sábado, 30 de novembro de 2019

Hold Me Tight - Capítulo 2

Boa tarde! Depois de meses, finalmente mais um capítulo da minha nova fic de troca-destroca. Acho que tá curto mas dá pro gasto. Espero que vocês gostem! Boa leitura.

  Dianna terminou de tocar. Trocou um olhar profundo com Davy, e depois olhou para George. Ela se levantou da banqueta diante do piano, e o namorado beijou sua mão, enquanto os convidados de Paul batiam palmas fervorosas. Dianna corou.
  Paul ainda serviu algumas bebidas aos seus convidados, mas George e Dianna quiseram ir embora mais cedo. Antes que eles partissem, porém, Davy pediu para falar com Dianna por um momento, o que ela consentiu.

- Queria saber se... Você teria interesse em gravar uma música comigo, Dianna.

  Dianna adorou a ideia, e não hesitou.

- Tenho todo o interesse, Davy. - ela sorriu. George sentiu-se um pouco enciumado, já que Dianna nunca quis gravar algo com ele,mas preferiu ficar quieto.

- Eu fico muito contente. Bem... Onde poderíamos nos encontrar?

- Eu tenho um pequeno estúdio em casa... Se quiser ir lá amanhã...

- Perfeito. - Davy sorriu. -  Às 15 horas?

- Por mim está ótimo.

- Ok. Eu estarei lá.

- Ficarei esperando.


  Ela e George saíram da casa de Paul. Durante o trajeto de volta para casa, George estava ainda mais quieto do que de costume, e isso preocupou Dianna.

- Algum problema, Georgie? - Dianna indagou, embora já soubesse a resposta.

- Nada... Só acho esquisito que você não queira gravar uma música comigo, seu namorado, e quando um cara que você nunca viu na vida até esta noite faz essa proposta, você aceita. - George respondeu, mal-humorado.

- George, não fique com ciúme... - a voz de Dianna mostrava que ela estava se sentindo mal com isso.

- Eu não estou com ciúme. - George afirmou, veementemente.

- Bom, você não parece se importar tanto com a minha música se a Mary Anne McCartney estiver por perto.

- Di...

- Você pensa que eu não vi você olhando para ela, George?


  George não conseguiu pensar em nada para responder. O casal seguiu seu caminho em silêncio, e ao chegarem em casa, ao contrário do  que eles tinham planejado antes da festa, não fizeram sexo.
   Enquanto George e Dianna discutiam no seu carro, Mary e Davy tinham uma discussão semelhante.

  - Acho que o George não gostou muito de você ter convidado a namorada dele para gravar uma música com você, Davy. Na verdade eu também achei que você foi muito apressadinho. - Mary disse, um pouco mordaz.
 
  - Pensei que você gostasse da Dianna.

  - Eu gosto. - disse Mary. - O que eu não gosto é do meu namorado arrastando asinha para outras mulheres. Pensa que eu não sei da sua fama, David?
 
  - Mary, não confunda realidade com ficção...
 
  - Não mude de assunto! Eu vi muito bem a cara de banana que você fez enquanto ela tocava. 


  - Eu só... Fiquei impressionado... - Davy tentou se justificar. - Ela realmente canta e toca muito bem...
 

- E você acha que eu vou acreditar que foi só isso?


  - Mary, é só você que eu amo. Não existe mulher mais bonita do que você, meu broto.
 
 
- "Meu broto"! Você é ridículo, Davy! 


      Naquele momento os dois chegaram ao apartamento onde Mary residia quando estava em Londres. Ela desceu do carro assim que Davy estacionou, sem olhar para ele. E continuou assim durante a subida de elevador e depois que entrou no apartamento.

 
- Mary Anne, vai ficar sem falar comigo até quando? - Davy parecia realmente magoado.
 

      Mesmo assim, ela continuou silenciosa até a manhã seguinte.


                                ***


      Naquela manhã, Dianna e George tomavam café juntos, mas sem trocar uma palavra sequer.


  - Di... - George tentou quebrar o gelo.
 
 
- O que foi? - Dianna continuava bebericando seu café calmamente.

 
- Eu... Eu não gosto de ficar brigado com você, meu amor. Me perdoa, por favor. - ele pegou a mão dela por sobre a mesa.
 
