- Peter… - ela não acreditava naquilo.
- Dianna, meu amor, comigo você não sofrerá.
- Mas, Pete, com Davy eu também não sofria.
- Sim, mas se vier comigo também estará livre de malucas
como aquela que separou vocês dois.
- Peter, por favor...
Ainda não posso embarcar em um novo relacionamento. Na verdade, não
quero. Até mais. – ela saiu correndo
dali.
“Não tem
problema, Dianna”, Peter pensou. “Vou esperar por você o tempo que for
preciso”. Logo que chegou a sua casa,
Dianna correu para seu quarto, onde ficou chorando. “Não posso ficar com Peter, não é certo, ele
não entende? Eu só gosto dele como um amigo! E eu sinto tanta falta do meu
Cuddly Toy...”.
Davy
estava sofrendo muito desde que fora obrigado a se separar de Dianna. E estava
mais exasperado porque sabia que Peter aproveitaria a deixa para atacar. “Ele
vai dar um jeito de ficar com ela, eu sinto. Temo o que aquela doida da Amber
pode fazer se Dianna e eu reatarmos, mas eu preciso ter minha garota de volta!”.
I walk
alone most every night,
Beneath the
stars that shine so bright,
Bright as
the eyes of you.
And when
the sky comes falling down,
And there
is darkness all around, all around,
I'll be
looking for you.
Lonely I
look at the dream-flowing meadow
Won'dring
what I am to do.
Sun going
down and the trees cast their shadow,
In the
shadow and the mist, I remember the last kiss of you.
And when
the sky wants more blue,
I get that
old longing to, to be held in the arms of you
To be held
in the arms of you
Passaram-se duas semanas.
Dianna não teve mais notícias de Peter,
Davy ou qualquer um dos Monkees. Emma já não se importava com o fato de
que Micky iria casar-se com Suzan.
Mike e Alice
terminaram depois que ela descobrira, com ajuda de uma jornalista
franco-inglesa chamada Marie Greyhound, que ele a traía com uma tal de Phyllis.
Depois disso, Alice partiu em turnê com seu novo amor, o cantor Bob Dylan.
Certo dia, Dianna, um pouco mais conformada, estava dando uma aula.
- Entre os meses de março e maio do ano de 1871, existiu a
Comuna de Paris. Esse período é de vital importância para a história pelo fato
de a Comuna ter sido o primeiro governo operário a ser implantado. Houve a tomada de medidas importantíssimas,
como a abolição do trabalho noturno, a declaração de Estado laico e a
transformação do ensino em obrigatório, gratuito e misto. Infelizmente...
Quando Dianna iria relatar a deposição da Comuna pelas forças
reacionárias francesas, uma secretária bateu à porta da sala de aula.
- Perdão, srta. Mackenzie, mas a sra. Robinson está
chamando.
- Eu já vou. Com licença, pessoal. Eu não demoro.
Ela foi à diretoria.
- Com licença, sra. Robinson.
- Pode entrar, Dianna.
“Se ela me chamou de Dianna, não deve ser algo sério”, a moça pensou.
- O que a senhora deseja? – quis saber ela.
- Bem, Dianna, hoje mandaram entregar aqui não apenas um,
mas dois buquês para você.
- Dois buquês? – ela ficou surpresa.
- Sim. Gostaria de vê-los?
- Oh sim, e depois vou colocá-los no meu carro.
Ambos os buquês eram de rosas. Porém, um tinha flores brancas, e o
outro, vermelhas. “As vermelhas vieram de Davy, tenho certeza”, ela
pensou. Ela não estava errada. Nos
envelopes dos cartões que acompanhavam os buquês constava apenas “Para a srta.
Dianna Mackenzie”. Contudo, ao ler cada
cartão, descobriu que os remetentes eram diferentes.
A mensagem contida no cartão das
rosas brancas era:
Quantos mimos terei
que fazer até que perceba o quanto a amo e que mereço uma chance, minha doce
Dianna?
Peter
Já o cartão que tinha vindo com as rosas vermelhas trazia a seguinte
mensagem:
Obviamente você merece
muito mais do que essas rosas, minha querida. Porém, neste momento, essa é a
única prova do meu amor que você pode ter. Você é a única coisa em que penso,
Di.
Davy
Ela respirou fundo, colocou os cartões de volta nos envelopes e depois
guardou os buquês cuidadosamente no carro.
“O que eu vou fazer com vocês dois, rapazes?”, pensava.
Ao fim do dia de aula, Emma disse a Dianna, na sala de ponto:
- Tenho um encontro hoje.
- Não vai me dizer que Micky....?
- Não, não. Micky Dolenz é página virada na minha vida. Vou
sair com David Crosby.
- O Byrd?
- O próprio.
- Caramba! E eu recebi dois buquês hoje. Um de Peter e outro
de Davy.
- Receber um buquê já é algo muito fofo, dois é mais ainda!
- Ah, mas estou muito confusa, Emma! Eu amo meu Davy, mas
tenho medo daquela maluca! E Peter está me cercando, parece não entender que eu
gosto dele só como amigo!
- Dianna, calma. Deixe passar mais um tempo. Quem sabe Peter
não se toca e você e Davy ficam seguros para voltar a namorar?
- Tomara. Eu estou louca de saudade do meu Cuddly Toy.
Emma
arrumou-se com muito capricho para encontrar-se com Crosby. Se antes o considerava insuportável, agora
acreditava que ele a faria esquecer Micky definitivamente.
- Boa noite, David. – disse ela, quando entrou no carro
dele.
