sexta-feira, 20 de março de 2015

Oneshot: Romeo and Juliet (Side Story)

Boa noite! Temos hoje uma side story da Grind oficial, estrelando um OT3 muito querido (pelo menos por mim): Peter Tork x Dianna Mackenzie x Davy Jones. O ministério da Grindhouse adverte: talvez haja um excesso de clichês românticos nessa oneshot! Kkkkk. PS: embaixo estão as músicas que foram citadas e serviram de inspiração para a oneshot.






          Dianna estava muito magoada. A angústia tomava conta dela. Por quê? Por que Davy e ela se deixaram levar pela ameaça de Amber? De repente lembrou-se de uma canção que ouvira na adolescência, Gretchen am Spinnrade, de Schubert.
         A canção era um trecho da peça Fausto, de Goethe, que Dianna lera, em alemão, aos 17 anos. Nesse trecho, a personagem Margarida, também chamada Gretchen, lamentava a perda de seu amado, Fausto, e falava sobre o desespero a que a paixão por ele a conduzira. Dianna começou a cantar:

Meine Ruh ist hin,
Mein Herz ist schwer,
Ich finde sie nimmer
Und nimmermehr.

Wo ich ihn nicht hab,
Ist mir das Grab,
Die ganze Welt
Ist mir vergällt.
Mein armer Kopf
Ist mir verrückt
Mein aremer Sinn
Ist mir zerstücket.

Meine Ruh ist hin,
Mein Herz ist schwer,
Ich finde sie nimmer
Und nimmermehr.
Nach ihm nur schau ich
Zum Fenster hinaus,
Nach ihm nur geh ich
Aus dem Haus.

Sein hoher Gang,
Sein’ edle Gestalt
Seines Mundes Lächeln
Seiner Augen Gewalt,

Und seiner Rede
Zauberfluss,
Sein Händedruck
Und ach, sein Küss!

Meine Ruh ist hin,
Mein Herz ist schwer,
Ich finde sie nimmer
Und nimmermehr.

Mein Busen drängt
Sich nach ihm hin.
Auch dürf ich fassen
Und halten ihn,

Und Küssen ihn,
So wie ich wollt,
An seinen Küssen
Vergehen sollt!

Meine Ruh ist hin,
Mein Herz ist schwer,
Ich finde sie nimmer
Und nimmermehr.

(Minha paz se foi,
Meu coração está pesaroso.
Nunca mais a encontrarei,
E nunca mais. (refrão)

Quando ele não está presente,
Eis a minha sepultura,
O mundo todo
Fica cheio de amargor.
Minha pobre cabeça
Está louca
Minha pobre mente
Está despedaçada.

Refrão

Apenas por ele procuro
Pela janela
Apenas por ele saio
De dentro de casa.

Seu passo veloz,
Sua nobre figura,
Seu sorriso
Seu olhar gentil

E sua voz
Encantadora
O toque de sua mão
E, ai, seu beijo!

Refrão

Meu peito anseia
Por ele.
Oh, pudesse eu agarrá-lo
E abraçá-lo!

E beijá-lo
Até não poder mais
E em seus beijos
Pudesse eu morrer!

Refrão)


- Dianna? – Peter entrou no quarto de hotel, e ouviu a namorada cantando numa língua que ele não reconhecia.

- Olá, Peter.

- O que está cantando?

- Uma canção de Schubert.

- Adoro ter uma namorada que fala quatro línguas!

- Falo fluentemente três: inglês, francês e alemão. Em italiano eu até me viro, mas poderia ser melhor.

- Sobre o que fala a canção?

             Dianna se viu numa saia justa. Se contasse exatamente do que tratava a música, Peter saberia que o fato de ela estar cantando-a era devido à falta que sentia de Davy.

- Fala sobre a paixão da moça que é o eu-lírico, Margarida, por Fausto, e como ela anseia por estar junto dele.

- Ela sofre por ele?

                  A jovem hesitou.

- N-não... Ela apenas não vê a hora de estar junto a ele outra vez.

- Ah sim... Eu também não vejo a hora de estar junto a você, Dianna. Pode ser agora?

