-se com o olhar de Davy, que também sorria para ela. Ficou
ruborizada e baixou os olhos.
- Bem, vou deixá-los para que comecem com as aulas... Ou com
as brincadeiras, o que a senhorita preferir, srta. Mackenzie. – Davy disse. – E
você, Henry, seja um menino bonzinho e se comporte! Sabe que a mamãe e o papai
me deram permissão para te deixar de castigo quando fizer alguma pirraça! – o
jovem conde gracejou.
- Eu não vou fazer nenhuma pirraça, Davy! – respondeu o
menino.
- Eu sei que não, Henry. Sempre foi um ótimo garoto. Bom...
Até mais tarde.
Antes de fechar a porta do quarto atrás de si, Davy olhou uma última vez
para Dianna, que não sabia bem o que fazer com aquele olhar terno. Porém, logo
se distraiu dando aula para o menino.
Uma hora mais tarde, Dianna estava indo à cozinha para buscar um lanche
para o pequeno Henry, quando cruzou com o jovem conde.
- Meu irmão deu algum trabalho, senhorita? – quis saber
Davy.
- Oh, não, o senhor está certo, sr. conde, seu irmão é um
menino muito bom. Bastante inteligente e comportado. Agora estou indo buscar um
lanche para ele. Ele merece.
- Fico aliviado. Ele tinha alguns problemas com a antiga
preceptora. Acho que a mulher não tinha muito jeito para lidar com crianças.
- Oh sim. Entendo.
- Oh, Davy! Aí está você, querido! Estava procurando você
para irmos tomar chá!
Dianna viu uma jovem
de longos cabelos pretos e encaracolados, muito bem-vestida, aproximar-se.
- Agora você se distrai conversando com criadinhas, meu
querido? – disse ela, com um tom e olhar de desdém para Dianna.
- Esta é a srta. Mackenzie, a nova preceptora de Henry,
Amber. – disse Davy, claramente desgostoso com o modo como ela se referiu a
Dianna. – Estava perguntando a ela como meu irmão se saiu nesta primeira aula.
- Ah. Então está bem. Mas não se atrase! Quero você na sala
de jantar dentro de cinco minutos! – Amber disse, autoritária, enquanto lançava
um novo olhar cheio de veneno para Dianna.
- Eu estarei lá, Amber. – disse Davy, com um suspiro que ele
não fez a menor questão de disfarçar.
Quando a impertinente se afastou, disse: - Quero que me desculpe pela
conduta de minha noiva, srta. Mackenzie.
- Sua... Sua noiva? – Dianna sentiu seu coração se comprimir
e esfriar.
- Sim. A srta. Henderson se esquece de que somos todos
humanos e merecemos tratamento digno. Ainda mais a senhorita, uma moça tão
culta quanto ela, talvez mais!
- É muita gentileza sua, sr. conde, mas, mesmo sendo tão
culta como o senhor diz, eu ainda sou uma simples criada. Bem... Com sua
licença, seu irmão está com fome. Vou buscar algo para ele comer.
Dianna saiu, sem que Davy tirasse os olhos dela e mais uma vez se
lamentasse por estar noivo de uma criatura arrogante como Amber. Ao entrar na
cozinha, Dianna estava um pouco encabulada.
- Hã... Com licença. – disse ela.
- Olá, senhorita. O que deseja? – perguntou gentilmente uma
jovem loira, alta, de olhos azuis.
- Eu... Sou a nova preceptora do menino Henry... Depois que
terminamos a lição ele disse estar com fome... Poderia preparar o lanche
habitual dele, por gentileza?
- Claro que sim! Alice! – a cozinheira chamou outra jovem
alta de olhos azuis, mas que tinha cabelos pretos. - O chá com leite e o
sanduíche de queijo, como o patrãozinho gosta! Eu mesma prepararia, mas estou
apurada com esses bolinhos de chocolate com canela!
- Num instante, Emma. – disse Alice.
- Obrigada. – Dianna sorriu para as duas.
- Começou hoje, senhorita? – Emma indagou.
- Sim. – Dianna respondeu. – Mas não gosto que me chamem de
srta. Mackenzie... Pode me chamar de Dianna.
- Já conheceu os patrões?
- Sim. O sr. conde é muito gentil...
- E a noiva dele é insuportável! – uma voz conhecida de
Dianna completou.
- Erin? – Dianna virou-se na direção da porta da cozinha ao
ouvir a voz.
