sexta-feira, 20 de junho de 2014

Love Songs - Quarta parte

 Mais Love Songs pra vocês :)




1) Pete Townshend e Lynn Stephens






The Beatles - And I Love Her












2) Jimmy Page e Vicky Summers







Demi Lovato - My Love Is Like A Star 










3) John Paul Jones e Susie Morris



The Doors - Love Street









4) Angie Smith e John Bonham





The Beatles - Tell Me What You See






























 

Fanny's Autumn Almanac - Capítulo 2

 

        “Isso é loucura”, eu dizia a mim mesma. Um triângulo amoroso em que ninguém é correspondido sempre acaba mal.  Eu me sentia mais ou menos como Fanny Price, protagonista de Mansfield Park, romance de Jane Austen. Chamo-me Frances por causa dela.
        A personagem se apaixona por seu primo Edmund Bertram, personagem austeniano em cuja homenagem meu pai recebeu seu nome. O primo de Fanny se apaixona por Mary Crawford, irmã da esposa do pároco local... Contudo, tudo termina bem para Fanny, como em todo livro de Jane.
      Mas eu não me chamava Fanny Price. Eu me chamava Fanny Fitzwilliam, e o Edmund que me amava era Edmund Fitzwilliam, meu pai.
      O equivalente de Edmund Bertram na vida real, Paul Simon, já tinha uma Mary Crawford em sua vida, e esta era minha prima Emily, com a diferença que minha prima não era uma moça pedante.
         Eu não aguentava mais sufocar o que sentia. Precisava desabafar com alguém. Escolhi a minha irmã.

-          Elinor, posso falar com você? – notei que ela estava lendo A abadia de Northanger, de Jane Austen, possivelmente pela décima vez, e não quis atrapalhá-la.
-          Você sabe que sim, Fanny. – disse Elinor, marcando a página com uma fita e fechando o livro. – Pode falar.
-          Bom... Você tem notado algo diferente em mim? Todos dizem que você é boa em adivinhar o que se passa com as pessoas ao seu redor.
-          Você tem estado um pouco mais quieta e reflexiva. Mas isso você sempre foi, irmãzinha.
-          O fato de que escuto Simon & Garfunkel o tempo todo não lhe diz nada?
-          Isso pode ser interpretado de várias maneiras. Você ama uma bela voz, isso não é segredo para ninguém. E também não se pode negar seu gosto por letras bem-escritas.
-          Justo você, Elinor! A eterna apaixonada sofredora! Não percebe quando alguém sofre do mesmo mal que assombrava você em relação a Jimmy há alguns tempos atrás?
-          Espere um pouco... Fanny! Você está apaixonada pelo sr. Simon, certo?
-          Exato. E ele está apaixonado pela Emily...
-          Oh, Fanny! Não desanime, irmãzinha... Paul sabe que Emily não vai terminar com Syd por ele.

-          Sim... Mas um verdadeiro apaixonado luta pelo que quer, não?
-          Ou tem tanto medo da rejeição que sofre calado, como ele. Ou como eu. Ou mesmo como você.
-          Ah, Elinor, o que vou fazer?
-          Eu não sei, Fanny. Ah, o telefone está tocando. – ela falou, levantando-se para atender. – Jimmy! – ela cumprimentou alegremente. Deixei-a na sala para falar ao telefone em paz, e fui para o meu quarto.

                         Eu não queria terminar como a minha irmã. Ela diz que superou o amor por Jimmy, e que ela agora sente por ele apenas a amizade de sempre. Mas eu duvido, pois todos os dias, por volta das cinco horas, ela se senta na poltrona ao lado da mesinha do telefone, esperando que ele ligue. E, quando, muito raramente, ele não telefona, ela fica morta de preocupação e até mesmo um pouco brava.
                      Precisava me esquecer daquele cara. Ele gostava da minha prima, e pronto. Se ele queria sofrer enquanto Emily vivia feliz e despreocupada ao lado de Syd, problema dele.
                     Ir às aulas me ajudava a tirá-lo dos meus pensamentos. Contudo, quando eu finalmente terminava de estudar e ia para a cama, eu me deitava e ficava contemplando o teto, divagando, sonhando com o dia improvável em que Paul Simon iria desistir de compor canções em homenagem a Emily para conquistá-la e notar que eu existia.

                   Num final de tarde qualquer, eu estava estudando tipos de rochas, um dos meus assuntos favoritos, quando ouvi minha irmã me chamar.

-          O que foi, Elinor? Espero que seja importante.
-          Claro que é! Jimmy vem me visitar!

                     Eu já me preparava para suportar uma possível recaída de Elinor. Jimmy apareceu em nosso apartamento dois dias depois.

