quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Minhas personagens -> Fanny Fitzwilliam (editado)

    Hoje, apresento a vocês a irmãzinha da Elinor, Frances, mais conhecida como Fanny. Assim como a irmã e a prima, Emily, ela também tem uma queda por roqueiros! A atriz que a representa é Lucy Hale.




Nome completo: Frances Elizabeth Fitzwilliam.

Idade: 22 (em 1969, ano em que se passa "Heartbreaker".)

Data e local de nascimento: 14/11/1947, em Epsom, Inglaterra.

Cidade em que reside: Londres, Inglaterra.

Amigos mais próximos: Elinor Fitzwilliam, Emily Fitzwilliam, Felicity McGold e Bob Dylan.

Namorados: Paul Simon (1965-1966), Ray Davies (1966-1967) e Allan Clarke (1969 em diante -> casaram-se em 1970 e tiveram três filhos: Tim, Toby e Piper).

Admirador: Bob Dylan (1966 em diante).

Profissão: Professora de Geografia, formada pela Universidade de Cambridge.

Canções que inspirou: "Cecilia", "Mrs. Robinson" - Simon & Garfunkel; "Just Like A Woman", "I Want You", "Lay Lady Lay" - Bob Dylan; "She's Got Everything" - The Kinks; "Carrie Anne" - The Hollies.

Características:  Fanny é uma jovem meiga e alegre. Ela gosta muito de ler e ouvir música, assim como a sua irmã Elinor. Nem todos sabem disso, mas sua banda favorita é The Yardbirds, o que é uma sorte para ela, pois Elinor é uma grande amiga de Jimmy Page.
                         O livro favorito de Fanny é Mansfield Park, de Jane Austen, cuja protagonista se chama Fanny Price. Seu filme favorito é Cantando na Chuva, e por causa disso ela até mesmo cogitou se tornar atriz de musicais durante sua adolescência. Não sabe viver sem seu melhor amigo, Bob Dylan, a tal ponto de muitos acharem que há mais do que amizade entre eles (o que é verdade no caso de Bob).

Do que Fanny mais gosta: Ler livros e jornais, assistir às gravações de Bob e ver filmes, sobretudo musicais.

Do que Fanny menos gosta: Arrogância.

Medo: Altura.

Heartbreaker - Capítulo 6

- Robert, seu mentiroso! Você me disse que nunca faria uma coisa dessas! Quero que você fique longe de mim a partir de agora!
 - Elinor! - Robert se livrou de Georgiana, que tentava prendê-lo a qualquer custo. - Não é nada disso! Deixe-me explicar!
- Dispenso suas explicações! - exclamei, batendo a porta. Mas fechei a porta de forma lenta o suficiente para ver um sorrisinho cruel se formando nos lábios da maldita Sparks.

   Bati na porta do quarto de Jimmy. Chorei todas as minhas mágoas no ombro dele, que me escutou com gentileza e paciência. Ganhei  também um abraço afetuoso de Vicky. Ela teve uma ideia muito inteligente: eu passaria aquela noite no quarto deles, e Jimmy iria para o quarto de Robert, e agiria como diplomata.
     Na manhã seguinte,  Jimmy contou que Robert estava muito triste e furioso com Georgiana. Mas meu orgulho estava ferido. Eu não iria me reconciliar com Robert tão cedo...


- Oh, Jimmy! - eu exclamava, mortificada. - Essa prima da Emily, sempre me perseguindo e me causando mal!
- Ela vai ter o que merece, Elinor. Eu apenas acho que você deveria pedir desculpas ao Robert.
- Não vou fazer isso, James! Até parece que você não me conhece!
- Me desculpe, Elinor, mas quem está errado nessa história é você.
- Eu sei! Mas com que cara eu vou pedir desculpas a ele?
- Outra pessoa acharia que você é arrogante, Elinor. A sua sorte é que eu te conheço bem, minha querida amiga, e sei que você está se sentindo culpada. Deixe a poeira baixar, livre-se do orgulho e faça as pazes com o Robert.
- Claro... Mas amanhã eu volto à Inglaterra.
- Elinor... Não faça algo de que possa se arrepender depois!
- Eu quase nunca me arrependo de minhas ações, Jimmy. Eu gosto de pensar muito bem antes de tomar uma decisão.
- Isso é bom.

