Dianna estava muito magoada. A angústia
tomava conta dela. Por quê? Por que Davy e ela se deixaram levar pela ameaça de
Amber? De repente lembrou-se de uma canção que ouvira na adolescência, Gretchen am Spinnrade, de Schubert.
A canção era
um trecho da peça Fausto, de Goethe,
que Dianna lera, em alemão, aos 17 anos. Nesse trecho, a personagem Margarida,
também chamada Gretchen, lamentava a perda de seu amado, Fausto, e falava sobre
o desespero a que a paixão por ele a conduzira. Dianna começou a cantar:
Meine Ruh ist hin,
Mein Herz ist schwer,
Ich finde sie nimmer
Und nimmermehr.
Wo ich ihn nicht hab,
Ist mir das Grab,
Die ganze Welt
Ist mir vergällt.
Mein armer Kopf
Ist mir verrückt
Mein aremer Sinn
Ist mir zerstücket.
Meine Ruh ist hin,
Mein Herz ist schwer,
Ich finde sie nimmer
Und nimmermehr.
Nach ihm nur schau ich
Zum Fenster hinaus,
Nach ihm nur geh ich
Aus dem Haus.
Sein hoher Gang,
Sein’ edle Gestalt
Seines Mundes Lächeln
Seiner Augen Gewalt,
Und seiner Rede
Zauberfluss,
Sein Händedruck
Und ach, sein Küss!
Meine Ruh ist hin,
Mein Herz ist schwer,
Ich finde sie nimmer
Und nimmermehr.
Mein Busen drängt
Sich nach ihm hin.
Auch dürf ich fassen
Und halten ihn,
Und Küssen ihn,
So wie ich wollt,
An seinen Küssen
Vergehen sollt!
Meine Ruh ist hin,
Mein Herz ist schwer,
Ich finde sie nimmer
Und nimmermehr.
(Minha paz se foi,
Meu coração está pesaroso.
Nunca mais a encontrarei,
E nunca mais. (refrão)
Quando ele não está presente,
Eis a minha sepultura,
O mundo todo
Fica cheio de amargor.
Minha pobre cabeça
Está louca
Minha pobre mente
Está despedaçada.
Refrão
Apenas por ele procuro
Pela janela
Apenas por ele saio
De dentro de casa.
Seu passo veloz,
Sua nobre figura,
Seu sorriso
Seu olhar gentil
E sua voz
Encantadora
O toque de sua mão
E, ai, seu beijo!
Refrão
Meu peito anseia
Por ele.
Oh, pudesse eu agarrá-lo
E abraçá-lo!
E beijá-lo
Até não poder mais
E em seus beijos
Pudesse eu morrer!
Refrão)
- Dianna? – Peter entrou no quarto de hotel, e ouviu a
namorada cantando numa língua que ele não reconhecia.
- Olá, Peter.
- O que está cantando?
- Uma canção de Schubert.
- Adoro ter uma namorada que fala quatro línguas!
- Falo fluentemente três: inglês, francês e alemão. Em
italiano eu até me viro, mas poderia ser melhor.
- Sobre o que fala a canção?
Dianna se viu numa saia justa. Se
contasse exatamente do que tratava a música, Peter saberia que o fato de ela
estar cantando-a era devido à falta que sentia de Davy.
- Fala sobre a paixão da moça que
é o eu-lírico, Margarida, por Fausto, e como ela anseia por estar junto dele.
- Ela sofre por ele?
A jovem hesitou.
- N-não... Ela apenas não vê a
hora de estar junto a ele outra vez.
- Ah sim... Eu também não vejo a
hora de estar junto a você, Dianna. Pode ser agora?
- Se você quer...
Dianna deixou que Peter a tomasse
nos braços e a beijasse. Ela tentava imaginar que aqueles eram os lábios de
Davy, não os de Peter, e assim devolver o beijo devidamente. Às vezes
funcionava, às vezes não. Daquela vez deu certo.
- Oh, Dianna, que... Que beijo!
Eu poderia morrer nos seus beijos...
- Und
ach, sein Küss! Und Küssen
ihn, so wie ich wollt, an seinen Küssen vergehen sollt! – ela murmurou
alguns versos da canção que expressavam aquela ideia. Contudo, ela os murmurou
pensando em Davy.
