quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Stop! In The Name Of Love - Capítulo 3 (What If)

Boa tarde! Temos hoje mais um capítulo de Stop. POV da Dianna e um pouquinho do Davy. Boa leitura! 












Capítulo 3 - How You Get The Girl  (Dianna’s POV)





            Eu estava bastante perturbada com aquilo tudo. Fui até o banheiro, liguei a torneira e molhei os pulsos na água gelada, respirando fundo.  Encarei minha própria imagem no espelho. Eu via meu peito arfante. Davy me irritava profundamente. Mas ele também tirava o meu fôlego. 
            Nunca em minha vida eu havia sentido algo assim por uma pessoa. Nem mesmo pelo Gerd. Indaguei-me se Davy poderia ser...



- Não! Não pode ser ele! – eu mesma cortei meu pensamento. – Sei que Gerd não é “ele”... Mas também não creio que Davy seja.




               Saí do banheiro e fui atrás do Gerd.  Avistei-o junto a um grupo de pessoas, que rodeava uma cadeira em que havia uma moça sentada. Aproximei-me... E vi quem era a moça sentada. Era Louise McGold, a intérprete de Cécile Volanges na série Ligações Perigosas, e também minha amiga, que eu não via fazia um tempo considerável.



- Dianna Mackenzie, é você? – ela me perguntou, quando me viu.

- Oh, meu Deus, Louise McGold! – dei um abraço forte nela. Sempre tive uma certa crush pela Lulu.  – Meu Deus, você está linda, maravilhosa e... O que houve com seu pé? – notei que ela estava com um pé descalço, sobre o qual estava apoiado um saquinho de gelo.

- Aquele cara ali... – ela apontou para Gerd. – Pisou forte no meu pé!

- Meine kleine, foi sem querer e... Espere! Você conhece essa hobbit? – inquiriu-me.

- Lulu, esse cara pisou no seu pé? – Davy, que havia acabado de chegar ali, indagou a Louise, parecendo preocupado.



          Pelo tom dele, e pelo olhar também, percebi tudo.  Era claro que Davy olhava para Louise na série como se estivesse apaixonado! Pois ele de fato estava. Não sei por quê, contudo, senti uma mágoa surgir em meu peito. Fui chamada de volta ao planeta Terra com uma exclamação de surpresa de Louise.


- Seu vestido. Está manchado!

- Foi um acidente! – fuzilei Davy com meu olhar e em seguida me virei para meu ursão. – Peça desculpas para Louise.

- Já pedi e essa louquinha ainda está com raiva de mim!

- Está tudo bem, “Valmont”... Quer dizer, Gerd! – ela sorriu e depois apresentou seu namorado. – Dianna, quero que conheça Davy Jones, meu namorado.



           Tentei disfarçar todo o misto de sensações esquisitas que aquele hobbit safado me proporcionava, e disse, num tom nem muito frio, nem muito caloroso:


- Muito prazer, Sr. Jones. E este é meu noivo, Gerd Müller!


               Davy me olhou com cara de... Decepcionado? E os olhinhos azuis de Louise estavam enormes de espanto.  Odile Greyhound, namorada de Franz Beckenbauer, colega do Gerd no Bayern e seu melhor amigo, voltou com seu namorado da mesa de bebidas. E disse a Lulu:


- Me desculpe, amiga. Franz e eu conversamos com Barry sobre um filme.

- Que filme?

- Lembra-se daquele filme que estou começando a fazer? Então, achei seu parceiro de cena e Gerd já tinha topado. – ela explicou. - Então vocês vão atuar juntos.


           Louise digeriu a informação por mais ou menos meio minuto e por fim exclamou, parecendo um pouquinho indignada:



- ATUAR COM ESSE URSÃO? – apontou para nós dois e até recuamos um passo, assustados pela explosão. - Odile, eu tenho o Davy e ele também é ator. Por que não pode ser meu namorado?

- Porque ele e o Franz estão financiando e no roteiro, já coloquei vocês juntos. Ele vai tentar te conquistar, você vai recusar tudo e no final acaba cedendo.


             

               Pedi licença a Louise e Odile e levei Gerd comigo para um lugar mais sossegado.




- Você não me disse nada sobre atuar nesse filme... Pensei que iria apenas produzir.

