segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Grindhouse Drabbles - Mary Anne McCartney


                                    True Love


  Mary Anne McCartney saiu da escola apressada. Ela tinha um encontro marcado naquela tarde. 

    Bom, não deveria ter, se dependesse de seu pai e seu irmão mais velho, Paul. Mas seu outro irmão, Michael, disse que iria acobertá-la. 

     A adolescente de 16 anos estava apaixonada por George Harrison, um dos melhores amigos de seu irmão Paul, que tocava com ele na sua banda, os Beatles. Mary Anne estava desesperada. Os Beatles embarcariam para uma temporada de shows em Hamburgo, Alemanha, em breve, e ela não podia deixar que sua paixão fosse embora sem ao menos beijá-lo uma única vez. 

   Mary Anne e George se conheceram quando ele tinha 14 anos, e ela, 13, na primeira vez em que George foi à casa dos McCartneys. Ambos eram tímidos, e a marcação cerrada de Paul, que concordava com a determinação do pai de que Mary Anne não deveria namorar antes dos 18 anos, impediu que eles ousassem mais do que trocar olhares e sorrisos nos ensaios e shows dos Quarrymen, que mais tarde se tornaram os Beatles.

 Havia alguns meses, porém, que os dois adolescentes apaixonados passaram a trocar bilhetes e cartas de amor, entregues secretamente por Michael. Paul e o Sr. McCartney não podiam desconfiar. 

 Ela chegou ao local onde ela e George marcaram seu encontro. Ele já estava lá, em sua jaqueta de couro, o figurino completo de teddy boy, com topete e tudo. Sorriu para Mary Anne ao vê-la. 


- Temos que ser rápidos, George. - disse ela. - Se meu pai e meu irmão descobrirem, matam você. 

- Eu não acho que Paul faria isso, ou vão ficar desfalcados para os shows em Hamburgo. - ele riu. 

- Não brinque, George, eu tenho uma pergunta séria para te fazer. 

- Então faça, Mary Anne.



      A menina olhou no fundo dos olhos do garoto e perguntou: 


- George, você gosta mesmo de mim? 

- Que pergunta, Mary Anne! - George estava genuinamente espantado. - É claro que sim! 

- Então me beija… antes que você vá para Hamburgo, se apaixone por uma menina alemã e se esqueça de mim…

- Eu nunca poderia me esquecer de você, Mary, mesmo que quisesse. - disse ele, e atendeu ao pedido dela.


   Era o primeiro beijo de Mary Anne. E foi tão perfeito quanto ela sempre imaginou, talvez até mais. Mas como o tempo era curto, não podia ficar por muito mais tempo com seu amor. 


- Eu preciso ir, Joj. 

- Eu sei, ou seu pai vai ficar uma fera. Até logo, Mary Anne. - ele a beijou na testa. 

- Até logo, George. Se não nos vermos antes de você embarcar para a Alemanha… Boa sorte. Talvez sejamos muito jovens para dizer isso com tanta certeza, mas eu te amo… 

- Eu também te amo, Mary Anne. E juro que um dia vou ser seu marido.

- E teremos quatro filhos, duas meninas e dois meninos. - Mary Anne sorriu. 



  George e Mary Anne se despediram. Os Beatles foram para Hamburgo poucos dias depois. Dois anos mais tarde, Mary Anne foi estudar na Universidade de Oxford. Só voltou a ver George após se formar, em 1965, quando os Beatles estavam no auge. E foi então que o casal revistou aquele amor adolescente, que resistiu ao teste do tempo e da chegada da idade adulta, apesar dos outros relacionamentos que tiveram no meio-tempo. 

   E de fato, em 1966, George se tornou o marido de Mary Anne. Um ano depois, ela deu à luz o primeiro filho do casal, George Jr. A ele se seguiram duas meninas: Elizabeth, em 1969, e Corina, em 1971. Mary Anne achou que seu desejo de ter duas filhas e dois filhos não se realizaria, até que nasceu Dhani, em 1978. E Mary Anne e George viveram felizes e apaixonados, até que a morte os separou, em 29 de novembro de 2001.

   


segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Lay All Your Love On Me (What If)

 Olá! Voltamos com mais uma fanfic, dessa vez, da série "Casais Improváveis". Esse ship já foi sugerido no meu último drabble... Espero que gostem da leitura! 








  Eric Idle estava numa maré de azar no amor. Nos últimos dois anos, apaixonara-se por duas mulheres, mas nenhuma correspondeu aos seus sentimentos. A primeira foi Louise McGold, sua amiga atriz que fazia o papel de Catherine Earnshaw na série da BBC de O Morro dos Ventos Uivantes. O problema era justamente que Louise só via Eric como um amigo. Na época em que Eric se apaixonou por Louise, ela estava tendo um tórrido affair com Timothy Dalton, seu colega de cena. 

  O affair acabou tão rápido quanto começou, mas Eric nem teve tempo de comemorar, pois Louise logo se viu dividida entre o piloto de fórmula 1 James Hunt e o jogador de futebol alemão Gerd Müller. Sabendo que jamais poderia entrar na disputa, Eric deixou os sentimentos por Louise de lado. 