       Um pouquinho mais tarde, quando eu estava com minhas amigas, fazendo minha bagagem...

- Eu acho que o Jimmy tem razão. - disse Susie. - Você não deveria se precipitar, Elinor.
- Meu mago sempre tem razão. - disse Vicky.
- Eu levo a opinião de vocês muito a sério, garotas... E a do Jimmy também, claro. Mas acho que neste momento somente eu sei o que é melhor para mim.
- Qual é o seu plano? - quis saber Angie.
- Vou voltar a Londres e ficar na minha. Vou esperar até que o Robert me procure. Eu sei que não vai demorar muito. Ele não fez nada de errado, portanto não deve estar morrendo de remorso e de vergonha de me procurar... Como eu estou.
- Todos cometemos erros, Elinor. - disse Susie, consoladora.
- Sim, mas eu fui muito idiota! E sequer quis ouvir o que ele tinha a dizer!
- Essa era a ideia da Georgiana. - deduziu Vicky.
- Muito provavelmente. - concordei.

       Comprei a passagem e embarquei de volta à minha cidade. Fui buscar meu gatinho, Shakespeare, na casa de Lydia, que ficou cuidando dele para mim. Graças a Deus, Keith não estava lá. A última coisa que eu queria era encontrá-lo.

- Ele se comportou direitinho, Lydia?
- Sim, ele é um ótimo gatinho, Elinor. Então você brigou com o Robert?
- É... Eu fui tão estúpida, Lydia.
- Pelo jeito que você fala, acho que o Robert te ama demais. Portanto, ele não vai conseguir ficar sem você por muito tempo.
- Eu espero que sim. - falei.
- Sabe quem está na cidade?
- Quem?
- Sua irmã Fanny.

           Fanny! Minha irmãzinha! Eu não a via fazia muito tempo. E sentia terrivelmente a falta dela. Ela tinha 22 anos naquele ano de 1969 e acabara de se formar em Geografia pela Universidade de Cambridge, a mesma que Emily e eu frequentamos.
            Emily se tornou fotógrafa, mas preferiu continuar vivendo na sua cidadezinha, um lugar privilegiado, que ainda conserva muito da bela paisagem natural. Como minha prima sempre gostou de fotografar paisagens, acho que ela está muito satisfeita com a escolha que fez.
              E eu decidi ir para Londres, afinal, eu já tinha dois amigos lá, Jimmy e Lydia, o que facilitou um pouco as coisas. No entanto, minha irmã, logo depois de formar-se, voltou para Epsom, nossa cidade natal, onde nossos pais vivem. Mas o que Epsom tem a oferecer a uma mulher de 22 anos, culta e jovial? Já era tempo de ela vir a Londres.

- Onde ela está hospedada?
- Ela está morando com algumas amigas... Mas já está frequentando a casa do namorado.
- Namorado?
- Sim, um tal de Allan Clarke.

                Allan Clarke, dos Hollies? Só podia ser. Devo dizer que não fiquei tão surpresa. Ela vivia entre os jovens intelectuais londrinos, que eram muito próximos dos jovens artistas. Além disso, Fanny é muito bonita... E minha irmã. Creio que ela soube tirar proveito do fato de conhecer Jimmy Page e ser cunhada de Robert Plant.
                 Eu ainda era namorada de Robert? Esperava que sim. Contudo, com minha reação exagerada, devo ter dado uma pausa, ou até mesmo um fim, em nosso relacionamento.
                  Como disse às garotas, fiquei na minha, sem sair de casa. Uma semana depois, Jimmy me ligou dizendo que dali a dois meses o Zeppelin estaria de volta à Inglaterra. A reconciliação com Robert se aproximava....

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Personagens -> Whereland

     A Whereland, banda de rock formada apenas por meninas que ficou famosa por seu rock pesado de tendência lisérgica e pelos turbulentos romances de suas integrantes com os rapazes do The Who, foi criada pela Carol para a fic “Blue, Red And Grey”, e eu usei as personagens nas minhas fics “See My Way” e “Heaven And Hell”. Vou escrever um pouco sobre cada uma das garotas.