-          Elinor! – ele exclamou, alegre.
-          Jimmy! – ela estava tão entusiasmada quanto ele.

             Eles se abraçaram com força, pois não se viam havia muito tempo. Eu não posso culpar a Elinor. Jimmy tem mesmo algo apaixonante. Ele é tão talentoso... E sua beleza é exótica, totalmente diferente do padrão inglês.
              Mas eu indiscutivelmente preferia Paul. Emily e eu ficamos observando a reação do “ex-casalzinho” por um tempo, para tentar adivinhar o que viria a seguir.


-          O que tem feito, Elinor? – ele quis saber.
-          O de sempre.
-          Estudar e ler, ler e estudar. – ele riu.
-          Exatamente. E você?
-          O de sempre.
-          Tocar guitarra e pegar garotas, pegar garotas e tocar guitarra. – ela deu um sorriso.
-          Eu não ficaria tão certo quanto às garotas. – ele disse. Reparei que ele segurava a mão dela. Ele próprio notou isso, e logo soltou a mão de minha irmã. – Desculpe, Elinor.
-          Tudo bem... – disse ela.

                        Jimmy ia ficar hospedado num hotel. À noite, nós conversávamos sobre rapazes. O assunto é trivial demais, não nego, mas minha irmã, minha prima e eu adorávamos abrir nossos corações uma para as outras.

-          Eu estou tão feliz... – Emily começou. – Syd é o melhor namorado que pode existir.
-          Por que vocês não assumem isso para todo mundo, não só para os amigos íntimos? – Elinor perguntou. – Vocês estão juntos há três anos, Emily!
-          É difícil, Elinor... Meu pai e minha mãe nunca aceitariam. Syd é tão...
-          Estranho? – eu sugeri, rindo.
-          Eu ia dizer “diferente”, mas “estranho” também serve, Fanny. – Emily riu, seguida de Elinor.
-          Você acha mesmo que tio Edwin e tia Jackie não iriam aceitar o namoro de vocês? – quis saber minha irmã.
-          Acho sim. Creio que eles gostariam de me ver acompanhada de um futuro engenheiro, ou médico, ou advogado, e não de um músico e artista plástico.
-          Mas o que interessa é o amor, Emily! – argumentei. – Não importa como Syd ganha seu pão, e sim se ele a faz feliz.
-          Sua fé no amor é muito louvável, Fanny... Mas você é tão jovem, prima. Vai saber um dia que certas coisas podem arruinar lindas histórias, mesmo que os protagonistas se amem mais do que tudo neste mundo. Mas já falamos bastante de mim. Vamos falar da Elinor.
-          De mim? – minha irmã perguntou. - Eu não tenho nada para contar...
-          É mesmo? A eterna apaixonada não tem mesmo nada para contar? – Emily alfinetou.
-          Eu não amo mais o Jimmy... – Elinor disse. – Eu lutei para superar, e consegui.
-          Mas ele tem dado pistas de que está carente... “Eu não ficaria tão certo quanto às garotas”, por exemplo. – eu provoquei.
-          Jimmy logo vai arranjar alguém. Ele não serve para mim. – Elinor suspirou. – É o meu melhor amigo, eu o amo como se fosse da família, mas ele jamais poderia me amar de uma forma que não essa. Oh, Deus... – os olhos de Elinor ficaram marejados. Ela ainda sofria um pouco por esse amor não-realizado, que ela sempre tentou sufocar dentro de si.
-          Não chore, Elinor! – pediu Emily. – E aquele cara com quem você saiu uma vez?
-          O Tommy? Ele é tão chato! Meu primeiro beijo foi ruim, diferente de tudo que sonhei.
-          Então por que você saiu com ele? – eu quis saber.
-          Porque... Eu queria esquecer o Jimmy.
-          Ah, Elinor... Você vai achar um amor para chamar de seu. Não foi o Jimmy, nem o Tommy. – disse Emily.
-          Mas eu nunca gostei do Tommy.
-          Poderia ter gostado... Mas a questão não é essa. – Emily prosseguiu. -  O que interessa é que o seu Mr. Darcy não foi o Jimmy, nem o Tommy, e pode não ser o terceiro cara que cruzar seu cruzar seu caminho... Tenha paciência e ele virá.
-          Você deveria ser escritora, Em, não eu.
-          Eu? - Emily riu. – Você e o Paul me dão um banho de talento.
-          Por falar no Paul, Fanny tem algo a dizer sobre ele, não tem, Fanny?

                    Por essa eu não esperava! Elinor não poderia ter me pego com calças mais curtas!