- Se você quer...

                 Dianna deixou que Peter a tomasse nos braços e a beijasse. Ela tentava imaginar que aqueles eram os lábios de Davy, não os de Peter, e assim devolver o beijo devidamente. Às vezes funcionava, às vezes não. Daquela vez deu certo.

- Oh, Dianna, que... Que beijo! Eu poderia morrer nos seus beijos...

- Und ach, sein Küss! Und Küssen ihn, so wie ich wollt, an seinen Küssen vergehen sollt! – ela murmurou alguns versos da canção que expressavam aquela ideia. Contudo, ela os murmurou pensando em Davy.

- O quê?

- Alguns versos da canção. Dizem mais ou menos o que você disse.

- Isso seria uma indicação de que sente o mesmo que eu?

- S-sim... Sim, Peter.

                     Peter beijou Dianna mais e mais. Como ela almejava que fosse Davy a envolvê-la, a beijá-la avidamente, a apertar o corpo dela contra o dele, fazendo-a sentir seu cheiro! “Estou perdida”, ela pensava. No quarto ao lado, Davy, que conseguia ouvir tudo, sabia que ela estava nos braços de Peter, e ele sofria demais por saber disso. E ainda mais por saber que Dianna permitia o amor de Peter por compaixão pura e simples.

- Minha Dianna, por quê? Por que tivemos medo? Eu... Eu quero tanto você junto a mim! Cobri-la de beijos, esparramar-me sobre seus seios... Meu amor... Ao menos sei que apenas seus beijos são também de Peter... O coração é apenas meu! E eu terei você outra vez, eu juro!

                                                                              * * *


                               Naquela noite, Peter deitou-se ao lado de Dianna. Ela vestia um pijama simples de flanela. Mesmo assim, ele estava desejoso.

- Dianna... Eu quero tornar você efetivamente minha...

- Peter, não. Não estou pronta.

- Você diz isso sempre! É tudo por causa dele, não é?

- Dele quem?

- Ora, quem! Davy! Você ainda o quer!

- Não, Peter, não é verdade!

- Você acha que sou bobo? Eu vejo o modo como você olha para ele, Dianna! Você não percebe o quanto me machuca...

- Peter!

- Não negue! Oh, Dianna, por que eu te amo? Por que insisto nisso?

- Peter, escute, eu gosto muito de você! Muito mesmo!

- Gosta de mim, mas não me ama!

                     Dianna ficou quieta. Peter deu-lhe um selinho e virou-se para o outro lado. Logo ele ressonava. Ela não conseguia dormir, por mais que trocasse de posição. Pegou um robe, vestiu-o sobre o pijama, calçou os chinelos e saiu do quarto. Pôs-se a caminhar pelo hotel, até que chegou ao jardim. A lua brilhava prateada e o céu estava apinhado de estrelas. O brilho delas fazia-a lembrar-se do olhar de Davy. E ela sentiu novamente aquele profundo desejo de entrar no quarto dele e entregar-se, ser toda dele outra vez.

- Mein Busen drängt sich nach ihm ihn... – ela cantarolou.

                        
                          Enquanto andava, viu um pequeno vulto. Outro insone havia tido a mesma ideia que ela. Aproximou-se. E então viu quem era. “Davy!”. Ela quase o chamou, porém, se conteve. Seu peito queimava, de paixão e de dor. “Tão perto... Mas também tão longe!”. Virou-se para voltar ao quarto, quando...

- Dianna?

                       Ela parou, e respirou fundo. Virou-se para ele, já com um princípio de choro.

- Davy. – ela o encarou, as lágrimas escorrendo por seu rosto delicado.

- Parece... Parece que não a vejo há séculos!

- Digo o mesmo.

- E tudo que nos separa é uma parede! Apenas isso!

- Não só... Não só uma parede, Cuddly Toy.

- Há uma barreira quase intransponível. Uma barreira chamada Peter Tork.

- Não posso magoar Peter. Eu nunca me perdoaria.

- Ao não querer magoá-lo, você me magoa, Di!

