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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

The Angel Of Music - Capítulo 1

Boa tarde! Temos uma nova fanfic no blog. Essa é inspirada em O Fantasma da Ópera, espero que gostem! 



    Dianna Mackenzie estava nervosa. Era a primeira vez que cantaria num grande papel. Era a primeira noite de Bob Rafelson e Bert Schneider como diretores da ópera, e tudo teria que sair perfeito naquela apresentação de Fausto. Ela seria Marguerite, que se apaixona por Fausto. Um grande papel romântico.
     Tudo teria que ser perfeito... Ainda mais depois daquele terrível incidente que causou a morte de um funcionário da ópera por enforcamento, no último dia de Brian Epstein e George Martin como diretores. O corpo foi encontrado entre um suporte de cenário e uma ripa. Os funcionários atribuíam o acontecimento ao Fantasma da Ópera.
    Dianna não sabia no que acreditar. Não sabia se o fantasma era mesmo alguma força sobrenatural ou apenas alguém de dentro, fazendo coisas terríveis. Mas ela não queria pensar nisso nesse momento.
    Tudo que queria era cantar, cantar e deixar seu Anjo da Música orgulhoso. Como seu pai prometera na sua infância, o Anjo da Música veio para ela quando ele morreu, e vinha dando aulas para ela já havia três meses. A questão é que... Dianna nunca o via, só ouvia sua voz, a voz mais maravilhosa que ela já ouvira na vida.
      Finalmente chegou o momento em que Dianna devia cantar. A casa estava cheia. E todos olhavam para ela com expectativa. Era a sua estreia num grande papel, e só estava acontecendo porque Amber Henderson estava doente.
     Dianna deu tudo de si. Queria mostrar ao Anjo que o trabalho dele com ela estava surtindo efeito, que ele estava lapidando o diamante bruto. E então... Dianna viu quem estava na plateia, num dos camarotes, assistindo-a com extremo interesse.
     Ela reconheceria aquele olhar doce em qualquer lugar. Visconde David Jones, de origem inglesa como ela, mas que também fora viver na França muito jovem, e com quem ela brincara muito nas areias de Nice.
     Era ele, o amor de sua vida. E foi por ele que ela cantou cada uma daquelas notas com extrema perfeição. Somente o amor poderia fazer com que Dianna atingisse o ápice do seu talento natural, por mais que o desejo de orgulhar seu professor também fosse grande.
       E ela viu que Davy a reconheceu. Esperava que ele soubesse que era por ele que ela cantava. O que ela não imaginava era que o Anjo da Música também sabia. E estava furioso.
       O esforço e arrebatamento de Dianna foram tantos que ela desmaiou. As pessoas na plateia ficaram estupefatas. O médico da ópera prontamente a socorreu, e ela foi levada ao seu camarim. O visconde seguiu o médico.

***


     Davy estava verdadeiramente impressionado. Ele se lembrava da doce menina de Nice, que cantava lindas melodias para acompanhar seu pai no violino. A voz dela na infância era doce como mel, mas agora... Era a voz de um anjo... Ou de uma sereia. E ela era bela como um anjo... Ou como uma sereia. Para seus amigos, ela podia ser qualquer uma das duas coisas.
     Quando ela desmaiou, Davy ficou alarmado. Já corria para fora do camarote, quando a mão firme de seu amigo Mike Nesmith o deteve.


- Calma, Davy. Não seria... De bom-tom que você se precipitasse atrás de uma cantora.

- Dianna não é nenhuma dessas cantoras cheias de “amigos”! – Davy ficou ofendidíssimo com a insinuação do amigo. – Eu a conheço desde que ela era uma menininha! Sei que ela é honesta e honrada!

- Eu não estou afirmando nada disso, Davy! – Mike se defendeu. – Acredito no seu julgamento. Mas a sociedade...

- Dane-se a sociedade! Eu vou ver como ela está! – e ele saiu em disparada do camarote.

- Davy! – Mike bufou. Seu amigo era mesmo teimoso.

- Deixe-o. – falou Micky Dolenz.

- É melhor. – concordou Peter Tork.

     

          E assim, Davy correu até o camarim de Dianna. Claro que todos os presentes notaram sua apreensão e a pressa com que corria até lá. Quando entrou, havia um grupinho de curiosos amontoados diante da porta. Davy abriu espaço entre eles, gerando sorrisinhos maliciosos, e então a pegou cuidadosamente nos braços, aumentando o burburinho.
          Até que ela despertou.