Evelyn Blen
         Evelyn Margareth Blen nasceu na cidade de Liverpool, Inglaterra, no dia 9 de março de 1944. Seu pai, Elliot, era advogado, e sua mãe, Wanda, era dona de casa. Além de Evelyn, eles tiveram um filho, Christian. Os pais de Evelyn nunca entenderam sua filha perfeitamente, e ela realmente nunca quis que eles a entendessem. Evy tinha certa dificuldade em fazer amigos; contudo, duas amigas que fez quando criança, Jayne Greene e Mary Barton, foram suas companheiras por toda a vida.
      Quando tinha 22 anos, a guitarrista, acompanhada de Jayne e de outra amiga, Betty Martin, foi para Londres, onde as garotas tentariam conseguir um lugar ao Sol para sua banda. O primeiro álbum da Whereland, homônimo, causou muito estardalhaço na cena musical, tanto por suas músicas de acordes , batidas e vocal rápidos e selvagens, quanto por ser tocado e produzido exclusivamente por mulheres (Alice Hicks, a empresária da banda, era também produtora musical).
     Durante a gravação, as garotas conheceram o The Who, que estava gravando seu segundo álbum, A Quick One, no mesmo estúdio. Pete Townshend e Jayne se apaixonaram, e pouco tempo depois aconteceu o mesmo com Roger Daltrey e Betty.
    No ano seguinte, depois de uma relação de gato e rato, Evelyn acabou por se render aos encantos de Keith Moon. O namoro foi regado a noites de sexo, loucuras, traições recíprocas (há quem diga que o amante de Evelyn era seu amigo Syd Barrett, do Pink Floyd) e muita bebida, terminando em 1970. Pouco depois do término com Moon, Evelyn lançou um álbum solo, chamado Colours. Blen teve a inspiração para o título enquanto pintava sua casa num estilo psicodélico.
     Nos anos 70, ela se reaproximou de sua família, e era frequentemente vista com seu sobrinho Julian, que era como um filho para ela. A líder da Whereland era estéril, o que explica como nunca engravidou de Keith Moon. Também gostava muito de Sue Lee, a filha de Betty Martin e Roger Daltrey.        
      No ano da morte de Keith, 1978, ela compôs uma canção em homenagem a ele, que apareceu pela primeira vez no álbum lançado pela Whereland naquele ano, Welcome Back To Whereland. Em meados da década de 1980, sofreu intensamente com a morte de sua amiga Jayne, o que levou a Whereland a um longo hiato, durante o qual as integrantes se dedicaram a projetos solo.
    O hiato só acabaria nos anos 2000, quando Deborah Entwistle, filha de Mary Barton e John Entwistle, assumiu o baixo. Atualmente, a banda faz shows frequentes, com as três integrantes sobreviventes e ainda com Deborah no baixo.
     Evelyn ocupa a décima quinta posição no ranking da revista Rolling Stone dos "100 Maiores Guitarristas De Todos Os Tempos".
   
 

Jayne Greene
     No dia 25 de junho de 1945, também em Liverpool, nasceu Jayne Marie Greene. Desde muito pequena ela manifestou grande amor pela música. Dividiu essa paixão com suas amigas de infância, Evelyn e Mary.           Jayne sempre teve uma personalidade forte e complexa. Muito sensível, ficou fortemente abalada pela morte de seu noivo, Jerry Eccles, em 1965. E ficou ainda mais abalada quando soube que havia sido traída por seu namorado famoso, Pete Townshend, em 1969.
       Desde então, ela precisou fazer intensos tratamentos psicológicos. E extravasava a raiva que sentia do ex em suas canções. Fingia ter superado o fim, mas não enganava nem a si mesma, nem a ninguém. Era uma baixista com adoração por que fazia, e conquistou o reconhecimento por seu talento ainda em vida. Sabe-se que mantinha estreitas relações de amizade com John Paul Jones e John Entwistle, que era provavelmente o único membro do The Who com quem tinha amizade após o término com Townshend.        
      Também se dedicava à pintura, e até mesmo expôs algumas obras em galerias londrinas. Suas telas tinham forte influência do Expressionismo alemão. Ela dizia que “jogar as tintas na tela e fazê-las ganhar forma é como tentar moldar o que há de mais intrínseco na alma”. Jayne era a única filha do casal Robert e Joanne, um tabelião e uma dona de casa, e sempre foi uma menina introspectiva e de grande sensibilidade artística.
      Sua morte, em 29 de abril de 1985, ainda é cercada de mistério. A versão oficial diz que sua causa mortis foi uma overdose acidental de antidepressivos. Mas há quem especule que a verdadeira causa tenha sido uma overdose proposital.