-          Hã... Bem... Sim, eu tenho.
-          É mesmo? – Emily, curiosa como ela só, quis saber. – O que é, Fanny?
-          Bom... Eu estou apaixonada por ele. – confessei, depois de um longo silêncio.
-          Sério? Eu jamais imaginaria! Você não deixa transparecer...
-          Não mesmo. – concordei. Eu estava prestes a revelar que não tinha esperanças, quando a campainha tocou. Elinor se levantou do sofá e foi atender.
-          Sr. Simon! Que surpresa! Pensei que ainda estava viajando! – ela exclamou.
-          Por favor, Elinor, posso falar com Emily? – seu tom de voz mostrava que ele estava nervoso. Nem sequer chamou minha irmã e minha prima de “srta. Elinor” e “srta. Fitzwilliam”.
-          Claro que pode falar, Paul! – Emily disse.
-          Eu não posso mais ficar calado, Emily! Escute minha canção.

                       E ele cantou “For Emily, Whenever I May Find Her”. Minha prima escutou tudo, e não disse nada quando ele terminou. Notei que ela parecia medir suas palavras, e por fim ela disse:

-          Paul, eu fico extremamente lisonjeada com esse seu sentimento, mas eu...
-          Você ama o Syd, eu sei. Eu não estou pedindo nada, só queria que você soubesse.

                        Com lágrimas brotando dos olhos, ele saiu correndo. E eu o segui.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Oneshot: Layla, the ginger-haired photographer

       Apesar do título, Eric Clapton não é o personagem central desta fic. Na verdade, este é Dave Davies. O título se deve à identificação de Dave com o eu-lírico de Clapton na canção Layla. 







     




      - Oh, Emily, a ruiva! Oh, Emily, tão bela! - exclamava Dave Davies, guitarrista dos Kinks, pensando em sua amada, a estonteante fotógrafa Emily Fitzwilliam.

          Dave a vira pela primeira vez num show no UFO Club, um dos principais núcleos psicodélicos da capital inglesa, em 1967, pouco depois do namoro dele com Felicity McGold ter chegado ao fim. Emily estava no UFO a fim de fotografar o Pink Floyd, a banda de seu então namorado, Syd Barrett.
          Entretanto, percebia-se sem custo que o relacionamento, que havia começado em 1962, estava desgastado. Cinco anos de namoro depois, as drogas haviam afetado Syd sensivelmente. Emily temia pelo namorado, e, mesmo que seus pais forçassem-na a terminar com ele, ela fazia de tudo para evitar o rompimento.
           Haviam passado dois anos desde que Dave pusera os olhos em Emily pela primeira vez, e ela só dera fim ao namoro com Syd havia poucos meses. Dave, que via-a frequentemente em festas da sociedade londrina underground, porém nunca tivera coragem de conversar com ela, não acreditava que tinha grandes chances de ouvir aquela deusa de cabelos ruivos e olhos azuis dirigir sua fala a ele.
             Certa vez, os Kinks foram convidados para uma festa na casa de Mick Jagger, e lá estavam também Emily Fitzwilliam e um grande amigo do anfitrião:  Clapton, "o Deus". Dave tentou, de várias maneiras, aproximar-se de Emily, mas sua timidez o travava. Quando viu a moça conversando com Bill Wyman, desesperou-se. Ele não podia perdê-la para o baixista dos Stones. Esperou que Bill fosse embora. O caminho ficou livre, e lá foi ele conversar com sua amada.

- Olá. - disse Dave.
- Oh, olá. - Emily sorriu. - Você é Dave Davies, se não me engano.
- Sim, minha cara Emily.
- Como sabe meu nome?
- Eu já a conheço de vista há muito tempo, mas nunca pude conversar com você, ruiva.
- Ruiva? - ela riu. - Era assim que Eric Clapton chamava sua antiga namorada, Rosie Donovan.
- Ah sim, a moça que ele deixou por Pattie Boyd.
- Pois é. Eu achei isso uma verdadeira sacanagem com a Rosie, mas é visível que Clapton ama Pattie. Já ouviu a canção que ele escreveu recentemente para ela?
- Não sei... Qual é o título?
- Layla. Ah, mas falando em Eric Clapton, lá está ele! Quem  sabe ele não a canta para você ouvir?
- Acho que vou até lá pedir para que ele cante. Até mais, Emily.
- Até mais, Dave. - Emily despediu-se dele com um belo sorriso.

                    Dave foi, então, ao encontro de Eric Clapton.

