terça-feira, 13 de outubro de 2015

Shades Of Grey - Episódio 4 (What If - Minissérie)

Boa noite! Mais um episódio de Shades Of Grey para vocês! Boa leitura!


                   

            A cada dia que passava Davy estava mais irritado e infeliz. Parecia que Amber testava sua paciência. Sempre exigindo mais dos empregados e dele do que seria razoável, sempre tratando todos mal. Abria o coração para seus amigos nas cartas, especialmente para Louise, contudo, nada lhe trazia verdadeiro alívio.
               
              Somente Dianna poderia restituir a sua paz de espírito... Mas como? Ela sumiu após a primeira e única noite de amor do casal. Davy sabia que ela havia fugido por medo de que Amber descobrisse tudo. Poderia ao menos ter dito a ele aonde foi... Ele a seguiria por onde fosse. Abandonaria a vida nobre, se fosse preciso, apenas para ficar com ela. Não via demérito algum em trabalhar para poder viver ao lado da mulher amada.
              
               Certo dia, Amber adentrou o gabinete de trabalho dele. Ela tinha um sorriso enorme no rosto.


- Atrapalho, maridinho?

- Na verdade, sim. O que foi, Amber? – Davy foi ríspido. Não aguentava mais Amber.

- Eu estou grávida, maridinho.

                   

                  Davy ficou atônito diante de tal notícia.


- O quê?

- Foi o que você ouviu, meu querido. Vou ter um filho seu.

                    

                    O jovem conde não sabia como reagir. Achou que a mãe de seu filho merecia um mínimo de cortesia, então beijou a mão dela, dizendo:


- Bom, então vá para seu quarto repousar. Estou ocupado...

- Não vou atrapalhá-lo mais, Davy. – Amber deu mais um daqueles sorrisos que irritavam Davy.

                         

                          Quando ela saiu, Davy soltou um longo suspiro. “Um filho dela? Por que dela, que tanto odeio? Por que não da Di? Se Di me desse um filho eu seria o homem mais feliz do mundo... Quanta saudade dela...”.
                          Ele foi ao estábulo, e pediu a Manuel Neuer, marido da cozinheira Felicity, que selasse seu cavalo favorito. Subiu no lombo do cavalo e se lembrou de quando conheceu a amada.
                          Chegou ao local onde a viu pela primeira vez.


- Foi aqui... – ele murmurou. – Ela estava ali, perto daquela árvore, sentada, esfregando o tornozelo. Depois disso minha vida nunca mais foi a mesma.

                           

                           Ele foi até a parte mais alta do promontório, apeou-se, amarrou o cavalo na árvore, colocou as mãos em concha e gritou:



- DIANNA! ESTEJA ONDE ESTIVER, EU AINDA TE AMO!

                              

                             Lá embaixo, na vila, na casa do advogado Peter Noone...



- Davy? É você? Me chamando?



                              A jovem foi até a janela e olhou na direção do promontório. Avistou o vulto de um homem pequeno, e também o de um cavalo. Ela pensou em responder ao chamado, porém, o homenzinho subiu no cavalo e foi embora.


- Oh, Davy... Que saudade, meu amor. Queria ver você, contar sobre o bebê. – Dianna baixou os olhos para o ventre, que já estava crescendo, e fez ali uma carícia. – Será que você vai se parecer com seu pai, meu filho? Noone vai matar nós dois se for assim...

      
     
                            Três dias após haver tido certeza absoluta de que estava esperando um filho, Dianna correu até Peter Noone, o único pretendente que tinha. Não mencionou sua gravidez, apenas disse a Noone que finalmente aceitava seu pedido de casamento. Como Noone sempre teve um comportamento obsessivo em relação a Dianna, conseguiu que se casassem apenas duas semanas depois.
                           Na noite de núpcias, Dianna não teve escolha senão se entregar a ele. Assim, quando sua gravidez começou a dar amostras, pôde convencer Noone de que era ele o pai da criança. Pareceu-lhe que ele não teve desconfiança alguma.
                            Assim como Davy era infeliz com Amber, Dianna o era com Noone. Ele não queria deixá-la sair e só permitia que ela recebesse a visita de Erin, pois a prima de Dianna era viscondessa, desde que havia se casado com Peter. No entanto, Dianna sempre mandava cartas para Alice e Emma e elas lhe mandavam cartas também.
       