- Di... Meine kleine, eu não queria atuar. Só aceitei por insistência da Odile.

- O problema não é você atuar... É contracenar com outra.


                

              Gerd fez uma expressão que indicava que ele já esperava por isso.



- Justamente por isso não falei nada. Sabia que você não iria gostar.

- Desculpa, mein Bär. Eu queria ser menos insegura. Mas eu morro de medo de perder você...

- Não vai me perder para ninguém, pequenina. Muito menos para aquela sua amiga doida!


               

                Tive que rir. Admito que Louise às vezes age de uma maneira um pouco inusitada. Porém, eu não tenho muita moral para falar disso.  Gerd e eu fomos até o palco, onde as Supremes cantavam The Happening. E quem eu vi no meio do público, no maior clima?  Davy e Louise. Balancei a cabeça, como que para afastar o bendito “Danceny” dos meus pensamentos. Abracei Gerd com força. Não seria uma crush boba que iria me colocar para baixo.
                 Mais tarde, em casa, eu estava louca para dormir. Mas é óbvio que Gerd não iria me deixar dormir sem antes fazermos amor. Curiosamente, eu não estava muito a fim dessa vez. Tirei a mão dele da minha perna, dizendo:



- Hoje não, ursão. Desculpa.

- Não? Você tem certeza?

- Tenho. Tô cansada. Preciso dormir...

- Bom... Não tenho o direito de forçar você a nada, Di. Então tudo bem. Boa noite. – ele me deu um beijo apaixonado.

- Boa noite, Gerd. – beijei o rosto dele e apaguei o abajur.

              
             

         Senti-o me abraçar pela cintura e me trazer para bem perto de si. Acariciei o braço dele. Eu estava com um sentimento de culpa no peito. Gerd me amava tanto, e eu ali, agindo daquele modo egoísta só porque peguei uma crush repentina por um ator que era namorado da minha amiga... Não deveria significar nada de mais para mim...
         Pelo menos eu não me lembro do que sonhei naquela noite. Despertei e percebi que Gerd já tinha se levantado. Fui até a cozinha, e lá estava ele, preparando nosso café.




- Guten Morgen. – ele sorriu para mim.

- Guten Morgen, Gerd. – respondi, puxando uma cadeira e me sentando, esfregando os olhos.

- Dormiu bem?

- Acho que sim.

- Acha? – ele riu. – Acabei de receber uma mensagem do Franz. Odile quer começar as gravações hoje.

- Mas já? – perguntei, surpresa, enquanto colocava café na xícara.

- Pois é.

- Vou ter que fechar os olhos em todas as cenas em que você e a Louise se beijarem...

- Pelo menos você vai ter companhia.

- O que quer dizer com isso?

- Ora! Não viu a cara daquele anão? Ele tá se roendo todo de ciúmes, igual a você.

- O último que eu quero de companhia é ele...

- Tá com medo de ele sujar sua roupa de novo? – Gerd gracejou.

- Sem graça. – eu dei uma risadinha.


              

        Gerd e eu nos levantamos quando terminamos de comer, e fomos no carro dele até o estúdio onde seriam realizadas as filmagens. Fomos recepcionados na entrada por uma Odile muito animada.




- Bom dia, Gerd, Dianna! Gerd, vá para o seu camarim imediatamente! Dianna, pode ir para perto daquele cenário ali, já providenciei uma cadeira para você sentar e acompanhar a gravação!

- Hehehe, bom dia, Odile. – eu cumprimentei, com um sorriso. – Certo, vou até lá.

   
                    

        Fui ao lugar indicado por Odile, e eis que vejo ao lado da cadeira de onde eu deveria assistir à gravação... Isso mesmo, Davy Jones.





- Ora, ora, bom dia, Dianna, a Leoa! – ele me saudou com um sorriso que transformou minhas pernas em gelatina.

- Bom dia. – respondi, um pouco seca.

- Olha, me desculpa pelo seu vestido. Eu não tinha a menor intenção...

- Esse não é o problema. A mancha sai se eu lavar com cuidado.

- Então por que está tão irritada comigo?

- Será que é por que eu estou noiva? E fui cantada por um hobbit safado que tem namorada? Namorada que aliás é minha amiga?