 
- Eu perdoo... Se você prometer que não vai ficar enciumado toda vez que eu decidir trabalhar com um homem.
 
 
- Eu prometo, Di, meu anjo, eu prometo.


- Tudo bem. - ela sorriu para ele e o beijou levemente. - Depois posso até considerar trabalhar com você...

 
        George apenas riu.


                                  ***


    Mary Anne despertou com o cheiro de café e panquecas. Levantou-se da cama e quase trombou com Davy, que trazia o café da manhã numa bandeja prateada minuciosamente arrumada.

  - Se você acha que eu vai conseguir meu perdão com comida...
 
- Mas, querida, eu fiz panquecas com calda de chocolate, as suas favoritas!

  - Você é impossível, Davy. - Mary resmungou. 

  - E é por isso que você me ama, Mary Anne. - ele deu seu típico sorriso.
 
- Me dê essas panquecas antes que eu mude de ideia. - ela ordenou, sentando-se na cama.
 
  - Isso quer dizer que você me perdoa, amor? - ele olhou para ela usando todo o seu charme.
 
  - Eu não devia, mas sim. - Mary finalmente cedeu, dando uma garfada nas panquecas. 
 
                                    ***

      Mais tarde, Mary Anne saiu para seus compromissos do dia. Davy almoçou sozinho, pensando no encontro que tinha marcado com Dianna para gravarem. Tinha pensado em propor a ela que cantassem Colours, de seu amigo Donovan.  Achava que a música combinaria com as vozes de ambos. Estava empolgado para ver o resultado daquilo. Tinha certeza de que ficaria bom, afinal Dianna realmente tinha a voz de um rouxinol. "Um rouxinol... A ave que sempre aparece nas histórias de amor... Bom, acho que a comparação é mais do que válida".
      Em sua própria casa, Dianna também pensava nisso. Estava ansiosa. Era a primeira vez que gravava algo em parceria com alguém. Por que tinha aceitado gravar uma música com uma pessoa que tinha acabado de conhecer, não sabia dizer. Apenas... Pareceu uma boa ideia. Sabia que, apesar da promessa, George ainda estava um pouco magoado. E ela se sentia péssima por isso. Conversaria com o namorado quando ele voltasse dos estúdios de Abbey Road. Ela também detestava brigar com George, pois o amava muito.

    Quando o relógio bateu quinze horas, Dianna ouviu sua campainha tocar. "Pontualíssimo, como um bom inglês", pensou ela, enquanto se dirigia à porta para abri-la. Deparou-se com um Davy muito sorridente, trazendo um violão pendurado às costas e uma pasta na mão que Dianna supôs que contivesse partituras.

  - Olá, Dianna. - ele a cumprimentou muito animado.
 
  - Olá, Davy. Bem, vamos entrando. Quer comer ou beber algo antes de começarmos? 

  - Não, não, não se preocupe. Bem, eu pensei em uma música para gravarmos, não sei se você conhece, então trouxe a partitura para ensaiarmos... Isto é, se você quiser gravar essa música.
 
  - Qual música? - Dianna estava curiosa.
 
  - Colours, do Donovan. Ele é meu amigo e já cantou essa música com a Joan Baez no festival de Newport, ela funciona muito bem cantada a dois. 

  - Essa eu não conheço...  


      Davy parecia procurar algo em sua pasta, mas, o que quer que fosse, não achou.


- Bom, eu esqueci de trazer o LP com essa música para você ouvir, mas eu poderia tocá-la para você, se não se importar.
 
  - Eu adoraria ouvir. - ela sorriu, sentando-se no sofá enquanto Davy tirava seu violão da capa e começava a tocar para ela.

- Yellow is the colour of my true love's hair... - ele cantou olhando nos olhos dela, fazendo Dianna se ruborizar, sem entender bem por quê. Era só uma música.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Hold Me Tight - Capítulo 1

 Assim, sem aviso nem nada? Pois é. Hoje temos uma nova fic, prometida desde o ano passado. Espero que vocês gostem!



