sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Fanny's Autumn Almanac - Capítulo 5

      Sete meses depois – junho de 1966




        Paul não parecia querer voltar para a Europa. Eu não podia culpá-lo. Os Estados Unidos eram a terra natal dele. Acho que se eu estivesse passando uma temporada em outro país, e voltasse para a Inglaterra, não iria querer ir para o exterior novamente tão cedo.
         Eu contava os dias para ir a Nova York, onde veria o meu amado depois de tanto tempo.  Ele foi me esperar no aeroporto JFK, e com ele estava um cara alto cujo cabelo parecia uma juba de leão em tamanho reduzido.

- Fanny, pensei que você não viria nunca mais! Meus dias foram longas noites de inverno sem o meu Sol.
- Que exagero, Paul. – eu falei, mas no fundo estava feliz por saber que ele também sofrera com a distância.
- Permita-me apresentar a você o meu amigo de infância e colega de dupla mais implicante do universo, Art Garfunkel.
- Assim sua namorada vai ficar com má impressão de mim, Paul. – disse Garfunkel, rindo. - Como vai, Fanny?
- Eu vou bem, e você, Art?
- Também.
- Bem, Fanny, – disse Paul – vou apresentar você a todos os meus amigos aqui da América assim que puder. Incluindo um que eu sei que você vai adorar conhecer.
- E seria....? – perguntei.
- É surpresa. – disse Paul.
- Que droga. – eu disse.
- Não adianta dizer “Que droga” e ficar me olhando com esses lindos e sedutores olhinhos azuis, Fanny. Eu não vou dizer.
- Paul, tenho 18 anos. Essa coisa de fazer surpresa é tão, sei lá, para crianças.
- Meu amor, aqui nos Estados Unidos você ainda é menor de idade. Então, para mim você ainda é criança.

                 Mostrei a língua para ele.

- Mostrar a língua também é coisa de criança, Fanny. – Paul riu.
- E fazer isso? – perguntei, e beijei-o.
- Lamento interromper o casal, mas será que não deveríamos ir embora? – perguntou Art.
- Sim, sim. – disse Paul, não muito feliz por ter que interromper nosso beijo. – Vamos para minha casa.


                  O apartamento de Paul era muito aconchegante. Art acendeu um cigarro e se jogou no sofá sem a menor cerimônia. Paul nem ligou, e me perguntou:

- Aceita uma Coca-Cola, Fanny?
- Sim, estou morrendo de sede, Paul. Obrigada.

                    Ele foi à cozinha. Voltou de lá com uma garrafinha de vidro, um abridor de garrafas e um copo. Eu me servi, e nós três ficamos conversando até escurecer.
                   Art foi embora por volta das sete da noite. Paul deixou que eu tomasse banho primeiro. Depois que ele também estava de banho tomado, fomos jantar num bistrô que ficava ali perto. Eu adorei.
                    Quando voltamos para casa, perguntei a Paul onde eu poderia dormir. Ele me mostrou uma porta perto do fim do corredor, que revelou um quarto de hóspedes. Desculpou-se pela simplicidade do cômodo, mas para mim aquilo estava de bom tamanho. A cama era de casal! Onde já se viu quarto de hóspedes com cama de casal?
                      Deixei minha mala no canto do cômodo e fui ao banheiro trocar minha blusa e minha saia por uma camisola. Quando voltei para o quarto, qual não foi a minha surpresa ao ver Paul deitado na cama... sem camisa!
                        E foi assim que saí da Inglaterra ainda como uma garota e me tornei uma mulher em solo americano.
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                       No dia seguinte, Paul me disse:

- Hoje você vai conhecer duas pessoas, Fanny. E uma delas é a surpresa.
- Estou muito ansiosa! – respondi.

                       Paul levou-me a um parque. Lá chegando, avistei um homem e uma mulher, e meu namorado me conduziu a esse casal. Fiquei afônica quando estava diante do tal rapaz.

- Fanny, estes são Joan Baez e....
- BOB DYLAN! – exclamei.

                    Joan e Bob ficaram me olhando, um pouquinho espantados. “Não se empolgue demais, Fanny”, pensei. “Você sabe que Bob não curte muito a histeria de seus fãs”.

- Bem.... – tentei consertar meu ataque histérico. – Sou uma grande admiradora do seu trabalho, sr. Dylan, e do seu também, srta. Baez.
- Muito obrigado. –  responderam em coro.

             E ali estava eu, uma estudante de geografia em meio a três cantores folk. Nem preciso dizer que estava perdida.  Mas logo dei um jeito de me enturmar com Bob e Joan. O bom de ser estudante de geografia é que você entende bastante de assuntos sobre os quais os cantores da cena folk adoram discutir: injustiça social, guerras, luta pelos direitos civis.
             Bob perguntou a Paul:

- Por que não apresentou Fanny a Joan e a mim antes, Paul? Ela é uma ótima pessoa para se conversar.
- Realmente! – concordou Joan. – É difícil encontrar alguém tão jovem e bem-informado!

             Fiquei muito vermelha.

- Acho que os Byrds e Peter, Paul & Mary iriam adorar conhecê-la também, Fanny. – observou Dylan.
- Que exagero... – falei.
- É verdade! – meu namorado concordou.

           Era legal ficar conversando com eles. Eles tinham uma aura tão misteriosa e boa, que parecia ter a mesma origem das canções populares das quais costumavam fazer suas próprias versões.

           Dylan não parecia ser o mesmo, depois daquele acidente de moto. Parecia mais taciturno. Mas continuava me fascinando como sempre. 

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