Betty Martin


   A baterista Elizabeth Joan Martin, filha de Gilbert e Kathleen Martin, um casal de atores de teatro, nasceu no dia 07 de outubro de 1945, também na cidade de Liverpool. É conhecida pela sua delicadeza no modo de agir e "selvageria" no modo de tocar. Ao lado de Keith Moon e John Bonham, é considerada um dos maiores bateristas da década de 1970.
     Seu romance com Roger Daltrey, com quem ainda  mantém uma certa animosidade, foi uma grande inspiração para suas canções, as mais românticas da Whereland. Justamente por causa do vocalista do The Who, teve uma rápida rivalidade com a guitarrista Mary Barton, ex-namorada de Daltrey. Em 1968, Betty, apenas alguns meses após terminar com Roger, deu à luz a filha do casal, Susan Lee Martin, conhecida como Sue Lee, que hoje trabalha como médica e lidera a missão  do projeto "Médicos Sem Fronteiras" em Serra Leoa.
     Durante os anos 1970, e principalmente entre os anos 1980 e 2000, Betty investiu na carreira de atriz. Ao contrário de seu ex-namorado, que atuou em filmes de pouco reconhecimento e cuja atuação é frequentemente questionada, Martin construiu uma sólida carreira cinematográfica e foi premiada com um Oscar e um Globo de Ouro, ambos no ano de 1992.
     Nos dias atuais, Betty concilia as turnês da Whereland com algumas participações esporádicas em filmes, e tem a reputação de uma deusa da bateria e de uma diva do cinema. No entanto, sempre diz: "Não entendo porque falam assim de mim. Não sou Keith Moon, tampouco Elizabeth Taylor".

                                             

Mary Barton

   Mary Catherine Barton, a décima oitava melhor guitarrista de todos os tempos, de acordo com a Rolling Stone, nasceu em Liverpool, em 22 de fevereiro de 1944. Também tem muito respeito e reconhecimento no meio literário, graças às suas obras poéticas, lançadas nos anos 1970 e 1980.
  A guitarrista sofreu nas mãos de Roger Daltrey. Apesar de gostar de Mary, o vocalista não conseguia deixar de traí-la. Embora a infidelidade de Roger fosse quase constante, a moça era paciente e acabava lhe perdoando, pois o amava demais. O casal vivia aos tapas e beijos, e Mary até mesmo engravidou. Porém, perdeu o bebê. Essa criança poderia ter sido a salvação do namoro de seus pais.
   Feminista ao extremo, essa garota de Liverpool sempre fez de tudo para mostrar aos machistas que rock'n'roll também é coisa de mulher. Muito talentosa e romântica, nasceu cercada de música e livros. Seu pai, Edward, era professor na Universidade de Liverpool e saxofonista. Foi ele quem ensinou a filha, violonista e guitarrista autodidata, a tocar instrumentos de sopro. Já a mãe, Catherine, era uma dona de casa que gostava de ler e tocar piano. A sra. Barton ficou feliz ao ver o interesse da pequena Mary pelos livros e pelos estudos, mas decepcionou-se com o fato de a menina se mostrar indiferente ao piano, preferindo um velho violão esquecido no canto da sala de música da família.
    Quando ficou grávida, Mary precisou trancar a faculdade. Contudo, retornou às aulas logo depois que se recuperou do aborto espontâneo. Assim, perdeu apenas cinco meses de aula. Consequentemente, formou-se aos 22 anos (se não tivesse precisado interromper o curso, teria se formado aos 21).
   Mary redescobriu o amor ao conhecer John Entwistle. Eles começaram a namorar em 1967, ano em que entrou para a Whereland, e se separaram em 1969, pois ela acreditou estar sendo traída outra vez, o que não era verdade. Até reatar com o baixista, dois anos depois, ela se envolveu rapidamente com Roger Daltrey, ainda no ano de 1969.
     Nove anos depois de retomar o namoro com John, Mary se casou com ele. Deu à luz uma menina, Deborah, em 1982.

