terça-feira, 30 de setembro de 2014

Fanny's Autumn Almanac - Capítulo 10


            Fanny dando a volta por cima! ;) 










    Finalmente, fui acompanhar Fefe e Nora na entrevista com os Kinks. Encontramos a banda no saguão de um hotel.

- Boa tarde, Kinks. – disse Fefe. – Meu nome é Felicity McGold e eu sou fotógrafa da Rolling Stone. E estas são minhas amigas Nora Smith e Fanny Fitzwilliam. Eu vou fotografar vocês e Nora vai fazer algumas perguntas.

- Não me disse que era jornalista, srta. Fitzwilliam! – disse Ray, quando ouviu meu nome.
- E não me disse que era um Kink, sr. Davies. Estamos quites. – eu disse, sorrindo. – Mas na verdade sou estudante de geografia. Só estou aqui fazendo companhia para as meninas.
- Entendi... – disse Ray.

           Enquanto Nora os entrevistava, sem tirar os olhos de Ray (confesso que fiquei um pouco incomodada), eu ajudei Felicity a preparar seu equipamento. Fiquei vermelhíssima quando Nora lançou a seguinte pergunta:

- E como está a sua vida amorosa, Ray?
- Acho que me apaixonei por uma garota que conheci debaixo de uma marquise, enquanto ela e eu esperávamos que a chuva ficasse menos forte, na semana passada.

               Nora, Felicity e os outros Kinks devem ter pensado que Ray estava brincando, porque riram bastante. Só ele e eu sabíamos que aquilo não era brincadeira nenhuma... Então Nora finalmente terminou as perguntas. Era a vez de Fefe fazer a sua parte. Enquanto ela tirava as fotos, disse:

- Sr. Dave Davies, por favor, olhe para a câmera...
- Como posso olhar para a lente, se a fotógrafa é tão linda? – disse ele.
                     Nora e eu trocamos um olhar de entendimento, e Fefe estava vermelha feito pimentão. Finalmente terminamos tudo, nos despedimos dos Kinks e fomos para a casa da Nora, que era a mais próxima, para fazer um lanche.

- Fefe está arrasando corações... – eu falei, rindo.
- Você também, Fanny.

                       Meu Deus, alguém percebeu.

- Como assim, Fefe?
- Ora essa! – disse Nora. – Você ficou tão vermelha quando Ray falou sobre a garota da marquise que não tinha como não ser você.
- E você, Fanny? Está gostando do Ray? – perguntou Felicity.
- Ah, eu.... Bem, não sei dizer. Eu ainda estou um pouco presa ao Paul.
- Eu entendo. – disse Nora. – Também sinto-me ainda um pouco presa ao Mike.
- E eu ao Richards. – disse Felicity.
- Bem, falando no Mike Nesmith, faz tempo que não vejo o seriado dos Monkees... – eu lembrei.
- Você gosta deles? – perguntaram Fefe e Nora.
- Mike era um fofo, mas foi completamente imbecil ao terminar nosso namoro. – disse Nora.
- E Micky Dolenz não conseguia entender que eu não gostava dele nem nunca iria gostar! – Fefe exclamou.
- Bem, eu os adoro! – falei. – São tão fofinhos! Mas Peter Tork foi o motivo pelo qual meu namoro com o Simon começou a ser destruído...

             Então contei todo o meu drama, desde aquela festa até meu desentendimento final com Paul. Depois disso, senti que precisava ficar em paz. Despedi-me das garotas e voltei ao hotel. Fiquei lendo e pensando em meus problemas até a hora de dormir.
              Na manhã seguinte, saí para fazer uma caminhada. E quem encontrei fazendo a mesma coisa? Sim: Ray.
- Olá, Fanny. – ele me cumprimentou.
- Oi, Ray.
- Não sei como ainda não fui abordado por nenhum fã hoje... Talvez eu esteja com sorte.
- Eu imagino, deve ser meio incômodo.
- Só quando estou realmente a fim de ficar sozinho.
- Entendi...
- Bem, quer tomar um sorvete?
- Eu adoraria.

           Ficamos na sorveteria por um bom tempo, conversando e rindo muito. Despedi-me dele e voltei para o hotel. E eu quase tive um ataque quando vi, no saguão, um rapaz de cabelos cacheados e tipo físico de judeu, usando óculos escuros, falando com a recepcionista.

- Bob! – exclamei, e pulei no pescoço dele.
- Meu Deus, Fanny, tudo isso é saudade? – ele riu.
- Claro que é, seu bobão! Você é a única coisa dos EUA de que eu sinto falta! Qual é o seu quarto?
- Hã.... o 389, lá no terceiro andar.
- O meu é o 388! Isso é ótimo. Escuta, quanto tempo vai ficar por aqui?
- Uma semana, mais ou menos.
- Bom, ainda falta um tempo para as aulas retornarem, acho que vou ficar em Londres por mais um tempinho.
- Ah, isso é bom, odiaria ficar com você por pouco tempo. Mas você sabe que vai ter que me acompanhar nas minhas andanças pelas ruas de Londres, não é?
- Sim, eu sei.


                Eu tinha acabado de voltar da rua, porém, como Bob insistiu, acompanhei-o em seu passeio, depois que ele guardou suas coisas no quarto.
                 Conhecer pontos turísticos de Londres com meu melhor amigo foi uma experiência muito legal. Ficamos horas e horas no Museu Britânico. Vimos um show em Picadilly Circus. Os carinhas inclusive tocaram Just Like A Woman, de Bob, e ele me disse:


- Sabe, a garota para quem eu escrevi essa música merecia mais.
- Ah, Bob, que excesso de modéstia! – eu disse. – Eu ficaria muito feliz se alguém tivesse escrito algo assim para mim.
- Verdade?
- É lógico.


              Ele sorriu para mim. Fiquei surpresa. Arrancar um grande sorriso de Bob Dylan é um feito para poucos. Depois do show, ficamos conversando sobre o que tinha acontecido nos Estados Unidos depois que fui embora.

- Kathy enganou Simon direitinho. – disse Bob. – E se eu contar você não vai acreditar.
- O que houve? – fiquei intrigada.
- Eles estão namorando.
- O quê? Kathy, aquela bandida! Que ódio!
- Fanny, guardar rancor não adianta nada. Já passou. Esqueça isso. Há muitos outros homens por aí.

                   “Sim”, pensei. “Homens como Ray”.



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