Mary Anne McCartney se preparava para ir a uma festa na casa de seu irmão Paul naquela noite. Apesar de ser uma modelo em ascensão, Mary Anne ainda não estava acostumada à fama como seu irmão. Ou mesmo como Davy Jones, dos Monkees, seu namorado.
 Ela estava intrigada com a demora dele para ficar pronto. Bateu à porta do quarto, onde ele estava se arrumando.

- Davy? Tá tudo bem?

- Bem... Mais ou menos. - respondeu ele, sua voz abafada pela porta fechada.

  Mary ficou intrigada. Ela conhecia bem Davy e ele não parecia estar no seu humor habitual.

- Posso entrar?

- Pode.

    Ao entrar, a jovem o viu totalmente vestido, o que a fez estranhar ainda mais a demora de Davy.

- O que tá acontecendo, Davy? - Mary tinha um tom doce e preocupado em sua voz.

- Bem... Estou um pouco nervoso. Vou conhecer seu irmão... E os outros Beatles. Ainda me lembro do Ed Sullivan Show, quando eu os vi tocar, e desejei ser como eles um dia...

- E agora você é. - ela sorriu, beijando Davy. - Eles são legais, você vai gostar deles.

- E espero que o seu irmão goste de mim. Você falou que ele é ciumento.

- Bom... O Paul é mesmo um pouco ciumento. Mas todo mundo gosta de você, Davy.

- Ninguém resiste ao meu charme. - ele riu, já de volta ao seu estado de espírito normal.

- Convencido. Vamos?

- Vamos, Mary.


 Enquanto saíam de mãos dadas do prédio onde ficava o apartamento em que Mary vivia, ambos sentiam que algo os aguardava naquela noite. E que esse algo era mais do que simplesmente o momento em que Davy Jones conheceria os Beatles.

              ***



  Em outro apartamento da cidade de Londres, George Harrison dava o nó em sua gravata quando sua namorada,a cantora Dianna Mackenzie, entrou na sala de estar, trajando um belo vestido preto de renda ainda aberto.

- Di, tá pronta?

- Quase, Georgie. - disse ela, virando-se de costas para ele. - Pode me ajudar com o vestido?

 Seus lábios estavam pintados de vermelho, e naquele momento exibiam um sorrisinho malicioso.

- Claro. - George retribuiu o sorrisinho.


  George foi até Dianna e puxou o zíper do vestido para cima, fechando-o. Para finalizar, beijou a nuca dela.

- George... Não começa. Já estamos atrasados. Paul não vai gostar.

- Vamos ligar para ele dizendo que não vamos... Aconteceu um imprevisto. - George sorriu.

- Depois dizem que você é o Beatle quieto.

- Com você não sou nada quieto. - George se viu obrigado a concordar.
- Bem... Vamos. Mas quando voltarmos...

- Quando voltarmos eu serei toda sua, George. - Dianna afirmou.


 No caminho para o apartamento de Paul, apesar da aparência de normalidade, o casal estava com uma sensação de aquela noite não seria uma simples festinha na casa do amigo e colega de banda de George.

             ***


 George e Dianna foram atendidos pelo próprio Paul. Havia poucas pessoas na festa, apesar do tamanho do apartamento e da fama de seu proprietário.

- Achei que vocês não viriam. - Paul deu uma risadinha.

- Culpa da Dianna, que escolheu um vestido difícil de colocar. - George brincou.

- Até parece... - ela retrucou, também bem-humorada.

- O que importa é que vocês chegaram. Vamos, entrem. Só faltavam vocês.

 Ao se dirigirem à sala de jantar, o olhar de George encontrou uma jovem que lhe pareceu conhecida. Tinha cabelos negros, presos num coque, e traços delicados. Ela lhe lembrava Audrey Hepburn, mas não era por isso que ela lhe era familiar.
 Qual não foi sua surpresa ao perceber que se tratava de Mary Anne, a irmã mais nova de Paul!

- Mary Anne? - ele chamou a atenção dela, um pouco sem jeito.

- Olá, George! - ela sorriu para ele. - Não me reconheceu?

- Confesso que não. Eu não a via desde... 1963, eu acho. Você mudou bastante desde então.

- Espero que para melhor. - ela riu.