domingo, 10 de novembro de 2013

Minhas personagens -> Emily Fitzwilliam (editado)

Que tal conhecer um pouquinho da querida prima da Elinor, Emily? Ela é "interpretada" pela atriz Bonnie Wright.










Nome completo: Emily Charlotte Fitzwilliam.

Idade: 25 (em 1969, ano em que se passa "Heartbreaker").

Data e local de nascimento: 26/03/1944, em Exeter, Inglaterra.

Cidade em que reside: Benwich, interior da Inglaterra. Sempre passa algumas temporadas em Londres.

Amigos mais próximos: Charles Mansfield, Fanny Fitzwilliam e Elinor Fitzwilliam.

Profissão: Fotógrafa. No entanto, é formada em Artes Plásticas pela Universidade de Cambridge.

Namorados: Syd Barrett (1962-1969) e Dave Davies (1969 em diante -> casaram-se em 1971 e foram uma fábrica de filhos: sete crianças).

Admirador: Paul Simon (1965).

Canções que inspirou: "For Emily, Whenever I May Find Her" - Simon & Garfunkel; "See Emily Play" -  Pink Floyd.

Características: Emily é leal e companheira. Ela luta com unhas e dentes por sua família e seus amigos em todas as situações. Adora a vida no interior, e escolheu morar por toda a vida na tranquila cidadezinha de Benwich, onde foi criada. Sua maior paixão, depois de Dave Davies, é a fotografia.
                      Apesar de ter escolhido fazer carreira autônoma, fotografando e expondo, ela nutre o sonho secreto de fotografar para a Vogue. Seu poeta preferido é Lord Byron, e ama o filme Bonequinha de Luxo. 

  Do que Emily mais gosta: Fotografia e poesia.

  Do que Emily  menos gosta: Quem maltrata os animais.

 Medo: Perder as pessoas que ama.

Heartbreaker - Capítulo 5

    Depois de algumas semanas, o Led iria embarcar em sua primeira grande turnê. Pedi a Rob para acompanhá-lo. Ele concordou, mas me disse:

- Prepare-se para ficar com ciúmes. Eu sou o vocalista, você sabe...
- É, eu entendo. - pensei em Keith. Ele também era assediado por muitas moças. Dava bola para algumas, e por isso desisti dele. Mas afastei a ideia de que Robert também faria isso. Afinal de contas, ele escolhera ficar comigo. Keith era tão desligado que nem percebia que eu babava por ele.

          Vicky, Susie e Angie também embarcaram na viagem. Combinamos que arrancaríamos os dentes das groupies abusadas sem dó nem piedade.
            Enquanto nossos garotos faziam shows incríveis, Angie e eu escrevíamos nossas respectivas obras. Eu decidira escrever um livro todo composto de crônicas, pois essa é a minha especialidade. Já Angie estava escrevendo um romance epistolar, que apresentava algumas semelhanças com Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe.
             Os dias passavam. Após os shows, havia muita bagunça entre minhas amigas, nossos namorados e eu. Depois de um show em Sheffield, Robert me levou para os fundos do ônibus:

- Vamos, Lily?
- Oh, Robert, eu não sei...
- Por favor, meu amor, por favor...
- Está bem, mas não aqui no ônibus. Vamos esperar até chegarmos ao hotel.

