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domingo, 11 de outubro de 2015

Last Train To Penny Lane - Capítulo 4

Olá! Mais um capítulo da self-insertion para vocês! Boa leitura!





- Deixa eu ver se eu entendi... Nas.... Fics de vocês, eu sou o maior canalha da face da Terra e apanho de todos os namorados seguintes das minhas ex? – Mike indagou.

- Sim, Nez, mas você sempre se redime... Com a minha personagem Emma. – eu expliquei. – Ou melhor, nas fics da Grindhouse Oficial.

- Sim, nas What Ifs é com a Alana. – observou Inara.

- Acho que entendi...

- Porém, você sempre terá um lugar para a minha personagem Alice Stone no seu coração. – disse Maris. – Ela foi criada em homenagem à Alice aqui.

- Agora sei por que minha versão nas fics de vocês ama tanto essa Alice. – Nez sorriu para Alice.

- E essa Emma... – começou Micky. – Gosta de mim mas acaba ficando com o Mike?

- Na Grind Oficial sim, Micky. – Inara disse. – Porque você fica com a Sue.

- Já nas What Ifs vocês são um dos otps mais lindos! – exclamei.

- Otps? – os quatro não entenderam.

- Otp de “one true pairing”. – Maris esclareceu. – Os ships, ou melhor, casais que consideramos os mais bonitos.

- Ah sim. – os Monkees assentiram.

- Falando em otp, você e a Di são um otp supremo, Davy! – falei.

- É mesmo? – Davy ficou interessado.

- Sim, vocês são tão lindos, eu amo tanto vocês... Você faz qualquer coisa por ela, e ela qualquer coisa por você. O Peter gosta dela em algumas fics, mas nada realmente capaz de separar vocês dois.

- Mas então eu fico com quem? Você criou alguma namorada para mim, minha Maris? – perguntou Peter.

- Eu não, mas a Maris do Davy sim. – minha amiga disse.

- Sim, a Erin. – eu disse. – Ela é a prima da Di.

- Isso quando você não fica com a Sue, Peter. – lembrou Inara.

- Com a Sue???? Mas ela não era minha namorada? – Micky ficou indignado.

- É, mas nós achamos que a Sue também combina bastante com o Peter. – falei. – Na verdade a coisa é bem complicada...

- Pois é... Você nunca fica com a Alice, Nez, mas ela te ama loucamente, mesmo jogando uma cueca na tua cara em Pictures Of Lily. – Maris disse, e ela, eu, Alice e Inara rimos descontroladas.

- Vocês realmente me adoram... – Nez deu um sorrisinho irônico.

- Nunca duvide do quanto adoramos você, Nez, mas que gostamos de judiar de você nas fics é fato. – Inara falou.

                                


                              Todos riram. Davy disse, então:



- Sabe, essa Dianna parece mesmo ser maravilhosa. Eu gostaria de que ela fosse real.

                                     


                                O quê? Davy gostaria de que a criatura fosse real, quando ele tem a criadora?



- Opa! Alto lá! Você não precisa querer que a Dianna fosse real, Davy! Você tem a mim! Eu te chamo de Cuddly Toy, leãozinho, do que você quiser! – gritei.

- Não fique com ciúme, Maris. – ele sorriu para mim e me puxou para perto dele, em seguida me dando um abraço de urso. – Eu amo você.

- Tá vendo de onde vem o ciúme psicótico da Di, Davy? – Inara e Maris gracejaram.

- Sim. – ele riu. – Eu acho que a leoazinha é outra pessoa.

- Sim mas pode me soltar, Davy, você não é o Gerd pra me dar esses abraços de urso! – eu pedi, já me sentindo sufocada com aquele abraço.

- Opa, desculpe. – Davy  afrouxou o abraço. – Mas quem é esse Gerd?

- Ah, o Gerd! – Inara, Maris e eu suspiramos.

- Mais um pra concorrência. – Micky bufou.

- Gerd Müller, vulgo ursinho, vulgo McDreamy, vulgo Mr. Darcy, é um jogador de futebol alemão. – explicou Maris. – Que infelizmente foi cortado da seleção da Alemanha Ocidental pra Copa desse ano. E é ele que fica com a Alice definitivamente na Grind Oficial.

- Não gostei desse cara... – Mike resmungou.                                    

                       

                        As meninas e eu rimos.



- Não se preocupe, Nez. – Alice afagou o rosto dele. – Essa personagem pode ficar com esse jogador, para mim basta você. – e beijou-o.

- E ele não é o único jogador da Grindhouse. – eu disse. – Tem o Paul Breitner, o Sepp Maier, o Günter Netzer, o Bobby Charlton, o Denis Law...

- E O KING BOBBY MOORE! E O GEORGE BEST! E O KAISER FRANZ BECKENBAUER! – Maris bradou. – Principalmente o Franz, ele é o dono do meu ser!

                      

                         Peter ficou olhando para Maris, chocado.



- Como assim?

- Mil desculpas, Peter, eu amo você, mas a coisa com o mozão é diferente... É uma coisa cósmica, sabe?

- Hum. – ele resmungou.

- Tão ciumento, coitadinho. – Maris abraçou-o. – Vou sentir tanta saudade quando a gente tiver que voltar para o futuro...

- Voltar... Para o futuro? – Peter olhou para Maris como se ela estivesse louca.

- Sim. Nós viemos de 2015. – falou Alice. – Chegamos aqui com uma máquina do tempo.

- Hã... Com licença um minutinho, meninas. – disse Mike, levando os outros Monkees para o canto.

                               

                              Se eles achavam que não iríamos ouvir nada, estavam bem enganados.