   Então Eric logo se viu apaixonado por Fanny Fitzwilliam, a "sétima Python". Fanny era professora de geografia e trabalhava numa escola próxima dos estúdios da BBC. Ela havia se formado em Cambridge, como Eric e seus amigos John Cleese e Graham Chapman. Eric conheceu Fanny ainda em Cambridge, quando ela assistia às apresentações dos Footlights, o tradicional grupo de comédia de Cambridge, do qual Eric era o presidente na época. 

  Anos depois, reencontrou-a em Londres e Fanny logo se tornou uma amiga íntima dos Pythons. Tão íntima que eles sempre davam um jeito de incluí-la nas esquetes. John e Graham até mesmo criaram uma personagem recorrente para Fanny. Conhecida como Lovely Girl, a personagem invadia as esquetes e as interrompia beijando algum dos homens no rosto, normalmente o personagem de Eric. Ele sabia perfeitamente bem que isso era uma provocação dos amigos, pois eles sabiam que Eric sempre tivera uma quedinha por Fanny. Mas ela não parecia perceber nada, só achava engraçado.

     De todos os Pythons, Eric era o mais íntimo e querido de Fanny. Tanto que ele foi o único para quem ela fez uma confidência: 


Eu amo Allan… - Allan Clarke, vocalista dos Hollies, era o namorado de Fanny. - Mas… Eu nunca contei isso para ninguém além da minha irmã, Elinor, e da minha prima, Emily… 

O que foi, Fanny? - Eric estava intrigado. 

Apesar de amar Allan, eu também amo outro homem. Meu melhor amigo. Bob Dylan. 


  Eric não sabia o que fazer com essa informação. Se o próprio namorado de Fanny corria risco de perdê-la para Bob Dylan, quem dirá ele, que era só um amigo? 

  Pouco tempo depois, Fanny foi pedida em casamento por Allan e aceitou. Eric suspeitava que talvez ela estivesse de todas as formas tentando fugir de seus sentimentos por Dylan. Ou talvez ela realmente amasse Allan e Dylan não fosse mais do que seu melhor amigo agora. Eric só queria que ela fosse feliz. Mas não conseguia evitar sentir que jamais seria amado por nenhuma mulher…


                                         *** 


   Fanny de fato havia aceitado o pedido de casamento de Allan. Mas estava longe de ter certeza se essa era a decisão certa. Gostava de Allan, ele era um namorado carinhoso e atencioso. Porém, já fazia algum tempo que percebia que seus sentimentos por ele haviam mudado. Ela nem sequer sabia explicar quais eram, mas certamente não eram sentimentos que se poderiam esperar de uma mulher a respeito do homem com quem aceitou, de livre e espontânea vontade, casar-se.

   Seus sentimentos em relação ao seu melhor amigo, Bob Dylan, também haviam mudado. Fanny ainda o amava, jamais deixaria de amar Bob. Apesar disso, seu amor por ele era agora fraternal. Bob, às vezes, era muito complicado, além de alguns anos mais velho. Nunca dariam certo como um casal. Mas como amigos, quase irmãos, davam mais do que certo. E era assim que continuariam. Fanny não queria que as coisas com Bob mudassem de jeito nenhum.

 Os sentimentos de Fanny estavam numa verdadeira revolução ultimamente. A maior mudança havia acontecido nos seus sentimentos por seu amigo mais próximo entre os membros do Monty Python, Eric Idle. Todos os Pythons eram-lhe muito queridos. Porém, as gentilezas e a doçura de Eric superavam as dos demais, e quase todos os dias a jovem ia visitá-los na BBC, aguardando ansiosamente para conversar com ele, e torcendo para Graham e John terem incluído a personagem da Lovely Girl na esquete, para poder beijá-lo, sob o pretexto perfeito da atuação cômica.

   Trabalhava de manhã contando as horas para o expediente fechar e ela poder ver seus amigos na BBC, seu coração palpitando de expectativa só de pensar no sorriso de Eric, capaz de derreter os corações mais duros. Sabia que ele a rodearia de atenções, como sempre. Sorria sozinha ao pensar nisso. 

  Mas não tinha coragem de contar a ninguém sobre o que se passava em seu coração. Nem a Elinor, nem a Emily, muito menos a Bob. Ser honesta com Allan e romper o noivado era impensável, sofria só de pensar em fazê-lo sofrer. Os preparativos para o casamento estavam indo de vento em popa e o dia fatídico estava cada vez mais próximo. Ela tinha que agir. 


                                     *** 


   Uma semana antes do casamento, os Pythons saíram para beber após mais um dia intenso de gravações. Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin e os dois Terrys conversavam e riam animadamente, entre um gole e outro de cerveja. Eric, porém, estava muito quieto, e os amigos não podiam deixar de perceber.


O que você tem, Eric? - quis saber Michael, preocupado. - Está doente? 



 Eric bebeu longamente de seu caneco de cerveja e, em vez de responder Michael, chamou o garçom e pediu mais um. 