                 Robert já estava perdendo a paciência quando chegamos. Ele me levou ao quarto que acreditava ser o dele. Quando abriu, levou um susto e disse:

- Perdão, Jimmy e Vicky! Me confundi, achei que esse era o meu quarto! - e fechou a porta.
- O que aconteceu? - perguntei, pois estava atrás dele e não consegui ver nada direito.
- Jimmy e Vicky estavam só com as roupas de baixo... Estavam, hã... Preparando-se para pôr a mão na massa.
- Ah, entendi. - eu ri.

                    Chegamos ao verdadeiro quarto de Robert. Eu me sentei na cama e comecei a tremer. Após aquela primeira vez, em que estávamos bêbados, Robert e eu não passamos dos beijos e dos abraços. Contudo, ele parecia decidido a "pôr a mão na massa" mais uma vez. Tirou sua camisa e sorriu para mim.

- Está com frio? Já vou te esquentar.
- Eu não conhecia esse seu lado assanhado, Robert Anthony Plant. - dei um risinho.

                     Ele se sentou ao meu lado e começou a acariciar minhas costas. Fiquei arrepiada. Comecei a beijá-lo carinhosamente. Deitamo-nos, e ele sussurrou em meu ouvido:

- Eu te amo com todas as minhas forças, Elinor Stephanie Fitzwilliam. Minha Lily...
- Eu também te amo com todas as minhas forças, meu Rob. - e me entreguei a Robert.

                      Mais ou menos uma semana depois, uma surpresa: o Led Zeppelin se hospedou no mesmo hotel que os Rolling Stones! Eu queria morrer. Se eu encontrasse Keith...

                       Para meu desespero, o que eu temia aconteceu. Estava andando pelo saguão do hotel quando o vi. E não havia sinal da presença de Lydia. Tentei passar por ele despercebida...

- Oi, Elinor.
- Hã, oi, Keith. - eu disse, me virando para ficar frente a frente com ele.
- O que houve? Não está feliz em me ver? Pensei que fôssemos amigos.  - ele realmente parecia um pouquinho desapontado.
- Não é isso... Meu namorado está por perto, ele é meio ciumento...
- Resolveu assumir com o Page? - Keith deu um daqueles sorrisinhos, que ainda tinham um certo efeito sobre mim.
- Ah, não, não! Namoro o amigo dele. - falei.
- Entendi... Olha, que tal sairmos um dia? Eu, você e a Lydia? E o seu namorado, se ele não se importar?
- Talvez... - eu ia me despedir e sair de fininho, quando..
- Lily! Eu estava te procurando! - era Robert.
- Oi, Rob. - tentei não soar nervosa. - Conhece Keith Richards, dos Rolling Stones? É meu amigo... - " E ex-amor da minha vida", completei em meus pensamentos.
- Olá. - Robert cumprimentou Keith com um aceno. - Sou Robert Plant. Muito prazer.
- Oi. - Keith respondeu com o mesmo gesto. - O prazer é meu.
- Bem, vamos dar uma volta, Lily? - convidou Robert.
- Claro, amor. - concordei, dando o braço a ele. - Até mais, Keith...
- Até. - meu antigo amor replicou.

                         Mais tarde, Jimmy e eu estávamos numa parte do saguão do hotel em que havia sofás, conversando. Como ele tem Vicky e eu tenho Robert, não passamos mais tanto tempo juntos, mas ainda valorizamos muito a companhia um do outro. Comecei a contar a ele o que acontecera mais cedo.