- Eu sei, Davy! Eu sei! Acho que não vou resolver esse dilema tão cedo...

- Também acho que não. Posso ao menos ter você nos braços mais uma vez?

- Me ter nos braços? Cuddly Toy, se fizer isso, vou querer beijá-lo!


              Davy aproximou-se de Dianna e a abraçou pela cintura.

- Então me beije.  – disse ele.

- A quem eu quero enganar? – Dianna colocou os braços ao redor do pescoço de Davy e beijou-o, beijou-o até não poder mais, como na canção de Goethe musicada por Schubert. Sentia como se pudesse morrer em meio àqueles beijos.  – Eu te amo, eu te amo, eu te amo, Davy! Eu não quero ficar sem você!

- Eu te amo mais ainda! Pareço vazio desde que nos separamos... Não apenas quero, preciso ficar com você! Vou morrer sem você, Di!

- Eu sou Margarida, você é Werther.

- Mas eles não são de obras diferentes?

- São. Mas sofremos da mesma maneira que eles! Parece que somos personagens de Goethe!

- Essas brincadeiras não têm graça, herr Goethe.

- Também acho. Davy... Eu vou voltar para o quarto.

- O quarto de Peter.  – Davy falou em tom amargurado.

- Não posso dormir com você, Cuddly Toy, mesmo querendo. Bem... Adeus, Davy.

- Adeus não! Até logo, Dianna.

- Então... Até logo. – Dianna pegou a mão de Davy e deu um rápido selinho nele.

                   Voltou para o quarto, e deitou-se ao lado de Peter, colocando um lençol enrolado entre eles, de modo semelhante a uma passagem de Tristão e Isolda em que Tristão coloca sua espada entre ele e Isolda enquanto dormem lado a lado, para que o rei Marc soubesse que o cavaleiro não tocara a rainha. Com o lençol, Dianna queria dizer que Peter não a tivera.  “Nem nunca terá”, ela pensou.

                                                            * * *

                       Peter acordou. Viu o lençol enrolado entre ele e Dianna. Aquele era um claro sinal de que, oficialmente, eram namorados mas que, por trás da fachada, os dois estavam irremediavelmente separados.
                      Ele amava Dianna profundamente e, ainda que tivesse ciúme e raiva de Davy, ele era seu amigo. E Peter sabia também que Dianna gostava dele, mas como amigo. Era Davy quem ela amava.
                      Passou a considerar terminar a relação. Permitir que Dianna ficasse livre e pudesse voltar para o seu amado. Porém, ele logo percebeu que fazer isso não seria fácil. E doía-lhe na consciência a artimanha de que tinha se valido para separar Davy e Dianna.

- Como pude ser tão egoísta? – ele murmurou para si mesmo.

                           Ao mesmo tempo em que se considerava um verme egoísta e tinha raiva de si próprio por isso, Peter não queria perder Dianna. Se ele pudesse encontrar outra garota para amar... Mas como? Qual garota poderia fazê-lo se esquecer da bela, doce, culta, delicada Dianna Mackenzie?

- Talvez... Talvez a prima dela. O nome dela é Erin, se não me engano. Ela reúne as mesmas qualidades de Dianna...

                                                                     * * *


                                   Davy jurara a si mesmo que não iria morrer por amor. Ele era um romântico incorrigível, de fato, mas não queria perder a cabeça. No entanto, como ele queria não perder a cabeça, se o simples fato de Dianna ser amada perdida e devotadamente por outro homem tirava seu sono?
                                    Ligou o rádio que havia em seu quarto no hotel. Tocava Hurting Inside, do Dave Clark Five.
I'll never know
Why did you leave me
Those tears that show
Are they really grieving me

I know I lied
The tears are in my eyes
Now you'll never know

That it's hurting inside, hurting inside
You'll never know, you'll never know

Have I done so wrong
That you won't take me back now
I'm tryin' to be strong
I hold my tears back now

But if you don't care
About the tears I'll shed
Then let me know

Because it's hurting inside, hurting inside
You'll never know, you'll never know

You'll never know, you'll never know

Won't you come on home
And please forgive me
I promise I won't roam

If you say you still love me, I'll hold you dear
I'll hold you near close to my heart
And it won't hurt me inside, hurt me inside
Our love will go on, our love will go on

  

                 Ele sabia que Dianna estava numa situação muitíssimo complicada. Mas cada dia que passava longe dela parecia comprimir seu coração.