- O que houve? – ela falou, a voz ainda um pouco embargada.

- A senhorita teve um desmaio. Deve repousar... – disse o médico. – Deixe-me examiná-la.

- Não, doutor. Eu agradeço muito pelos seus serviços, mas não é necessário. Eu me sinto ótima. – ela afirmou, tentando colocar-se de pé. Cambaleou, e teria ido ao chão se Davy não a tivesse segurado.
        
  
       Dianna olhou para ele, com um ar um pouco vago. Davy supôs que ela não o reconheceu.


- Não me reconhece, Dianna? – ele perguntou, sem conseguir evitar uma ponta de ressentimento. – Sou o garoto que pegou sua echarpe no mar!

        A jovem cantora sorriu. Ela se lembrava dele por muito mais do que simplesmente pegar sua echarpe no mar, que foi a forma como se conheceram. Mas ela não podia demonstrar muito mais...


- Saiam, por favor. – pediu ela. – Gostaria de ficar sozinha agora.

- Dianna, não a deixarei até que...

- Por favor, meu caro visconde, eu me sinto bem. Deixe-me, por favor. – ela pediu novamente, com mais firmeza.

     

      Ele ficou um pouco intrigado por ouvi-la se referir a ele de maneira tão formal, pois eram amigos de infância, por mais que a posição dela na sociedade fosse inferior. Mas fez como a amada desejava.
       Assim que foi deixada sozinha, Dianna sentou-se diante de sua penteadeira, para refletir sobre os acontecimentos daquela noite. Sabia que deixara o Anjo da Música orgulhoso. E sabia também que, se ele soubesse que ela reencontrara Davy e que esse reencontro causou-lhe tal comoção que a fez se entregar totalmente à música, ficaria furioso. Ele a fizera prometer que nada a arrebataria, com exceção do amor da música e da arte.
       E logo ela soube que não estava realmente sozinha no seu camarim.


- Dianna. – aquela poderosa voz fez-se ouvir.

- Alain! – respondeu ela, pois esse era o nome do Anjo.

- Eu sabia que você conquistaria Paris esta noite, Dianna! Foi como eu lhe disse. Você foi excepcional.

- Fico feliz em saber que eu o deixei contente, Alain. – respondeu Dianna.

- Contente? Não. Muito pelo contrário. – respondeu o Anjo.

- O que mais espera de mim? Eu dei meu melhor! – ela protestou.

- Você me decepcionou, Dianna. Pois não cantou para mim, como disse que faria.

- Como não? Foi por você que eu cantei! Queria mostrar que suas aulas foram inestimáveis para mim!

- Esqueceu-se do que prometeu? Que não se deixaria levar por um outro amor que não o amor da música, o amor da arte?

- Como pode afirmar isso, Alain?

- Sei que ele estava aqui esta noite! – a voz parecia ciumenta e possessiva, o que assustou Dianna. – O rapaz de que me falou. E você sabe que, se se entregar a um homem...

- Por favor, não vá embora, meu caro Anjo! – ela pediu. – Continue a me ensinar!

- Então... Fique longe do Visconde David Jones!

- Mas por quê... Alain? Alain?

   
     
      A voz se retirou. Dianna nem imaginava, mas Davy ouvira parte da conversa. E não lhe agradou nada ouvir uma voz masculina dentro do camarim de Dianna. Uma voz que certamente pertencia a um belo e jovem cantor da ópera. Agora ele sabia que tinha um rival. Um rival chamado Alain.
       O ciúme tomou conta de Davy. Só ouvira até a parte em que ela disse que cantara pelo dono da voz. Não quis ouvir mais nada. Ele não acreditava que Dianna fosse o tipo de moça que recebe homens que não um médico ou, talvez, os diretores da ópera, em seu camarim.
      Não queria pensar nisso, mas a imagem de Dianna nos braços de outro homem, declarando que cantara por ele, não desaparecia de sua mente de maneira alguma.


- Oh, Dianna... Pensava que você se lembrasse daqueles dias felizes. Sei que éramos pouco mais que crianças... Mas eu a amo desde aquela época. Nada mudou.

        
      Ele não sabia em que acreditar. Se Dianna de fato amava o tal Alain... Ou que ele a assustava com aquelas maneiras possessivas, que o rapaz pôde perceber na impressionante voz. Se Dianna amava o seu rival, ele devia esquecê-la. Se não, deveria livrá-la de um apaixonado que parecia nas raias da obsessão.