Olá! Voltamos com mais uma fanfic, dessa vez, da série "Casais Improváveis". Esse ship já foi sugerido no meu último drabble... Espero que gostem da leitura!
Eric Idle estava numa maré de azar no amor. Nos últimos dois anos, apaixonara-se por duas mulheres, mas nenhuma correspondeu aos seus sentimentos. A primeira foi Louise McGold, sua amiga atriz que fazia o papel de Catherine Earnshaw na série da BBC de O Morro dos Ventos Uivantes. O problema era justamente que Louise só via Eric como um amigo. Na época em que Eric se apaixonou por Louise, ela estava tendo um tórrido affair com Timothy Dalton, seu colega de cena.
O affair acabou tão rápido quanto começou, mas Eric nem teve tempo de comemorar, pois Louise logo se viu dividida entre o piloto de fórmula 1 James Hunt e o jogador de futebol alemão Gerd Müller. Sabendo que jamais poderia entrar na disputa, Eric deixou os sentimentos por Louise de lado.
Então Eric logo se viu apaixonado por Fanny Fitzwilliam, a "sétima Python". Fanny era professora de geografia e trabalhava numa escola próxima dos estúdios da BBC. Ela havia se formado em Cambridge, como Eric e seus amigos John Cleese e Graham Chapman. Eric conheceu Fanny ainda em Cambridge, quando ela assistia às apresentações dos Footlights, o tradicional grupo de comédia de Cambridge, do qual Eric era o presidente na época.
Anos depois, reencontrou-a em Londres e Fanny logo se tornou uma amiga íntima dos Pythons. Tão íntima que eles sempre davam um jeito de incluí-la nas esquetes. John e Graham até mesmo criaram uma personagem recorrente para Fanny. Conhecida como Lovely Girl, a personagem invadia as esquetes e as interrompia beijando algum dos homens no rosto, normalmente o personagem de Eric. Ele sabia perfeitamente bem que isso era uma provocação dos amigos, pois eles sabiam que Eric sempre tivera uma quedinha por Fanny. Mas ela não parecia perceber nada, só achava engraçado.
De todos os Pythons, Eric era o mais íntimo e querido de Fanny. Tanto que ele foi o único para quem ela fez uma confidência:
Eu amo Allan… - Allan Clarke, vocalista dos Hollies, era o namorado de Fanny. - Mas… Eu nunca contei isso para ninguém além da minha irmã, Elinor, e da minha prima, Emily…
O que foi, Fanny? - Eric estava intrigado.
Apesar de amar Allan, eu também amo outro homem. Meu melhor amigo. Bob Dylan.
Eric não sabia o que fazer com essa informação. Se o próprio namorado de Fanny corria risco de perdê-la para Bob Dylan, quem dirá ele, que era só um amigo?
Pouco tempo depois, Fanny foi pedida em casamento por Allan e aceitou. Eric suspeitava que talvez ela estivesse de todas as formas tentando fugir de seus sentimentos por Dylan. Ou talvez ela realmente amasse Allan e Dylan não fosse mais do que seu melhor amigo agora. Eric só queria que ela fosse feliz. Mas não conseguia evitar sentir que jamais seria amado por nenhuma mulher…
***
Fanny de fato havia aceitado o pedido de casamento de Allan. Mas estava longe de ter certeza se essa era a decisão certa. Gostava de Allan, ele era um namorado carinhoso e atencioso. Porém, já fazia algum tempo que percebia que seus sentimentos por ele haviam mudado. Ela nem sequer sabia explicar quais eram, mas certamente não eram sentimentos que se poderiam esperar de uma mulher a respeito do homem com quem aceitou, de livre e espontânea vontade, casar-se.
Seus sentimentos em relação ao seu melhor amigo, Bob Dylan, também haviam mudado. Fanny ainda o amava, jamais deixaria de amar Bob. Apesar disso, seu amor por ele era agora fraternal. Bob, às vezes, era muito complicado, além de alguns anos mais velho. Nunca dariam certo como um casal. Mas como amigos, quase irmãos, davam mais do que certo. E era assim que continuariam. Fanny não queria que as coisas com Bob mudassem de jeito nenhum.