Anda, Eric, desembucha. - Terry Jones insistiu. 

Vocês não percebem? - Graham falou, em seu típico tom sério que enganava quem não sabia que ele era um comediante. - É claro que ele está doente. Doente de amor.

Doente de amor? - repetiram os outros. 

Fanny vai se casar em uma semana, esqueceram? 

Sim!! - Eric exclamou em tom lamentoso. - A garota dos meus sonhos vai se casar com outro cara! Se ao menos fosse o Dylan, eu entenderia, mas esse Allan Clarke… Ela nem o ama tanto assim, ela me falou…

Então você gosta mesmo da Fanny? Achei que você só quisesse dormir com ela… - Gilliam disse.

Eu amo a Fanny!!! - Eric já estava começando a se embriagar. - Eu amo a Fanny mais do que jamais amei qualquer outra mulher! Não sei o que vou fazer agora que vou perdê-la para sempre...

Mas, Eric… - John interveio. - Você nunca disse a ela que a ama, não é? 

Não… - Eric murmurou. 

Então não pode dizer que a perdeu. 

Ajudou muito, Cleese, prêmio de amigo do ano pra você. - Michael debochou. 

Já que nós fomos convidados para o casamento, por que você não se pronuncia na hora do "que fale agora ou cale-se para sempre", Eric? - sugeriu Jones. 

Terry, eu sou um comediante, mas não vou me prestar a esse papel ridículo. - Eric bebeu mais um longo gole sôfrego de cerveja. - Mesmo porque Bob Dylan deve ter pensado nisso também… A humilhação vai ser grande demais… 

E você vai ficar aí chorando, em vez de lutar pelo amor dela? - Graham provocou. 

Vou… 



    Os Pythons não sabiam mais o que sugerir para ajudar Eric. Apenas procuraram evitar que ele bebesse demais. 


                                          *** 



  O dia do casamento chegou. Fanny se arrumava para a cerimônia, tentando aparentar a expectativa e alegria de uma noiva. Era auxiliada por Elinor e Emily, além de sua mãe. Fanny queria mais do que tudo se abrir com a irmã e a prima, mas não conseguia. O que pensariam dela depois que executasse seu plano? Seu coração se apertava ao pensar na reação de Allan, mas não podia continuar daquele jeito. Só traria mais sofrimento para todos no longo prazo. Era melhor arrancar pela raiz. 

  Finalmente chegou a hora do casamento. Fanny aguardava para entrar na igreja, de braço dado com o pai. Só conseguia pensar no que faria logo em seguida. Não importava o que ninguém diria. Só importava que ela seria verdadeira consigo mesma. 

  As portas da igreja se abriram. Todos os olhares se voltaram para a noiva. Eric perdeu o fôlego ao olhar para ela. Os longos cabelos negros, os grandes olhos azuis, os delicados lábios rosados. Fanny estava séria, parecia uma pintura. Não só Eric, mas também Bob Dylan, se perguntaram o que passava na cabeça dela. Uma noiva deveria irradiar felicidade, e não era exatamente isso que Fanny transmitia naquele momento. Um ousou alimentar esperanças, mas outro sabia que estava derrotado. E ambos pensavam se deveriam tomar coragem de intervir… 

   Fanny foi entregue a Allan pelo pai. Os noivos se ajoelharam diante do padre. A noiva continuava séria, apenas dando um pequeno sorriso para Allan. "Será que ele percebeu?", pensava ela, tentando encontrar dentro de si a coragem necessária para o que precisava fazer. Então o padre começou o cerimonial: 


Estamos aqui reunidos para celebrar a união entre Frances Elizabeth Fitzwilliam e Harold Allan Clarke. Frances Elizabeth, você aceita Harold Allan como seu legítimo esposo, para amá-lo e honrá-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na pobreza e na riqueza, até que a morte os separe?



     Fanny respirou fundo. O fato de que ela não respondeu imediatamente preocupou a todos. Bob Dylan estava sentado na beira de seu assento. Eric não tirava os olhos de Fanny. E então, finalmente: 


Não. 



      A igreja inteira se espantou. Os convidados, o padre e principalmente Allan. 


Fanny? O que… o que eu fiz de errado? - Allan parecia destruído. 

Allan, eu sei que é clichê, mas você não é o problema, sou eu. Eu.. eu não amo mais você. Já faz algum tempo que percebi que amo outro… Eu deveria ter sido honesta. Desculpa. 


 

   Fanny tirou o véu e desceu do altar. Todos continuavam chocados. Allan se virou na direção de Dylan. 


Você venceu, Dylan. Fanny é sua. 



    Dylan se ergueu no banco, acreditando que sua amada era finalmente sua. 



Bob… - Fanny pegou a mão dele. - Você é o meu amigo mais querido. Eu te amo… Mas como a um irmão.



        Ele não pôde disfarçar sua surpresa. 



Fanny, se não é por minha causa que está recusando o casamento… Quem é ele? Ele está aqui? 

Sim. - Fanny soltou a mão de Bob e caminhou até os bancos onde estavam os seus amigos Pythons. 