- Elas estão mais loucas do que eu! – Micky disse.

- São escritoras, é normal que sejam meio doidinhas. – Peter respondeu.

- A ponto de dizer que vieram do futuro? – Davy duvidou.

- Será que estão chapadas? – Mike inquiriu.

                                 

                                Nessa hora eu tive que me manifestar.



- Chapadas coisa nenhuma! – gritei. – Estamos bem sóbrias! Como é que vocês explicam isso, moços? – praticamente enfiei meu celular na cara deles.


- Só vejo uma foto do Davy sem camisa nessa caixinha esquisita. – disse Micky com uma cara maliciosa.

                             

                                  Foto do Davy sem camisa? Eu deveria ter trocado o wallpaper antes de mostrar.



- Essa “caixinha esquisita” se chama celular. – Inara falou. – Serve como telefone, mas também serve para mandar... Bilhetes, por assim dizer. E muitas outras coisas que vocês não vão conseguir entender agora.

- Ah é? – Nez duvidava.

- Não acreditam? – Maris disse. – Vejam essa máquina! Cadê o filme? – ela abriu sua máquina digital.

- NÃO FAZ ISSO! VAI QUEIMAR O FILME! – Davy falou.

- Essa pode ser aberta, Davy. É uma máquina fotográfica digital, não precisa de filme. – Alice explicou.

- Se ainda duvidam, tenho aqui uma coisa que prova que falamos a verdade! – exclamei, mostrando em meu celular... Uma foto deles em seu show de reunião nos anos 1980.

- MAS O QUE É ISSO? – os quatro exclamaram.

- Vocês daqui a vinte anos. Se quiserem mostro uma foto do Micky e do Peter daqui a 49 anos...

- Pelo amor de Deus, que cabelo ridículo que eu tenho nessa foto... – Davy olhava chocado para seu mullet dos anos 80.

- Que bom que você concorda que é ridículo, amor! – eu disse. – Assim, daqui a uns vinte anos, antes de adotar esse corte, pense em mim, por favor, e lembre-se de que eu odeio mullets.

- Bom, pessoal, vejam só, o dia parece estar ótimo para pegar uma praia! – observou Micky.

                Todos olhamos pela janela e vimos que, de fato, o dia ensolarado lá fora convidava a um passeio pela praia. As meninas e eu corremos para nossos quartos para pegar biquínis, saídas de praia, chinelos, óculos escuros e protetor solar. E logo nos vimos diante daquela visão do paraíso que eram os rapazes apenas de camisa (aberta, é claro) e sunga.
                 Entramos no carro do Mike e rumamos para a praia. Após mais ou menos meia hora, chegamos lá. Quando descemos do carro, peguei o protetor solar da bolsa e passei o creme nos braços, no rosto e nas pernas. Em seguida, pedi:



- Passa o protetor solar nas minhas costas, Davy?

- Claro. – ele sorriu, um pouquinho malicioso.

     

                O toque das mãos dele nas minhas costas me fazia estremecer. Quando terminou, ele deu um leve beijo na minha nuca.


- Vamos... Nos juntar aos outros... – murmurei, me virando para olhá-lo.

- Vamos.

                         
                  Ele pegou minha mão e fomos até onde estavam os outros. Apenas para vê-los... Falando com os Beach Boys! E com eles estava... Vitória, ou Vit, uma das minhas melhores amigas, que eu havia transportado para os anos 60 com minha máquina do tempo algum tempo antes de as outras meninas e eu partirmos.



- VIIIIIT! – eu corri para minha amiga, que largou a mão do namorado, Dennis Wilson, para correr na minha direção.

- MAAAAARI!

- Como você está, miga? – perguntei.

- Bem, e você, mana?

- Com o Davy? Melhor impossível.

- Ah sim, eu imagino. – Vit me deu um sorriso malicioso.


                           

                       Apresentei Davy a ela e depois todos começamos a conversar. 

domingo, 13 de setembro de 2015

Last Train To Penny Lane - Capítulo 3

Boa tarde! Mais um capítulo de self-insertion! Este está particularmente engraçado, ao meu ver. Boa leitura! 



                           
       Por insistência de Davy e Micky, nós quatro aceitamos ficar hospedadas na casa dos dois. Segundo eles, havia dois quartos vazios, com duas camas em cada, cada um para duas de nós. Alice e eu ficamos com um, Maris e Inara com outro.
                            
        Não falei nada para minhas amigas, mas eu confesso que estava tensa com a ideia de estar dormindo na casa do Davy. Porém, da outra vez em que viajei no tempo, fiquei na casa do George e nunca aconteceu nada de mais... Eu era mais nova também... Resolvi deixar aquilo para lá.
                           
         Não interessa onde estou passando a noite, basta deitar na cama que durmo feito uma pedra. Foi assim quando deitei numa das camas no quarto de hóspedes com que Alice e eu ficamos. No entanto, no meio da madrugada, levantei com sede. Para ir à cozinha, tinha que passar pela sala. Lá estava Davy, deitado no sofá, vendo algum filme na televisão. Ele estava enrolado numa manta... Mas eu podia ver que estava sem camisa. Ele me viu olhando. Fiquei mais vermelha que um pimentão.


- Não consegue dormir, Maris? – perguntou ele.

- Não, não, só estou com sede.

                           

          Fui um pouco rápido demais para a cozinha, bebi a água também um pouco rápido demais, e derrubei metade do líquido na blusa do pijama (sim, nós nos lembramos de trazer bagagem para os anos 60). “Ai, que bosta”, pensei. Agora eu teria que atravessar a sala de novo, diante do meu novo namorado, com a blusa encharcada.