- O quê?
- Alguns versos da canção. Dizem
mais ou menos o que você disse.
- Isso seria uma indicação de que
sente o mesmo que eu?
- S-sim... Sim, Peter.
Peter beijou Dianna mais e
mais. Como ela almejava que fosse Davy a envolvê-la, a beijá-la avidamente, a
apertar o corpo dela contra o dele, fazendo-a sentir seu cheiro! “Estou
perdida”, ela pensava. No quarto ao lado, Davy, que conseguia ouvir tudo, sabia
que ela estava nos braços de Peter, e ele sofria demais por saber disso. E ainda
mais por saber que Dianna permitia o amor de Peter por compaixão pura e
simples.
- Minha Dianna, por quê? Por que
tivemos medo? Eu... Eu quero tanto você junto a mim! Cobri-la de beijos,
esparramar-me sobre seus seios... Meu amor... Ao menos sei que apenas seus
beijos são também de Peter... O coração é apenas meu! E eu terei você outra
vez, eu juro!
* * *
Naquela noite,
Peter deitou-se ao lado de Dianna. Ela vestia um pijama simples de flanela.
Mesmo assim, ele estava desejoso.
- Dianna... Eu quero tornar você
efetivamente minha...
- Peter, não. Não estou pronta.
- Você diz isso sempre! É tudo
por causa dele, não é?
- Dele quem?
- Ora, quem! Davy! Você ainda o
quer!
- Não, Peter, não é verdade!
- Você acha que sou bobo? Eu vejo
o modo como você olha para ele, Dianna! Você não percebe o quanto me machuca...
- Peter!
- Não negue! Oh, Dianna, por que
eu te amo? Por que insisto nisso?
- Peter, escute, eu gosto muito
de você! Muito mesmo!
- Gosta de mim, mas não me ama!
Dianna ficou quieta. Peter
deu-lhe um selinho e virou-se para o outro lado. Logo ele ressonava. Ela não
conseguia dormir, por mais que trocasse de posição. Pegou um robe, vestiu-o
sobre o pijama, calçou os chinelos e saiu do quarto. Pôs-se a caminhar pelo
hotel, até que chegou ao jardim. A lua brilhava prateada e o céu estava
apinhado de estrelas. O brilho delas fazia-a lembrar-se do olhar de Davy. E ela
sentiu novamente aquele profundo desejo de entrar no quarto dele e entregar-se,
ser toda dele outra vez.
- Mein
Busen drängt sich nach ihm ihn... – ela cantarolou.
Enquanto andava, viu um
pequeno vulto. Outro insone havia tido a mesma ideia que ela. Aproximou-se. E
então viu quem era. “Davy!”. Ela quase o chamou, porém, se conteve. Seu peito
queimava, de paixão e de dor. “Tão perto... Mas também tão longe!”. Virou-se
para voltar ao quarto, quando...
- Dianna?
Ela parou, e respirou
fundo. Virou-se para ele, já com um princípio de choro.
- Davy. – ela o encarou, as
lágrimas escorrendo por seu rosto delicado.
- Parece... Parece que não a vejo
há séculos!
- Digo o mesmo.
- E tudo que nos separa é uma
parede! Apenas isso!
- Não só... Não só uma parede,
Cuddly Toy.
- Há uma barreira quase
intransponível. Uma barreira chamada Peter Tork.
- Não posso magoar Peter. Eu
nunca me perdoaria.
- Ao não querer magoá-lo, você me
magoa, Di!
- Eu sei, Davy! Eu sei! Acho que
não vou resolver esse dilema tão cedo...
- Também acho que não. Posso ao
menos ter você nos braços mais uma vez?
- Me ter nos braços? Cuddly Toy, se fizer isso, vou querer
beijá-lo!
Davy
aproximou-se de Dianna e a abraçou pela cintura.
- Então me beije. –
disse ele.
- A quem eu quero enganar? – Dianna colocou os braços ao
redor do pescoço de Davy e beijou-o, beijou-o até não poder mais, como na
canção de Goethe musicada por Schubert. Sentia como se pudesse morrer em meio
àqueles beijos. – Eu te amo, eu te amo,
eu te amo, Davy! Eu não quero ficar sem você!