- Olá, Clapton.
- Olá, Davies menor.
- Uma certa ruiva me contou sobre a sua nova canção. Eu gostaria de ouvi-la.
- Uma certa ruiva? Não seria.... R-Rosie?
- Não, não. Outra ruiva. Emily Fitzwilliam.
- Ah, sim. Belíssima, aquela fotógrafa.
- Sim. - suspirou Dave.
- Está apaixonado por ela? - quis saber Eric.
- Perdidamente. Mas eu acho que a lembrança do Barrett ainda paira sobre ela.
- Creio, então, que minha música cai como uma luva para sua situação, Dave.
- Cante, Eric, por favor. - pediu Dave.


                     Assim, à capela, Clapton cantou:



What will you do when you get lonely
and nobody's waiting by your side?
You've been running and hiding much too long
You know it's just your foolish pride

Layla
You've got me on my knees, Layla
I'm begging darling please, Layla
Darling, won't you ease my worried mind

Tried to give you consolation.
When your old man, had let you down.
But like a fool, I fell in love with you.
You turned my whole world upside down.


Layla
You've got me on my knees, Layla
I'm begging darling please, Layla
Darling, won't you ease my worried mind

Make the best of the situation
Before I finally go insane
Please don't say we'll never find a way
Or tell me all my love's in vain

Layla
You've got me on my knees, Layla
I'm begging darling please, Layla
Darling, won't you ease my worried mind

         Quando Eric terminou, Dave disse: 

- Cara, você traduziu o que sinto por Emily. 
- É bom saber que alguém se identifica com essa canção. - disse Eric, satisfeito com o resultado de sua obra. 
 
        Dave não sabia dizer o porquê, mas sabia que, um dia, Emily, a sua Layla, atenderia às suas súplicas. 


                                                                                                        




terça-feira, 3 de junho de 2014

Fanny's Autumn Almanac - Capítulo 1

 Com vocês, minha nova fic! Esta é a história de Fanny Fitzwilliam, a irmã mais nova da nossa querida Elinor Fitzwilliam, de "Heartbreaker". Na fic sobre o amor entre sua irmã e Robert Plant, ela aparece acompanhada do vocalista dos Hollies, Allan Clarke. 
  Mas antes dele, Fanny já havia se relacionado com Paul Simon e Ray Davies, e são esses namoros que serão retratados nesta fic. 






     

         Uma garota com grandes sonhos presa numa cidadezinha pequena. Essa era eu, a pequena e meiga Fanny. Na verdade, meu nome completo é Frances Elizabeth Fitzwilliam.
         Eu vivia com meus pais, o advogado Edmund e a dona de casa Helen, e a minha irmã mais velha, Elinor. Sempre adorei Elinor, ela é um anjo.
        Mas sempre senti que estava um pouquinho à sombra dela, por ser três anos mais nova. Então sempre me esforcei para que eu estivesse tão avançada nos estudos quanto ela.
          Elinor tinha um grande amigo, um rapazinho de sua idade chamado James Page, que ela insistia em tratar por Jimmy. A propósito, foi minha irmã quem me deu meu apelido. Quando eu era bebê, papai e mamãe me chamavam de "Franny". Como Elinor, quando criancinha, tinha dificuldades em pronunciar o R, me chamava de "Fanny". E o apelido pegou.
            Voltemos a Elinor e Jimmy. Minha irmã tinha suas amigas no colégio, mas sempre preferia a companhia de Jimmy à de qualquer uma de suas colegas. Quando eu fiz uns doze anos, Jimmy começou a viajar para tocar guitarra em bandas.
           Nas primeiras vezes, minha irmã chorava. Eu, em minha ingenuidade de recém-chegada à adolescência, achava que ela estava triste simplesmente porque seu melhor amigo estava longe. Depois entendi que Elinor ficava em prantos pelo fato de estar apaixonada por Jimmy.
           Quando nos tornamos adultas, minha irmã continuou cheia de problemas amorosos, como quando se apaixonou por Keith Richards. Enquanto ela estava às voltas com seu coração, o meu sabia muito bem o que queria.
             E o que ele queria era Ray Davies, dos Kinks. Mas antes, queria Paul Simon, da dupla Simon & Garfunkel. Quer dizer, a dupla havia acabado de se desfazer quando eu o conheci... Acho melhor explicar tudo.
           