- Sem dúvida... - de fato, Mary Anne era agora uma bela garota. Ou talvez ela sempre fora, e apenas agora George se dava conta disso. - Esta é minha namorada, Dianna Mackenzie.

- Você é Dianna Mackenzie? - Mary Anne beijou o rosto de Dianna com alegria. - Gosto muito das suas músicas! Você canta e compõe muito bem.

- Obrigada. - Dianna sorriu com timidez. - Também gosto muito do seu trabalho, Mary Anne. Já vi alguns dos seus ensaios fotográficos e acho que você é muito elegante e talentosa. - ela foi sincera em seu elogio.  

- Eu que agradeço! Bem, queria apresentar a vocês o meu namorado, Davy Jones.

- Boa noite, George, Dianna. - um rapaz baixinho com cabelos castanhos escuros cortados no mesmo estilo dos Beatles estendeu a mão para que o casal apertasse.

- Você é dos Monkees, não é? - Dianna perguntou, gentilmente.

- Sim. - respondeu Davy. - Meus colegas e eu admiramos muito os Beatles. Eu já ouvi falar a seu respeito, Dianna,mas infelizmente nunca tive a oportunidade de ouvir suas músicas...

- Isso não vai ser um problema, Davy! - Paul exclamou, se intrometendo na conversa. - Quero que cante para meus convidados essa noite, Dianna.

- Eu? - Dianna ficou surpresa. - Mas, Paul...

- Todo mundo merece ouvir a sua voz de rouxinol, Dianna. - George disse.

- George! - Dianna ficou ainda mais vermelha. - Minha voz não parece nada com a de um rouxinol.

- Tem razão. Porque parece de um anjo.


 Quanto mais elogios recebia do namorado, mais tímida Dianna ficava. E Davy Jones ficava mais instigado para ouvi-la cantar. Já Mary Anne não podia deixar de reparar que George estava mais bonito do que ela se lembrava dos seus tempos de adolescente em Liverpool...
 Após o jantar, todos os convidados de Paul se dirigiram à grande sala de estar, onde ficava o piano do anfitrião. Ele preparou tudo e anunciou:

- Meus caros convidados, esta noite não irei tocar para vocês.

 Antes que os convidados pudessem se queixar,ele disse:

- Porque hoje terão o prazer de ouvir a bela Dianna Mackenzie, futura Sra. George Harrison, que lançou seu primeiro álbum recentemente.

 Agora os convidados insistiam para que Dianna cantasse, os próprios Beatles, a irmã de Paul e seu namorado Monkee principalmente.
 Vendo que não tinha escolha,Dianna sentou-se diante do piano de Paul. Relaxou e começou a tocar sua canção de maior sucesso até o momento, "Spring Days", escrita para George.
 Davy viu que nem Paul McCartney nem o apaixonado George Harrison exageraram. Dianna Mackenzie tinha uma voz linda e encantadora... Como ela própria. Tudo que o Monkee queria agora era convidá-la para gravar uma música com ele.
 Enquanto ouvia sua namorada cantar, George se sentia enlevado. Mas ao mesmo tempo se lembrava do tempo em que vivia em Liverpool e olhava para Mary Anne vez ou outra... E ela sempre o pegava olhando, o que o fazia disfarçar, de maneira atrapalhada. Ela ria internamente, em muitos aspectos George continuava o mesmo.
 Dianna não podia deixar de perceber o ar fascinado com o qual Davy olhava para ela. Ficaria sem jeito de qualquer maneira, mas estava ainda mais constrangida pela presença de George e Mary Anne. Eles próprios, porém, não pareciam perceber nada. Sabia que não devia se sentir assim, mas a admiração dele lhe era muito agradável.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

The Angel Of Music - Capítulo 1

Boa tarde! Temos uma nova fanfic no blog. Essa é inspirada em O Fantasma da Ópera, espero que gostem! 