- Que sede, hein? – Davy riu, ao ver minha blusa toda molhada.

- Você anda demais com o Micky. – resmunguei.

- Ah, o que é isso, Maris? Não precisa ficar brava.

- Vou relevar dessa vez. Que filme você está vendo?

- Antes estava passando Charada. Mas acabou de acabar. Agora vai começar Levada da Breca.

- Levada da Breca? Amo esse filme!

- Quer ver junto comigo?

- Por que não? – eu disse com um sorriso.

                  
           Davy se ajeitou no sofá para me dar espaço. Ele nos cobriu com a manta e me aconcheguei em seus braços. Ele às vezes cheirava meu cabelo e beijava o topo da minha cabeça, enquanto eu segurava a mão dele. Só sei que depois que o filme acabou não demorou muito para eu cair no sono.
           Acordei com alguém puxando a manta.


- Davy, que merda, eu tô com frio... – eu resmunguei.

- Não é ele que está puxando a coberta, Maris Campos. – ouvi a voz da Inara.

                      

             Então abri os olhos. Lá estavam Micky, Inara, Maris e Alice olhando para mim e Davy deitados no sofá, abraçados. Olhei para meu namorado e ele estava tão ruborizado quanto eu.


- Ah, seus danados... – Micky nos olhava malicioso.

- A gente não fez nada, Micky. – Davy disse.

- Ah, é? – Micky insistiu.

- É. É sim.

- Vou acreditar desta vez. Peter e Mike vêm pra cá tomar café e depois vamos todos pro estúdio.

- Eu tenho que contar para vocês sobre o sonho que tive esta noite! – disse Maris. – Mas vou esperar o Peter e o Nez chegarem.
                      


            Logo os dois Monkees restantes chegaram. Fomos todos para a cozinha. Os rapazes ficaram chocados com o fato de que nós quatro colocamos leite no café.


- Brasileiros gostam bastante de café com leite, meninos. – disse Alice.

- Alguns preferem leite com café, como é o meu caso. – falei, rindo.

                               
            Os demais riram também. Então Inara disse:


- E o seu sonho, Maris Grey?

- Ah, é, eu já ia me esquecendo! Sonhei que estava hospedada num hotel que ficava no topo de uma montanha, e que estava rolando um festival de música folk lá. Vocês sabem como eu adoro folk, meninas.

                             
             Alice, Inara e eu acenamos com a cabeça, concordando.


- E então? – Peter estava curioso.

- Comecei a conversar com a Joni Mitchell. Então ela disse: “Tem um cara baixinho ali que parece o Davy Jones”.

    
                          
      Os outros três Monkees começaram a rir da cara do meu hobbit, que obviamente não estava muito feliz com isso. Alice falou:


- Continua, Maris Creme.

- Eu disse à Joni: “Tenho uma amiga chamada Mariana que ama o Davy Jones”, ao que ela me respondeu: “Eu sei quem ela é, ela vai casar com ele no próximo outono, não é?”. E eu confirmei: “Sim, isso mesmo”.

                         

       Eu queria desmaiar ali mesmo. Casar com ele... Posso ser feminista, mas ainda sou bem romântica. Olhei para Davy, e ele estava mais vermelho do que eu, porém, ele sorria para mim. Peter, Micky e Nez rolavam no chão de tanto rir do Davy.



- Cuidado, Maris, ou você será morta por um bando de fãs revoltadas! – Peter disse.

                  
        Davy então tomou uma atitude pela qual ninguém esperava. Ele se levantou da sua cadeira, se ajoelhou diante da minha, pegou a minha mão e disse, olhando nos meus olhos:



- Maris, você quer casar comigo?

                   

              Não sei se ele estava falando sério ou brincando, mas a resposta era só uma, de qualquer maneira.



- É claro que sim! – sorri e o puxei para um beijo.

- Ok, casal, já deu! – disse Mike, depois de alguns minutos. – A gente tem que ir pro estúdio.

                  

          E fomos os oito para o estúdio. Ainda estávamos trabalhando no episódio em que as meninas e eu apareceríamos. Ficamos vendo Inara e Micky gravarem uma cena de beijo. Mesmo depois de Rafelson e Schneider terem dito “Corta!”, os dois ainda estavam se beijando. Alice, Maris, Nez, Peter, Davy e eu trocamos olhares sabidos. Estava bem claro que estava rolando entre aqueles dois.


- Nez, corta o momento deles? – pedi.

- Por quê? – ele quis saber. Parecia um pouco surpreso.

- Porque você já cortou meu momento com ela duas vezes! – Davy disse. – Só para dizer que você não corta só os nossos momentos.

- Ok... – Mike deu de ombros. – Ei! Micky! Inara! A cena já está gravada!

             
                            

       Os dois se soltaram, por fim. Olharam para nós seis, roxos de vergonha. Antes que os pombinhos pudessem falar qualquer coisa, os meninos foram chamados para gravar uma cena, só eles. Ficamos, então, as meninas e eu.


- Meninas, nós temos que contar a verdade a eles. Que não somos dessa década. – disse Alice.

- E que... Vamos ter que voltar, mais cedo ou mais tarde. – Maris acrescentou, com um suspiro.

- Eu amo a vida que eu tenho em 2015... Mas eu não quero voltar para um mundo onde... Davy não está vivo. – falei, com vontade de chorar.

              


     Minhas amigas ficaram quietas. Elas entendiam a minha dor. Foi terrível voltar para o futuro depois da minha estada com os Beatles também. Saber que John, e principalmente George, não estariam mais entre os vivos, era tão dolorido... Eu ainda tenho que me controlar para não chorar quando lembro que George está morto. Eu lido melhor com a falta de John do que com a dele.