                                                           

                                                                          ***

              

                    No casarão, enquanto isso, Amber já pensava como faria para conseguir uma criança para fingir ser seu filho recém-nascido, findos os nove meses de suposta gravidez. Ela passou próxima ao quarto da cozinheira Felicity e de seu marido, o cavalariço Manuel.


- Manu... Estou esperando um bebê!

- É verdade, fraülein?

- Sim, meu amor, sim!

- Estou tão feliz!

                

                      Amber sorriu maleficamente. Já tinha a criança.

                                                                                

                                                                         ***

                    

                    Em Londres, fazia quatro dias que Micky havia se casado com sua noiva arranjada. O nome dela era Suzan Hardison e havia surpreendido o jovem barão. Sua esposa era bonita, inteligente e gentil. Ele não poderia querer nada melhor... Exceto que sua mulher fosse Emma. “Vou aprender a lidar com isso”, ele pensava.
                    Percebia que, assim como acontecia com ele, a situação de casamento arranjado intimidava a pobre Suzan. Durante a festa, ela se encontrou arredia. Não quis dormir com Micky naquela noite. Ele não a forçou a nada. No entanto, ele desejava conquistar a simpatia de sua baronesa, e quem sabe o amor, mais tarde. Assim, fez o que sabia fazer de melhor: ser engraçado.
                   “Gosto do barão Dolenz”, pensou Suzan. “Gosto de quem me faz rir”. Naquele quarto dia, após o jantar, Suzan se mostrou mais aberta com o marido. Quando iriam se recolher, Micky se preparava para deixá-la no quarto dela e ir para o seu. Beijou a mão da esposa, dizendo:


- Boa noite, senhora. Até amanhã.

- Oh, senhor, eu... Por favor, não me leve a mal, mas... Gostaria de passar a noite em meu quarto?

               
                 Micky se surpreendeu com a atitude da esposa. Porém, longe de se indignar, ficou admirado. Os tempos estavam de fato mudando... Ela o conduziu para dentro do cômodo. Uma vez lá dentro, ela lhe deu um beijo quente.

- Senhora...

- Me chame de Sue, meu marido.

- Então me chame de Micky, minha esposa.


                      Voltaram a se beijar. Sue soltou-se do marido e abriu o robe, revelando uma bela camisola de seda... Que logo ela removeu. Micky estava encantado. Abriu seu robe também, e logo tirou sua camisa e sua calça de dormir. Estavam os dois apenas de roupa íntima. Aproximaram-se, e um ajudou o outro a se livrar das peças.
                       Um não podia acreditar na beleza do corpo do outro. Micky carregou a mulher para a cama dela, onde a deitou suavemente. Deitou-se por cima, passando a mão pelas pernas dela.

- Está preparada, Sue? – quis saber ele, os lábios no pescoço dela.

- Sim...

                 Tiveram início as estocadas. Sue afagava os cabelos do marido, e o tocava em várias regiões.


- Ooooh, Micky...

- Sue... – ele apalpava levemente os seios de sua baronesa.

                    Os gemidos e beijos foram se intensificando até atingirem o orgasmo. Separaram-se, arquejando.


- Está arrependido por me desposar, Micky?

- De modo algum, Sue. Está arrependida por se tornar minha esposa?

- Eu tampouco, Micky.

                        

                                  Trocaram mais um beijo e adormeceram.


                                                                  
                                                                    ***


                             Mike estava com um problema ainda maior do que o de Micky. Alana gostava de Mike como pessoa, entretanto, não estava disposta a gostar dele como marido. Seu único pensamento era seu antigo namorado, o cavalariço Chris Hillman, com quem havia tido que terminar, devido ao casamento.
                             O jovem duque ainda pensava muito em sua amada Alice. Porém, a forma como ela o havia dispensado cortava seu coração. “Oh, Alice... Eu não queria ter magoado você dessa maneira... E agora acho que serei ainda mais infeliz...”.
                             No almoço, certo dia, disse a ela:


- Senhora, gostaria de cavalgar comigo amanhã, após o desjejum?

- Após o desjejum? Não, senhor, me perdoe, porém, tenho outras coisas a fazer.

- Após o almoço, então?

- Será possível que o senhor só pense em comer e cavalgar, duque Nesmith? – Alana falou, mordaz.

