No dia seguinte, eu não estava nem um pouquinho feliz com Paul. Depois
do que ele fez, acho que qualquer garota em sã consciência ficaria muito brava
com o namorado. E, para piorar a situação, ele não queria me deixar assistir ao
episódio do dia de The Monkees. Foi
aí que perdi minha paciência.
- Ah, pelo amor de Deus! Você foi longe demais, Paul! Não
vai me proibir de assistir ao meu seriado favorito só porque ficou com ciúmes
irreais do Peter Tork!
- Mas, Fanny.....
- Paul, você sabe tão bem quanto eu que você foi um imbecil.
Agora me deixe ver meu programa.
Paul deu de ombros e foi para seu quarto, amuado. Eu estava tão brava
que nem consegui prestar atenção na história. Passei o resto do dia mal falando
com meu namorado, e o fato de eu estar hospedada no apartamento dele piorava
tudo.
No dia seguinte, a ítalo-americana a quem Paul e Art me apresentaram,
Kathy Giordano, me ligou. Ela me fez o seguinte convite:
- Fanny, uma fotógrafa inglesa e eu fomos chamadas para
trabalhar na montagem da capa do novo álbum dos Beach Boys. Gostaria de saber
se você gostaria de ir comigo.
- Eu fico muito feliz com o
convite, Kathy! Quando você vai?
- Hoje à tarde.
Após o almoço,
despedi-me de Paul e dei um beijo nele para mostrar que não queria mais
brigar. Feito isso, Kathy e eu fomos
levadas de carro pelo namorado dela, Danny, até uma fazendinha bem longe da
área urbana, praticamente no meio do nada.
Fiquei tentando
entender o porquê daquilo. Chegando à fazenda, vimos uma moça alta, com longos
cabelos castanhos, usando uma touquinha e calçando botas. Logo a reconheci.
Felicity McGold, minha amiga!
Ela estava no quarto
ano de Jornalismo da Universidade de Cambridge, enquanto eu estava no segundo
ano de Geografia da mesma universidade. Conhecemo-nos durante uma greve de
estudantes, professores e funcionários. Corri para abraçá-la.
- Fefe! Que saudades! – eu disse.
- Também estava sentindo sua
falta, Fanny. Vai voltar logo para a Inglaterra?
- Em breve, eu acho. Ainda mais
porque as coisas com meu namorado não vão lá muito bem...
- Ah, eu sinto muito, Fanny. Você
namora o Paul Simon, não é?
Confirmei, e logo vi
Brian Wilson vindo em nossa direção.
- Ei, Surfer Girl, não vamos
começar logo esse ensaio fotográfico?
- Sim, sim, vamos. – disse Fefe.
Kathy e eu perguntamos a
Felicity:
- Surfer Girl?
- É, ele está me chamando assim
desde que cheguei.
- Que esquisito. – disse Kathy.
Fomos até o local em
que Fefe havia instalado seu equipamento. Kathy também preparou o seu, e logo
começou a sessão de fotos.
Eu não acreditava que
estava assistindo à montagem da capa do álbum de uma das minhas bandas
favoritas. “Tomara que a Kathy ou a Fefe consigam mais trabalhos como esse”,
pensei.
Quando terminou, Brian
Wilson disse:
- Vou garantir que um exemplar
autografado caia em suas mãos, Fanny Fitzwilliam.
- Oh, muito obrigada, sr. Wilson,
muito obrigada!
- Não há de quê.
Passaram-se alguns dias, Paul e eu
voltamos ao normal e Bob me perguntou:
- Fanny, em breve vou sair em
turnê para promover o meu novo álbum,
quer ver o primeiro ensaio?
- Você sabe que sim, Bob! – eu
respondi.
Eu havia estreitado minha
amizade com Kathy nos últimos dias, e creio que ela pensou que já tinha
bastante intimidade para perguntar:
- O que rola entre você e o Bob
Dylan? Amizade colorida? São ex-ficantes? Ex-namorados?
- Nenhuma das três opções, Kathy.
– eu disse, impressionada com a pergunta. – Somos apenas amigos. E absolutamente
mais nada além disso.
- Bom, para você isso é
tudo. Mas você acha que Dylan vê as
coisas da mesma maneira?
- Por que não veria? – tentei
desconversar.
- Eu reconheço um homem
apaixonado quando vejo um.
- Bob não está apaixonado por
mim, Kathy!
Mas o fato era que eu já havia
notado um comportamento um tanto diferente de Bob comigo. Ele era menos sério
comigo do que com qualquer outra pessoa. Só me fazia elogios. Gostava de me
tocar. Seria possível ele estar apaixonado por mim?
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