- Ficar no mesmo lugar que o Keith não é algo que me agrade muito... - falei.
- Eu imagino, seu coração deve ter ficado a mil...
- Sim! Ah, Jimmy, ficar próximas dos dois caras de quem eu já gostei, no mesmo local onde está o meu namorado, está me deixando louca!
- Hã? Como assim? - ele fez uma pausa. - Ora, ora, quer dizer que Fitzwilliam & Page não é uma parceria totalmente sem segredos....
- Do que você está falando, Mago? - tentei desconversar, depois de perceber a grande besteira que havia dito.
- Você disse que aqui neste hotel estão os dois caras de quem você já gostou, além do seu namorado, que é o Robert, evidentemente. Eu sou seu melhor amigo, e, pelo que me consta, antes do Robert você ficou com um carinha chamado Tommy, de quem você nem gostava, e mais tarde se apaixonou pelo Keith... Quem é o outro cara de quem você gostou? Você sabe que pode confiar em mim, por que não me contou?
- James Patrick Page... É você.
- O quê? - dessa vez a pausa que ele fez foi maior. - Você já gostou de mim, Elinor?
- Quando nós éramos adolescentes. Você é meu melhor amigo há séculos, era de se esperar, não acha?
- Bom... Sim, é algo nada anormal.
- Não está bravo comigo?
- Ora, por que eu ficaria bravo com você, Elinor? - ele começou a fazer cócegas em mim, mania irritante que ele tem desde que éramos pequenos.
- Pare, Jimmy! Seu chato! - eu ri.
- Está bem, eu paro. Mas só se você me prometer uma coisa.
- O quê?
- Que vai ser a minha melhor amiga para sempre.
- Eu prometo. E você?
- Também prometo.

         Demos as mãos e trocamos nosso aperto de mão secreto. Os dias foram se passando, e aconteceram algumas coisas estranhas depois dos shows... A mais estranha de todas envolveu Bonzo, Angie e um peixe... Mas essa é outra história.
      Por falar neles, Bonzo pediu Angie em casamento quando estávamos na Escócia, e ela aceitou. Eles formam um belo casal.
       Já Susie e Jonesy  decidiram morar juntos quando retornássemos à Inglaterra. E Jimmy e Vicky... Bom, aqueles dois já viviam um na casa do outro.
       Na França, algumas fãs mais assanhadas sempre tentavam jogar charme para cima de Robert, e é óbvio que eu não gostava nem um pouco daquilo. Ele me tranquilizava:

- Não precisa se irritar com elas, Lily, eu amo você...
- Mas isso não muda o fato de que aquelas garotas não respeitam um cara que tem namorada!
- Oh, meu doce... Não ligue. - ele me abraçava e acariciava meus cabelos.
- Você é meu, Robert Plant, não se esqueça disso. - eu dizia.
- Nunca esquecerei, Elinor Fitzwilliam. - era a resposta dele.

              Em meados de outubro, recebi uma carta de Emily, em que ela me contava sobre seu novo namorado, o famoso Dave Davies, dos Kinks.
              Você deve estar pensando que Emily e eu somos duas groupies. Não, não somos! As groupies são jovens mulheres que gostam simplesmente de ir para a cama com astros do rock, sem compromisso. Minha prima e eu estamos bem longe disso. É verdade que ela já namorou Syd e eu já me apaixonei por Jimmy e Keith, e que agora estávamos envolvidas com outros roqueiros. No entanto, esses nossos atuais namoros não são simplesmente diversão.
            Eu amo Robert. E estou certa de que Emily ama Dave. Creio que ele é o Mr. Darcy de minha prima.
             Da França, partimos para a Suíça. Num hotel da capital, Berna, levei um grande susto. Eu descera para tomar um chocolate quente e, quando voltei ao quarto, encontrei Georgiana Sparks, a outra prima de Emily, se engraçando com o meu namorado. Maldita srta. Sparks! Por culpa dela eu fui terrivelmente injusta com meu "deus dourado".

domingo, 27 de outubro de 2013

Treinando para a vida

     Ontem fiz, pela primeira vez, uma prova de vestibular de verdade. Já fiz várias provas desse estilo no colégio, mas essas provas valiam apenas como ponto na média. A prova que fiz ontem é o meu primeiro passo em direção ao meu futuro.
      Eu tenho tanto medo. Medo de que meus sonhos não se realizem. Às vezes, queria ter o DeLorean do Doc Brown, para poder ir ao futuro e já me livrar dos temidos exames. Mas eu sentiria tanta falta de ter 16 anos... Sentiria falta da escola, dos meus amigos que estão lá... Da internet e das pessoas que conheci por meio dela. De ouvir tantas bandas e sempre procurar mais para conhecer. De sempre ler muitos e muitos livros. E, por que não? Sentiria falta das expectativas em relação ao futuro.
      Se Deus quiser, terei um futuro maravilhoso pela frente. Mas, para atingi-lo, terei que trilhar um caminho espinhoso. E, enquanto percorro esse caminho, tentarei ao máximo aproveitar o presente.

