Mary Anne
McCartney ainda não acreditava no que havia acabado de ocorrer. John Lennon,
velho amigo de seu irmão e também dela própria, havia morrido.
A alcateia
estava em Viena, Áustria, numa caçada. Uma tempestade havia os atrasado. Seria
uma longa viagem de volta a Munique, na região alemã da Bavária, onde viviam.
Os lobos haviam encontrado a corja de vampiros do barão Niki Lauda, que estavam
realizando uma verdadeira chacina entre os lobos da capital austríaca.
Bobby Moore, o
lobo alfa, liderou seus súditos numa feroz luta contra os vampiros do barão. Lennon
era o que lutava mais bravamente, ajudado por sua amante, a loba ruiva Rosie Donovan.
A alcateia conseguiu salvar a vida de muitos lobos vienenses e a alcateia de
Moore foi embora ilesa... Com a exceção de John, que lutou contra François
Cevert até o último segundo. Quando ele tombou morto, Rosie sufocou um grito de
horror e desespero.
Vivian, a
irmã mais nova de Rosie, e Mary Anne tentaram consolar a pobre loba.
Internamente, apesar de muito triste pela morte do corajoso lobo e pelo risco
que correu de perder seu irmão Paul, a única família que lhe restava, Mary Anne
estava aliviada por George Harrison ter permanecido em Munique.
Ele era um jovem mago poderoso, velho amigo de
Mary Anne, Paul, John e Ringo, este também um lobo liverpooliano. Havia muito
tempo que Mary Anne amava George, porém, não tinha certeza da correspondência.
Acreditava que talvez o mago preferisse Nora Smith, uma feiticeira como ele.
Durante a
viagem de volta a Munique, todos os lobos tinham expressões pesarosas. Quando
George reviu seus companheiros, notou a tristeza em seus rostos e a ausência de
John, logo adivinhou o que havia acontecido. E também se enlutou.
- É tão horrível, George. – disse Mary Anne a ele. – John
era tão jovem. Poderia ter vivido longos anos. Ter sido feliz com Rosie.
- Sim. Uma perda horrível. – concordou o mago, ainda menos
expansivo do que de costume.
- Bem, o que ficou fazendo aqui durante nossa ausência?
- Andei praticando. Aperfeiçoando meus poderes. Tenho
trocado ideias com Nora. E com um novo mago que está vivendo nas redondezas.
Seu nome é Peter Tork. Ele me disse que pretende pedir abrigo a Moore aqui na
ilha. Pelo que me parece, é amigo de Mike Nesmith e Micky Dolenz, aqueles lobos
americanos que chegaram da Inglaterra.
- Ah sim.
- Mary Anne, sei que está triste, afinal John era seu amigo
também. Crescemos todos juntos entre os lobos de Liverpool. Mas você me parece
mal por outro motivo. O que aconteceu?
- Não é nada. – Mary Anne tentou desconversar. Não poderia
dizer a George a verdade, que era ele a causa do seu sofrimento.
A loba
havia sido infeliz no amor, e desde então seu irmão controlava sua vida
amorosa. Paul se tornou ciumento e a protegia demais. Antes de George, ela
havia se apaixonado por um jovem londrino, chamado Roger Daltrey, que havia
conhecido numa viagem dele a Liverpool.
Roger havia feito mil promessas a Mary Anne, e
a principal delas era que se casaria com ela. Contudo, quando ela revelou ao
amado que era uma loba, Roger a abandonou, sem pensar duas vezes.
O que ela mais temia era ser
rejeitada novamente. Embora sentisse que George não faria isso com ela.
Resolveu desabafar sobre isso para Evanna Davies, sua melhor amiga, que vivia
em Nova York, casada com um rapaz chamado Art Garfunkel.
Querida Evie,
Eu não sei o que fazer. Eu amo
muito George, e a cada dia que passa sinto que preciso dizer isso a ele, ou vou
ficar louca. Todavia, tenho muito receio de ser rejeitada outra vez. Você sabe
o que Daltrey fez comigo.
Sei que George não me rejeitará
porque sou loba. O que me faz pensar que ele pode me rejeitar é o fato de que
gosta muito de uma certa maga chamada Nora Smith, de quem ele é muito amigo.
Os livros dizem que as mulheres
sempre sabem quando são amadas. Acontece que eu não sei se George realmente me
ama, ou apenas tem uma forte amizade por mim. Vivo tão cheia de dúvidas...