- Não, sra. duquesa. – Mike respondeu, percebendo que sua esposa não era fácil.

      

                       Ele foi para seu gabinete de trabalho, de onde não saiu até o chá. Não tinha sequer uma pista do que a esposa ficou fazendo durante todo aquele tempo. E ela também não parecia disposta a lhe dizer.
                             E assim se passaram vários dias, com Mike e Alana se encontrando apenas nas refeições. Seus poucos diálogos eram marcados com tímidas tentativas de aproximação da parte dele, com profunda cortesia, e cortes e respostas dela, permeados de ironia. Ele começava a desistir.
                              Certa vez, todavia, Mike passava próximo ao quarto da esposa quando ouviu um som maravilhoso de violino. “Não sabia que tocava violino, minha esposa...”, pensou ele. Abriu muito cautelosamente a porta, para que ela não ouvisse. Viu Alana em pé no meio do cômodo, de costas para a porta, tocando seu violino. “Como ela fica ainda mais bela ao tocar...”. Suspirou um pouco mais alto do que devia, o que atraiu a atenção da violinista.



- Duque! – ela se virou para a direção do som, e se assustou.

- M-mil perdões, duquesa... Mas sua música era bela demais...

                            

                            Pela primeira vez na vida, Alana não sabia o que dizer em resposta.


- O senhor... O senhor gosta da minha música, duque? – ela inquiriu, olhando para os próprios pés.

- Sim! A senhora toca violino maravilhosamente, duquesa! – disse Mike, com sinceridade.


                             Alana encarou os lindos olhos castanhos do marido.



- Bem... Obrigada. – sorriu, encabulada.

- É a verdade. – ele devolveu o sorriso. – Eu também toco violino... E piano. Amo música.

- Eu também amo música! Se importaria de tocar algumas peças de piano para mim esta noite, duque? Após o jantar?

- Será uma honra... Minha esposa. Mas somente se tocar mais violino para mim. Chame-me de Mike, se quiser.

- Está bem, meu marido. Também ficarei honrada. Chame-me de Alana, Mike.

                               

                            Outro casal arranjado que acabava por se apaixonar.

                                                               

                                                                      ***


                             


                             Passaram-se mais alguns meses. Emma estava vivendo em um vilarejo mais distante, com seus pais. Os pais de Emma entenderam a situação dela, embora não houvessem ficado muito felizes ao saber que a filha se apaixonou e se entregou a um rapaz da nobreza, ainda que o sentimento fosse recíproco.
                                Chegou o dia da ex-ajudante de cozinha dar à luz. Deitada em sua cama, a moça fazia o máximo de esforço possível, auxiliada por sua mãe, Lauren. Após o que lhe pareceu mais de uma hora, Emma pôde ouvir um chorinho.



- É um menino, Emma! Um lindo menino! – disse sua mãe, colocando o bebê nos braços da filha.

- Ele é mesmo lindo, mamãe. – Emma beijou a testa do pequeno. Ele era loiro de olhos azuis como ela, no entanto, em tudo mais seu filho parecia com o pai.
                               


                  A jovem decidiu nomeá-lo Christian. Após amamentar seu bebê, Emma o fez dormir, com a ajuda de sua mãe. Assim que ele caiu no sono, Emma colocou-o no bercinho e sentou-se para comunicar a novidade às suas amigas. Escreveu para Erin, para Alice, e, por fim, para Dianna.



Di,

Finalmente meu filho com Micky nasceu. Ele é lindo, minha amiga! Sempre quis um bebê lindo assim. Só lamento que Micky nunca poderá saber que tem este filho... Certamente terá muitos filhos com a esposa, entretanto, do meu pequeno Christian nunca tomará conhecimento...
E como está você? Logo você também dará à luz seu filho, não é? Está preocupada? Seu marido não desconfia de nada?

                                                                                                                                   Emma


                                       

                               Dianna enviou a seguinte resposta à amiga:




Emma,

Fico muito feliz por você, minha amiga querida! Imagino que seu filho seja mesmo um lindo bebê, pois você também é muito bela! Por que acha que Micky não poderá saber sobre Christian? Erin me disse que a baronesa Dolenz é um doce de pessoa, ela a conheceu. Talvez ela aceite seu bebê... Se ela fosse como Amber,  então haveria motivo para recear...
Eu estou bem. E obviamente estou preocupada, qual mulher que vai ser mãe pela primeira vez não fica preocupada? Ainda mais eu... Tenho medo de que meu bebê se pareça com Davy. Noone não parece desconfiar... Porém, se a criança se parecer com o pai... Não sei o que será de nós dois.