- Eu te amo mais ainda! Pareço vazio desde que nos
separamos... Não apenas quero, preciso
ficar com você! Vou morrer sem você, Di!
- Eu sou Margarida, você é Werther.
- Mas eles não são de obras diferentes?
- São. Mas sofremos da mesma maneira que eles! Parece que
somos personagens de Goethe!
- Essas brincadeiras não têm graça, herr Goethe.
- Também acho. Davy... Eu vou voltar para o quarto.
- O quarto de Peter.
– Davy falou em tom amargurado.
- Não posso dormir com você, Cuddly Toy, mesmo querendo.
Bem... Adeus, Davy.
- Adeus não! Até logo, Dianna.
- Então... Até logo. – Dianna pegou a mão de Davy e deu um
rápido selinho nele.
Voltou para o quarto, e deitou-se ao lado de Peter, colocando um lençol
enrolado entre eles, de modo semelhante a uma passagem de Tristão e Isolda em que Tristão coloca sua espada entre ele e
Isolda enquanto dormem lado a lado, para que o rei Marc soubesse que o
cavaleiro não tocara a rainha. Com o lençol, Dianna queria dizer que Peter não
a tivera. “Nem nunca terá”, ela pensou.
* * *
Peter acordou. Viu o lençol enrolado entre ele e Dianna. Aquele era um
claro sinal de que, oficialmente, eram namorados mas que, por trás da fachada,
os dois estavam irremediavelmente separados.
Ele amava Dianna profundamente e, ainda que tivesse ciúme e raiva de
Davy, ele era seu amigo. E Peter sabia também que Dianna gostava dele, mas como
amigo. Era Davy quem ela amava.
Passou
a considerar terminar a relação. Permitir que Dianna ficasse livre e pudesse
voltar para o seu amado. Porém, ele logo percebeu que fazer isso não seria
fácil. E doía-lhe na consciência a artimanha de que tinha se valido para
separar Davy e Dianna.
- Como pude ser tão egoísta? – ele murmurou para si mesmo.
Ao mesmo tempo em que se
considerava um verme egoísta e tinha raiva de si próprio por isso, Peter não
queria perder Dianna. Se ele pudesse encontrar outra garota para amar... Mas
como? Qual garota poderia fazê-lo se esquecer da bela, doce, culta, delicada
Dianna Mackenzie?
- Talvez... Talvez a prima dela. O nome dela é Erin, se não
me engano. Ela reúne as mesmas qualidades de Dianna...
* * *
Davy jurara a si mesmo que não
iria morrer por amor. Ele era um romântico incorrigível, de fato, mas não
queria perder a cabeça. No entanto, como ele queria não perder a cabeça, se o
simples fato de Dianna ser amada perdida e devotadamente por outro homem tirava
seu sono?
Ligou o
rádio que havia em seu quarto no hotel. Tocava Hurting Inside, do Dave Clark Five.
I'll never know
Why did you leave me
Those tears that show
Are they really grieving me
I know I lied
The tears are in my eyes
Now you'll never know
That it's hurting inside, hurting inside
You'll never know, you'll never know
Have I done so wrong
That you won't take me back now
I'm tryin' to be strong
I hold my tears back now
But if you don't care
About the tears I'll shed
Then let me know
Because it's hurting inside, hurting inside
You'll never know, you'll never know
You'll never know, you'll never know
Won't you come on home
And please forgive me
I promise I won't roam
If you say you still love me, I'll hold you dear
I'll hold you near close to my heart
And it won't hurt me inside, hurt me inside
Our love will go on, our love will go on
Why did you leave me
Those tears that show
Are they really grieving me
I know I lied
The tears are in my eyes
Now you'll never know
That it's hurting inside, hurting inside
You'll never know, you'll never know
Have I done so wrong
That you won't take me back now
I'm tryin' to be strong
I hold my tears back now
But if you don't care
About the tears I'll shed
Then let me know
Because it's hurting inside, hurting inside
You'll never know, you'll never know
You'll never know, you'll never know
Won't you come on home
And please forgive me
I promise I won't roam
If you say you still love me, I'll hold you dear
I'll hold you near close to my heart
And it won't hurt me inside, hurt me inside
Our love will go on, our love will go on
Ele
sabia que Dianna estava numa situação muitíssimo complicada. Mas cada dia que passava
longe dela parecia comprimir seu coração.