Ajude-me, Evie! Dê-me uma luz, por favor! Antes que diga que não está em
posição de dar conselhos amorosos, eu digo que está sim! Você conseguiu
casar-se com o homem que ama.
A morte de John abalou toda a
alcateia. Todos nós gostávamos muito dele. A Ilha dos Lobisomens tem novos
moradores. Um mago chamado Peter Tork, conhecido de George, teve abrigo aqui
concedido por Bobby Moore. Pelo que sei, ele é amigo de dois lobos que vivem
aqui há algum tempo, Mike Nesmith e Micky Dolenz. Além dele, um amigo dos três,
um vampiro chamado Davy Jones, veio morar aqui depois que o Conde Beckenbauer o
baniu dos seus domínios.
Como estão as coisas aí em Nova
York? Tudo bem com você? Art está bem? E o seu filho, o pequeno Jamie? Quando
você virá me visitar?
Aguardo ansiosa a sua resposta.
Sua amiga,
Mary
Anne
Mary Anne colocou a carta no correio. Esperava que a carta chegasse logo
à sua amiga, permitindo que ela escrevesse logo dando algum conselho à loba.
Para a sorte dela, a carta não demorou a ser entregue às mãos de Evanna, que
leu a carta atentamente.
Percebendo o quanto sua amiga estava sofrendo com aquele dilema, Evanna
tentou ajudar Mary Anne da melhor forma possível. Escreveu sua resposta.
Querida amiga Mary Anne,
Eu não acho que
você deva ter receios em relação a George. Por tudo que sei a respeito de vocês
dois, ele gosta muito de você. Mais do que você imagina. Não acho que essa Nora
Smith seja mais do que uma boa amiga para ele. Procure saber mais sobre a
relação que eles têm. Estou com um pressentimento de que você vai acabar se
surpreendendo.
Está tudo muito
bem aqui em Nova York. Eu estou bem, e meu marido também. Nosso filho também, a
cada dia mais esperto e parecido com o pai. Contudo, ainda não é crescido o
suficiente para que eu me afaste dele, e também acho arriscado trazê-lo comigo.
A viagem de Nova York a Munique é bastante longa, você sabe. Perdoe-me por não
poder ir vê-la por enquanto.
Escreva-me sempre
que quiser. Sempre estarei pronta para responder.
Sua amiga,
Evie
Assim que
leu a missiva de sua amiga, Mary Anne respirou profundamente. Evie estava
certa. Precisava saber mais sobre George e Nora. Contudo, não sabia se tinha
liberdade o suficiente para fazer aquele tipo de questionamento a George.
***
- Ah, Nora, se eu não soubesse o perigo que as poções de
amor representam, faria uma e daria um jeito de Mary Anne bebê-la!
- Acha mesmo que ela não corresponde ao seu sentimento,
George? – indagou Nora.
- Não... Ela gosta de mim, isso é certo, mas sempre parece
distante... Talvez ela prefira ainda aquele patife do antigo noivo dela.
- O tal que a dispensou por ser loba? Não seja ridículo,
George! Você conhece Mary Anne melhor do que eu, e por tudo que você me contou
sobre ela, ela não me parece o tipo de mulher que ficaria sofrendo por homens
daquele tipo!
- É... Você tem razão, Nora, Mary Anne é qualquer coisa,
menos tola. Mesmo assim, se não tenho um rival... Mary Anne tem um irmão
excessivamente zeloso.
- Paul tem mania de se meter na vida amorosa dela, não tem?
- Sim. Sabe, não posso culpar totalmente o Macca, depois da
atitude desprezível daquele verme do Daltrey. Ademais, Paul e Mary Anne só têm
um ao outro...
Jim e
Mary, os pais de Paul e Mary Anne, e Mike, gêmeo dela, haviam sido mortos por
caça-monstros em Liverpool, enquanto os dois irmãos haviam saído do bairro dos
lobos para fazer compras. Quando chegaram, viram a casa revirada e os corpos de
seus familiares estendidos no chão, jorrando sangue, alvejados por balas de
prata. Desamparados, os dois irmãos, acompanhados de George, John e Ringo,
fugiram para Munique. Bobby Moore aceitou os quatro jovens lobos, e, pelo fato
de sua profunda amizade com os novos refugiados de Moore, o jovem mago também
foi aceito.
- Bom, de fato, Paul está certo em querer proteger Mary
Anne, e ela faria o mesmo por ele. –
disse Nora.
- Certamente. Mary Anne... É maravilhosa. É linda. É
inteligente. É determinada. É feroz com os inimigos e doce com os amigos. –
George falou.
