Roger finalmente acordara. Fiquei feliz com isso, é claro. Entretanto, naquele momento, fiquei ainda mais certa de algo de que já suspeitava: meu amor por Roger já não era tão forte quanto antes.
Por outro lado, meu amor por George, que estivera adormecido, crescia cada vez mais. A sua dedicação e seu esforço em me fazer sorrir foram as provas que faltavam de que ele era o certo para mim. Mas eu não daria essa notícia a Roger naquele momento. Ele ainda estava debilitado. O médico entrou e disse:
- Ora, então acordou, sr. Daltrey! Seus amigos ficarão felizes em saber disso.
Ox, Moonie e Pete entraram. Roger e Pete brigavam na maior parte do tempo, mas o guitarrista parecia feliz em ver que Roger estava bem. No fundo, mas bem no fundo mesmo, os dois eram amigos.
Os quatro companheiros tagarelavam, e George e eu apenas observávamos a cena. De repente, uma moça entrou. Keith, Pete e John entreolharam-se. Pareciam conhecê-la. Roger perguntou, surpreso:
- Lily Campbell? O que veio fazer aqui?
- Olá, querido Roger. - ela deu um sorriso um tantinho sardônico. Acho que ele não era tão "querido" assim. Não gostei dela. - Fiquei sabendo que estava em coma, e... Quem é ela?
- Essa é Mary Anne... Minha, hã.... Mas, a essa altura do campeonato, acho que não é mais...
- Sua o quê? - perguntou Lily.
- Minha namorada. - Roger disse, por fim.
- Ora, ora, então você se tocou!
- Se tocou de quê? - perguntei.
- De que eu nunca daria a mínima bola para ele.
Que cínica! Como ela podia dizer isso, e de uma maneira quase rude? Ela não se importava com Roger, que mal tinha acabado de despertar de um coma?
- Lily, Mary Anne é um encanto de moça, diferente de você, com essa sua língua ferina. - disse Pete.
- Eu concordo! - Keith endossou.
- Rapazes, controlem-se, ok? - John pediu. - Sem tumulto, pelo amor de Deus!
- Já percebi que minha presença incomoda algumas pessoas aqui. Vou embora. - e aquela garota de ar esquisito foi embora. Já não era sem tempo.
- Mary Anne, me desculpe... - Roger pediu. - Eu não consigo pensar em um motivo para ela ter vindo aqui, uma vez que ela mesma diz que não liga para mim.
- Você... gostava dela? - perguntei.
- É, eu costumava gostar um pouquinho dela sim. Mas era apenas uma ilusão. E creio que perdi você também.
- Oh, Roger... Perdão. - pedi. - Você foi vencido.
- Vencido? - Keith, Pete e John perguntaram.
- Longa história, longa história. - disse George, que havia ficado quieto durante todo aquele tempo.
- Fui vencido? - Roger perguntou. - Então, só me resta desejar que George a faça feliz, Mary Anne.
- Eu farei. - George disse, me abraçando.
- Ótimo. - Roger disse. - Sei que minha garota de mãos trêmulas ficará bem.
* * *
Roger recebeu alta no dia seguinte. Desejei que ele ficasse bem, em todos os sentidos. Não tenho mágoas em relação a ele.
Pete e Evanna iam muito bem, e não fiquei surpresa quando, no dia de meu noivado com George, para o qual convidei o The Who, os Kinks, Evanna, meu irmão, John e Ringo, Pete levou Evie para a sacada de minha casa, ajoelhou-se diante dela e inquiriu:
- Evanna Camille Davies, você quer se casar comigo?
Minha amiga pegou as mãos do namorado, chorou um pouco e disse:
- Sim, Pete, eu aceito.
Fiquei tão contente por ela! E quanto a mim e a George? Bom, como você já sabe, estamos noivos. E muito felizes. É novembro de 1965, e nosso casamento está marcado para janeiro do ano que vem.
Em minha vida, eu amarei mais a George. E ele amará mais a mim.
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