- Dianna! – Erin sorriu para a prima. – O que faz aqui?
- Eu é que te pergunto!
- Vocês se conhecem? – Emma e Alice inquiriram ao mesmo
tempo.
- Somos primas! – Dianna e Erin responderam em coro.
- Que coincidência vocês duas virem trabalhar no mesmo
lugar! – disse Emma.
- Pois é! – concordou Erin. – Mas que emprego conseguiu
aqui, Di? Preceptora do irmãozinho do conde?
- Sim... Eu precisava de algum meio para me sustentar depois
que o governo parou de me enviar a indenização devida pela morte do Giles.
- Era seu marido? – perguntou Alice.
- Não, meu irmão. – disse Dianna. – A última coisa que ele
queria na vida era que eu tivesse marido! – sorriu ao lembrar-se das manias do
irmão. – E você, Erin? Qual seu emprego
aqui?
- Criada de quarto da srta. Henderson, a noiva do conde. –
disse Erin. – Vim aqui para a cozinha porque preciso de água quente para uma
bolsa para a futura condessa. – essa última parte Erin falou com um verdadeiro
tom de desprezo.
- O que a sua “amada” patroa tem? - quis saber Felicity, a cozinheira-chefe,
que entrava naquele momento.
- Está com enxaqueca. Aposto que deve ser de ciúmes da...
Nova preceptora. – Erin deu um sorrisinho malicioso para a prima. – Não parava
de reclamar pelo fato de que o conde se atrasou para o chá por estar falando
com a moça.
- Meu Deus do céu, eu juro que não pretendia causar nenhum
incômodo! – Dianna exclamou. – O conde apenas me perguntou sobre como o irmão
se portou durante a primeira aula comigo...
- Nem se preocupe, Dianna. – falou Alice. – Aquela srta.
Henderson é uma enjoada. Só sabe mandar e desmandar. Coitados de nós, criados,
quando aquela megera se tornar de fato a senhora da casa... E tenho ainda mais
pena do conde! Vai ter que aturar aquela mulher até que um dos dois morra! Mas
bem, aqui está o lanche do menino, Dianna, e fiz um sanduíche e uma xícara de
chá a mais, para você!
- Muito obrigada, Alice. – Dianna sorriu.
- Disponha.
- Vocês são pessoas muito agradáveis. Virei aqui sempre que
possível para conversarmos! Até mais! – Dianna se despediu das novas amigas e
saiu da cozinha.
A jovem
pegou a bandeja e levou-a para o quarto do menino. Dianna passaria a dormir num
quarto contíguo. Após terem lanchado, Dianna e Henry brincaram muito, e ela
banhou o garoto. Em seguida, jantaram, e logo era hora de pôr o menino na cama.
- Você pode ler uma história para mim, Dianna? – perguntou
Henry.
- Claro! Basta me dizer que história quer que eu leia!
Henry levantou-se da cama e pegou um livro de contos de fadas de capa
dura e vermelha na estante. Mostrou a ela a história que queria: A Bela e a Fera. Henry voltou para a
cama, deitou-se e cobriu-se, enquanto Dianna se sentava na poltrona para ler.
Quando terminou, Henry disse:
- Tenho certeza de que a Bela era parecida com você, Dianna!
Você é muito bonita.
- Oh, obrigada, Henry. – Dianna sorriu.
- E com certeza, quando recuperou a forma humana, a Fera se
tornou um homem bem parecido com o meu irmão!
- Com... Com o seu irmão?
- Sim! Sempre ouço todas as mulheres da corte dizendo à
minha mãe o quanto Davy é bonito... Espero que um dia eu seja como ele!
- Vai sim, Henry, vai sim. – Dianna disse, um pouco
vermelha. – Agora durma. – Dianna ajeitou os cobertores e afagou o cabelo do
menino.
- Gostei de você, Dianna.
- Eu também gostei de você, Henry.
Assim que ele adormeceu,
a jovem atravessou o quarto e, por uma porta na parede oposta à qual a cama
ficava encostada, entrou no seu quarto contíguo. Arrumou sua cama, vestiu sua
camisola, penteou os cabelos e deitou na cama, mergulhando nos cobertores
quentes. “Com tantos rapazes no mundo, eu tenho que me apaixonar justamente por
um conde? Ele não é para o meu bico... E ainda por cima está noivo daquela...
Daquela... Daquela presunçosa!”.
