Uns dias
depois, eu estava mais uma vez no ensaio de Bob e da English Band. Eu sabia que
deveria desgrudar um pouco de Bob, já que ele precisava parar de me ver daquela
maneira. Entretanto, isso estava além da minha capacidade. Não sabia viver sem
meu melhor amigo.
Quando Bob
estava distraído conversando com Edward e Harry, Alana sussurrou para mim:
- Fanny, algumas das músicas que tocamos hoje são sobre
você.
- Eu notei. Bob precisa parar com isso, pelo bem dele. Não
quero que ele sofra.
No mesmo
momento em que eu disse isso, Bob me chamou:
- Fanny, vem aqui um minutinho?
- Claro. – aproximei-me. – O que houve?
- Bem.... Eu fiz o máximo para adiar esse momento, mas... Eu
preciso voltar para os Estados Unidos.
- O quê?
Fiquei
muito triste. Como eu ia ficar sem ele? Minhas tardes seriam chatíssimas sem
poder ir ao estúdio para vê-lo gravar com a English Band.
- Desculpa, Fanny... Bem que eu queria ficar aqui na
Inglaterra. Mas o pessoal da gravadora está enchendo minha paciência.
- Faça o que tem que fazer. – eu disse, abraçando-o.
A
English Band parecia pensar que estava sobrando na cena. Contudo, Bob disse:
- Alana, Edward, Harry... Eu nem tenho palavras para
agradecer a vocês pelo excelente trabalho ao longo desses dois meses.
- Foi uma honra tocar com você, Dylan. – disse Alana, em
nome do grupo.
Deixei que
ela e os rapazes apertassem a mão de Bob e o abraçassem. Logo, porém, puxei-o
de volta para perto de mim. Se eu seria privada da companhia do meu melhor
amigo, eu queria aproveitar cada segundo com ele até que ele embarcasse no
avião.
Ele foi
embora já no dia seguinte. Acompanhei-o em Heathrow. Faltavam poucos minutos
para a hora do embarque.
- Bob, não vá, por favor. – eu tinha lágrimas em meus olhos.
- Eu adoraria ficar aqui na Inglaterra com você. Mas eu não
posso, Fanny. O dever me chama.
- Adeus. – abracei-o.
- Adeus não. Até logo. Eu virei assim que me chamar.
Ele
beijou minha testa e entrou no avião. Arrasada, observei o avião tomar altura.
Três dias depois, seria meu aniversário. Fiquei mal por Bob não poder
comparecer à festa. Convidei Ray, Dave, Evanna, Fefe, Nora, Marie Greyhound,
Anastacia Rosely, a English Band e os Monkees (eles estavam de volta a
Londres). Quando terminei a lista de convidados, Ray me perguntou:
- Não vai convidar Jenna?
- Por que eu convidaria alguém que não gosta de mim para
minha própria festa de aniversário, Ray?
- Jenna odeia que as pessoas se lembrem de Evanna e se
esqueçam dela.
- Você tem apenas uma prima legal. Mas, já que você acha que
seria melhor convidar Jenna para evitar problemas para a Evie, tudo bem.
Acabei convidando a chata da Jenna. Eu tinha um pressentimento de que
aquilo não havia sido o certo a fazer, porém, já não podia voltar atrás. A
festa seria no apartamento do Ray, que era bem maior do que o meu quarto no
hotel. Os primeiros a chegar foram os Monkees. Abracei os meninos e
apresentei-os a Ray. Peter cochichou no meu ouvido:
- Ele também é cegamente ciumento, Fanny?
- Não, Pete. – eu ri. – Fique tranquilo, seu nariz está
seguro.
- Ainda bem. – disse o baixista dos Monkees, esfregando o
nariz, como se tivesse voltado a sentir a dor causada pelo soco de Paul.
A
seguir, vieram Felicity, Nora, Anastacia e Marie. Os grandes olhos azuis de
Nora se arregalaram quando se deparou com Mike.