               Eu era uma estudante novata de geografia na Universidade de Cambridge. Eu tinha tanta experiência de mundo quanto uma garota de 17 anos pode ter. Não conhecia ninguém na cidade, exceto minha irmã Elinor, que estudava Letras, minha prima Emily, que estudava Artes Plásticas, o namorado não-reconhecido de Emily, o também estudante de Artes Plásticas Syd Barrett, e os amigos do cara: Roger Waters, Rick Wright e Nick Mason.
               Uma vez, topei ir a uma festa com eles. Lá, fomos apresentados a um jovem norte-americano formado em Letras, mas que trabalhava como músico, chamado Paul Simon. Baixo, jamais seria considerado um rapaz lindo, mas era gentil e simpático. Conversou bastante com Elinor, pois eram da mesma área, e com os rapazes, que gostavam de música e estavam formando uma banda. No entanto, ele também soube ser agradável comigo e com Emily.
              Quando estávamos indo embora, Emily deixou cair, sem querer, um lencinho branco de sua bolsa, que estava um pouco aberta. Paul, muito solícito, pegou o lenço antes que ele caísse no chão e devolveu-o à minha prima. Ela ficou muito agradecida.
               Eu notei o olhar daquele americano. Ele parecia estar encantado com a minha prima. Afinal de contas, Emily, com seus cabelos ruivos e olhos azuis, era uma lady. Contudo, seu coração já pertencia ao excêntrico Syd. “Pobre sr. Simon”, pensei.
              Esqueci esse incidente e continuei com a minha rotina, estudando bastante e saindo pouco. Minha irmã e minha prima eram estudiosas também, mas não recusavam um passeio, principalmente Emily. Fiquei sabendo, numa certa manhã, depois de umas três semanas, que um de seus companheiros mais freqüentes era Simon. Eu ia perguntar a Emily se ele já havia demonstrado um interesse por ela maior do que mera amizade, quando a campainha do apartamento que dividíamos soou.

-          Olá, Paul. – cumprimentou Emily.
-          Oi, srta. Fitzwilliam. Srta. Elinor, srta. Frances. – ele cumprimentou à minha irmã e a mim com um aceno de cabeça.
-          O que o traz aqui? – Elinor quis saber.
-          Eu gostaria de chamar as senhoritas para ver o meu show, antes que eu saia da Inglaterra para tocar em outros lugares. Será aqui em Cambridge mesmo.
-          Ficaremos muito contentes em ir, sr. Simon! – Emily sorriu. Notei que o tratamento formal, com as palavras “senhor” e “senhorita”, era uma espécie de brincadeira entre ele, Elinor e Emily. Era estranho, mas inegavelmente engraçado.

            Nós fomos. O show foi bom. Paul Simon tinha talento. Assim que acabou, ele nos recebeu em seu camarim, além dos rapazes. Ele contou que havia lançado um disco com um amigo, chamado Art Garfunkel, e que o disco havia fracassado. Aconselhei-o a não desanimar, e ele sorriu, dizendo:

-          Obrigado, srta. Frances. Prometo que não vou fraquejar.

         Depois de um tempo, ele chamou Elinor e eu. Emily estava distraída, conversando com Syd e os outros.

-          Fiz esta canção para a srta. Fitzwilliam. Mas eu creio que ela vai ficar no máximo grata. Eu sei que ela gosta do Syd. Chama-se “For Emily, Whenever I May Find Her”.


     Ouvi-lo cantar a bela música era de partir o coração. Dava para notar que ele sofria com aquele amor não-correspondido. E então eu notei que estava me apaixonando por aquele sujeito. 

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Mary Anne With The Shaky Hands - Capítulo 10: "In my life I'll love you more"

        Roger finalmente acordara. Fiquei feliz com isso, é claro. Entretanto, naquele momento, fiquei ainda mais certa de algo de que já suspeitava: meu amor por Roger já não era tão forte quanto antes.
           Por outro lado, meu amor por George, que estivera adormecido, crescia cada vez mais. A sua dedicação e seu esforço em me fazer sorrir foram as provas que faltavam de que ele era o certo para mim. Mas eu não daria essa notícia a Roger naquele momento. Ele ainda estava debilitado. O médico entrou e disse:

- Ora, então acordou, sr. Daltrey! Seus amigos ficarão felizes em saber disso.

           Ox, Moonie e Pete entraram. Roger e Pete brigavam na maior parte do tempo, mas o guitarrista  parecia feliz em ver que Roger estava bem. No fundo, mas bem no fundo mesmo, os dois eram amigos.
           Os quatro companheiros tagarelavam, e George e eu apenas observávamos a cena. De repente, uma moça entrou. Keith, Pete e John entreolharam-se. Pareciam conhecê-la. Roger perguntou, surpreso:

- Lily Campbell? O que veio fazer aqui?
- Olá, querido Roger. -  ela deu um sorriso um tantinho sardônico. Acho que ele não era tão "querido" assim. Não gostei dela. - Fiquei sabendo que estava em coma, e... Quem é ela?
- Essa é Mary Anne... Minha, hã.... Mas, a essa altura do campeonato, acho que não é mais...
- Sua o quê? - perguntou Lily.
- Minha namorada. - Roger disse, por fim.
- Ora, ora, então você se tocou!
- Se tocou de quê? - perguntei.
- De que eu nunca daria a mínima bola para ele.