    Dianna Mackenzie estava nervosa. Era a primeira vez que cantaria num grande papel. Era a primeira noite de Bob Rafelson e Bert Schneider como diretores da ópera, e tudo teria que sair perfeito naquela apresentação de Fausto. Ela seria Marguerite, que se apaixona por Fausto. Um grande papel romântico.
     Tudo teria que ser perfeito... Ainda mais depois daquele terrível incidente que causou a morte de um funcionário da ópera por enforcamento, no último dia de Brian Epstein e George Martin como diretores. O corpo foi encontrado entre um suporte de cenário e uma ripa. Os funcionários atribuíam o acontecimento ao Fantasma da Ópera.
    Dianna não sabia no que acreditar. Não sabia se o fantasma era mesmo alguma força sobrenatural ou apenas alguém de dentro, fazendo coisas terríveis. Mas ela não queria pensar nisso nesse momento.
    Tudo que queria era cantar, cantar e deixar seu Anjo da Música orgulhoso. Como seu pai prometera na sua infância, o Anjo da Música veio para ela quando ele morreu, e vinha dando aulas para ela já havia três meses. A questão é que... Dianna nunca o via, só ouvia sua voz, a voz mais maravilhosa que ela já ouvira na vida.
      Finalmente chegou o momento em que Dianna devia cantar. A casa estava cheia. E todos olhavam para ela com expectativa. Era a sua estreia num grande papel, e só estava acontecendo porque Amber Henderson estava doente.
     Dianna deu tudo de si. Queria mostrar ao Anjo que o trabalho dele com ela estava surtindo efeito, que ele estava lapidando o diamante bruto. E então... Dianna viu quem estava na plateia, num dos camarotes, assistindo-a com extremo interesse.
     Ela reconheceria aquele olhar doce em qualquer lugar. Visconde David Jones, de origem inglesa como ela, mas que também fora viver na França muito jovem, e com quem ela brincara muito nas areias de Nice.
     Era ele, o amor de sua vida. E foi por ele que ela cantou cada uma daquelas notas com extrema perfeição. Somente o amor poderia fazer com que Dianna atingisse o ápice do seu talento natural, por mais que o desejo de orgulhar seu professor também fosse grande.
       E ela viu que Davy a reconheceu. Esperava que ele soubesse que era por ele que ela cantava. O que ela não imaginava era que o Anjo da Música também sabia. E estava furioso.
       O esforço e arrebatamento de Dianna foram tantos que ela desmaiou. As pessoas na plateia ficaram estupefatas. O médico da ópera prontamente a socorreu, e ela foi levada ao seu camarim. O visconde seguiu o médico.

***


     Davy estava verdadeiramente impressionado. Ele se lembrava da doce menina de Nice, que cantava lindas melodias para acompanhar seu pai no violino. A voz dela na infância era doce como mel, mas agora... Era a voz de um anjo... Ou de uma sereia. E ela era bela como um anjo... Ou como uma sereia. Para seus amigos, ela podia ser qualquer uma das duas coisas.
     Quando ela desmaiou, Davy ficou alarmado. Já corria para fora do camarote, quando a mão firme de seu amigo Mike Nesmith o deteve.


- Calma, Davy. Não seria... De bom-tom que você se precipitasse atrás de uma cantora.

- Dianna não é nenhuma dessas cantoras cheias de “amigos”! – Davy ficou ofendidíssimo com a insinuação do amigo. – Eu a conheço desde que ela era uma menininha! Sei que ela é honesta e honrada!

- Eu não estou afirmando nada disso, Davy! – Mike se defendeu. – Acredito no seu julgamento. Mas a sociedade...

- Dane-se a sociedade! Eu vou ver como ela está! – e ele saiu em disparada do camarote.

- Davy! – Mike bufou. Seu amigo era mesmo teimoso.

- Deixe-o. – falou Micky Dolenz.

- É melhor. – concordou Peter Tork.

     

          E assim, Davy correu até o camarim de Dianna. Claro que todos os presentes notaram sua apreensão e a pressa com que corria até lá. Quando entrou, havia um grupinho de curiosos amontoados diante da porta. Davy abriu espaço entre eles, gerando sorrisinhos maliciosos, e então a pegou cuidadosamente nos braços, aumentando o burburinho.
          Até que ela despertou.


- O que houve? – ela falou, a voz ainda um pouco embargada.

- A senhorita teve um desmaio. Deve repousar... – disse o médico. – Deixe-me examiná-la.

