Fanny dando a volta por cima! ;)
Finalmente, fui acompanhar Fefe e
Nora na entrevista com os Kinks. Encontramos a banda no saguão de um hotel.
- Boa tarde, Kinks. – disse Fefe. –
Meu nome é Felicity McGold e eu sou fotógrafa da Rolling Stone. E estas são minhas amigas Nora Smith e Fanny
Fitzwilliam. Eu vou fotografar vocês e Nora vai fazer algumas perguntas.
- Não me disse que era jornalista,
srta. Fitzwilliam! – disse Ray, quando ouviu meu nome.
- E não me disse que era um Kink,
sr. Davies. Estamos quites. – eu disse, sorrindo. – Mas na verdade sou
estudante de geografia. Só estou aqui fazendo companhia para as meninas.
- Entendi... – disse Ray.
Enquanto Nora os entrevistava, sem
tirar os olhos de Ray (confesso que fiquei um pouco incomodada), eu ajudei
Felicity a preparar seu equipamento. Fiquei vermelhíssima quando Nora lançou a
seguinte pergunta:
- E como está a sua vida amorosa,
Ray?
- Acho que me apaixonei por uma
garota que conheci debaixo de uma marquise, enquanto ela e eu esperávamos que a
chuva ficasse menos forte, na semana passada.
Nora, Felicity e os outros Kinks
devem ter pensado que Ray estava brincando, porque riram bastante. Só ele e eu
sabíamos que aquilo não era brincadeira nenhuma... Então Nora finalmente terminou
as perguntas. Era a vez de Fefe fazer a sua parte. Enquanto ela tirava as
fotos, disse:
- Sr. Dave Davies, por favor, olhe
para a câmera...
- Como posso olhar para a lente, se
a fotógrafa é tão linda? – disse ele.
Nora e eu trocamos um
olhar de entendimento, e Fefe estava vermelha feito pimentão. Finalmente
terminamos tudo, nos despedimos dos Kinks e fomos para a casa da Nora, que era
a mais próxima, para fazer um lanche.
- Fefe está arrasando corações... –
eu falei, rindo.
- Você também, Fanny.
Meu Deus, alguém
percebeu.
- Como assim, Fefe?
- Ora essa! – disse Nora. – Você
ficou tão vermelha quando Ray falou sobre a garota da marquise que não tinha
como não ser você.
- E você, Fanny? Está gostando do
Ray? – perguntou Felicity.
- Ah, eu.... Bem, não sei dizer. Eu
ainda estou um pouco presa ao Paul.
- Eu entendo. – disse Nora. –
Também sinto-me ainda um pouco presa ao Mike.
- E eu ao Richards. – disse
Felicity.
- Bem, falando no Mike Nesmith, faz
tempo que não vejo o seriado dos Monkees... – eu lembrei.
- Você gosta deles? – perguntaram
Fefe e Nora.
- Mike era um fofo, mas foi
completamente imbecil ao terminar nosso namoro. – disse Nora.
- E Micky Dolenz não conseguia
entender que eu não gostava dele nem nunca iria gostar! – Fefe exclamou.
- Bem, eu os adoro! – falei. – São
tão fofinhos! Mas Peter Tork foi o motivo pelo qual meu namoro com o Simon
começou a ser destruído...
Então contei todo o meu drama,
desde aquela festa até meu desentendimento final com Paul. Depois disso, senti
que precisava ficar em paz. Despedi-me das garotas e voltei ao hotel. Fiquei
lendo e pensando em meus problemas até a hora de dormir.
Na manhã seguinte, saí para fazer
uma caminhada. E quem encontrei fazendo a mesma coisa? Sim: Ray.
- Olá, Fanny. – ele me
cumprimentou.
- Oi, Ray.
- Não sei como ainda não fui
abordado por nenhum fã hoje... Talvez eu esteja com sorte.
- Eu imagino, deve ser meio
incômodo.
- Só quando estou realmente a fim
de ficar sozinho.
- Entendi...
- Bem, quer tomar um sorvete?
- Eu adoraria.
Ficamos na sorveteria por um bom
tempo, conversando e rindo muito. Despedi-me dele e voltei para o hotel. E eu
quase tive um ataque quando vi, no saguão, um rapaz de cabelos cacheados e tipo
físico de judeu, usando óculos escuros, falando com a recepcionista.
- Bob! – exclamei, e pulei no
pescoço dele.
- Meu Deus, Fanny, tudo isso é
saudade? – ele riu.
- Claro que é, seu bobão! Você é a
única coisa dos EUA de que eu sinto falta! Qual é o seu quarto?
- Hã.... o 389, lá no terceiro
andar.
- O meu é o 388! Isso é ótimo.
Escuta, quanto tempo vai ficar por aqui?
- Uma semana, mais ou menos.
- Bom, ainda falta um tempo para as
aulas retornarem, acho que vou ficar em Londres por mais um tempinho.
- Ah, isso é bom, odiaria ficar com
você por pouco tempo. Mas você sabe que vai ter que me acompanhar nas minhas
andanças pelas ruas de Londres, não é?
- Sim, eu sei.
Eu tinha acabado de voltar da
rua, porém, como Bob insistiu, acompanhei-o em seu passeio, depois que ele guardou
suas coisas no quarto.
Conhecer pontos turísticos de
Londres com meu melhor amigo foi uma experiência muito legal. Ficamos horas e
horas no Museu Britânico. Vimos um show em Picadilly Circus. Os carinhas
inclusive tocaram Just Like A Woman,
de Bob, e ele me disse:
- Sabe, a garota para quem eu escrevi essa música merecia
mais.
- Ah, Bob, que excesso de modéstia! – eu disse. – Eu ficaria
muito feliz se alguém tivesse escrito algo assim para mim.
- Verdade?
- É lógico.
Ele sorriu para mim. Fiquei
surpresa. Arrancar um grande sorriso de Bob Dylan é um feito para poucos. Depois
do show, ficamos conversando sobre o que tinha acontecido nos Estados Unidos
depois que fui embora.
- Kathy enganou Simon direitinho. –
disse Bob. – E se eu contar você não vai acreditar.
- O que houve? – fiquei intrigada.
- Eles estão namorando.
- O quê? Kathy, aquela bandida! Que
ódio!
- Fanny, guardar rancor não adianta
nada. Já passou. Esqueça isso. Há muitos outros homens por aí.
“Sim”, pensei. “Homens como
Ray”.
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