Os sentimentos de Fanny estavam numa verdadeira revolução ultimamente. A maior mudança havia acontecido nos seus sentimentos por seu amigo mais próximo entre os membros do Monty Python, Eric Idle. Todos os Pythons eram-lhe muito queridos. Porém, as gentilezas e a doçura de Eric superavam as dos demais, e quase todos os dias a jovem ia visitá-los na BBC, aguardando ansiosamente para conversar com ele, e torcendo para Graham e John terem incluído a personagem da Lovely Girl na esquete, para poder beijá-lo, sob o pretexto perfeito da atuação cômica.
Trabalhava de manhã contando as horas para o expediente fechar e ela poder ver seus amigos na BBC, seu coração palpitando de expectativa só de pensar no sorriso de Eric, capaz de derreter os corações mais duros. Sabia que ele a rodearia de atenções, como sempre. Sorria sozinha ao pensar nisso.
Mas não tinha coragem de contar a ninguém sobre o que se passava em seu coração. Nem a Elinor, nem a Emily, muito menos a Bob. Ser honesta com Allan e romper o noivado era impensável, sofria só de pensar em fazê-lo sofrer. Os preparativos para o casamento estavam indo de vento em popa e o dia fatídico estava cada vez mais próximo. Ela tinha que agir.
***
Uma semana antes do casamento, os Pythons saíram para beber após mais um dia intenso de gravações. Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin e os dois Terrys conversavam e riam animadamente, entre um gole e outro de cerveja. Eric, porém, estava muito quieto, e os amigos não podiam deixar de perceber.
O que você tem, Eric? - quis saber Michael, preocupado. - Está doente?
Eric bebeu longamente de seu caneco de cerveja e, em vez de responder Michael, chamou o garçom e pediu mais um.
Anda, Eric, desembucha. - Terry Jones insistiu.
Vocês não percebem? - Graham falou, em seu típico tom sério que enganava quem não sabia que ele era um comediante. - É claro que ele está doente. Doente de amor.
Doente de amor? - repetiram os outros.
Fanny vai se casar em uma semana, esqueceram?
Sim!! - Eric exclamou em tom lamentoso. - A garota dos meus sonhos vai se casar com outro cara! Se ao menos fosse o Dylan, eu entenderia, mas esse Allan Clarke… Ela nem o ama tanto assim, ela me falou…
Então você gosta mesmo da Fanny? Achei que você só quisesse dormir com ela… - Gilliam disse.
Eu amo a Fanny!!! - Eric já estava começando a se embriagar. - Eu amo a Fanny mais do que jamais amei qualquer outra mulher! Não sei o que vou fazer agora que vou perdê-la para sempre...
Mas, Eric… - John interveio. - Você nunca disse a ela que a ama, não é?
Não… - Eric murmurou.
Então não pode dizer que a perdeu.
Ajudou muito, Cleese, prêmio de amigo do ano pra você. - Michael debochou.
Já que nós fomos convidados para o casamento, por que você não se pronuncia na hora do "que fale agora ou cale-se para sempre", Eric? - sugeriu Jones.
Terry, eu sou um comediante, mas não vou me prestar a esse papel ridículo. - Eric bebeu mais um longo gole sôfrego de cerveja. - Mesmo porque Bob Dylan deve ter pensado nisso também… A humilhação vai ser grande demais…
E você vai ficar aí chorando, em vez de lutar pelo amor dela? - Graham provocou.
Vou…
Os Pythons não sabiam mais o que sugerir para ajudar Eric. Apenas procuraram evitar que ele bebesse demais.
***
O dia do casamento chegou. Fanny se arrumava para a cerimônia, tentando aparentar a expectativa e alegria de uma noiva. Era auxiliada por Elinor e Emily, além de sua mãe. Fanny queria mais do que tudo se abrir com a irmã e a prima, mas não conseguia. O que pensariam dela depois que executasse seu plano? Seu coração se apertava ao pensar na reação de Allan, mas não podia continuar daquele jeito. Só traria mais sofrimento para todos no longo prazo. Era melhor arrancar pela raiz.
Finalmente chegou a hora do casamento. Fanny aguardava para entrar na igreja, de braço dado com o pai. Só conseguia pensar no que faria logo em seguida. Não importava o que ninguém diria. Só importava que ela seria verdadeira consigo mesma.