- O que está esperando para dizer a ela sobre seus
sentimentos, meu amigo?
- Não sei bem, Nora, apenas não sinto que o momento seja
propício.
- Entendo. Bem, tenho um encontro com Sepp daqui a meia hora.
Preciso me arrumar.
- Vou deixá-la, minha amiga. Amanhã retorno para que continuemos
nossas práticas, estamos combinados?
- Sim, claro! E se quiser chamar Peter, tem minha permissão!
- Está bem, falarei com ele. – disse George com um sorriso.
E o mago saiu da casa para
retornar à Ilha dos Lobisomens. Caminhava de volta para lá, sem saber que era
observado por ninguém mais, ninguém menos do que o noivo de Nora, o vampiro
Sepp Maier. O vampiro ágil como um gato ignorava o fato de que o rapaz alto e
magro que espreitava era amigo de sua amada, e ainda por cima era um mago. Sepp
acreditava na superstição de que sangue de mago dava azar.
Preparou-se para o ataque. Deu um salto e aterrissou sobre o mago, que
gritou com o susto.
- Suas últimas palavras antes de se tornar minha refeição? –
Sepp indagou a George, sorrindo um pouco cruelmente.
- Últimas palavras coisa nenhuma, nosferatu! – George ouviu
Mary Anne gritar antes que ele pudesse responder qualquer coisa.
Subitamente, lá estava ela, em
forma de loba, arranhando as costas do vampiro. Ele acabou soltando George,
enquanto tentava se livrar de Mary Anne, firmemente segura em suas costas. A
loba caiu no chão com um movimento rápido do vampiro. Contudo, pôs-se de pé no
mesmo instante e rosnou. Sepp recuou um passo, porém, Mary Anne avançou, e
mordeu a canela de Sepp, fazendo-o gritar de dor. Ele pegou a canela, tentando
parar o fluxo de sangue. Mary Anne assumiu forma humana novamente.
- Isso é para você aprender a não mexer com os meus amigos,
Sepp Maier! – advertiu Mary Anne.
- Sepp... Maier? – espantou-se George.
- Sim. Qual é a surpresa? – Mary Anne e Sepp inquiriram em
coro.
- Esse é o nome do... Noivo de Nora.
- Noivo? – Mary Anne estava surpresa e ao mesmo tempo feliz.
Queria dizer que a maga não estava interessada em seu amado George?
- Você conhece a Katz... Quero dizer, a Nora? – quis saber o vampiro.
- Sim. Sou amigo dela. Meu nome é George Harrison.
- George Harrison? O mago! Eu iria beber sangue de mago e
ganhar um tremendo azar!
Mary Anne e George riram diante do desespero do vampiro. George curou o
ferimento na canela de Sepp e, depois que ele partiu para encontrar Nora, o
mago e Mary Anne voltaram juntos para a ilha.
- Obrigado por me salvar, Mary Anne. – disse George com um
sorriso.
- Não precisa me agradecer. Sei que faria o mesmo por mim.
- Claro que faria.
Houve alguns minutos de silêncio, que Mary Anne quebrou.
- Então, sua amiga Nora vai se casar.
- Sim. Com esse vampiro.
- Você... Não se incomoda com isso, George?
- Não. Por que deveria? Nora o ama, devo é ficar feliz por
ela!
- Você não acha que ela vai ter menos tempo para vocês
praticarem?
- Isso é fato. Mas não me incomoda. Nora não se incomodaria
se eu fosse ter menos tempo por... Me casar com a minha amada.
- Você... Tem uma amada? – Mary Anne não se conteve.
- Tenho. – George respondeu, sorrindo. Mary Anne sentiu uma
certa esperança. Porém, ao mesmo tempo, temia que a tal amada de George fosse
outra, mesmo que não fosse Nora.
***
Bobby Moore,
líder da alcateia, estava interessado em encontrar uma esposa para si. Passou a
pensar nas lobas que habitavam a ilha. Vivian Donovan era excluída de imediato.
A lobinha ruiva era pouco mais do que uma criança, e Christopher Romanov já
tinha seu coração.
A irmã mais
velha de Vivian, Rosie, também não servia. Na verdade, a ruiva seria sua esposa
ideal, por ser bela, inteligente, forte e corajosa, contudo, estava de luto
pela morte de John Lennon, e certamente continuava a amar o falecido namorado.
Portanto, também não era uma opção. Havia as duas recém-chegadas, Emma Carlisle
e Alberta Mann.
