Mike e Alberta, dominados por
aquele feitiço, beijavam-se vorazmente. Pareciam ter se esquecido da existência
de Alana e Ringo. Ele sussurrou no ouvido dela, sensualmente:
-
Como nunca percebi o quanto você é linda, Alberta?
- E
como eu consegui ser tão tímida durante todo esse tempo, Mike? – ela o
acariciava, provocante.
-
Não sei. – ele respondeu, carregando-a nos braços até o quarto em que dormia
com Alana. Naquela noite, ela havia ficado com Erin em outro quarto. Jason
dormia profundamente num quarto que o conde Beckenbauer havia providenciado
para as crianças maiores. Assim, o quarto era todo de Mike e Alberta.
O lobo deitou Alberta na
cama e passou a despi-la. A loba fez o mesmo com Nez. Uma vez nus, os dois
entregaram-se àquele súbito desejo louco. Seus uivos foram ouvidos, contudo,
alguns julgaram ser o próprio Mike, porém com Alana; outros acreditavam se
tratar de Mary Anne McCartney com seu marido George Harrison, ou Rosie Donovan
e George Best. Ninguém imaginava o que de fato acontecia, e, na floresta,
Phyllis, Parsons e Hillman observavam tudo pela bola de cristal da maga.
-
Pode comemorar, Hillman. – Phyllis sorria para o lobo americano. – Amanhã mesmo você vai partir para os
Estados Unidos com a sua querida lobinha. Ela é desprezível, não sei o que você
e Mike veem nela.
-
Não ouse falar de Alana assim! – Chris retrucou.
-
Está bem, está bem, perdoe-me. Mas, pelo amor de Deus, leve o filhote também.
Não quero que Mike fique preso por aquele menino.
-
Alana não vai se separar dele. – disse Gram. – Por mais que o lobinho lembre o
pai, é visível que ela o ama demais.
-
Pois bem, livrem-se do moleque! – Phyllis exclamou, irritada. – Eu só preciso
garantir que Mike não vá querer recuperar a esposa... E muito menos
reconquistar Alice Stone!
Na manhã seguinte, Alana e Erin
levantaram-se e foram buscar seus filhos no quarto em que as crianças estavam.
Allie viu que Jason brincava de luta com Dhani Harrison, um dos filhos
sobreviventes de Mary Anne e George, os dois meninos transformados em pequenos
lobos.
-
Seu pai vai ficar orgulhoso ao ver que você está se tornando um lobo forte e
corajoso, Jason. – Alana sorriu para seu filho. – Vamos acordá-lo?
-
Vamos, mamãe. – o lobinho sorriu.
A mãe e seu filho foram até o quarto
da família Nesmith. Contudo, ao abrir a porta, Alana deparou-se com uma cena
muito desagradável.
-
MIKE! O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? – o grito indignado dela ao ver o marido
deitado ao lado de Alberta despertou todos.
-
A... Alana? – Nez acordou, sobressaltado. – O quê... ALBERTA! O que está
fazendo deitada aqui?
-
Eu não faço ideia! – respondeu a loba loira, os olhos verdes enormes de
espanto, e tentando cobrir o corpo nu, as faces cor de carmim.
-
EU É QUE FAÇO AS PERGUNTAS AQUI! – Alana gritou.
-
Mãe... – Jason ia perguntar o que estava havendo.
- SAI DAQUI, JASON! EU ESTOU MUITO BRAVA COM O SEU PAI!
O lobinho saiu correndo,
assustado. A essa altura, a maioria dos adultos tinha se aglomerado no
corredor, e havia burburinho. Ringo abriu caminho entre os outros, e ao ver a
noiva daquele jeito, chorou de raiva e decepção.
-
ALBERTA! EU PENSEI QUE VOCÊ ME AMASSE! – o lobo estava indignado.
-
Ringo! Por favor, me escute... Eu não sei o que aconteceu... Não sei mesmo...
-
Nem eu nem o Ringo vamos acreditar nesse papo furado! – Alana esbravejou. – Sai
daqui, sua vadia!
Ela pegou a loba maior pelo
braço e jogou-a para o outro lado do quarto. Alberta foi parar aos pés de Ringo,
contudo, ele não a socorreu.
- E
quanto a você... – a loba olhava com raiva para o marido. – Eu não sei como
acreditei que seu amor fosse sincero! Que você realmente sentisse um imprinting
por mim! Como fui otária, meu Deus!
As garras de Alana
despontaram e ela deu um tapa no marido que deixou o rosto dele arranhado.
-
Alana, eu juro que não sei o que aconteceu! Não me lembro de nada!
-
MENTIROSO! TRAIDOR! – ela gritava, descontrolada. – SABE QUAL É A DIFERENÇA
ENTRE VOCÊ E O GERD? É QUE ELE ADMITIU
QUE TRAIU A LOUISE COM A ALICE! VOCÊ ALEGA QUE NÃO SE LEMBRA, ENQUANTO EU VI
VOCÊ DEITADO NESSA CAMA, COM A MALDITA AO SEU LADO! E TENHO VÁRIAS TESTEMUNHAS
AQUI! DE RESTO, VOCÊS SÃO IGUAIS! SEM VERGONHA E INFIÉIS!