As portas da igreja se abriram. Todos os olhares se voltaram para a noiva. Eric perdeu o fôlego ao olhar para ela. Os longos cabelos negros, os grandes olhos azuis, os delicados lábios rosados. Fanny estava séria, parecia uma pintura. Não só Eric, mas também Bob Dylan, se perguntaram o que passava na cabeça dela. Uma noiva deveria irradiar felicidade, e não era exatamente isso que Fanny transmitia naquele momento. Um ousou alimentar esperanças, mas outro sabia que estava derrotado. E ambos pensavam se deveriam tomar coragem de intervir…
Fanny foi entregue a Allan pelo pai. Os noivos se ajoelharam diante do padre. A noiva continuava séria, apenas dando um pequeno sorriso para Allan. "Será que ele percebeu?", pensava ela, tentando encontrar dentro de si a coragem necessária para o que precisava fazer. Então o padre começou o cerimonial:
Estamos aqui reunidos para celebrar a união entre Frances Elizabeth Fitzwilliam e Harold Allan Clarke. Frances Elizabeth, você aceita Harold Allan como seu legítimo esposo, para amá-lo e honrá-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na pobreza e na riqueza, até que a morte os separe?
Fanny respirou fundo. O fato de que ela não respondeu imediatamente preocupou a todos. Bob Dylan estava sentado na beira de seu assento. Eric não tirava os olhos de Fanny. E então, finalmente:
Não.
A igreja inteira se espantou. Os convidados, o padre e principalmente Allan.
Fanny? O que… o que eu fiz de errado? - Allan parecia destruído.
Allan, eu sei que é clichê, mas você não é o problema, sou eu. Eu.. eu não amo mais você. Já faz algum tempo que percebi que amo outro… Eu deveria ter sido honesta. Desculpa.
Fanny tirou o véu e desceu do altar. Todos continuavam chocados. Allan se virou na direção de Dylan.
Você venceu, Dylan. Fanny é sua.
Dylan se ergueu no banco, acreditando que sua amada era finalmente sua.
Bob… - Fanny pegou a mão dele. - Você é o meu amigo mais querido. Eu te amo… Mas como a um irmão.
Ele não pôde disfarçar sua surpresa.
Fanny, se não é por minha causa que está recusando o casamento… Quem é ele? Ele está aqui?
Sim. - Fanny soltou a mão de Bob e caminhou até os bancos onde estavam os seus amigos Pythons.
O coração de Eric estava disparado no peito. Será que… Não, não podia ser… Ela devia estar apaixonada por Michael…
Eric. - ela abriu um grande e doce sorriso para ele. - Eu não deveria ter levado tanto tempo para dizer que amo você.
Ele estava incrédulo. Seus olhos estavam ainda maiores.
Fanny? Você é muito engraçada, mas isso não é hora de piada…
Não é piada, seu palhaço! - ela ficou na ponta dos pés e o beijou diante de toda a igreja. - Eu te amo, Eric Idle! Nunca conheci um homem mais adorável em toda a minha vida. E eu sei que… Você também me quer, não é?
Eric mal conseguia falar. Ele colocou as mãos na cintura de Fanny, relutante.
Fanny, eu… Eu quero você mais do que qualquer coisa nesse mundo! Eu te amo…
Ela sorriu para ele. Teria que explicar tudo aos seus pais, pedir desculpas a Allan e sua família, cancelar a festa… Mas estar ao lado de Eric agora tornava tudo mais fácil.
***
Aquela foi uma longa noite. Mas, por incrível que fosse, Allan foi compreensivo. Apenas lamentou que Fanny não tivesse sido sincera antes. Ele tentaria apaziguar os ânimos de sua família.
Os Pythons decidiram comemorar o "não-casamento" de Fanny. Foram todos para a casa de Graham Chapman. Ele e seu namorado, David Sherlock, preparam um jantar tardio para todos e várias bebidas foram consumidas. Eric e Fanny não se largavam um único segundo. Ela acariciava os cabelos ondulados dele, ele beijava sua testa afetuosamente. Até que todos, fartos de comer e beber, começaram a se recolher para os vários quartos da casa.
Fanny e Eric, entre langorosos beijos, entraram num dos quartos. Lá, se entregaram ao amor e ao desejo acumulados havia tanto tempo, certos de que um futuro de muita felicidade os aguardava.