- Boa noite, Emma. Vamos curtir uma noite tranquila ou devo
proteger o meio das minhas pernas?
- Se eu fosse você, não abusaria para evitar que aquilo
aconteça de novo.
- Sim, senhorita. – disse ele.
Nos
últimos dias, Dianna estava sendo muito bem-tratada pela tia Lucy. Desde que a
moça fora obrigada a terminar com Davy, a arrogante senhora a enchia de mimos:
fazia seu prato favorito para o jantar, elogiava seus vestidos, até mesmo
consertou a lombada de um dos livros de Dianna, que estava se soltando.
Certa
noite, mais ou menos uma semana depois de Dianna ter recebido os dois buquês, ela
lia um dos capítulos iniciais de O Vale
do Medo, romance protagonizado por Sherlock Holmes, quando tia Lucy
chamou-a.
- Dianna, há um rapaz lá embaixo que quer falar com você.
“Se
fosse Davy”, ela pensou, “tia Lucy teria se referido a ele como seu namoradinho sem classe”. Mesmo
assim, a garota não demorou a descer. Quem a esperava era Peter.
- Peter, o que você quer?
- Recebeu meu buquê?
- Sim, eu adorei as rosas e agradeço muito. Mas o que você
veio fazer aqui?
- Fazer novamente a pergunta do cartão.
- Peter, eu não posso ficar com você, entenda isso! Eu amo o
Davy!
- Sei que vai aprender a me amar. – disse Peter, enlaçando
Dianna pela cintura. – Oh, Dianna, você é a única coisa em meu pensamento.
Estou sofrendo desde que percebi que você havia se apaixonado pelo nanico.
Dê-me uma chance, apenas uma...
- Não, Peter, não! Solte-me! Posso ser sua amiga, mas não
mais do que isso! Por favor, Peter, respeite isso, se realmente me ama!
- Está bem, Dianna. – disse Peter, soltando-a. Com um
suspiro profundo, ele foi embora.
Quando
Peter foi embora, Erin, que havia saído do quarto onde praticava piano,
perguntou:
- Por que não dá uma chance a ele, Dianna? Ele parece dizer
a verdade.
- Eu sei que ele diz a verdade, Erin. Mas eu não posso me
entregar a ele, porque sei que jamais vou amá-lo! É Davy quem meu coração
deseja, e apenas ele!
- Que situação complicada.
- Nem fale.
Alguns dias depois, Davy e
Mike conversavam.
- Mike, eu não acredito que você traía a Alice! – Davy
exclamou.
- Sabe, às vezes nem eu acredito. Mas agora estou perdido.
Phyllis vai ter um bebê, ou pelo menos diz que vai.
- Você duvida disso?
- Um pouco. Ela não anda enjoada, nem com desejos, nem nada
disso.
- Hum... Sei lá. E eu quero minha Di de volta.
- Vá atrás dela.
- Eu não posso! Vai saber o que aquela jornalista maluca vai
aprontar se eu voltar para a Dianna!
- Você acha mesmo que ela pode fazer algo contra você ou
contra a Dianna?
- Eu não duvido. No
entanto, esse não é meu maior medo, Mike.
- E qual é, Davy?
- Que Peter tenha aproveitado o momento para dar o bote.
- Será mesmo que ele fez isso?
- Eu acho que sim. Veja o sorriso de orelha a orelha
dele. Estou derrotado.
De fato, Peter tanto insistira que conseguiu o que queria. Dianna
aceitou namorá-lo, por pena. O baixista sabia disso. Entretanto, tinha
esperanças sinceras de que poderia conquistar o amor dela gradativamente.
Ele não pôde aguentar. Foi “esfregar na cara de Davy” a sua vitória.
- Sabe com quem estou saindo, nanico?
- Quem? – resmungou Davy.
- Sua querida namorada. Ou devo dizer, ex-namorada?
- Tork, você jogou sujo. Aproveitou-se do fato de que Dianna
estava passando por um momento difícil!
- Mas agora ela não pensa mais em você, Jones.
- Sei. Ela me ama e você sabe disso, seu babaca!
Mais uma vez, Peter e Davy trocaram tapas por Dianna. E mais uma vez
Mike e Micky tentaram apartá-los. O clima no estúdio ficava mais tenso a cada
dia. Peter e Davy não aguentavam mais ter que trabalhar juntos. E Dianna bem que tentava, mas não conseguia
amar Peter. Ela só nutria amizade por ele.
Ele, por sua vez, fazia de tudo para agradá-la e assim, quem sabe,
conquistar seu amor. Comprava flores, chocolates, pulseiras, perfumes, livros.
Até concordou em cuidar de Rousseau, o coelho de Dianna, que o síndico de Davy
não queria mais no apartamento do Monkee vocalista. Certa vez, quando Peter e Dianna estavam
juntos, ele colocou uma mecha do cabelo da moça atrás da orelha dela
carinhosamente, e inquiriu:
- Dianna, por que não consigo fazê-la feliz?
- Mas, Peter, estou feliz. – ela mentiu, pois não queria
magoá-lo com a verdade.
- Tudo o que eu mais quero é ver seu sorriso, e não consigo.
- Isso é fofo de sua parte. Obrigada. – ela deu um selinho
nele, sem jeito.
“Peter, qual é o problema? Por que não consigo te amar? Tudo o que vejo,
tudo o que penso é Davy! O olhar , o sorriso, a voz , o jeitinho meigo dele, só
essas coisas conseguem amolecer meu coração!”
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