- - Eu sou um idiota, um completo idiota! – Peter
dizia a si mesmo. – Dianna ama o Davy,
ela nunca vai sequer notar que eu existo!
Peter
estava começando a desistir. Até que teve uma ideia:
- Espere... Se eu
falar com ela, quem sabe eu consiga comovê-la! Se eu conseguir comovê-la, quem
sabe eu a conquiste e ela deixe o Davy para ficar comigo!
Porém, não tinha coragem de procurá-la.
E percebia também que não era certo querer tirar Dianna de Davy. Ela
certamente sofreria muito. Enquanto
refletia sobre tudo isso, ele ouvia Oh,
Pretty Woman, de Roy Orbison.
Pretty woman, walkin' down the street, pretty
woman
The kind I like to meet, pretty woman
I don't believe you, you're not the truth
No one could look as good as you.
Mercy!
Pretty woman, won't you pardon me? Pretty
woman,
I couldn't help but see, pretty woman, that you
look lovely as can be.
Are you lonely just like me?
Wow!
Pretty woman, stop a while.
Pretty woman, talk a while
Pretty woman, give your smile to me.
Pretty woman, yeah, yeah, yeah
Pretty woman, look my way
Pretty woman, say you'll stay with me
'Cause I need you, I'll treat you right
Come with me baby, be mine tonight
Pretty woman, don't walk on by
Pretty woman, don't make me cry
Pretty woman, don't walk away, hey, O.K.
If that's the way it must be, O.K.
I guess I'll go on home. It's late.
There'll be tomorrow night, but wait!
What do I see? Is she walking back to me?
Yeah, she's walking back to me,
Oh, oh, pretty woman
Porém,
a música irritou-o, porque conseguia “ouvir” Davy cantando-a. Furioso, desligou
a vitrola. Depois de muito pensar, Peter decidiu que deveria ao menos revelar a
Dianna seus sentimentos, para que a dor fosse menor. Contudo, deixaria que ela fosse feliz com
Davy, se fosse esse o real desejo dela.
Respirou fundo, penteou o cabelo e foi à casa de Dianna. Naquela tarde, tia Lucy e Erin haviam saído,
e Dianna havia se arriscado, chamando Davy para ir até lá. O casal estava no sofá, trocando beijos e
carícias, quando a campainha tocou.
Dianna, preocupada, ergueu-se e foi atender.
- Peter! – ela ficou surpresa. – O que o traz aqui?
- Dianna, por favor, eu preciso que me ouça!
- Veja lá o que vai dizer, Tork! – exclamou Davy, irritado.
- Sinto muito por atrapalhar seu namoro, Jones. – respondeu
Peter, irônico. – Mas eu preciso dizer,
ou vou ficar maluco!
- Diga, Peter! – Dianna estava intrigada.
- Eu te amo, Dianna! Eu te amo desde a primeira vez em que
nos vimos! E eu poderia ter ganhado seu coração se esse tampinha maldito não
tivesse aparecido!
- P-Peter... – Dianna não sabia o que dizer.
- Nós decidimos que o melhor ficaria com ela! – Davy,
possesso, levantou-se do sofá. – Eu venci essa guerra! Admita a derrota, Tork!
- Eu deixarei vocês dois em paz... Um dia. – respondeu Peter.
- E eu vou arrebentar sua cara! – Davy estava com os nervos
à flor da pele.
- Davy! Não! – Dianna tentou impedir.
- Eu cuido do que é meu, querida. – ele respondeu.
- Mas não desse jeito! Cuddly Toy!
Apesar
dos protestos de Dianna, nem Davy nem Peter deram-lhe ouvidos. Começaram a se
bater, e a moça tapava os olhos, sem conseguir olhar para a cena. Até que não
pôde mais aguentar.
- Parem com isso! Se vocês continuarem, nunca mais vou falar
com nenhum dos dois!
Ao
ouvir aquilo, os dois Monkees pararam no mesmo instante. Davy correu para a
namorada e se ajoelhou diante dela.
- Di, por favor, por favor, faça o que quiser, mas não deixe
de falar comigo! Perdão, meu amor, por favor.
- Você deve pedir perdão ao Peter, isso sim. Que absurdo,
dois rapazes crescidos brigando como moleques!
- Está bem. – concordou Davy, apertando a mão de Peter.
Tanto um como o outro estava arrependido por
ter aborrecido Dianna, e jurava a si mesmo que nunca mais agiria daquela
maneira. No entanto, eles não sabiam se
poderiam se conter assim tão facilmente. Davy não podia suportar o fato de que
Peter estava apaixonado por sua namorada. E Peter não podia suportar ver o
colega com sua “pretty woman”.
O
baixista foi embora. Embora tivesse trocado sopapos com Davy, estava aliviado
por ter dito a Dianna o que sentia.
Quando Peter saiu, o vocalista ainda estava tenso. Dianna pousou suas
mãos nos ombros dele com carinho, dizendo:
- Davy, por favor, acalme-se.
- Como posso me acalmar? Não quero perder você, Di, não
quero. Não me deixe.
- Quem disse que você vai me perder?
- Se depender de Peter...
- Je t’aime. Ich liebe dich. Ti voglio tanto bene.
- O quê?
- Eu te amo. Primeiro
em francês, depois em alemão, e por último em italiano.
- Minha poliglota favorita. – Davy beijou Dianna
apaixonadamente, quase se esquecendo de Peter e sua “ameaça”. O casal empolgou- se tanto que caiu no sofá,
trocando beijos num frenesi.
Nesse
ínterim, Emma bebia num pequeno bar. Nunca imaginara que poderia ficar tão
deprimida por causa de um rapaz.
- Micky, seu inútil, maldito. – ela resmungava, a cada gole.
- Ei, moça, por que está xingando tanto esse tal de Micky? –
perguntou-lhe um rapaz, com barba e cabelos em crescimento.
- Isso não interessa. – ela não estava disposta a conversar.
- Bem, posso ao menos saber seu nome?
- Não. Não quero conversa.
- Bem, você não perguntou, mas meu nome é David.
- Ótimo. Agora posso te mandar embora dizendo “cai fora,
David”.
- Está bem, eu vou, senhorita, hã... – ele abriu um dos
livros de Emma, que estava sobre o balcão do pub. – Srta. Emma Carlisle.
-
Agora você sabe meu nome completo. Satisfeito?
- Não. Só ficarei
satisfeito quando me deixar pagar sua conta.
- Não preciso que um enxerido como você pague a porcaria da
minha conta.
- Eu faço questão.
- Vá ver se estou na esquina.
- Como pode estar na esquina, se está aqui falando comigo?
- Meu Deus! Deixe-me em paz!
Emma
estava furiosa. Pagou a conta e levantou-se para ir embora. David tentou
interceptá-la. Ela aplicou-lhe um belo
chute no meio das pernas. Com dor, ele se abaixou, deixando cair uma carteira.
A carteira abriu-se, deixando à mostra a carta de habilitação. Emma pegou-a e
disse:
- Isso é o que acontece com quem tira Emma Carlisle do
sério, meu caro David Crosby.
Colocou
a carta de habilitação de volta na carteira de Crosby e saiu.
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