- Mas... A gente ainda pode aproveitar que estamos aqui! – Inara falou em tom animador. – Conhecer algumas das bandas que amamos, visitar o set de Doctor Who...

- Ou o de Star Trek! – eu lembrei, um pouco melhor.

- E quem sabe ver alguns jogadores! É ano de Copa do Mundo! – Maris exclamou.

- Vamos tocar o terror nos sixties, girls! – Alice falou.



           Lá pelas 16h, fomos todos liberados.  Nez foi com Alice a uma loja de instrumentos, pois ele queria comprar um violino novo para ela. Micky e Inara foram direto para casa, ela fazendo de tudo para que ele não percebesse que ela carregava seu “caderno de licenças poéticas”. Peter e Maris saíram para dar uma volta, sempre em suas conversas intelectuais. Já eu quis que Davy me levasse a uma livraria. Disse a ele que ainda não conhecia as livrarias de Los Angeles, e que para mim é fundamental conhecer as livrarias dos lugares aonde vou.
Assim, fomos a uma livraria que ficava a uns três quarteirões do estúdio. Era grande, era linda, era maravilhosa!


- Davy... Que livraria incrível! – eu exclamei, sorrindo para ele.

- Pode olhar à vontade, Maris. E escolha os livros que quiser, eu pago.

- Ah, Davy, não gaste seu dinheiro comigo...

- Imagine! Se eu estou dizendo que você pode escolher, é porque pode!

- Obrigada! – abracei-o forte e dei um selinho nele. – Você é um amor, Bilbo!

- Disponha, meu amor.

               
          A parte de literatura era organizada em estilos literários! Eu estava encantada. Corri direto para a parte do Romantismo, a minha escola literária favorita. Davy foi atrás de mim. Pegava livros de Jane Austen e lia trechos para ele, que me escutava atento. Depois peguei algumas coletâneas de poesia. Aqueles lindos poemas de amor em língua inglesa me lembraram um dos meus poemas de amor favoritos, em qualquer língua que seja, o Soneto de contrição de Vinícius de Moraes. Eu me aproximei de Davy, coloquei a boca próxima de seu ouvido, e comecei a recitar a minha própria versão do primeiro quarteto do soneto, e ainda sem quebrar as dez sílabas poéticas:


- Eu te amo, Davy, te amo tanto/ Que o meu peito me dói como em doença/ E quanto mais me seja a dor intensa/ Mais cresce na minha alma teu encanto.

- Maris, me desculpa, mas você esqueceu que não falo português?

- Não... Você já vai entender o que eu quis dizer...

               
                    
            Puxei a gola da camisa dele e o beijei, beijei apaixonadamente. Ele me envolvia num abraço, e eu às vezes apertava os músculos dos seus braços, sempre tive um fetiche pelos braços dele, confesso. Ele me pressionou contra uma estante, beijando meu pescoço.


- Ai, Davy... – eu murmurei. Pensei: “Podia usar isso na próxima fic de D&D que eu fizer... Imagina o que a Di diria se me visse assim com o Cuddly Toy dela!”.

- Eu te amo, Maris, te amo muito...

             

                 Ouvi então duas vozes bem conhecidas: Maris e Peter.



- Poxa, Maris, então você escreve pouca poesia? Por quê?

- Sei lá, Peter... Não consigo escrever muita poesia. Mais prosa. Eu escrevi uns poemas meio góticos quando tava na bad... Depois disso... EPA! 

                        


               “EPA!” só podia significar que os dois estavam ali no corredor. Soltei Davy no mesmo instante.



- O que é isso, Maris? Você tá incorporando a Dianna agora? – perguntou Maris.

- Quem é Dianna? – Davy e Peter indagaram em coro.

- Depois a gente explica. – Maris e eu dissemos.

- Bem, Maris, eu vou te dar um livro de presente. – disse Peter. – Tem alguma ideia de qual seja?

- Nenhuma. – minha amiga disse.

                        

                    Peter foi para a sessão do Simbolismo. Logo ele voltou com um livro de linda capa azul. Na capa, lia-se “The Flowers Of Evil”. As Flores do Mal de Charles Baudelaire, o livro que iniciou o Modernismo.



- Meu Deus, Peter! Eu adoro Baudelaire desde que o estudei no semestre passado! – Maris exclamou.

- Eu sei. – Peter deu um sorriso.

- Vem aqui, coisa fofa. – Maris puxou Peter para perto dela e deu um beijo nele.

- Depois é a gente que se beija nos lugares públicos, Maris... – disse Davy.

- Vocês se beijam nos lugares públicos sim e é bem beijado, sejam mais discretos, pelo amor de Deus... – Peter resmungou. – Bom, vou pagar seu presente, Maris. – disse Peter, pegando a mão da minha amiga.

                      

                Após ele ter pago o presente da nova namorada, fomos todos para a casa de Davy e Micky. Faltava pouco para a casa dos dois virar a versão na vida real da casa dos Monkees na série. Encontramos Nez e Alice namorando no sofá, enquanto Inara escrevia no seu caderno e Micky estava ao lado dela... Usando a “tática Cyrano de Bergerac” e recitando poesia para ela.


- Sabe, Micky, você tá tão fofo recitando esses versos para mim que acho que vou colocar você recitando para a Sue aqui em She. – disse Inara.

- Sue? She? – repetiu ele, um pouco confuso.

- Sue é a sua namorada em algumas fics e She é esta fic, esta história que estou escrevendo.

