domingo, 10 de novembro de 2013

Heartbreaker - Capítulo 5

    Depois de algumas semanas, o Led iria embarcar em sua primeira grande turnê. Pedi a Rob para acompanhá-lo. Ele concordou, mas me disse:

- Prepare-se para ficar com ciúmes. Eu sou o vocalista, você sabe...
- É, eu entendo. - pensei em Keith. Ele também era assediado por muitas moças. Dava bola para algumas, e por isso desisti dele. Mas afastei a ideia de que Robert também faria isso. Afinal de contas, ele escolhera ficar comigo. Keith era tão desligado que nem percebia que eu babava por ele.

          Vicky, Susie e Angie também embarcaram na viagem. Combinamos que arrancaríamos os dentes das groupies abusadas sem dó nem piedade.
            Enquanto nossos garotos faziam shows incríveis, Angie e eu escrevíamos nossas respectivas obras. Eu decidira escrever um livro todo composto de crônicas, pois essa é a minha especialidade. Já Angie estava escrevendo um romance epistolar, que apresentava algumas semelhanças com Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe.
             Os dias passavam. Após os shows, havia muita bagunça entre minhas amigas, nossos namorados e eu. Depois de um show em Sheffield, Robert me levou para os fundos do ônibus:

- Vamos, Lily?
- Oh, Robert, eu não sei...
- Por favor, meu amor, por favor...
- Está bem, mas não aqui no ônibus. Vamos esperar até chegarmos ao hotel.

                 Robert já estava perdendo a paciência quando chegamos. Ele me levou ao quarto que acreditava ser o dele. Quando abriu, levou um susto e disse:

- Perdão, Jimmy e Vicky! Me confundi, achei que esse era o meu quarto! - e fechou a porta.
- O que aconteceu? - perguntei, pois estava atrás dele e não consegui ver nada direito.
- Jimmy e Vicky estavam só com as roupas de baixo... Estavam, hã... Preparando-se para pôr a mão na massa.
- Ah, entendi. - eu ri.

                    Chegamos ao verdadeiro quarto de Robert. Eu me sentei na cama e comecei a tremer. Após aquela primeira vez, em que estávamos bêbados, Robert e eu não passamos dos beijos e dos abraços. Contudo, ele parecia decidido a "pôr a mão na massa" mais uma vez. Tirou sua camisa e sorriu para mim.

- Está com frio? Já vou te esquentar.
- Eu não conhecia esse seu lado assanhado, Robert Anthony Plant. - dei um risinho.

                     Ele se sentou ao meu lado e começou a acariciar minhas costas. Fiquei arrepiada. Comecei a beijá-lo carinhosamente. Deitamo-nos, e ele sussurrou em meu ouvido:

- Eu te amo com todas as minhas forças, Elinor Stephanie Fitzwilliam. Minha Lily...
- Eu também te amo com todas as minhas forças, meu Rob. - e me entreguei a Robert.

                      Mais ou menos uma semana depois, uma surpresa: o Led Zeppelin se hospedou no mesmo hotel que os Rolling Stones! Eu queria morrer. Se eu encontrasse Keith...

                       Para meu desespero, o que eu temia aconteceu. Estava andando pelo saguão do hotel quando o vi. E não havia sinal da presença de Lydia. Tentei passar por ele despercebida...

- Oi, Elinor.
- Hã, oi, Keith. - eu disse, me virando para ficar frente a frente com ele.
- O que houve? Não está feliz em me ver? Pensei que fôssemos amigos.  - ele realmente parecia um pouquinho desapontado.
- Não é isso... Meu namorado está por perto, ele é meio ciumento...
- Resolveu assumir com o Page? - Keith deu um daqueles sorrisinhos, que ainda tinham um certo efeito sobre mim.
- Ah, não, não! Namoro o amigo dele. - falei.
- Entendi... Olha, que tal sairmos um dia? Eu, você e a Lydia? E o seu namorado, se ele não se importar?
- Talvez... - eu ia me despedir e sair de fininho, quando..
- Lily! Eu estava te procurando! - era Robert.
- Oi, Rob. - tentei não soar nervosa. - Conhece Keith Richards, dos Rolling Stones? É meu amigo... - " E ex-amor da minha vida", completei em meus pensamentos.
- Olá. - Robert cumprimentou Keith com um aceno. - Sou Robert Plant. Muito prazer.
- Oi. - Keith respondeu com o mesmo gesto. - O prazer é meu.
- Bem, vamos dar uma volta, Lily? - convidou Robert.
- Claro, amor. - concordei, dando o braço a ele. - Até mais, Keith...
- Até. - meu antigo amor replicou.