                Que cínica! Como ela podia dizer isso, e de uma maneira quase rude? Ela não se importava com Roger, que mal tinha acabado de despertar de um coma?

- Lily, Mary Anne é um encanto de moça, diferente de você, com essa sua língua ferina. - disse Pete.
- Eu concordo! - Keith endossou.
- Rapazes, controlem-se, ok? - John pediu. - Sem tumulto, pelo amor de Deus!
- Já percebi que minha presença incomoda algumas pessoas aqui. Vou embora. - e aquela garota de ar esquisito foi embora. Já não era sem tempo.
- Mary Anne, me desculpe... - Roger pediu. - Eu não consigo pensar em um motivo para ela ter vindo aqui, uma vez que ela mesma diz que não liga para mim.
- Você... gostava dela? - perguntei.
- É, eu costumava gostar um pouquinho dela sim. Mas era apenas uma ilusão. E creio que perdi você também.
- Oh, Roger... Perdão. - pedi. - Você foi vencido.
- Vencido? - Keith, Pete e John perguntaram.
- Longa história, longa história. - disse George, que havia ficado quieto durante todo aquele tempo.
- Fui vencido? - Roger perguntou. - Então, só me resta desejar que George a faça feliz, Mary Anne.
- Eu farei. - George disse, me abraçando.
- Ótimo. - Roger disse. - Sei que minha garota de mãos trêmulas ficará bem.

                                                                 * * *

 

                    Roger recebeu alta no dia seguinte. Desejei que ele ficasse bem, em todos os sentidos. Não tenho mágoas em relação a ele.
                   Pete e Evanna iam muito bem, e não fiquei surpresa quando, no dia de meu noivado com George, para o qual convidei o The Who, os Kinks, Evanna, meu irmão, John e Ringo, Pete levou Evie para a sacada de minha casa, ajoelhou-se diante dela e inquiriu:

- Evanna Camille Davies, você quer se casar comigo?


                    Minha amiga pegou as mãos do namorado, chorou um pouco e disse:

- Sim, Pete, eu aceito.


                  Fiquei tão contente por ela! E quanto a mim e a George? Bom, como você já sabe, estamos noivos. E muito felizes. É novembro de 1965, e nosso casamento está marcado para janeiro do ano que vem.
                   Em minha vida, eu amarei mais a George. E ele amará mais a mim.

                     

A Hazy Shade Of Winter (Oneshot)

Como a minha outra oneshot, esta aqui simplesmente brotou na minha cabeça, e tenho que escrever antes que eu esqueça. Ela se passa nos anos 70. Evanna Davies e Art Garfunkel estão casados e acabam de ter um filhinho, James. 












          Num dia de inverno, com muita neblina...

      - Oh, Artie, ele não é a sua cara? - Evanna estava muito feliz com o nascimento do pequeno James.

     - Que nada, Evie, ele se parece com você.

    - Vamos ver o que os outros pensam disso.

      - Outros?
 
     - Sim, convidei alguns dos nossos amigos para ver o Jimmy.

      - Que amigos, exatamente, Evie?
 
       - Mary Anne, meus primos....
 
        - Você chamou o Paul?
 
        - Chamei.... Mas eu sei que as coisas estão meio estremecidas entre vocês, querido.

         - Sim...

               
                Os primeiros a vir visitar o pequeno James Garfunkel foram os membros da família Harrison. George, Mary Anne e seus três filhos: Junior, de quatro anos, Elizabeth, de dois, e a pequena Corina, ainda uma bebezinha de cinco meses. Mary Anne deu muitos conselhos a Evanna, já que tinha muito mais experiência. George e Art conversavam sobre suas carreiras solo.

               Em seguida, chegaram Ray e Dave Davies, os primos de Evanna, que traziam muitos presentes para o pequenino de cabelos encaracolados.

     - Jenna achou que poderia acabar com a sua vida, Evie... - disse Ray. - Mas aquela serpente se enganou.

- Enganou-se redondamente. - observou Dave.

- Ela teve o que merecia. - disse Evanna. - Mas eu não quero pensar em Jenna agora. Quero aproveitar minha vida, com meu emprego, meu marido e meu bebê.

- Está muito certa, Evanna. - disseram seus primos.

                    Então, a campainha tocou. Evie pediu:

- Artie, pode atender a campainha, querido?

- Sim, claro. - Art abriu a porta, e ficou surpreso: - Paul?

- Olá, Art. Vim ver o seu filho... E conversar com você.