- Você tem que me explicar melhor o que são essas... Fics?

- Eu vou explicar sim. As meninas e eu somos todas ficwriters. Logo vocês vão entender tudo...

                     

                     Eu estava achando, na verdade, que nós iríamos dar um nó nas mentes dos rapazes, isso sim...

                    

           
                        

             

                

                               

domingo, 9 de agosto de 2015

Last Train To Penny Lane - Capítulo 2

Boa noite! Aí vai mais um capítulo da fanfic de self-insertion muito louca! Espero que gostem! 


      Houve uma pausa nas gravações. Corri atrás das minhas amigas para contar a novidade.

- Meninas... Adivinhem quem tem um encontro com Davy Jones esta tarde! – anunciei. Meu sorriso era grande demais para o meu rosto.

- Você, é claro. – elas responderam.

- Sim! Ai meu Deus, meu cabelo tá bonito? A roupa tá legal? Eu tô tão nervosa!

- Calma, Maris, ele gostou de você do jeitinho que você é, certo? Não precisa fazer nada para agradá-lo além de agir naturalmente. – disse Maris.

- É. Tem razão. Só... Vou tentar relaxar até o fim da filmagem.

- Você não perde tempo, hein, fia? – Alice gracejou. – Desmaiou nos braços dele, o beijou e agora vão sair!

- Eu só o beijei porque tava no script, dona Alice.

- Como se você precisasse de script pra beijar o Davy lindo, né, Maris? – Inara falou.

- É... Não preciso. – dei um pequeno sorriso, um pouco vermelha.

         Maris e Alice foram chamadas para gravar mais uma cena com Peter e Nez. Ficamos só Inara e eu. Resolvi dar uma cutucada:

- E o Micky, hein?

- Ah... Você o conhece. Fica fazendo gracinha pra me agradar.

- Micky sem fazer gracinha não é o Micky! E é claro que ele está conseguindo o que quer.

- Bem... Sim. – minha amiga corou um pouco.

           Ouvi alguém se aproximando de nós. É só falar na pessoa que ela aparece, é incrível! Ainda bem que estávamos conversando em português.

- Oi, meninas.

- Oi, Micky. – cumprimentamos.

           Arrumei uma desculpa para sair e deixá-los a sós. Contudo, não pude conter a minha curiosidade. Achei um esconderijo, fiquei quietinha e me pus a ouvir a conversa.

- Então, como vai, Ina... Ina...

- Inara. – disse ela, com uma risadinha. – Eu vou bem, e você, Micky?

- Também estou bem. Você não é americana, é? Com um nome desses...

- Não. Eu sou brasileira. Minhas amigas também.

- Ah tá. Como vocês chegaram aqui?

- Longa história...

- Bom, outra hora você me conta. Agora, se não for muita intromissão da minha parte...  Você... Está gostando do Davy?

             Naquele momento, tanto eu como Inara tivemos que nos controlar para não rir. Micky não enxerga que Inara só tem olhos para ele?

- Eu, gostando do Davy? Não, não! Ele é fofo e adorável, mas... Não faz meu tipo. E sim um garoto como... Bem, como você.

              Quase morri de tanto orgulho da minha amiga. Eu queria ser direta assim!

- Como... Eu?

- Sim! Gosto de garotos engraçados e meio maluquinhos, sabe?

                O recado estava mais do que dado. Só faltava Micky partir para a ação. Decidi sondar como iam os outros casais. Encontrei Davy enquanto procurava por Alice e Nez ou Maris e Peter.

- Olá de novo, Maris.

- Bem, olá. – dei um pequeno sorriso.

- Aonde vai?

- Bem... Bisbilhotar a vida das minhas amigas com os seus amigos.

- Não pensei que você fosse xereta!

- E eu não sou, David! Eu sou... Curiosa.

- Dá no mesmo. – ele sorriu irônico.

- Ok, ok, você quer dar uma espiada neles... Ou não?

- A quem eu quero enganar? Vamos.

- Não pensei que você fosse xereta. – disse com um sorrisinho irônico.

- Ha ha. Muito engraçado.

- Eu sou muito engraçada mesmo. – dei um selinho em Davy.

         Caminhávamos pelo estúdio quando vimos Mike e Alice gravando uma cena. Fiquei louca da vida porque Alice não havia sido obrigada a trocar de roupa para gravar. Com sua saia, sua blusa estilo mod e seu lacinho, Alice parecia mesmo uma menina dos anos 60. Perguntava-me se algo em nosso jeito já havia denunciado que não somos dessa década.
         Ficamos vendo a cena ser gravada, até que Rafelson mandou cortar, e os dois passaram a conversar.

- E então, Alice, o que você faz da vida?

- Eu faço curso técnico de moda.

- Ah sim... Eu notei mesmo que você parece gostar disso... Você é mod?

- Eu... Tento. Tenho um gorro igual ao seu, sabia?

- Jura?

- Sim! Acho massa... Digo, é uma brasa.
        
             Por um momento achei que Alice iria nos entregar de vez, contudo, me contive para não respirar de alívio quando Alice consertou a gíria.

- Bem... Obrigado. Espero que você não pense que eu sou algum assanhado, mas... Sairia comigo para tomar um café ou algo assim?

             Meu Deus. Esses Monkees estavam bem assanhados mesmo! Acho que nem nos nossos sonhos mais loucos ou imagines de Tumblr isso aconteceria. Alice estava catatônica. Até que finalmente ela disse:

- Quando?

- Hoje?

               Davy e eu trocamos um olhar. Acho que ele pensou o mesmo que eu: que não marcassem no mesmo café a que iríamos.