                         Mais tarde, Jimmy e eu estávamos numa parte do saguão do hotel em que havia sofás, conversando. Como ele tem Vicky e eu tenho Robert, não passamos mais tanto tempo juntos, mas ainda valorizamos muito a companhia um do outro. Comecei a contar a ele o que acontecera mais cedo.

- Ficar no mesmo lugar que o Keith não é algo que me agrade muito... - falei.
- Eu imagino, seu coração deve ter ficado a mil...
- Sim! Ah, Jimmy, ficar próximas dos dois caras de quem eu já gostei, no mesmo local onde está o meu namorado, está me deixando louca!
- Hã? Como assim? - ele fez uma pausa. - Ora, ora, quer dizer que Fitzwilliam & Page não é uma parceria totalmente sem segredos....
- Do que você está falando, Mago? - tentei desconversar, depois de perceber a grande besteira que havia dito.
- Você disse que aqui neste hotel estão os dois caras de quem você já gostou, além do seu namorado, que é o Robert, evidentemente. Eu sou seu melhor amigo, e, pelo que me consta, antes do Robert você ficou com um carinha chamado Tommy, de quem você nem gostava, e mais tarde se apaixonou pelo Keith... Quem é o outro cara de quem você gostou? Você sabe que pode confiar em mim, por que não me contou?
- James Patrick Page... É você.
- O quê? - dessa vez a pausa que ele fez foi maior. - Você já gostou de mim, Elinor?
- Quando nós éramos adolescentes. Você é meu melhor amigo há séculos, era de se esperar, não acha?
- Bom... Sim, é algo nada anormal.
- Não está bravo comigo?
- Ora, por que eu ficaria bravo com você, Elinor? - ele começou a fazer cócegas em mim, mania irritante que ele tem desde que éramos pequenos.
- Pare, Jimmy! Seu chato! - eu ri.
- Está bem, eu paro. Mas só se você me prometer uma coisa.
- O quê?
- Que vai ser a minha melhor amiga para sempre.
- Eu prometo. E você?
- Também prometo.

         Demos as mãos e trocamos nosso aperto de mão secreto. Os dias foram se passando, e aconteceram algumas coisas estranhas depois dos shows... A mais estranha de todas envolveu Bonzo, Angie e um peixe... Mas essa é outra história.
      Por falar neles, Bonzo pediu Angie em casamento quando estávamos na Escócia, e ela aceitou. Eles formam um belo casal.
       Já Susie e Jonesy  decidiram morar juntos quando retornássemos à Inglaterra. E Jimmy e Vicky... Bom, aqueles dois já viviam um na casa do outro.
       Na França, algumas fãs mais assanhadas sempre tentavam jogar charme para cima de Robert, e é óbvio que eu não gostava nem um pouco daquilo. Ele me tranquilizava:

- Não precisa se irritar com elas, Lily, eu amo você...
- Mas isso não muda o fato de que aquelas garotas não respeitam um cara que tem namorada!
- Oh, meu doce... Não ligue. - ele me abraçava e acariciava meus cabelos.
- Você é meu, Robert Plant, não se esqueça disso. - eu dizia.
- Nunca esquecerei, Elinor Fitzwilliam. - era a resposta dele.

              Em meados de outubro, recebi uma carta de Emily, em que ela me contava sobre seu novo namorado, o famoso Dave Davies, dos Kinks.
              Você deve estar pensando que Emily e eu somos duas groupies. Não, não somos! As groupies são jovens mulheres que gostam simplesmente de ir para a cama com astros do rock, sem compromisso. Minha prima e eu estamos bem longe disso. É verdade que ela já namorou Syd e eu já me apaixonei por Jimmy e Keith, e que agora estávamos envolvidas com outros roqueiros. No entanto, esses nossos atuais namoros não são simplesmente diversão.
            Eu amo Robert. E estou certa de que Emily ama Dave. Creio que ele é o Mr. Darcy de minha prima.
             Da França, partimos para a Suíça. Num hotel da capital, Berna, levei um grande susto. Eu descera para tomar um chocolate quente e, quando voltei ao quarto, encontrei Georgiana Sparks, a outra prima de Emily, se engraçando com o meu namorado. Maldita srta. Sparks! Por culpa dela eu fui terrivelmente injusta com meu "deus dourado".

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