      O coração de Eric estava disparado no peito. Será que… Não, não podia ser… Ela devia estar apaixonada por Michael… 


Eric. - ela abriu um grande e doce sorriso para ele. - Eu não deveria ter levado tanto tempo para dizer que amo você. 



    Ele estava incrédulo. Seus olhos estavam ainda maiores.


Fanny? Você é muito engraçada, mas isso não é hora de piada… 

Não é piada, seu palhaço! - ela ficou na ponta dos pés e o beijou diante de toda a igreja. - Eu te amo, Eric Idle! Nunca conheci um homem mais adorável em toda a minha vida. E eu sei que… Você também me quer, não é? 



      Eric mal conseguia falar. Ele colocou as mãos na cintura de Fanny, relutante. 



Fanny, eu… Eu quero você mais do que qualquer coisa nesse mundo! Eu te amo… 



    Ela sorriu para ele. Teria que explicar tudo aos seus pais, pedir desculpas a Allan e sua família, cancelar a festa… Mas estar ao lado de Eric agora tornava tudo mais fácil. 

      

                                       *** 



    Aquela foi uma longa noite. Mas, por incrível que fosse, Allan foi compreensivo. Apenas lamentou que Fanny não tivesse sido sincera antes. Ele tentaria apaziguar os ânimos de sua família. 

 Os Pythons decidiram comemorar o "não-casamento" de Fanny. Foram todos para a casa de Graham Chapman. Ele e seu namorado, David Sherlock, preparam um jantar tardio para todos e várias bebidas foram consumidas. Eric e Fanny não se largavam um único segundo. Ela acariciava os cabelos ondulados dele, ele beijava sua testa afetuosamente. Até que todos, fartos de comer e beber, começaram a se recolher para os vários quartos da casa. 

    Fanny e Eric, entre langorosos beijos, entraram num dos quartos. Lá, se entregaram ao amor e ao desejo acumulados havia tanto tempo, certos de que um futuro de muita felicidade os aguardava.




quinta-feira, 3 de junho de 2021

Grindhouse Drabbles - Fanny Fitzwilliam

 



Grindhouse Drabble 1 - And Now For Something Completely Different



        Apesar da minha clara tendência à introversão, sempre tive facilidade para fazer amigos. Meus amigos mais antigos são minha irmã, Elinor, e nossos primos, John e Emily. No entanto, só conheci aquele que se tornaria meu melhor amigo já adulta, quando fui visitar meu então namorado, Paul Simon, na América. 

      Numa certa ocasião, Paul me apresentou a ele, o poeta, o trovador, o vagabundo: Bob Dylan. Naquela época eu era uma ardorosa fã de Bob e jamais sonharia me tornar sua melhor amiga. Porém, Bob e eu começamos a conversar e nos entrosamos melhor do que eu jamais poderia imaginar. Tão jovem, ele já atingira o status de gênio  e lenda. E me dizia que eu possuía doçura e inteligência raramente vistas. Os sentimentos de Bob chegaram a evoluir para algo mais forte do que amizade... Bob, eu também te amo. Mas não podemos ficar juntos. Temo não darmos certo e nossa amizade se perder para sempre. E eu prefiro morrer a deixar de ser sua amiga.  

        Ainda na América, fiz amizade com os Monkees. Fofos e divertidos, a companhia deles me faz muito bem. Mas sei que eu e eles jamais teremos a cumplicidade que tenho com minha irmã, meus primos ou Bob. 

          Voltei para a Inglaterra, para as aulas em Cambridge. Uma tarde, após a aula, fui ver uma esquete cômica que um grupo de alunos de Letras encenava no anfiteatro. Lá, encontrei Felicity McGold, outra amiga, que conheci numa greve estudantil. Ao fim da esquete, fomos conversar com os alunos que a encenaram. Voltei várias vezes para outras apresentações, até que um dia as esquetes não foram mais encenadas, pois o grupo obteve a graduação e foi embora. 

         Anos passaram e eu já não pensava mais no grupo cômico, embora lembrasse com nostalgia os tempos em que eles ainda estavam na universidade. Hoje, sou uma professora de Geografia em uma escola de ensino fundamental próxima dos estúdios da BBC. Estou feliz com meu namorado, Allan Clarke, vocalista dos Hollies. Bob ainda é meu maior e mais amado amigo. E agora minha lista de amigos aumentou. 

             Certo dia, eu saía da escola após o expediente, quando ouvi uma voz masculina um tanto aguda me chamar: 


- Ei, Frances Fitzwilliam!


            Virei-me na direção da voz. É muito estranho alguém me chamar de Frances. Será que era mesmo comigo, e não com outra Frances Fitzwilliam? 

             Quem me chamou era um rapaz louro, com uma carinha muito adorável, e uma expressão meio amalucada. Por algum motivo, ele me pareceu familiar. 


- Você é Frances Fitzwilliam, não é? - perguntou ele, agitado. 

- Sim, sou eu, mas...

- Eric Idle. De Cambridge, lembra? 