Passaram alguns dias. Dianna e seu aluno se
davam cada vez melhor, e ela também estreitava mais a amizade com Emma e Alice,
as ajudantes de cozinha amigas de sua prima Erin. Porém, nem tudo eram flores
nas vidas das quatro jovens criadas. Um
dia, no almoço, Emma, Alice e sua chefe, Felicity, foram chamadas à sala de
jantar.
- Qual de vocês preparou o assado? – perguntou Amber, com um
olhar fulminante para cada uma das três.
- Eu, senhorita. – disse Emma.
- Você perdeu a mão na pimenta, menina! – esbravejou Amber.
- Eu... Mil perdões, srta. Henderson...
- Amber, a pobre garota não tinha como saber que seu paladar
é... Sensível... – Davy falou, com uma certa mordacidade.
- Agora sabe! E se carregar demais na pimenta ou em qualquer
tempero que seja... RUA! Isso vale para as três!
Emma, Alice e Felicity arregalaram os olhos, assustadas.
- Amber! – repreendeu-a Davy. – Eu não creio que isso seja
motivo que justifique uma demissão...
- Do lado de quem você está, Davy? Da sua noiva... Ou de
meras criadinhas?
- Acho desnecessário responder. Estão dispensadas,
senhoritas. – Davy disse, com um aceno de cabeça. – E saibam que não permitirei
que sejam despedidas por um capricho da srta. Henderson.
Amber olhava
para o noivo com profundo despeito e espanto. O almoço terminou sem uma palavra
ser trocada entre os noivos. Davy estava furioso com Amber, que precisava
pensar em algo para garantir que fizessem as pazes antes do casamento, que
deveria acontecer dentro de três semanas.
Mais tarde, Davy
foi ao quarto de Henry para ver como estava indo a aula. Ao vê-lo entrar,
Dianna ficou um pouco surpresa. Estavam terminando a aula de geografia. Depois
de dez minutos, Dianna dispensou Henry. O menino perguntou ao irmão:
- Davy, posso ir à cozinha ver o que a Felicity está
preparando para servir no chá?
- Claro, Henry, vá. – disse o jovem conde, afagando o cabelo
do irmãozinho quando passou por ele.
Dianna e Davy
ficaram em silêncio por alguns momentos, até que ele disse:
- Eu... Quero muito agradecer pelo que está fazendo com meu
irmão, srta. Mackenzie. O seu ensino e a sua companhia fazem muito bem a ele.
- Me alegra muito saber que o senhor está satisfeito com meu
trabalho, conde. – disse Dianna, timidamente.
- O meu irmão é um menino enfermiço, sabe... O médico disse
aos meus pais que o ar impuro de Londres só iria piorar a saúde dele, então a
única solução seria mandá-lo para viver no campo. Contudo... Papai e mamãe não
podem sair de Londres, devido ao trabalho dele na corte. Coube a mim receber
meu irmão aqui. Acreditei que ele não seria muito feliz aqui no campo... Mas,
graças à senhorita, esse meu temor não se realizou. – Davy sorriu.
- Não faço mais do que minha obrigação, conde.
- Oh, faz sim. Sua obrigação seria apenas dar aulas para
ele. Mas a senhorita se tornou amiga do meu irmão... E fico muito grato. – Davy
sorriu. – A senhorita mostra mais afeto por ele do que a minha noiva.
- A srta. Henderson não trata bem seu irmão?
- Não. Srta. Mackenzie, eu estou... Arrependido da escolha
que fiz.
- Mas... O senhor estava apaixonado por ela?
- Não. Só estou noivo de Amber porque assim meus pais
querem. Eu amava a minha antiga noiva, princesa Nami do Japão... Mas ela morreu
misteriosamente, numa viagem de navio.
- Oh! Eu sinto muito, conde!
- Obrigado. Eu... Superei. Agora eu amo outra mulher. E
certamente não é Amber.
- Ela deve ser uma jovem de sorte.
- Por ser amada por um homem rico e de posição?
- Não. Por ser amada por um homem generoso. Ainda me lembro
do dia em que me ajudou... E fiquei muito feliz pelo que fez por minhas amigas
hoje, defendendo-as.
- Generosidade não arranca pedaço. Pelo contrário, só traz
ganhos... E o que diria se soubesse que... A senhorita é amada por esse homem
generoso que diz que sou?
O coração de Dianna parou.
- Eu? Eu, uma simples preceptora?
