quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Fanny's Autumn Almanac - Capítulo 7


                            No dia seguinte, eu não estava nem um pouquinho feliz com Paul. Depois do que ele fez, acho que qualquer garota em sã consciência ficaria muito brava com o namorado. E, para piorar a situação, ele não queria me deixar assistir ao episódio do dia de The Monkees. Foi aí que perdi minha paciência.


- Ah, pelo amor de Deus! Você foi longe demais, Paul! Não vai me proibir de assistir ao meu seriado favorito só porque ficou com ciúmes irreais do Peter Tork!
- Mas, Fanny.....
- Paul, você sabe tão bem quanto eu que você foi um imbecil. Agora me deixe ver meu programa.

                         Paul deu de ombros e foi para seu quarto, amuado. Eu estava tão brava que nem consegui prestar atenção na história. Passei o resto do dia mal falando com meu namorado, e o fato de eu estar hospedada no apartamento dele piorava tudo.

                     No dia seguinte, a ítalo-americana a quem Paul e Art me apresentaram, Kathy Giordano, me ligou. Ela me fez o seguinte convite:

- Fanny, uma fotógrafa inglesa e eu fomos chamadas para trabalhar na montagem da capa do novo álbum dos Beach Boys. Gostaria de saber se você gostaria de ir comigo.

- Eu fico muito feliz com o convite, Kathy! Quando você vai?

- Hoje à tarde.

                         Após o almoço, despedi-me de Paul e dei um beijo nele para mostrar que não queria mais brigar.  Feito isso, Kathy e eu fomos levadas de carro pelo namorado dela, Danny, até uma fazendinha bem longe da área urbana, praticamente no meio do nada.

                         Fiquei tentando entender o porquê daquilo. Chegando à fazenda, vimos uma moça alta, com longos cabelos castanhos, usando uma touquinha e calçando botas. Logo a reconheci. Felicity McGold, minha amiga!
                         Ela estava no quarto ano de Jornalismo da Universidade de Cambridge, enquanto eu estava no segundo ano de Geografia da mesma universidade. Conhecemo-nos durante uma greve de estudantes, professores e funcionários. Corri para abraçá-la.


- Fefe! Que saudades! – eu disse.

- Também estava sentindo sua falta, Fanny. Vai voltar logo para a Inglaterra?

- Em breve, eu acho. Ainda mais porque as coisas com meu namorado não vão lá muito bem...

- Ah, eu sinto muito, Fanny. Você namora o Paul Simon, não é?

                      Confirmei, e logo vi Brian Wilson vindo em nossa direção.


- Ei, Surfer Girl, não vamos começar logo esse ensaio fotográfico?

- Sim, sim, vamos. – disse Fefe.

                      Kathy e eu perguntamos a Felicity:

- Surfer Girl?
- É, ele está me chamando assim desde que cheguei.
- Que esquisito. – disse Kathy.


                        Fomos até o local em que Fefe havia instalado seu equipamento. Kathy também preparou o seu, e logo começou a sessão de fotos.
                       Eu não acreditava que estava assistindo à montagem da capa do álbum de uma das minhas bandas favoritas. “Tomara que a Kathy ou a Fefe consigam mais trabalhos como esse”, pensei.
                         Quando terminou, Brian Wilson disse:

- Vou garantir que um exemplar autografado caia em suas mãos, Fanny Fitzwilliam.

- Oh, muito obrigada, sr. Wilson, muito obrigada!

- Não há de quê.


               Passaram-se alguns dias, Paul e eu voltamos ao normal e Bob me perguntou:



- Fanny, em breve vou sair em turnê para promover o  meu novo álbum, quer ver o primeiro ensaio?

- Você sabe que sim, Bob! – eu respondi.


                    Eu havia estreitado minha amizade com Kathy nos últimos dias, e creio que ela pensou que já tinha bastante intimidade para perguntar:

- O que rola entre você e o Bob Dylan? Amizade colorida? São ex-ficantes? Ex-namorados?

- Nenhuma das três opções, Kathy. – eu disse, impressionada com a pergunta. – Somos apenas amigos. E absolutamente mais nada além disso.

- Bom, para você isso é tudo.  Mas você acha que Dylan vê as coisas da mesma maneira?

- Por que não veria? – tentei desconversar.

- Eu reconheço um homem apaixonado quando vejo um.

- Bob não está apaixonado por mim, Kathy!

           Mas o fato era que eu já havia notado um comportamento um tanto diferente de Bob comigo. Ele era menos sério comigo do que com qualquer outra pessoa. Só me fazia elogios. Gostava de me tocar. Seria possível ele estar apaixonado por mim?


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