             É claro! Ele era um dos estudantes que encenavam as esquetes! Sorri para ele ao reconhecê-lo. 



- Claro que sim! - apertamos as mãos. - É um prazer te ver de novo, Eric.

- O prazer é meu, Frances. 

- Pode me chamar de Fanny. Eu prefiro. 

- Ok, então, Fanny. Escuta... Estaria interessada em atuar em uma esquete cômica? 

- Esquete cômica? - repeti, intrigada.

- Sim... Eu e os rapazes... Os mesmos que faziam as esquetes comigo na universidade... Graham, John, Michael... Bem, nós temos nosso próprio programa na BBC agora. 

- Mas isso é ótimo, Eric! - exclamei. 

- Bem... Obrigado. - ele corou. - O que eu gostaria de saber... Hã... Precisamos de uma garota para participar de uma esquete, mas a atriz que normalmente colabora conosco ficou doente de repente. Pode nos ajudar? 


               Eu? Atuar, ainda mais numa esquete cômica? Seria um fracasso. 


- Sinto muito, Eric. Nem mesmo em peças escolares eu atuei. Vou ter que deixar você na mão.

- Mas você só deve ter umas cinco falas na esquete toda. E são simples. Por favor, Fanny... O pessoal da BBC já estão no nosso pé. Temos que finalizar esse episódio, no mais tardar, amanhã. 

- Bem... Ok, vai. 


           Assim, eu fui até os estúdios com Eric e atuei como a acompanhante de Graham na esquete do garfo sujo, que integrava o episódio 3 da primeira temporada do Flying Circus

          Como eu trabalhava próximo dali, frequentemente ia ao estúdio, por convite dos rapazes, para ver os ensaios e gravações. Eu me divertia com as palhaçadas deles, em frente às câmeras e por trás delas também. Logo nos tornamos amigos. Cleese e Gilliam não eram muito próximos de mim, mas Graham, Terry, Michael e Eric eram uns amores, principalmente esse último. 

           Quase todos os dias, dois deles vinha me buscar após o trabalho para vê-los no estúdio. Sempre vinham Eric e mais alguém. Um dia, porém, Eric veio sozinho. E trazia flores. 


- Olá, Eric. - cumprimentei-o, alegre. - Para quê essas flores? E onde estão Michael, Graham, Terry? Não puderam vir? 

- Ah... Oi, Fanny. É que... Hum, estava pensando... Não gostaria de almoçar comigo? Sabe... Queria ficar a sós com você um pouquinho, e naquele estúdio jamais conseguiria isso. Além de que os caras fariam piada comigo. 


          Ah, não. De novo não. Já tinha visto esse filme, três anos antes. E, diferentemente do meu caso com Bob, eu realmente não sentia nada desse tipo pelo Eric. Ele era adorável e muito legal, mas só isso. Provavelmente não conseguiria pregar o olho à noite por tê-lo magoado, mas não havia outro jeito. 


- Eric... Eu fico lisonjeada por saber que você gosta de mim dessa maneira. E você è um dos caras mais fofos e legais que eu já conheci, mas...

- Mas você não gosta de mim da mesma maneira. Tudo bem, Fanny. 

- Eu poderia gostar, mas... É que eu já tenho namorado. - "E ainda tem o Bob", completei em meus pensamentos. 

- Oh! - ele estava genuinamente surpreso. - Fanny, eu... Eu lamento. Se eu soubesse que você tinha um namorado, eu jamais...

- Mas a culpa não é sua, Eric, é minha. Eu nunca mencionei o Allan para vocês. Você não tinha como saber. 


            Ficamos mergulhado naquele silêncio constrangido por uns poucos minutos. Eu o quebrei. 


- Mas... Eu aceito almoçar com você, Eric. Como amigos.


             Ele ainda ficou silencioso por uns instantes, contudo logo respondeu: 


- ... Claro, Fanny. Aceite as flores também. São um presente de um amigo. 

- Eu aceito sim, Eric. E agradeço muito. 


          Posso dizer, com muita alegria e orgulho, que sou amiga do sexteto mais excêntrico da Inglaterra. Principalmente de Eric Idle. 

              


  

sábado, 30 de novembro de 2019

Hold Me Tight - Capítulo 2

Boa tarde! Depois de meses, finalmente mais um capítulo da minha nova fic de troca-destroca. Acho que tá curto mas dá pro gasto. Espero que vocês gostem! Boa leitura.

  Dianna terminou de tocar. Trocou um olhar profundo com Davy, e depois olhou para George. Ela se levantou da banqueta diante do piano, e o namorado beijou sua mão, enquanto os convidados de Paul batiam palmas fervorosas. Dianna corou.
  Paul ainda serviu algumas bebidas aos seus convidados, mas George e Dianna quiseram ir embora mais cedo. Antes que eles partissem, porém, Davy pediu para falar com Dianna por um momento, o que ela consentiu.

- Queria saber se... Você teria interesse em gravar uma música comigo, Dianna.

  Dianna adorou a ideia, e não hesitou.