- Mais do que isso, minha amada. Você é mais nobre do que
Amber, que é filha de um visconde. Você é linda. É culta. É doce e bondosa. É
independente. É impossível não se apaixonar por você, Dianna.
O
jovem conde aproximou-se da preceptora com certa cautela. Roubou um beijo
dela... E Dianna não recusou. Entregou-se ao beijo. Separaram-se, enfim, depois
de vários instantes.
- Conde, por favor... O senhor está noivo.
- De uma mulher que não amo.
- Mesmo assim...
- Dianna, é você que quero para ser minha condessa!
Desmancharei tudo com Amber e...
- Não, não. Não faça isso.
- Por quê? Eu te amo...
- Eu não mereço um homem como você... Não tenho mais
dinheiro nem posição. Sou só uma preceptorazinha...
- Não diga isso, Dianna!
- Além disso, você já tem um compromisso. Honre-o.
- Posso desfazer esse compromisso, já disse!
- E eu já te disse para não fazer isso! Me deixa em paz,
conde...
Dianna
começou a se afastar, porém, Davy segurou-a pelo braço. Seu toque era firme,
mas suave.
- Para você, sou Davy. – disse ele, beijando-a mais uma vez.
Ela
acariciava as maçãs do rosto de Davy docemente, mesmo que sua razão lhe
dissesse que ela não devia fazer aquilo. Até que enfim o lado racional venceu o
passional.
- Davy, eu amo você, mas não, não podemos...
- Dianna, eu já disse, termino o noivado e ficamos livres!
- Não! Não faça essa loucura! Se você terminar o noivado... Eu
tenho medo do que pode acontecer.
- Não vai nos acontecer nada...
- Ah, não? E Amber? Ela parece ser o tipo de mulher que não
tem escrúpulos... Não acho que ela deixaria barato se você a deixasse por
mim...
- Não tema... Amber gosta de parecer ameaçadora, mas ela não
fará nada, meu amor, eu prometo. Ela logo arranjará um noivo mais rico e
poderoso do que eu.
- Não, Davy, nós não podemos. Não é possível. Por favor, me
esqueça, e eu te esquecerei.
Dianna
deu um beijo no rosto de Davy e saiu do quarto. Contudo, Davy estava decidido a
mostrar a Dianna que eles podiam sim ser felizes juntos, sem ser perturbados
por Amber.
Três
dias depois, chegaram de Londres os amigos de Davy: Duque Nesmith, Barão Dolenz
e Visconde Tork, além da amiga de infância dele, Viscondessa Müller,
acompanhada do marido. Além deles, chegou a melhor amiga de Amber, a srta. Meg
Johnson, filha de um marquês.
Davy teve a ousadia de pedir,
durante o chá servido para os visitantes no dia de sua chegada, que Dianna
tocasse o piano. Ela havia entrado no salão de chá trazendo o menino Henry,
para que ele cumprimentasse as visitas.
Dianna estava encabulada, mas
atendeu ao pedido. Amber sentiu-se mais uma vez despeitada. Os elogios de Davy
ao talento da preceptora para tocar piano eram muito mais sinceros e calorosos
do que os que ele fazia ao talento da própria noiva.
- Meg, eu te digo uma coisa, Davy está caído de amores por
aquela mera preceptorazinha! – Amber urrou de raiva em seu quarto, uma hora
mais tarde.
Meg riu
gostosamente.
- Ora, Amber, por que Davy olharia para uma simples criada,
quando ele tem você como noiva?
- Eu não sei... Por que o Visconde Müller preferiu aquela
ridícula da Louise McGold quando ele podia ter você? – Amber disse, mordaz.
A esnobe
filha de marquês calou-se.
- Escreva o que estou dizendo, Meg... Eu vou me livrar
daquela preceptorazinha, nem que para isso eu precise matá-la!
- Assim como matou a princesinha japonesa?
Amber
deu um sorriso cruel.
- Exatamente.
Alguns dias
depois, era terça-feira. Dia de Dianna dar aula de piano ao menino Henry. Davy
decidiu que iria deixar no piano uma prova do seu amor a ela. Foi até o jardim
e colheu uma rosa vermelha e uma branca.
Fora das vistas de Amber,
entrou no salão de chá, onde ficava o piano. Levantou a tampa do teclado, e
colocou as rosas sobre as teclas. Presentear a mulher amada com uma rosa
vermelha e uma rosa branca equivale a pedi-la em casamento. Como Davy não podia
pedir Dianna em casamento de fato, aquele seria um gesto simbólico, denotando o
amor e a devoção dele a ela.