- Não, doutor. Eu agradeço muito pelos seus serviços, mas não é necessário. Eu me sinto ótima. – ela afirmou, tentando colocar-se de pé. Cambaleou, e teria ido ao chão se Davy não a tivesse segurado.
        
  
       Dianna olhou para ele, com um ar um pouco vago. Davy supôs que ela não o reconheceu.


- Não me reconhece, Dianna? – ele perguntou, sem conseguir evitar uma ponta de ressentimento. – Sou o garoto que pegou sua echarpe no mar!

        A jovem cantora sorriu. Ela se lembrava dele por muito mais do que simplesmente pegar sua echarpe no mar, que foi a forma como se conheceram. Mas ela não podia demonstrar muito mais...


- Saiam, por favor. – pediu ela. – Gostaria de ficar sozinha agora.

- Dianna, não a deixarei até que...

- Por favor, meu caro visconde, eu me sinto bem. Deixe-me, por favor. – ela pediu novamente, com mais firmeza.

     

      Ele ficou um pouco intrigado por ouvi-la se referir a ele de maneira tão formal, pois eram amigos de infância, por mais que a posição dela na sociedade fosse inferior. Mas fez como a amada desejava.
       Assim que foi deixada sozinha, Dianna sentou-se diante de sua penteadeira, para refletir sobre os acontecimentos daquela noite. Sabia que deixara o Anjo da Música orgulhoso. E sabia também que, se ele soubesse que ela reencontrara Davy e que esse reencontro causou-lhe tal comoção que a fez se entregar totalmente à música, ficaria furioso. Ele a fizera prometer que nada a arrebataria, com exceção do amor da música e da arte.
       E logo ela soube que não estava realmente sozinha no seu camarim.


- Dianna. – aquela poderosa voz fez-se ouvir.

- Alain! – respondeu ela, pois esse era o nome do Anjo.

- Eu sabia que você conquistaria Paris esta noite, Dianna! Foi como eu lhe disse. Você foi excepcional.

- Fico feliz em saber que eu o deixei contente, Alain. – respondeu Dianna.

- Contente? Não. Muito pelo contrário. – respondeu o Anjo.

- O que mais espera de mim? Eu dei meu melhor! – ela protestou.

- Você me decepcionou, Dianna. Pois não cantou para mim, como disse que faria.

- Como não? Foi por você que eu cantei! Queria mostrar que suas aulas foram inestimáveis para mim!

- Esqueceu-se do que prometeu? Que não se deixaria levar por um outro amor que não o amor da música, o amor da arte?

- Como pode afirmar isso, Alain?

- Sei que ele estava aqui esta noite! – a voz parecia ciumenta e possessiva, o que assustou Dianna. – O rapaz de que me falou. E você sabe que, se se entregar a um homem...

- Por favor, não vá embora, meu caro Anjo! – ela pediu. – Continue a me ensinar!

- Então... Fique longe do Visconde David Jones!

- Mas por quê... Alain? Alain?

   
     
      A voz se retirou. Dianna nem imaginava, mas Davy ouvira parte da conversa. E não lhe agradou nada ouvir uma voz masculina dentro do camarim de Dianna. Uma voz que certamente pertencia a um belo e jovem cantor da ópera. Agora ele sabia que tinha um rival. Um rival chamado Alain.
       O ciúme tomou conta de Davy. Só ouvira até a parte em que ela disse que cantara pelo dono da voz. Não quis ouvir mais nada. Ele não acreditava que Dianna fosse o tipo de moça que recebe homens que não um médico ou, talvez, os diretores da ópera, em seu camarim.
      Não queria pensar nisso, mas a imagem de Dianna nos braços de outro homem, declarando que cantara por ele, não desaparecia de sua mente de maneira alguma.


- Oh, Dianna... Pensava que você se lembrasse daqueles dias felizes. Sei que éramos pouco mais que crianças... Mas eu a amo desde aquela época. Nada mudou.

        
      Ele não sabia em que acreditar. Se Dianna de fato amava o tal Alain... Ou que ele a assustava com aquelas maneiras possessivas, que o rapaz pôde perceber na impressionante voz. Se Dianna amava o seu rival, ele devia esquecê-la. Se não, deveria livrá-la de um apaixonado que parecia nas raias da obsessão.