                     Evanna sorriu. Parecia que seu plano estava funcionando. Paul Simon pegou o pequeno James no colo e brincou um pouco com ele. Depois, pediu para conversar com Art em particular. Mary Anne aproximou-se de Evie e perguntou:

- Simon não veio aqui apenas para ver o James, não é?
- James é uma benção, Mary. Eu acho que ele vai ajudar muito dois amigos de infância a se acertarem. - Evanna respondeu.



 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sensation - Capítulo 3

   Evelyn não gostava de ser vista como a principal (e por alguns, praticamente a única) compositora da Whereland, ainda que de fato fosse a integrante que mais escrevia canções.
    Para acabar com sua imagem de "figura central", atribuída a ela por ser a vocalista, guitarrista-base, líder e compositora mais frequente, Evelyn decidiu fazer algo que era novo para a Whereland: o lado A do próximo single não seria uma canção dela.
       Ela convocou uma reunião com Jayne, Betty, Mary e Alice para discutir isso.

- É uma ideia bastante boa, Evelyn! - elogiou Alice. - Apenas precisamos escolher duas músicas com boa chance de fazer sucesso.
- Eu sugiro aquela música da Betty que nós tocamos ontem, no ensaio. - disse Jayne.
- Eu apoio!- Mary empolgou-se.
- Mods Are Still Here? Nem pensar, não é uma canção boa o bastante para um single! - Betty protestou.
- Ninguém aqui pensa assim, além de você. - Evelyn disse com um sorriso. - Já posso até ver os mods implorando aos DJs para que essa música toque nas rádios incessantemente!
- E aposto que essa música vai aumentar a popularidade da banda entre os mods...  - disse Alice. - Muitos não aceitam bem a Whereland por não saberem exatamente de que "gangue" vocês são.
- Tudo bem. - a autora da música concordou. - Podemos lançá-la.
- E o lado B? - quis saber Mary.
- Acho que Ballad For A Sad Clown é uma boa. - Evelyn disse. - Uma composição minha, mal-acabada, mas que vai servir para um lado B.
- Duvido que seja mal-acabada. - disse Alice. - Muito bem, meninas, chega de papo e vamos trabalhar!

                                                                      * * *


                   Betty vinha pensando em fazer alguma coisa diferente com o dinheiro que ganharia pelo single para que sua vida saísse da mesmice. Aquela rotina de inúmeros shows e gravações era maçante.
                    Precisava fazer algo que a divertisse e não tirasse seu foco do trabalho e de sua filha. Veio à sua mente, de forma inesperada, uma lembrança: ela, aos onze anos, vendo seus pais, Gilbert e Kathleen, encenando A Megera Domada, uma das mais importantes comédias de William Shakespeare, no teatro de Liverpool.
                   Ela sempre tivera um grande fascínio pelo palco. Antes de ganhar sua primeira bateria, frequentara algumas poucas aulas de teatro. Era isso o que ela faria. Retomaria as aulas de teatro.

                                                                   * * *

                        Evy sentou-se para tomar o café da manhã. Pegou a última rosquinha do pote e abriu o jornal no caderno de cultura. Entretanto, não demorou a encontrar uma crítica desfavorável à última apresentação da Whereland no Top Of The Pops. 

- Mas que merda! Quem esses bostinhas pensam que são? Será que não sabem ser gentis, só para variar?
- Qual o problema, Maggie? - perguntou Keith, tratando-a pelo apelido que sabia que a namorada detestava.
- Não enche, Moon! - ela jogou nele o pote de plástico, agora vazio, e errou por pouco.
- Calma! Não sou um crítico!
- Desculpe, Keith. Estou nervosa.

                         Porém, Keith irritara-se e fora embora. "Depois eu sou a estressada, né?", ela pensou.

                                                                        * * *

                           
                         A Whereland nunca escolhera um lado. Não se definiam como mods, tampouco como rockers. Assim, sua música agradava aos dois grupos. Os hippies e os admiradores de surf music também gostavam de seu trabalho.
                          Contudo, Betty havia sido uma mod no fim de sua adolescência, em Liverpool. Devido à convivência com os High Numbers, Mary havia "se convertido" ao mod por um certo tempo. E Alice ainda era uma mod convicta em pleno ano de 1968.
                         Portanto, para a foto da capa de Mods Are Still Here/ Ballad For A Sad Clown, Betty e Mary "resgataram" alguns de seus vestidos e sapatos mods, e Alice emprestou algumas de suas roupas a Evelyn e Jayne.  A Whereland posou com lambretas, parecendo garotas mod autênticas.
                          O single fez um sucesso muito grande, não apenas entre os mods, mas entre todos os fãs da Whereland, fossem eles o que fossem.
                            Os críticos também apreciaram o single. Se antes não acreditavam que a Whereland duraria por muito mais tempo, passaram a tecer incontáveis elogios à banda, beirando ao exagero.