- Bom... Eu não sabia que você está noiva daquela muralha humana. E eu não te cantei, só fiz uma constatação.

- Constatação. – repeti com sarcasmo.

- Sim, constatação de que você é muito bonita. Louise estava certa.

- Você tem mesmo que meter sua namorada nisso? Para um Danceny, você está muito Valmont para o meu gosto!

- Quem sabe daqui a uns anos eu pego um papel de Valmont...

- Ah, cala essa boca, Jones! E me deixa em paz!

- É... Você é mesmo bem bravinha.


                

          Nem me dei o trabalho de responder. Ele pareceu perceber que era mesmo melhor não mexer comigo. Ficamos assistindo às gravações. Depois de uma hora, Louise já estava surtada, completamente sem paciência, pois Gerd errava suas falas com bastante frequência.




- ODILE!!!! Eu disse que isso não iria dar certo!!!!

- Tenha paciência, McLovely. – Davy disse a ela. – Todo mundo erra e também é o primeiro dia. Não espere por perfeição.

- Eu preferiria que você fosse meu par, McCutie! Pelo menos é profissional!


                     

           Ai. Essa doeu até em mim. Coitado do meu ursão.





- Escuta aqui, sua lunática! – Gerd gritou. – Posso não ser grande coisa como ator, mas não me chamam de Der Bomber à toa! Você é uma mimada! Já ouviu falar de Os Modernos Vampiros da Cidade?

- É claro! Quem não? Já li toda a trilogia!

- Pois então deve saber que está igualzinha à Lady Porquinha!

- Lady Porquinha? Eu? E você, que parece mais o Visconde de Nördlingen na primeira parte! Bruto, grosseirão! Não sei como você aguenta esse cara, Dianna!


          

             Davy e eu trocamos um olhar. Estávamos com medo de onde aquilo poderia chegar.





- Meça as suas palavras, McLovely... Afinal, ele é o noivo da Dianna e ela é sua amiga. – Davy advertiu-a.

- Coitada de você, Dianna. Vai mesmo querer esse bárbaro como marido? – Louise me indagou.

- Eu... Bem...


                        Não sabia mesmo o que dizer. De repente... Imaginar-me casada com Gerd parecia bem mais difícil. O que estava acontecendo comigo? Pedi licença e saí dali. Precisava ficar sozinha por uns momentos.


(Davy’s POV)


                         Quanto mais ela se irritava comigo, quanto mais me xingava, mais eu a achava linda, mais eu a desejava.
                         Sempre amei Louise, desde menino. Para mim, minha melhor amiga sempre foi a garota mais linda, mais divertida, mais inteligente e mais talentosa de todas. Até que essa Dianna Mackenzie apareceu no meu caminho, derramei champanhe em seu vestido e olhei para ela.
                        Não sei descrever o que senti quando olhei para ela. Parecia que... Eu sempre tinha procurado aqueles olhos. Não eram nada parecidos com os de Louise. Grandes, castanhos. E exibiam uma grande surpresa.
                        Ela me xingou, foi seca. E se afastou. Um pouco mais tarde, encontrei-a conversando com Louise. Descobri que são amigas. Vi que estava ao lado de um grandalhão com jeito de urso. E ela apresentou o sujeito a Louise como seu noivo.
                        Não vou negar, fui tomado por uma sensação esquisita no peito. Como se ela não pudesse pertencer a ninguém... Que não fosse eu. O resto da noite não consegui parar de pensar nela. Nem mesmo tive vontade de amar Lulu.
                       Sei que estou sendo um canalha. Mas não consigo evitar. Toda vez que olho para aquela boca... É como se ela chamasse pela minha, como se desejasse meus beijos da mesma forma que eu desejo os dela.
                          Depois daquela discussão entre minha namorada e o noivo dela, Dianna se afastou de todos, alegando se sentir mal. Quis segui-la, mas Gerd e Lulu poderiam suspeitar. Se eu sou Danceny, ela é a Marquesa de Merteuil, mas uma Marquesa que me seduz sem ter essa intenção. Não deseja me afastar de minha Cécile e se considera feliz ao lado de seu Visconde de Valmont. No entanto... Vou me tornar Valmont por um tempo e vou seduzi-la. Ela será minha verdadeira Cécile.





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