- Tenho todo o interesse, Davy. - ela sorriu. George sentiu-se um pouco enciumado, já que Dianna nunca quis gravar algo com ele,mas preferiu ficar quieto.

- Eu fico muito contente. Bem... Onde poderíamos nos encontrar?

- Eu tenho um pequeno estúdio em casa... Se quiser ir lá amanhã...

- Perfeito. - Davy sorriu. -  Às 15 horas?

- Por mim está ótimo.

- Ok. Eu estarei lá.

- Ficarei esperando.


  Ela e George saíram da casa de Paul. Durante o trajeto de volta para casa, George estava ainda mais quieto do que de costume, e isso preocupou Dianna.

- Algum problema, Georgie? - Dianna indagou, embora já soubesse a resposta.

- Nada... Só acho esquisito que você não queira gravar uma música comigo, seu namorado, e quando um cara que você nunca viu na vida até esta noite faz essa proposta, você aceita. - George respondeu, mal-humorado.

- George, não fique com ciúme... - a voz de Dianna mostrava que ela estava se sentindo mal com isso.

- Eu não estou com ciúme. - George afirmou, veementemente.

- Bom, você não parece se importar tanto com a minha música se a Mary Anne McCartney estiver por perto.

- Di...

- Você pensa que eu não vi você olhando para ela, George?


  George não conseguiu pensar em nada para responder. O casal seguiu seu caminho em silêncio, e ao chegarem em casa, ao contrário do  que eles tinham planejado antes da festa, não fizeram sexo.
   Enquanto George e Dianna discutiam no seu carro, Mary e Davy tinham uma discussão semelhante.

  - Acho que o George não gostou muito de você ter convidado a namorada dele para gravar uma música com você, Davy. Na verdade eu também achei que você foi muito apressadinho. - Mary disse, um pouco mordaz.
 
  - Pensei que você gostasse da Dianna.

  - Eu gosto. - disse Mary. - O que eu não gosto é do meu namorado arrastando asinha para outras mulheres. Pensa que eu não sei da sua fama, David?
 
  - Mary, não confunda realidade com ficção...
 
  - Não mude de assunto! Eu vi muito bem a cara de banana que você fez enquanto ela tocava. 


  - Eu só... Fiquei impressionado... - Davy tentou se justificar. - Ela realmente canta e toca muito bem...
 

- E você acha que eu vou acreditar que foi só isso?


  - Mary, é só você que eu amo. Não existe mulher mais bonita do que você, meu broto.
 
 
- "Meu broto"! Você é ridículo, Davy! 


      Naquele momento os dois chegaram ao apartamento onde Mary residia quando estava em Londres. Ela desceu do carro assim que Davy estacionou, sem olhar para ele. E continuou assim durante a subida de elevador e depois que entrou no apartamento.

 
- Mary Anne, vai ficar sem falar comigo até quando? - Davy parecia realmente magoado.
 

      Mesmo assim, ela continuou silenciosa até a manhã seguinte.


                                ***


      Naquela manhã, Dianna e George tomavam café juntos, mas sem trocar uma palavra sequer.


  - Di... - George tentou quebrar o gelo.
 
 
- O que foi? - Dianna continuava bebericando seu café calmamente.

 
- Eu... Eu não gosto de ficar brigado com você, meu amor. Me perdoa, por favor. - ele pegou a mão dela por sobre a mesa.
 
 
- Eu perdoo... Se você prometer que não vai ficar enciumado toda vez que eu decidir trabalhar com um homem.
 
 
- Eu prometo, Di, meu anjo, eu prometo.


- Tudo bem. - ela sorriu para ele e o beijou levemente. - Depois posso até considerar trabalhar com você...

 
        George apenas riu.


                                  ***


    Mary Anne despertou com o cheiro de café e panquecas. Levantou-se da cama e quase trombou com Davy, que trazia o café da manhã numa bandeja prateada minuciosamente arrumada.

  - Se você acha que eu vai conseguir meu perdão com comida...
 
- Mas, querida, eu fiz panquecas com calda de chocolate, as suas favoritas!

  - Você é impossível, Davy. - Mary resmungou. 

  - E é por isso que você me ama, Mary Anne. - ele deu seu típico sorriso.
 
- Me dê essas panquecas antes que eu mude de ideia. - ela ordenou, sentando-se na cama.
 
  - Isso quer dizer que você me perdoa, amor? - ele olhou para ela usando todo o seu charme.
 
  - Eu não devia, mas sim. - Mary finalmente cedeu, dando uma garfada nas panquecas. 
 
                                    ***

      Mais tarde, Mary Anne saiu para seus compromissos do dia. Davy almoçou sozinho, pensando no encontro que tinha marcado com Dianna para gravarem. Tinha pensado em propor a ela que cantassem Colours, de seu amigo Donovan.  Achava que a música combinaria com as vozes de ambos. Estava empolgado para ver o resultado daquilo. Tinha certeza de que ficaria bom, afinal Dianna realmente tinha a voz de um rouxinol. "Um rouxinol... A ave que sempre aparece nas histórias de amor... Bom, acho que a comparação é mais do que válida".
      Em sua própria casa, Dianna também pensava nisso. Estava ansiosa. Era a primeira vez que gravava algo em parceria com alguém. Por que tinha aceitado gravar uma música com uma pessoa que tinha acabado de conhecer, não sabia dizer. Apenas... Pareceu uma boa ideia. Sabia que, apesar da promessa, George ainda estava um pouco magoado. E ela se sentia péssima por isso. Conversaria com o namorado quando ele voltasse dos estúdios de Abbey Road. Ela também detestava brigar com George, pois o amava muito.