- Que bando de vira-casacas. - Evelyn resmungava, após ler as reportagens sobre a Whereland veiculadas nas semanas seguintes ao lançamento do single.
- Pelo menos mostramos que não somos "as namoradinhas do The Who que têm uma banda", como alguns na mídia costumam nos ver. Somos independentes deles, e acho que provamos isso. - disse Jayne.
- Sim, mas ainda não é o suficiente. - Mary replicou.
- Não mesmo. Precisamos fazer um álbum inacreditavelmente bom. - disse Evelyn. - Atingir o ápice da criatividade.
- Não vai ser fácil. - disse Betty.
- Ninguém disse que seria, Betty. Mas escrevam o que estou dizendo: Chaos and Creation foi um bom álbum? Pois o terceiro álbum da Whereland será ainda melhor!Eu vou me esforçar para escrever melhor do que nunca, e vocês três também.
- Como sabe que nos transformaremos em compositoras tão boas assim, Evy? - perguntou Mary.
- Simples. Eu vou revelar todo o talento como compositoras que vocês têm. O que vocês mostraram agora corresponde a um quarto de todo o seu potencial.

          Evelyn não estava exagerando. Ela sabia que suas amigas não eram apenas boas instrumentistas. Jayne, Mary e Betty só precisavam de incentivo para revelar seu lado compositor.

                                                                * * *


           Betty matriculou-se num curso de teatro com a parte do lucro do single que coube a ela. Aprendia sobre expressão facial, voz, postura. Ela percebeu que ser atriz era mais trabalhoso do que imaginava. Também teve que aprender a lidar com a timidez. Acostumada a ficar atrás de Evy, Jayne e Mary nos shows, não sabia como se comportar à frente do palco.
             Por vezes, pensava que não tinha vocação alguma para a atuação e cogitava desistir das aulas. O que a fazia seguir em frente era lembrar-se de quando estava aprendendo a tocar bateria. Ela não havia desistido de tornar-se baterista, e agora era profissional.
               Enquanto isso, Sue Lee crescia. Betty enternecia-se ao vê-la desenvolver-se, porém, desejava secretamente que a bebezinha  tivesse cinco meses para sempre.

- A mamãe não está por perto o tempo todo, minha pequena Sue, mas ela te ama muito. E não vai deixar aquele safado do seu pai chegar perto de você. - ela dizia, enquanto observava a filha dormindo, no carrinho ou no berço.

                                                * * *

                       Algumas semanas depois, já em janeiro de 1969, Alice anunciou a Evy, Jayne, Mary e Betty que duas jovens repórteres do Melody Maker viriam entrevistá-las. Dois dias depois de Alice tê-las avisado, as jornalistas vieram.
                         Uma delas, que usava óculos vermelhos, chamava-se Cynthia Marlowe. Sua colega, uma jovem de cabelos cacheados, era Nicole Wentworth.

- Srta. Blen, srta. Greene, srta. Barton e srta. Martin, é um grande prazer conhecê-las. - disse Cynthia. - Eu vou fazer algumas perguntas a respeito dos projetos de vocês, atuais e futuros, e a Nicole vai tirar fotos, tudo bem?

           As integrantes da banda concordaram.

- As senhoritas, até alguns meses atrás, estavam lidando com comentários não muito positivos sobre seus shows. Agora, com o lançamento de Mods Are Still Here/ Ballad For A Sad Clown, reverteram o jogo. Qual o motivo, em sua opinião, para a fase pouco produtiva pela qual passaram?
- Bem... Estávamos todas cansadas. - disse Evelyn. - Quando se está cansado, é difícil produzir algo realmente bom.
- E agora tomamos novo fôlego. - acrescentou Jayne. - Estamos prontas para novos shows e gravações... Pelo menos, eu estou.
- As aulas de teatro de que estou participando também me deram uma nova energia. Creio que também estou pronta para uma nova maratona de trabalho. - Betty disse.
- Já têm músicas suficientes para um novo álbum? - indagou a entrevistadora.
- Temos composto e gravado material novo, mas ainda precisamos selecionar o que será usado no LP. - respondeu Mary.
- E o título? Já escolheram um título, ainda que provisório, para seu próximo álbum?
- Sim. - Evelyn falou. - Chegamos a um consenso e decidimos que se chamará Fur.
- Fur?
- Sim. Pelo lembra gatos. Gatos lembram a música Lucifer Sam, composta por meu amigo Syd Barrett. E foi graças a conversas com Syd que consegui força e inspiração para esse novo álbum. - explicou Evy.