- Que Peter encontre outra moça. – ele desejou com todas as suas forças.
* * *
Naquela noite, os Monkees foram fazer um show. Dianna foi vê-los. Ela
não conseguia deixar de ficar admirada com o talento dos rapazes. Por que
cargas d’água eles não podiam tocar nos álbuns? Era uma injustiça sem tamanho!
Peter se revezava entre o baixo e o teclado, e às vezes errava um acorde
ou outro olhando para Dianna. Davy cantava todas as músicas olhando para ela, e
nem tentava disfarçar. Ela merecia mesmo tanto amor?
Ao
fim do show, voltou para o hotel com eles. Peter segurava sua mão o tempo todo,
e Davy olhava para os dois parecendo destruído. O coração de Dianna se
apertou. Ela voltou a se perguntar se
alguém poderia fazer Peter esquecê-la. E então pensou em sua prima, Erin. Ela parecia mais o tipo de garota que Peter
poderia amar do que a própria Dianna.
Erin
era meiga e delicada, ideal para um cara tão doce e gentil como Peter. Ela era
excelente tocando piano, assim como ele, e amava o instrumento. Peter tinha um
gosto por flores, ele adorava presentear Dianna com eles. Erin gostava de
flores ainda mais do que Dianna, e ficaria muito feliz se Peter lhe desse um
buquê.
E
para completar... Dianna sabia que a prima tinha uma queda por ele, e ele
parecia estar propenso a corresponder, faltava só um empurrãozinho. Dianna
faria o possível e o impossível para juntar duas das criaturas mais fofas que
conhecia.
- Se eu puder juntar Peter e Erin, eles ficarão felizes e eu
estarei livre... Livre para ficar com meu Cuddly Toy e nada mais irá nos
separar!
A lovestruck Romeo
sings the streets a serenade
Laying everybody low
with a love song that he made
Finds a streetlight,
steps out of the shade
Says something like
“You and me babe how about it?”
Juliet says “Hey, it's
Romeo, you nearly gimme a heart attack”
He's underneath the
window she's singing ”Hey, la, my boyfriend's back
You shouldn't come
around here, singing up at people like that
Anyway, what you gonna
do about it?”
“Juliet, the dice were
loaded from the start
And I bet and you
exploded in my heart
And I forget, I forget
the movie song
When you gonna realize
it was just that the time was wrong, Juliet?”
“Come up on different
streets, they both were streets of shame
Both dirty, both mean,
yes, and the dream was just the same
And I dreamed your dream
for you and now your dream is real
How can you look at me
as if I was just another one of your deals?”
“Well you can fall for
chains of silver you can fall for chains of gold
You can fall for
pretty strangers and the promises they hold
You promised me
everything, you promised me thick and thin, yeah
Now you just say ‘Oh,
Romeo, yeah, you know, I used to have a scene with him’”
“Juliet, when we made
love you used to cry
You said ‘I love you
like the stars above, I'll love you till I die’
There's a place for
us, you know the movie song
When you gonna realize
it was just that the time was wrong, Juliet?”
“I can't do the talk
like they talk on TV
And I can't do a love
song like the way it's meant to be
I can't do everything
but I'd do anything for you
I can't do anything
except be in love with you”
“And all I do is miss
you and the way we used to be
All I do is keep the
beat and bad company
All I do is kiss you
through the bars of a rhyme
Julie, I'd do the
stars with you any time”
“Juliet, when we made
love you used to cry
You said ‘I love you
like the stars above, I'll love you till I die’
There's a place for
us, you know the movie song
When you gonna realize
it was just that the time was wrong, Juliet?”
A lovestruck Romeo
sings the streets a serenade
Laying everybody low
with a love song that he made
Finds a convenient
streetlight, steps out of the shade
Says something like
“You and me babe how about it?”

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