- A
última coisa de que pode me acusar é de ser como aquele alemão maldito! – Nez
gritou.
-
Você condenou tanto o Gerd por ter traído aquela vampirinha, não é? Aquela
vampirinha tão importante para você, uma das com quem você se refestelou! E por
fazer a Alice sofrer! A sua tão amada Alice! Sabe, acho que se você me traísse
com ela, eu até poderia te perdoar! Mas não! Foi com a Alberta! VOCÊS NÃO TÊM
UM MÍNIMO DE VERGONHA NA CARA?!
-
Por que não acredita em mim, Allie? Eu seria incapaz de trair você, mesmo que
com a Alice!
- Eu
não quero ouvir mais nada! Eu vou embora para os Estados Unidos com Hillman e
Parsons! E vou levar Jason junto!
-
NÃO! – Mike bradou, em desespero. – Minha lobinha, eu te amo! Não vou poder continuar
sem você! E amo nosso filho mais do que tudo!
-
Se ama tanto Jason e eu, deveria ter pensado em nós antes de ser canalha!
A essa altura, todos já
haviam debandado do corredor, divididos. Alguns culpavam Mike e Alberta. Outros
estavam duvidosos. E alguns poucos acreditavam que apenas Mike fosse culpado.
Entre os duvidosos, estavam os próprios Micky, Davy e Peter, além de suas
esposas.
-
Não posso acreditar que Mike fez uma coisa dessas. Ele sempre foi tão correto.
– Micky estava chocado.
-
Pelos deuses de Asgard... – Peter murmurava. – Parece até um tipo de
feitiçaria...
-
Acha que pode ser? – Dianna indagou.
-
Difícil dizer. – o mago respondeu. – Se for...
É coisa da Phyllis.
-
Quem é Phyllis? – Erin, Dianna e Emma indagaram.
-
Uma namorada que o Mike teve antes de virmos para a Alemanha. – explicou Davy.
– Ela era uma bruxa. Mas acha mesmo que ela ainda não superou o fim da relação,
Peter?
-
Não sei. Sinceramente não sei.
-
Eu não quero que Allie vá embora... – Erin chorou. Peter abraçou-a e limpou o
rosto dela.
-
Eu sei, querida. – Peter disse. – Mas ela precisa ficar um pouco sozinha para
afogar as mágoas. Mas acho que você deveria ir atrás dela, conversar um pouco.
-
Sim. – Erin limpou o rosto e fungou. – Eu vou.
Erin encontrou a amada saindo do
quarto, carregando bagagem numa mão e segurando Jason com a outra. Mike corria
atrás da esposa para impedi-la.
-
ALANA, NÃO VÁ! – exclamaram os dois, ao mesmo tempo.
-
Mike, nada do que me disser vai me fazer mudar de ideia! – ela rosnou. – E
Erin, eu sei que te prometi que não iria embora... Mas é preciso.
-
Por favor, minha amada, como vou ficar sem você? – Erin implorou.
-
Você tem o Peter. – Alana afagou o rosto de Erin. – Eu venho te visitar e você
também pode vir me ver.
-
Só o Peter não me basta! – Erin exclamou.
-
Desculpa. Desculpa mesmo, minha flor. –
Alana suspirou, triste, e caminhou até os portões, Mike e Erin ainda em seu
encalço.
- Allie... – Mike tentou uma última vez.
-
ATÉ NUNCA MAIS, ROBERT MICHAEL NESMITH! – ela gritou.
-
Mamãe, por que vamos embora? – Jason indagava.
-
Um dia você vai entender, meu filho. – Alana respondeu. Deu um beijo envolvente
em Erin e bateu os portões do castelo Beckenbauer atrás de si.
- Mike...
Eu não sei se você está mesmo falando a verdade, mas se você realmente for
culpado, eu nunca vou te perdoar pela partida da Alana! – exclamou Erin,
furiosa.
-
Erin, eu juro, não sei como aquilo aconteceu. Não sei mesmo!
-
Acho bom. – a humana resmungou, voltando para dentro. Seu coração estava
partido.
Mike estava tão nervoso que
descontou socando as paredes de pedra e arranhando a madeira da porta com as
garras. Começou a uivar angustiado, como na época em que estava sofrendo de
amor por Alice. Ouviu uma voz debochada dizer:
-
Ora, ora, quem é o sacripanta agora?
Era Gerd. Mike
voltou-se para ele, mostrando as presas e rosnando.
-
COMO SE ATREVE A ME COMPARAR A VOCÊ, SEU CHUCRUTE?
-
Me atrevo? – Gerd ria com escárnio. – Você fez exatamente o mesmo que eu.
-
Não fiz! Não dormi com Alberta! Não me lembro de nada!
-
Isso é só uma história que você inventou para se defender! Ao menos eu admito
meu erro, lobo! E tenho um aviso para você: fique longe de Mein Himmel!
-
Não ouse chamar Alice de Mein Himmel! Você a fez sofrer! E se eu quiser ficar
com ela, não será você que vai me impedir, Müller!
- É
o que vamos ver, Nesmith. – Gerd sorriu irônico.