- Eu falo com o Nez. – Davy cochichou e deu uma piscadinha.

- Ok. – pisquei de volta.

               Mais tarde, as meninas e eu nos reencontramos outra vez. Queria cutucar Alice sobre Nez mas me contive. Ela disse:

- Não é só a Maris Chá que tem encontro hoje.

              Os forninhos da Inara e da Maris caíram. Fiz de conta que o meu caiu também.

- Maris Creme... Não fica brava comigo! – Alice quase implorou.

- Não fico, Alice, porque acho que troquei de crush dos Monkees. – Maris deu um pequeno sorriso.

- Pode contar tudo sobre o Peter! – nós três exclamamos.

- Nossa, calma, não tem nada pra contar! Só conversamos sobre música e livros, e ele é tão fofinho, igual às fics da Grindhouse!

- AI MEU DEUS! – Inara e eu gritamos.

- Pois é. – disse Maris. – Eu contei para o Peter que sou estudante de Jornalismo e depois pretendo cursar Letras, ele foi muito gentil e me incentivou! Ah, Maris, ele quer falar um pouco com você sobre o que você estuda quando puder.

- Não vejo a hora dessa conversa, porém, neste momento só quero saber de curtir o meu hobbit.

- Só não dê uma de Di. – Inara riu.

- Que é isso, Inara, eu sou uma menina decente! – ri e corei.

            Mais tarde, Davy e eu saímos para ir até o café próximo do estúdio. Vimos Mike e Alice saindo também. Micky e Inara conversavam juntos na porta do estúdio, e Peter e Maris também.

- Será que Nez e Alice irão ao mesmo café que nós? – inquiri a Davy.

- Se forem, qual é o problema? Estarão concentrados um no outro... E nós também. – ele ergueu meu queixo.

- Sabe, você tem razão, Bilbo.

- Bilbo?

- Conhece O Hobbit? Senhor dos Anéis?

- Já ouvi falar, mas ainda não tive a oportunidade de ler.

- Bem... No livro há criaturas chamadas hobbits, que são homenzinhos, bem... Baixinhos. Como... Nós. Bilbo é um deles, ele é o protagonista de O Hobbit. Posso... Te chamar assim?

- Pode sim. Eu gostei. – Davy sorriu.

- Então está bem... Bilbo. Vamos? – peguei a mão dele.

- Vamos.


            Rumamos para o café. Chegamos, nos sentamos de frente um para o outro numa mesa um pouco mais para os fundos do estabelecimento e a garçonete veio nos atender. Pedi um cappuccino, Davy também. Ele segurava minhas mãos no centro da mesa, eu nem sabia o que dizer. Eu nunca sequer sonhei com tanta fofura partindo dele para mim.

- Maris, eu não quero parecer intrometido, mas... Já... Teve outros caras?

                 Respirei fundo. Não queria entrar em detalhes, mas por fim falei:

- Sim. Tive um namorado três anos atrás. Eu o amei muito. Achei que ainda o amasse... Até que conheci você. – dei um sorriso.

                   Para falar bem a verdade, ainda não estava certa de que tinha superado a separação de George, contudo, eu realmente estava apaixonada por Davy.

- Se importaria em ter um novo namorado? – Davy perguntou.

- Não...  Eu bem que gostaria de ter um. Conhece algum candidato? – provoquei.

- Conheço... Eu mesmo. – Davy sorriu, antes de me puxar para um beijo.

                   Fomos interrompidos pela garçonete com nossos cappuccinos. Paramos o beijo e começamos a tomar as bebidas.

- Maris, gosto muito de você. Na verdade, acho que te amo. – disse meu hobbit. Seus olhos cor de chocolate sempre fixos em mim. – Eu nunca senti isso por nenhuma garota.

- É mútuo. – eu falei, colocando minha mão livre sobre a dele.

                   Davy colocou o copo de café na mesa, e me beijou outra vez. Senti o gosto de café, canela e chocolate em sua boca. Ficava mais intenso a cada minuto, até que...

- Olha só, Nez!

                         “Droga, fia!”, pensei.
- Ei, vocês dois, vocês estão num lugar público! – Nez disse, gracejando. – Controlem-se.

- Você está aqui para estragar meu encontro, Nez? – Davy resmungou.

- Claro que não, cara. Eu também vim aqui para um encontro, com a amiga da sua pequena.

- Estou vendo. Sentem-se.

                          Davy deu espaço para Mike em seu banco e eu fiz o mesmo com Alice. Ela e Mike fizeram seus pedidos. Seria um encontro duplo bem interessante.


                

                               

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Last Train To Penny Lane - Capítulo 1

Boa tarde! Vou postar o primeiro capítulo da minha nova fanfic. Esta não é da linhagem Grindhouse, mas sim uma fic de self-insertion, apresentando eu, Mariana Campos, e minhas amigas blogueiras Inara Araújo, Mariana Pereira e Maria Alice. Boa leitura!







- Espera um pouco, Maris... Voltar no tempo? Para os anos 60? Sério? – indagou-me minha amiga e xará, Mariana Pereira, conhecida como Maris Creme ou Maris Greyjoy.

- Sim... Já fiz isso uma vez. Três anos atrás. Ainda não conhecia vocês. Uma pena que eu tenha perdido o contato com as amigas com quem viajei aos anos 60, foi uma das melhores coisas da minha vida.  – respondi.

- Bem... Seria muito show! – disse Maria Alice ou simplesmente Alice, outra das minhas amigas.

- E para quando iremos, exatamente? – quis saber Inara. Ela é gaúcha, porém, veio a São Paulo para encontrar Alice, Maris e eu.