    Quando o relógio bateu quinze horas, Dianna ouviu sua campainha tocar. "Pontualíssimo, como um bom inglês", pensou ela, enquanto se dirigia à porta para abri-la. Deparou-se com um Davy muito sorridente, trazendo um violão pendurado às costas e uma pasta na mão que Dianna supôs que contivesse partituras.

  - Olá, Dianna. - ele a cumprimentou muito animado.
 
  - Olá, Davy. Bem, vamos entrando. Quer comer ou beber algo antes de começarmos? 

  - Não, não, não se preocupe. Bem, eu pensei em uma música para gravarmos, não sei se você conhece, então trouxe a partitura para ensaiarmos... Isto é, se você quiser gravar essa música.
 
  - Qual música? - Dianna estava curiosa.
 
  - Colours, do Donovan. Ele é meu amigo e já cantou essa música com a Joan Baez no festival de Newport, ela funciona muito bem cantada a dois. 

  - Essa eu não conheço...  


      Davy parecia procurar algo em sua pasta, mas, o que quer que fosse, não achou.


- Bom, eu esqueci de trazer o LP com essa música para você ouvir, mas eu poderia tocá-la para você, se não se importar.
 
  - Eu adoraria ouvir. - ela sorriu, sentando-se no sofá enquanto Davy tirava seu violão da capa e começava a tocar para ela.

- Yellow is the colour of my true love's hair... - ele cantou olhando nos olhos dela, fazendo Dianna se ruborizar, sem entender bem por quê. Era só uma música.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Hold Me Tight - Capítulo 1

 Assim, sem aviso nem nada? Pois é. Hoje temos uma nova fic, prometida desde o ano passado. Espero que vocês gostem!



Mary Anne McCartney se preparava para ir a uma festa na casa de seu irmão Paul naquela noite. Apesar de ser uma modelo em ascensão, Mary Anne ainda não estava acostumada à fama como seu irmão. Ou mesmo como Davy Jones, dos Monkees, seu namorado.
 Ela estava intrigada com a demora dele para ficar pronto. Bateu à porta do quarto, onde ele estava se arrumando.

- Davy? Tá tudo bem?

- Bem... Mais ou menos. - respondeu ele, sua voz abafada pela porta fechada.

  Mary ficou intrigada. Ela conhecia bem Davy e ele não parecia estar no seu humor habitual.

- Posso entrar?

- Pode.

    Ao entrar, a jovem o viu totalmente vestido, o que a fez estranhar ainda mais a demora de Davy.

- O que tá acontecendo, Davy? - Mary tinha um tom doce e preocupado em sua voz.

- Bem... Estou um pouco nervoso. Vou conhecer seu irmão... E os outros Beatles. Ainda me lembro do Ed Sullivan Show, quando eu os vi tocar, e desejei ser como eles um dia...

- E agora você é. - ela sorriu, beijando Davy. - Eles são legais, você vai gostar deles.

- E espero que o seu irmão goste de mim. Você falou que ele é ciumento.

- Bom... O Paul é mesmo um pouco ciumento. Mas todo mundo gosta de você, Davy.

- Ninguém resiste ao meu charme. - ele riu, já de volta ao seu estado de espírito normal.

- Convencido. Vamos?

- Vamos, Mary.


 Enquanto saíam de mãos dadas do prédio onde ficava o apartamento em que Mary vivia, ambos sentiam que algo os aguardava naquela noite. E que esse algo era mais do que simplesmente o momento em que Davy Jones conheceria os Beatles.

              ***



  Em outro apartamento da cidade de Londres, George Harrison dava o nó em sua gravata quando sua namorada,a cantora Dianna Mackenzie, entrou na sala de estar, trajando um belo vestido preto de renda ainda aberto.

- Di, tá pronta?

- Quase, Georgie. - disse ela, virando-se de costas para ele. - Pode me ajudar com o vestido?

 Seus lábios estavam pintados de vermelho, e naquele momento exibiam um sorrisinho malicioso.

- Claro. - George retribuiu o sorrisinho.


  George foi até Dianna e puxou o zíper do vestido para cima, fechando-o. Para finalizar, beijou a nuca dela.

- George... Não começa. Já estamos atrasados. Paul não vai gostar.

- Vamos ligar para ele dizendo que não vamos... Aconteceu um imprevisto. - George sorriu.

- Depois dizem que você é o Beatle quieto.

- Com você não sou nada quieto. - George se viu obrigado a concordar.
- Bem... Vamos. Mas quando voltarmos...