Emma era linda, dona de um porte nobre, e dura
na queda. Não seria uma má esposa. No entanto, também não era uma opção para o
macho alfa. Micky Dolenz, o lobisomem que era dono da mansão vizinha, havia
tido um imprinting com a loba loira e alta. E era visível que Emma também havia
sentido o imprinting por ele.
Alberta, loba
meiga e valente, também estava de luto desde que seu namorado, Dennis Wilson,
também um lobo, havia sido morto por François Cevert, o vampiro do séquito do Barão
Lauda que havia sido responsável pela morte de Lennon.
Assim, Moore
tinha apenas uma opção restando: Mary Anne McCartney. Sim, a irmã de Paul seria
uma excelente esposa para ele. Mary Anne era uma linda loba, sem dúvida, mas
também gozava da plena confiança de Bobby. Tinha inteligência, força, coragem e
determinação, e quando era necessário demonstrava uma grande ferocidade. Em
suma, reunia todas as qualidades que a esposa de um líder de alcateia deveria
apresentar. Caso ele viesse a cair, Mary Anne assumiria a liderança da
alcateia, e ensinaria aos filhotes que tivessem tudo sobre ser um bom líder.
Estava
decidido. Ela seria sua noiva. Primeiramente, Moore tinha que falar com o irmão
da jovem, e pedir a permissão dele para fazer a corte. Após um tempo
cortejando-a, faria o pedido, e daria tempo a ela para pensar se aceitaria ou
não. Todavia, o lobo alfa estava quase certo de que Mary Anne aceitaria. Que
loba não gostaria de se tornar a fêmea alfa de sua alcateia?
Foi até o
quarto de Paul e bateu à porta. O lobo poeta abriu-a.
- Sim, senhor? O que deseja?
- Paul, gostaria de falar com você. É um assunto de extrema
importância. Envolve sua irmã.
- Minha irmã? Qual é o problema com Mary Anne?
- Não é um problema, muito pelo contrário. Paul, eu gostaria
de pedir-lhe permissão para cortejar sua irmã.
Paul ficou
surpreso. A última vez em que alguém havia pedido permissão para fazer a corte
a Mary Anne não tinha terminado nada bem. Entretanto, sabia que Moore era
honrado, diferentemente de Roger Daltrey. Se ele e Mary Anne firmassem
compromisso, o casamento aconteceria. Mesmo assim, Paul tinha suas dúvidas
quanto a dar sua autorização.
- Se me permite, senhor... Por que minha irmã? Não crê que
Rosie seria uma esposa melhor?
- Sim, eu creio. Porém, Rosie está em luto por Lennon, que
ela ainda ama. E eu respeito isso. Sua
irmã reúne as mesmas qualidades de Rosie. Sei que, se eu vier a ser derrotado e
morto, Mary Anne será uma ótima líder para a alcateia e preparará nossos
filhotes para um dia assumir a liderança.
- Bem... Está bem, está autorizado a fazer a corte à minha
irmã.
- Eu agradeço, Paul. – Moore apertou a mão de Paul.
***
Mais
tarde, Paul bateu à porta do quarto da irmã.
- Quem é? – perguntou ela.
- Sou eu, Mary Anne.
- Entre, Paul.
O lobo adentrou o quarto de sua
irmã. Mary Anne depositou sobre a cama o livro que lia.
- O que deseja, meu irmão?
- Irmãzinha... Tenho uma notícia importante para comunicar a
você.
- Que notícia?
- Mary Anne... Moore veio me pedir permissão para fazer-lhe
a corte.
A loba ficou
espantadíssima.
- O quê?
- Foi o que você ouviu. O líder da alcateia quer torná-la a
loba dele.
- Mas... Por que eu, Paul?
- Diz ele que, depois de Rosie, você é a melhor esposa que
ele poderia ter.
- Então por que ele me escolheu no lugar dela?
- Ele não vai desposar Rosie porque ela está de luto por
John, e ainda o ama.
- Paul, não posso me casar com Moore! Ele não me ama! Só
está pensando na sucessão! No poder! Não vou me casar com ele.
- Mas, Mary Anne, ele quer que você seja a líder da alcateia
caso ele morra!
- Moore quer que os filhotes sejam os líderes, não eu! Ele
só está pensando em mim como o meio que garantirá herdeiros para ele... Não, eu
não vou aceitar essa corte! Vá dizer isso a ele!
- Mary Anne...
- Eu não vou recuar, Paul! Eu sei muito bem o que quero!
***
- Moore está querendo se casar com Mary Anne. – disse Paul a Ringo e George.