                                                                                                                         Dianna




***



   

             Dianna não fazia ideia disso, no entanto, Noone sabia que o filho que ela esperava não era dele, mas sim do Conde Jones... Marido da grande amiga de Noone, Amber.



- Amber ficará muito satisfeita em saber disso... – ele riu maleficamente.

             

              Foi até o casarão, onde foi recebido por Amber. Ela usava panos enrolados por dentro do espartilho para simular um ventre em crescimento e assim enganar o marido.



- Como vão você e seu bebê, Amber? – ele perguntou, irônico.

- Vamos muito bem. – ela respondeu. – Davy não desconfia de nada.

- Sabia que ele de fato vai ter um filho?

                   

                    Amber ficou chocada.


- O quê? Como sabe disso?

- Minha esposa... A preceptorazinha que você tanto odiava... Ela está grávida e ele é o pai, não eu.

- Eu duvido, Noone!

- Mas está nas cartas que ela manda para as amigas, Amber! Eu li!

- Ela pode ter engravidado de você e está pensando que Davy é o pai!

- Em nenhum momento ela deixa menção de dúvida nas cartas!

- Essa criança vai nascer logo, não vai? Espere que a maldita da Dianna dê à luz e venha me dizer o que concluiu! Se o bebê se parecer com Davy... Você deve me avisar... E eu acabarei com ele!

                                                                        

                                                                         ***






                     Dianna estava no quarto, no meio da madrugada, lendo à luz de vela. Estava começando a sentir dor.


- Você quer vir logo, não é, meu filho? Ai...

                

                       A dor crescia mais e mais.  Até que tornou-se insuportável. Gritou pela criada.


- JESSIE!

                    

                     O quarto da criada ficava ao lado. Ela irrompeu no quarto.


- Sim, senhora?

- Jessie... Me ajude, por favor... Meu bebê... AAAH!

- Calma, senhora, eu já venho! – disse Jessie, indo buscar toalhas para limpar a criança e lençóis limpos para colocar na cama após o parto.

                    

                             Dianna murmurou.


- Oh, Davy, enquanto nosso filho vem ao mundo você mal imagina... Dorme tranquilo...

                              

                               No casarão, Davy sonhava. Sonhava que estava numa casa, nem muito grande nem muito pequena, bem mobiliada e decorada, durante a noite. Ele via algumas criadas correndo para cá e para lá. Viu que elas carregavam toalhas e lençóis. Elas entraram num quarto, e Davy seguiu-as. Ouviu gritos femininos de dor.
                               A mulher que gritava... Era ela. Dianna. E... Ela estava parindo uma criança.  Davy estava atônito. Correu até Dianna e pegou a mão dela.

- Di...

- Davy... Ai... O que faz aqui?

- Ao menos cheguei na hora de ver o nosso filho. – ele sorriu e beijou a testa da amada.

                              


                                Dianna empenhava toda a sua força no trabalho de parto. Até que ouviu-se um choro de bebê.


- Nasceu, sra. Noone! É menina! – exclamou Jessie.



                                  A jovem mãe odiava ser chamada de “sra. Noone”, porém, não tinha o que fazer. A criada colocou a bebê nos braços da mãe.


- Oh... Ela é linda, uma princesinha! – Dianna disse. E chorou de emoção ao olhar nos olhinhos da pequena. Grandes, castanho-escuros, encimados por sobrancelhinhas grossas. “Você tem os olhos do seu pai, meu amor!”.  – Aaaai, por que continua doendo?

- Senhora... Vejo a cabecinha de outro bebê vindo. – disse Jessie.

- Você tem um irmãozinho, minha pequena. – Dianna murmurou para sua filhinha. Voltou a fazer força.

                               Veio mais um choro. Outra menina. Idêntica à irmã. Com os olhos do pai. Enquanto isso, no casarão, Davy despertou. Aquele sonho em que Dianna dava à luz gêmeas só podia ser um reflexo do desejo dele de ter filhos com ela. Pensou em Amber, dormindo no quarto ao lado. Tinha que se contentar que seria dela que teria um filho.







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