Dianna ficou muito surpresa ao abrir o piano pouco antes da aula, para
verificar se estava afinado, e encontrar as duas rosas ali. Às terças, o piano era de uso exclusivo dela
e de seu aluno. Portanto, as flores só podiam ter sido deixadas ali para ela.
- Oh, Davy... – a preceptora sussurrou ao pegar as flores.
Cheirou-as e acariciou as pétalas.
Saiu do salão de chá
para ir buscar Henry, e deixar as flores em um vaso em seu quarto. Porém, no
caminho, encontrou sua rival.
- Ora, ora, srta. Mackenzie! Vejo que ganhou flores! Quem é
o seu namorado?
- É... Perdão, srta. Henderson, eu preciso ir buscar o
menino Henry para a aula de piano. Com licença.
Dianna se
afastou da noiva de Davy rapidamente, contudo, tentando manter a naturalidade.
Amber se contorcia de raiva por dentro. Sabia perfeitamente bem que as rosas
que a preceptora segurava eram um presente de Davy.
Ao entrar em seu
quarto, Dianna colocou as flores no vaso que tinha ali. “Meu Deus, que Amber
não desconfie de nada, ou Davy e eu estaremos perdidos...”. Em seguida, pegou
Henry em seu quarto e os dois se dirigiram ao salão de chá.
Davy foi ao
salão de chá no horário em que sabia que a aula de piano de seu irmãozinho
costumava terminar. Ao abrir a porta, encontrou o menino muito empolgado.
- Davy, Dianna disse que estou cada vez melhor no piano!
Tomara que um dia eu toque tão bem quanto você!
- Eu não duvido nem um pouco disso, Henry. – Davy sorriu
para o garoto. – Agora, por que não vai brincar um pouco?
- Vou sim! – exclamou Henry, disparando pelo corredor.
O jovem conde
observou seu irmão, sorrindo, até que ele saiu de seu campo de visão. Entrou no
salão de chá e fechou a porta atrás de si.
- Dianna? – chamou ele.
- Olá, Davy. – ela ergueu a cabeça e sorriu, tímida. Pensava
nele até momentos antes, percorrendo distraidamente os dedos pelas teclas do
piano.
Davy
sentou-se ao lado dela no banco.
- Você gostou do seu presente? – quis saber ele.
- Sim... Na verdade, eu adorei. – ela abriu mais seu
sorriso, no entanto, tornou a abaixar a cabeça.
Ele
ergueu o queixo dela.
]- Fico muito feliz em saber disso.
- Ah, Davy... Eu sinto um aperto tão grande no meu
coração...
- Por quê, meu amor? – ele afagou o rosto dela.
- Amber me viu com as flores.
O conde
foi tomado pelo mesmo receio que a preceptora. Entretanto, tentou acalmar-se e
acalmá-la também.
- Vamos ficar bem. Ela não vai desconfiar da nossa relação.
- Eu espero sinceramente que sim, Davy. – Dianna abraçou o
amado.
Ficaram
assim por longos minutos, até que Davy disse:
- Quero te mostrar algo, Dianna.
- O quê? – inquiriu ela, curiosa.
Davy soltou-se de Dianna e começou a
tocar o piano. A música era linda. Dianna estava extasiada por ouvi-lo. Quando
terminou, ele fitou-a com um brilho esperançoso nos olhos.
- O que achou?
- Oh, Davy, é uma música maravilhosa! É tão tocante! Tem um
certo tom de melancolia, remete a um apaixonado que está padecendo pelo seu
sentimento... Quem é o autor dessa peça para piano?
- É um compositor novo... Chamado David Jones.
- Davy! Você compôs essa peça?
- Sim... Para você. – ele sorriu. – Queria um meio artístico
de expressar o meu amor... E creio que deixei sim transparecer o sofrimento que
toma conta de mim, por não poder assumir este sentimento, que é tão intenso,
tão arrebatador...
- Oh... Eu mal tenho palavras para descrever o quanto estou
contente e lisonjeada! Davy... – Dianna estreitou-o fortemente em seus braços.
– O que sinto por você também é tão pungente...
A jovem beijou seu amado
conde fogosamente, enquanto ele envolvia a cintura dela em seus braços. O beijo
se intensificava a cada instante. Mal sabiam os apaixonados que Amber, que
passeava no jardim, viu-os pela janela...