- M-M-Mike, tudo bem? – ela perguntou.
- Sim, Nora, e com você? – ele foi bastante agradável. Dei
graças a Deus por Alice, a atual namorada dele, não estar ali. Eu não queria
brigas na minha festa.
- Felicity McGold. Linda como sempre. – disse Micky.
- Micky Dolenz. Irritante como sempre. – Fefe respondeu.
“Como você é
idiota, Fanny!”, me repreendi mentalmente. “Você deveria ter previsto que Nora
e Fefe não ficariam confortáveis na presença de Mike e Micky!”. Dei um jeito de
afastar os Monkees de perto das meninas. Quando fiz isso, Peter me chamou:
- Desculpe-me, Fanny, mas esqueci de apresentar a você a
minha namorada, Dianna Mackenzie.
Dianna
deveria ser um pouco mais velha do que eu. Tinha olhos castanhos e cabelos
loiro-avermelhados. Segurava a mão de Peter, contudo, olhava para Davy com uma
expressão de pesar. O que havia ali?
- Como vai, Dianna? – cumprimentei.
- Vou bem. – ela respondeu. – Feliz aniversário. – ela deu
um pequeno sorriso.
Os
Monkees e Dianna se afastaram. Eu havia ficado intrigada com o fato de Dianna
olhar para Davy como se ele fosse inalcançável. Investigaria aquilo mais
tarde. Chegaram Alana, Edward e Harry.
Apresentei-os às jornalistas da Rolling
Stone. Alana e Felicity pareceram se dar muito bem. Eu deveria imaginar,
pois Fefe tem certos pendores musicais.
Por
fim, vieram Dave, Evanna, Pete.... E Jenna. Eu tinha rezado com todas as minhas
forças para que Jenna não viesse. No entanto, nem todo dia o pão é quente.
A festa estava caminhando bem. A English Band conversava com
as minhas amigas da Rolling Stone,
Ray e Dave estavam com suas primas e Pete Townshend trocava ideias com os
Monkees. Eu circulava entre os grupos de pessoas na minha festa, conversando
com todos. Em um certo momento, notei que Dianna se afastou do grupinho com que
estava, e Davy seguiu-a. “Nesse mato tem coelho”, pensei. Nunca foi do meu
feitio me meter na vida alheia, entretanto, achei que deveria observar o que ia
acontecer. Dianna foi para a sacada do apartamento, e Davy foi atrás. Escondi-me
bem e fiquei ouvindo a conversa dos dois.
- Di... – ouvi Davy chamá-la suavemente. – Por que... Por
que está com Peter? Você... Você não me ama mais?
- Não, Cuddly Toy, não! – ela respondeu. – Eu amo você,
Davy, pode ter certeza disso!
- Mas por que está com ele, Dianna, se me ama?
- Por dó dele, Davy, só por isso. – disse Dianna, chorosa.
- Meu amor, por que não volta para mim? Eu creio que não
corremos mais risco...
- Você acha que não quero ser sua namorada outra vez? É o
que mais quero em minha vida, David Jones! Mas assumi esse compromisso com
Peter. Não quero machucá-lo.
- Dianna, pense menos em Peter e mais em você! Não é ele
quem você quer! Sou eu!
Não pude me
conter. Saí só um pouquinho de meu esconderijo, o suficiente para não apenas
ouvir, mas ver o casal. Dianna acariciava o rosto de Davy com certo receio.
Decerto temia ser flagrada por Peter. Davy beijou Dianna.
- Eu te amo tanto... – ele disse a ela.
- Eu também amo muito você.
Comecei
a ouvir passos. Voltei ao meu esconderijo e vi quem era: Peter. “Meu Deus,
estão perdidos”, pensei.
- Jones! Eu vou matar você! – Peter gritou, e puxou Dianna
para si.
- Tork, ela não ama você! Ela quer ficar comigo!