- Que Peter encontre outra moça.  – ele desejou com todas as suas forças.

                                                                  * * *


                    Naquela noite, os Monkees foram fazer um show. Dianna foi vê-los. Ela não conseguia deixar de ficar admirada com o talento dos rapazes. Por que cargas d’água eles não podiam tocar nos álbuns? Era uma injustiça sem tamanho!
                   Peter se revezava entre o baixo e o teclado, e às vezes errava um acorde ou outro olhando para Dianna. Davy cantava todas as músicas olhando para ela, e nem tentava disfarçar. Ela merecia mesmo tanto amor?
                 Ao fim do show, voltou para o hotel com eles. Peter segurava sua mão o tempo todo, e Davy olhava para os dois parecendo destruído. O coração de Dianna se apertou.  Ela voltou a se perguntar se alguém poderia fazer Peter esquecê-la. E então pensou em sua prima, Erin.  Ela parecia mais o tipo de garota que Peter poderia amar do que a própria Dianna.
                  Erin era meiga e delicada, ideal para um cara tão doce e gentil como Peter. Ela era excelente tocando piano, assim como ele, e amava o instrumento. Peter tinha um gosto por flores, ele adorava presentear Dianna com eles. Erin gostava de flores ainda mais do que Dianna, e ficaria muito feliz se Peter lhe desse um buquê.
                   E para completar... Dianna sabia que a prima tinha uma queda por ele, e ele parecia estar propenso a corresponder, faltava só um empurrãozinho. Dianna faria o possível e o impossível para juntar duas das criaturas mais fofas que conhecia.

- Se eu puder juntar Peter e Erin, eles ficarão felizes e eu estarei livre... Livre para ficar com meu Cuddly Toy e nada mais irá nos separar!




A lovestruck Romeo sings the streets a serenade
Laying everybody low with a love song that he made
Finds a streetlight, steps out of the shade
Says something like “You and me babe how about it?”

Juliet says “Hey, it's Romeo, you nearly gimme  a heart attack”
He's underneath the window she's singing ”Hey, la, my boyfriend's back
You shouldn't come around here, singing up at people like that
Anyway, what you gonna do about it?”

“Juliet, the dice were loaded from the start
And I bet and you exploded in my heart
And I forget, I forget the movie song
When you gonna realize it was just that the time was wrong, Juliet?”

“Come up on different streets, they both were streets of shame
Both dirty, both mean, yes, and the dream was just the same
And I dreamed your dream for you and now your dream is real
How can you look at me as if I was just another one of your deals?”

“Well you can fall for chains of silver you can fall for chains of gold
You can fall for pretty strangers and the promises they hold
You promised me everything, you promised me thick and thin, yeah
Now you just say ‘Oh, Romeo, yeah, you know, I used to have a scene with him’”

“Juliet, when we made love you used to cry
You said ‘I love you like the stars above, I'll love you till I die’
There's a place for us, you know the movie song
When you gonna realize it was just that the time was wrong, Juliet?”

“I can't do the talk like they talk on TV
And I can't do a love song like the way it's meant to be
I can't do everything but I'd do anything for you
I can't do anything except be in love with you”

“And all I do is miss you and the way we used to be
All I do is keep the beat and bad company
All I do is kiss you through the bars of a rhyme
Julie, I'd do the stars with you any time”

“Juliet, when we made love you used to cry
You said ‘I love you like the stars above, I'll love you till I die’
There's a place for us, you know the movie song
When you gonna realize it was just that the time was wrong, Juliet?”

A lovestruck Romeo sings the streets a serenade
Laying everybody low with a love song that he made
Finds a convenient streetlight, steps out of the shade
Says something like “You and me babe how about it?”









                         














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