- Para 1966. Quero rever os Beatles... Especialmente o George.

- O George? Vocês... Tiveram um rolo, fia? – quis saber Alice.

- Mais que um rolo... Nós fomos namorados, fia! Mas me pergunto se vale a pena... Ele já deve ter se esquecido de mim... – murmurei.

- Eu acho que não, Maris Campos. – Inara tentou me animar.

- Vamos tentar, Maris Chá! – Maris Creme acrescentou.

- Ok... Vamos botar essa geringonça pra funcionar. – eu disse.

                                                        ***


              Peguei a máquina do tempo portátil que ganhei de Jéssica, minha antiga amiga que era estudante de Engenharia Elétrica e havia sido uma das minhas companheiras na louquíssima viagem aos anos 60. Ela havia construído uma máquina do tempo e três versões portáteis, uma para cada uma de suas amigas, e havia se tornado namorada do Paul durante nossa estada na Swinging London.
             Apertei um botãozinho e a máquina aumentou de tamanho, podendo comportar quatro pessoas.

- Senhoritas... Quem quer ser a primeira a entrar na máquina do tempo? – perguntei.

              Alice deu um passo a frente. Hesitou por um momento, contudo, entrou na máquina. Foi seguida por Inara, e logo depois dela Maris entrou. Uma vez que estávamos todas dentro da máquina, apertei os botões com os números 1, 9 e 6, este duas vezes seguidas. Ajustei o botão de local para Londres.
             Sentimos a máquina sacolejar um pouco, e depois de alguns minutos, um baque, como se a máquina do tempo estivesse aterrissando pouco suavemente sobre um assoalho. As portas da máquina abriram, revelando... Um estúdio de TV.

- Ué... Será que viemos parar em alguma apresentação dos Beatles na TV? – supôs Inara.

- Não tenho muita certeza... – falou Maris.

- Meninas, olhem aquela placa. – Alice apontava uma placa bem grande com o símbolo do canal NBC.

- NBC? Nós viemos parar nos Estados Unidos? Mas eu ajustei essa máquina para Londres... – resmunguei.

                 Olhei o pequeno painel da máquina. Ela indicava como destino... A Los Angeles de 1966.


- A máquina tinha que escolher agora para bugar? Queria conhecer o Lennon... – Inara lamentou-se.

- Inara, minha amiga, se a sorte estiver ao nosso lado... Você talvez não conheça John Lennon... Mas o que acha de... Micky Dolenz?

- Micky Dolenz? – Inara parecia aquele emoji com corações no lugar dos olhos.

- Sim... Pois se meus cálculos não estão errados... Viemos parar na filmagem de um episódio dos Monkees. – disse eu.

- AI MEU DEUS, MEUS MACACOS! – Alice parecia prestes a surtar. – EU QUERO O NEZ, CADÊ ELE?

- Ei, coisinha, vai devagar! Deixa um pouco do Mike pra mim! – Maris reclamou.

- Eu vou resistir bravamente ao Davy porque o propósito dessa viagem é meu reencontro com o George... – falei.

- Até parece que você vai conseguir, Maris Chá. – Alice deu uma risadinha.

- Bem... Farei um esforço. – dei um sorriso amarelo. – Vamos sair dessa máquina e achar nossos Monkees.



          Saímos da máquina e tentamos andar pelo estúdio o mais silenciosamente possível. Sabíamos que nossas roupas chamariam bastante a atenção. Por mais discretas que tentássemos ser, um funcionário acabou nos vendo. Congelamos assim que ele colocou os olhos em nós. Ele exclamou:


- Sr. Rafelson, sr. Schneider, achei as meninas que vocês estavam procurando!

       
            Bob Rafelson e Bert Schneider... Nos procurando? Fomos levadas pelo funcionário até os produtores do programa, sem entender muito bem o que estava acontecendo. Rafelson disse:

- Você, menina de cabelo curto, fica com o Mike.

           Alice deu um enorme sorriso. Maris soltou um suspiro frustrado.


- Você, moça dos cabelos encaracolados, não a de óculos... Com o Micky. – falou Schneider.

             Foi bonito de ver a alegria da Inara.


- Moça de cabelos encaracolados e óculos, você fica com o Peter. – disse Rafelson.

            
           Maris ficou até bem feliz, ela gosta do Peter. E então, Rafelson e Schneider disseram em uníssono:


- Você, menina de franjinha... Você ficará com o Davy!

          Meu coração começou a bater com pressa no meu peito. Fazer par romântico... Com ele? Era tão maravilhoso! Parecia um sonho... “Calma, Maris, calma lá”, eu pensei. “Você voltou para os anos 60 pelo George, não se empolgue... Ademais, por que Davy se interessaria por você?”. Fomos conduzidas por Bob e Bert até onde, possivelmente, estavam os meninos.
Vimo-nos diante deles. Alice olhava hipnotizada para Mike, Inara estava com os olhos fixos em Micky, Maris olhava de Mike para Peter e de volta para Mike... E quando eu olhei para Davy...


- Meninas... Acho que eu vou...

         E tudo ficou preto.

                                                                   ***


       Acordei, me sentindo tonta. Senti que braços fortes me seguravam. Finalmente abri os olhos. Só para querer desmaiar novamente.

- D-D-Davy J-J-Jones! – exclamei, um pouco histericamente demais.

- Sim. É esse o meu nome. – ele deu um sorriso. – Tudo bem com você, moça?

- S-s-sim. – respondi. Eu queria controlar aquela gagueira, porém, não conseguia.

- Como você se chama? – Davy quis saber.