Dianna
saiu de perto dos dois, chorando. Eu achava que sabia como ela se sentia.
Trombei com ela.
- Fanny! – ela se assustou. – Faça alguma coisa! Peter e
Davy estão brigando por mim... Outra vez.
Fiz-me de desentendida.
- Outra vez?
- Depois explico. Ajude-me com eles!
- Melhor, vá chamar Mike e Micky. Eu tento convencer os dois
a acordarem para a vida.
Dianna foi atrás de Mike e Micky, e eu repreendi Davy e Peter.
- Onde vocês dois estão com a cabeça? Parem já de brigar! –
tentei me colocar entre eles.
- Ele quer roubar minha namorada! – Peter exclamou.
- E você não tentou roubá-la de mim, Tork? Você não tem
moral! – Davy estava possesso.
O motivo
da briga chegou com Mike e Micky. Cada um segurou um dos brigões, e Dianna
disse:
- Eu sei que é inútil pedir isso, mas... Por favor, não
briguem por mim. Se me amam, controlem sua raiva.
Ela
beijou o rosto de Peter, levemente. Eu sabia que ela queria beijar a boca de
Davy, porém, para que Peter não se irritasse mais, Dianna teve que se resignar
a beijar o rosto dele também. Ela me disse:
- Fanny, desculpe por sair assim da sua festa.
- Não tem problema, Dianna. Vou abrir a porta para você.
- Dianna! – chamaram Peter e Davy.
- Boa noite, rapazes. – ela disse, olhando tristemente para
os dois.
Na porta, Dianna inquiriu:
- O que eu faço, Fanny? Eu amo tanto Davy... Mas eu não
quero deixar Peter magoado.
- Eu enfrentei uma situação mais ou menos parecida recentemente...
Fiquei com Ray, e tive que deixar o outro rapaz ir embora.
- E quem você ama, Fanny? Ray ou o outro?
Respirei fundo e respondi:
- Amo Ray. Mas o outro rapaz é meu melhor amigo. Posso dizer
que também o amo, de certo modo.
- Bem, eu... Eu não posso dizer que amo Peter. Gosto muito
dele, mas...
- Dianna, se Peter de fato ama você, ele precisa deixar que
você fique com Davy.
- Vou conversar com ele.
- Faça isso.
- Boa noite, Fanny.
- Boa noite, Dianna.
Dianna entrou num táxi que passava e foi
embora. Fiquei triste pela situação dela. E se aquilo tivesse acontecido a mim,
a Ray e a Bob? Como eu agiria? Permaneceria ao lado de Ray, ou, por pena de
Bob, deixaria Ray para ficar com ele?
Voltei para dentro. Quem vi diante de mim
logo que entrei? A chatíssima Jenna. Ela me disse:
- Dezenove anos, hein, Fanny? Você pode estar mais velha,
mas continua sendo imatura demais para estar com o meu primo Ray!
- Cale essa boca, Jenna! Eu acho que sou muito madura para a
minha idade!
- Você é só uma garota estúpida! Ray merece uma mulher de
verdade!
- E quem você diria que é uma “mulher de verdade”, sua vaca?
Voei para
o pescoço dela. Todos os convidados pareciam muito surpresos com a minha raiva.
Alana e Felicity apartaram-nos. Ray disse:
- Jenna, por favor, vá embora.
- Você prefere a sua namoradinha adolescente à sua prima,
Ray? Se não me querem aqui, eu vou embora! Não tem problema! Eu ainda vou
acertar as contas com essa menininha tola! – ela gritou e saiu.
- Você está bem, Fanny? – perguntaram-me Fefe e Alana.
- Estou sim, meninas. Não apanhei feio porque vocês nos
apartaram.
- Jenna está ficando incontrolável. – disse Dave.
- Eu não posso acreditar que ela fez isso com você, Fanny! –
exclamou Ray.
- Como ela pôde fazer isso a alguém que nunca lhe fez nada
de mau? – Evanna também estava incrédula.
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