- Quando voltarmos eu serei toda sua, George. - Dianna afirmou.


 No caminho para o apartamento de Paul, apesar da aparência de normalidade, o casal estava com uma sensação de aquela noite não seria uma simples festinha na casa do amigo e colega de banda de George.

             ***


 George e Dianna foram atendidos pelo próprio Paul. Havia poucas pessoas na festa, apesar do tamanho do apartamento e da fama de seu proprietário.

- Achei que vocês não viriam. - Paul deu uma risadinha.

- Culpa da Dianna, que escolheu um vestido difícil de colocar. - George brincou.

- Até parece... - ela retrucou, também bem-humorada.

- O que importa é que vocês chegaram. Vamos, entrem. Só faltavam vocês.

 Ao se dirigirem à sala de jantar, o olhar de George encontrou uma jovem que lhe pareceu conhecida. Tinha cabelos negros, presos num coque, e traços delicados. Ela lhe lembrava Audrey Hepburn, mas não era por isso que ela lhe era familiar.
 Qual não foi sua surpresa ao perceber que se tratava de Mary Anne, a irmã mais nova de Paul!

- Mary Anne? - ele chamou a atenção dela, um pouco sem jeito.

- Olá, George! - ela sorriu para ele. - Não me reconheceu?

- Confesso que não. Eu não a via desde... 1963, eu acho. Você mudou bastante desde então.

- Espero que para melhor. - ela riu.

- Sem dúvida... - de fato, Mary Anne era agora uma bela garota. Ou talvez ela sempre fora, e apenas agora George se dava conta disso. - Esta é minha namorada, Dianna Mackenzie.

- Você é Dianna Mackenzie? - Mary Anne beijou o rosto de Dianna com alegria. - Gosto muito das suas músicas! Você canta e compõe muito bem.

- Obrigada. - Dianna sorriu com timidez. - Também gosto muito do seu trabalho, Mary Anne. Já vi alguns dos seus ensaios fotográficos e acho que você é muito elegante e talentosa. - ela foi sincera em seu elogio.  

- Eu que agradeço! Bem, queria apresentar a vocês o meu namorado, Davy Jones.

- Boa noite, George, Dianna. - um rapaz baixinho com cabelos castanhos escuros cortados no mesmo estilo dos Beatles estendeu a mão para que o casal apertasse.

- Você é dos Monkees, não é? - Dianna perguntou, gentilmente.

- Sim. - respondeu Davy. - Meus colegas e eu admiramos muito os Beatles. Eu já ouvi falar a seu respeito, Dianna,mas infelizmente nunca tive a oportunidade de ouvir suas músicas...

- Isso não vai ser um problema, Davy! - Paul exclamou, se intrometendo na conversa. - Quero que cante para meus convidados essa noite, Dianna.

- Eu? - Dianna ficou surpresa. - Mas, Paul...

- Todo mundo merece ouvir a sua voz de rouxinol, Dianna. - George disse.

- George! - Dianna ficou ainda mais vermelha. - Minha voz não parece nada com a de um rouxinol.

- Tem razão. Porque parece de um anjo.


 Quanto mais elogios recebia do namorado, mais tímida Dianna ficava. E Davy Jones ficava mais instigado para ouvi-la cantar. Já Mary Anne não podia deixar de reparar que George estava mais bonito do que ela se lembrava dos seus tempos de adolescente em Liverpool...
 Após o jantar, todos os convidados de Paul se dirigiram à grande sala de estar, onde ficava o piano do anfitrião. Ele preparou tudo e anunciou:

- Meus caros convidados, esta noite não irei tocar para vocês.

 Antes que os convidados pudessem se queixar,ele disse:

- Porque hoje terão o prazer de ouvir a bela Dianna Mackenzie, futura Sra. George Harrison, que lançou seu primeiro álbum recentemente.

 Agora os convidados insistiam para que Dianna cantasse, os próprios Beatles, a irmã de Paul e seu namorado Monkee principalmente.
 Vendo que não tinha escolha,Dianna sentou-se diante do piano de Paul. Relaxou e começou a tocar sua canção de maior sucesso até o momento, "Spring Days", escrita para George.
 Davy viu que nem Paul McCartney nem o apaixonado George Harrison exageraram. Dianna Mackenzie tinha uma voz linda e encantadora... Como ela própria. Tudo que o Monkee queria agora era convidá-la para gravar uma música com ele.
 Enquanto ouvia sua namorada cantar, George se sentia enlevado. Mas ao mesmo tempo se lembrava do tempo em que vivia em Liverpool e olhava para Mary Anne vez ou outra... E ela sempre o pegava olhando, o que o fazia disfarçar, de maneira atrapalhada. Ela ria internamente, em muitos aspectos George continuava o mesmo.
 Dianna não podia deixar de perceber o ar fascinado com o qual Davy olhava para ela. Ficaria sem jeito de qualquer maneira, mas estava ainda mais constrangida pela presença de George e Mary Anne. Eles próprios, porém, não pareciam perceber nada. Sabia que não devia se sentir assim, mas a admiração dele lhe era muito agradável.