- M-M-Mariana. M-M-Mariana C-C-Campos.

- Lindo nome. – ele beijou minha mão. Se aquilo era um sonho eu não queria acordar de jeito nenhum. - Bem, Bob e Bert disseram que você vai ser meu par neste episódio...

- É. É, eu vou. – eu sabia que estava muito vermelha.

     Olhei para minhas amigas, em busca de socorro. Alice conversava com Nez, prestando extrema atenção a tudo que ele falava. Inara ria das gracinhas que Micky fazia para agradá-la. E Peter e Maris trocavam ideias bem animadas sobre literatura. Apenas vez ou outra Maris dava uma olhadinha furtiva para Nez. Pensei em ir até Peter e comentar que sou estudante de Letras, entretanto, não pude, pois dois diretores vieram e puxaram Davy e eu atrás deles. Decerto iríamos gravar uma cena.
    Eu estava morta de vergonha pela forma como Davy e eu nos conhecemos. Foi ainda pior do que a forma como conheci George. Minhas amigas e eu havíamos chegado com a máquina do tempo à Londres de 1964, e resolvemos pedir informação para saber onde estávamos. Apesar de ser uma loucura, decidimos tocar a campainha de uma casa. E quem era o dono da tal casa? Ninguém mais, ninguém menos do que George Harrison, meu Beatle favorito e crush eterno, por mais que eu ame Davy.
       E qual foi a minha reação? Após ter me recuperado da paralisia momentânea, dei um abraço de urso em George. Ele fez um comentário, depois que contamos que éramos brasileiras, sobre um amigo liverpooliano dele que havia visitado nosso país ter dito que as mulheres do Brasil eram lindas... E assim George e eu começamos uma série de flertes que acabariam em um namoro muito sério. Sofremos demais quando precisei voltar aos dias atuais.
         Não queria embarcar nessa outra vez. Apaixonar-me de verdade por um homem que anteriormente estava só nos meus sonhos mais delirantes, e me acabar de tristeza quando o momento da separação chegasse. Olhei para Davy um pouco triste, num raro momento em que ele tirou os olhos de mim. “Não vou me apaixonar, não vou me apaixonar, não vou!”, eu repetia em meus pensamentos.
       Chegamos ao cenário onde gravaríamos a cena. Deram-me um papel com as minhas falas. Comecei a ler e fiz esforço para memorizá-las. Fui levada por uma maquiadora para me preparar. Ela disse:

- Ao menos você não tem um pingo de maquiagem no rosto... Mas seu cabelo está todo embaraçado! E essas roupas?

         Dei uma olhada rápida em minhas roupas. Notei que vestia uma camiseta da Grifinória, jeans e All Star. Jeans e All Star até tudo bem... Mas tinham razão em estranhar a camiseta. Uma figurinista me deu uma blusa de botões rosa, uma saia preta e sapatilhas também pretas para vestir. Suspirei com alívio ao verificar que estava com as pernas raspadas. Como estou sempre de calça, não é sempre que estou com as pernas “apresentáveis”. Vesti as roupas. Bem sessentista, ainda mais com meu cabelo com franjinha à la Pattie Boyd (ter esse visual me ajudava a me lembrar de George) e os brincos de argola. Um batalhão de maquiadoras e cabeleireiras me ajeitou. Uma manicure retocou meu esmalte rosa, que começava a descascar.
      Eu estava pronta. Não era bem assim que eu queria ficar diante de Davy. Queria que ele gostasse de mim como eu realmente sou. Desleixadinha, e não a bonequinha que eu via diante do espelho. Uma mulher disse que eu deveria tirar os óculos. Eu respondi:

- Não, me desculpe, mas não enxergo nada sem eles. Preciso ficar com óculos.

       Ela deu de ombros e me levou até Davy. Ele me olhou de alto e baixo, o que não demorou muito, pois sou exatamente da mesma altura que ele, e soltou um assobio discreto. Ruborizei outra vez.

- E eu achava que seria impossível você ficar ainda mais bonita. – ele disse com um sorriso quando me aproximei mais.
- Obrigada. – respondi timidamente.

- Chega de conversa! – exclamou Rafelson. – Davy... Você sabe o que fazer. Silêncio no set... Claquete... Ação!

      Coloquei-me a postos. O nome da minha personagem era Veronica e naquela cena Davy... Me beijaria. Eu tentava me acalmar, mas o esforço era infrutífero. Davy aproximou-se e disse:

- Veronica, eu não posso mais esconder!

- Esconder? Esconder o quê? – respondi, tentando atuar o melhor que podia.

- Isso! – ele colocou os braços ao redor da minha cintura, me trazendo para perto de si.

    E pressionou seus lábios aos meus. Meu Deus, como os lábios dele eram macios e grossos... E eu não sabia que beijo técnico envolvia língua... Ele me soltou. Eu tremia toda, e sentia como se flutuasse.

- Corta! – exclamou Schneider. – Ótimo, perfeito!

- Você beija bem, Mariana. – Davy sussurrou.

 - É... Você também. Pode me chamar de Maris, se quiser.

- Maris... Ok, é mais fácil do que Mariana. – eu adorava ouvir aquela voz fofa e com sotaque de Manchester dizendo o meu nome ou o meu apelido. – Escuta... Você está livre hoje à tarde?

           Se eu estava livre? Para ele eu sempre estaria livre! Claro que eu não disse isso, apenas respondi que sim, eu estava.

- Legal. Então, vamos tomar um café depois do término da filmagem hoje?

- C-c-claro, D-D-Davy. – eu concordei. Não conseguia parar de sorrir.