domingo, 6 de outubro de 2013

Mary Anne With The Shaky Hands - Capítulo 2 ("Behind Blue Eyes")

      Durante as duas primeiras semanas morando com meu irmão, minhas únicas preocupações foram procurar emprego, manter o apartamento limpo e organizado para Paul e estar bonita quando George vinha visitar.
      Num dia de folga dos Beatles, meu mano estava atrasado para o encontro com sua namorada, a atriz Jane Asher, e me pediu:

- Esqueci um dos meus violões na casa de John... Você pode ir buscar para mim, Mary Anne?

- Sim, claro, Paul.

                                               * * *


     Cheguei à casa de John e toquei a campainha. Ele atendeu:

- Olá, Mary. O que a traz aqui?
- Boa tarde, John. Paul esqueceu um violão aqui e me pediu para vir buscar...
- Ah, sim, eu ia mesmo levá-lo à sua casa hoje à tarde.... Estou com visitas no momento, mas entre.

        Entrei. Sentados num sofá de quatro lugares, estavam quatro moços, mais ou menos da idade de meu irmão e dos outros Beatles, talvez mais novos. Um deles, loiro e de olhos azuis, era muito bonito. John os apresentou a mim:

- Mary Anne, estes são Pete Townshend, John Entwistle, Keith Moon e Roger Daltrey, membros do The Who. Acho que já ouviu falar deles.
- Ah, sim. - falei. - Vocês tocam I Can't Explain, certo?
- Isso mesmo. - falou o narigudo, apertando minha mão. - Sou Pete.
- John.
- Keith.
- E Roger. - disse o loiro, que, em vez de apertar minha mão, como os outros, preferiu beijá-la. Fiquei vermelha, mas ninguém percebeu. Falei:
- Muito prazer, garotos. Sou Mary Anne, irmã mais nova do Paul McCartney.
- Vou buscar o violão e já volto. - John Lennon me falou. - Fique à vontade.

         Os caras do The Who e eu nos sentamos. John Entwistle perguntou:

- Você chegou a Londres há pouco tempo, não é? Nunca a vi por aqui...
- Sim. - falei. - Eu estudava em Oxford... Estou morando com meu irmão faz duas semanas.
- E está gostando daqui? - Pete quis saber.
- É diferente de Liverpool e Oxford, e isso é bom. Mas ainda não tive tempo de conhecer bem a cidade. Tenho estado ocupada procurando emprego e cuidando da casa.
- Você é formada em quê? - indagou Keith.
- Em Jornalismo. - respondi. - Ainda não achei nenhum jornal daqui que tivesse vagas na equipe de repórteres ou de articulistas...
- Tem namorado? - inquiriu Roger.

             A pergunta me surpreendeu. Pensei em George. Ele era apaixonado por mim, e eu por ele, mas não estávamos juntos. Portanto, neguei. Pete, John Entwistle e Keith começaram a caçoar de Roger.
            John Lennon finalmente apareceu com o violão. "Salva pelo gongo", pensei.

- Desculpe a demora. - ele falou. - Não lembrava onde tinha guardado...
- Não tem problema, Johnny Boy. Bem, preciso ir para casa almoçar...
- Vai almoçar sozinha? - Roger inquiriu novamente.
- Modo "Roger conquistador" ativado... - debochou Pete.
- Cale a boca, Pete. - Roger retrucou. - E então, Mary Anne?
- Vou sim... Paul saiu para almoçar com Jane...
- Então, por que não almoça comigo? Quero dizer, com Pete, Keith e os Johns também...

              Se Roger me perguntara se eu tinha namorado e me convidara para almoçar, algum interesse em mim ele tinha. Como meu bom e velho amigo Lennon também ia, acabei concordando.
             Durante o almoço, acabei me entrosando mais com os rapazes do The Who. Roger não parava de me olhar. Fui embora sem parar de pensar no olhar dele.
                O que haveria por trás daqueles olhos azuis?