O lobo e o mago se surpreenderam com a
notícia. George sentiu como se fosse apunhalado no peito. Decerto Mary Anne aceitaria o pedido do lobo
alfa.
- E... O que ela acha disso? – quis saber Ringo.
- Ela não está nada feliz com isso, para falar bem a
verdade. – Paul falou.
George
reprimiu um suspiro de alívio.
- Por quê? Porque já teve uma má experiência em termos de
noivado? – indagou George.
- Pode ser. – disse
Paul. – Mas minha irmã não deixou isso tão claro. Ela está mais furiosa pelo
fato de que Bobby escolheu-a como noiva por questões práticas, não por amor. E
sabe, acho que ela não está tão errada assim. Contudo, estou com medo de qual
será a reação dele quando souber que minha irmã não aceitará a corte.
O mago se
indagava se aquela recusa veemente de Mary Anne a se casar com o lobo alfa,
além da indignação dela pelo fato de que aquele casamento ocorreria somente
para garantir herdeiros que sucederiam Moore na liderança da alcateia, refletia
o sentimento que ela poderia ter por algum homem... Se fosse assim, George
esperava que ele fosse o homem.
***
No dia
seguinte, George foi se encontrar com Nora e Peter na casa de Anastacia Rosely,
para praticar seus feitiços e poções. Os outros dois magos notaram que George
estava ainda mais quieto e pensativo do que o normal.
- Eu não tenho muita intimidade para falar com ele... Mas
você sim, Nora. – disse Peter. – Acho que você deve abordar o assunto com ele.
- Sim, Peter. Eu devo. Creio que deve ser algo relacionado a
Mary Anne McCartney.
Nora
aproximou-se do amigo, enquanto ele preparava uma poção.
- George?
- Sim, Nora?
- Está tudo bem com você?
Sei que você costuma ser assim quieto, mas... Não parece sua quietude
normal.
George tirou os olhos
do caldeirão onde preparava a poção e fitou Nora. Soltou um suspiro.
- Mary Anne vai se casar.
- O QUÊ?
- Isto é, se depender do Moore. Ele quer tornar minha amada loba sua esposa.
- E ela parece inclinada a querer
aceitar o pedido?
- Não. Mas quando Moore quer algo,
ele consegue, mesmo que seja de uma loba teimosa e turrona como a Mary Anne.
- Faça alguma coisa, George! Não
pode permitir isso!
- O que eu posso fazer, Nora? –
George deu de ombros.
- Pode... Conversar com o Moore. E
se for preciso... A magia dará uma ajuda. – Nora piscou para o amigo.
***
George regressou à Ilha dos
Lobisomens. Encontrou Moore administrando mais uma sessão de treinamento. Os
lobos corriam, usavam sacos com enchimento como possíveis presas, e lutavam
entre si.
- Com licença, rei Moore. – ele
chamou o líder dos lobos.
- Sim, Harrison?
- Preciso falar com o senhor. Em
particular.
Moore ficou desconfiado.
No entanto, aquiesceu.
- Certo. Vamos ao meu escritório.
O mago foi
conduzido por Bobby ao quarto da mansão que lhe servia de escritório. Era um
cômodo simples, com uma mesa de madeira lustrosa, algumas estantes de livros e
papel, pena e tinteiro sobre o tampo da mesa. Havia duas cadeiras. Moore
sentou-se e indicou a cadeira à sua frente a George.
- Sobre o que deseja falar comigo,
Harrison?
George reuniu o
máximo de coragem que tinha em si e falou:
- Senhor... Não pode se casar com
Mary Anne.
O lobo alfa
ficou surpreso.
- O que está dizendo, Harrison?
- Não pode se casar com ela! Um
mero casamento de conveniência! O hábito é muito comum até hoje, eu sei, mas
pense na loba! Ela não quer se casar com você simplesmente para lhe garantir a
sucessão!
- E que interesse você tem nisso,
Harrison?
- Eu... Eu a amo, senhor! Se eu
fosse um lobo, diria que sinto um imprinting por ela!
Aquela afirmação
era muito forte. Todo lobo sabe da intensidade que um imprinting possui.
- Mil perdões, Harrison, se
soubesse eu jamais teria sequer cogitado cortejá-la. Ela ficará livre para
você.
George não podia
acreditar.
- Muito obrigado, senhor, muito
obrigado mesmo!
- Mas me diga algo... Ela sabe que
a ama?
- Não... Mas farei com que saiba!
Dois dias depois,
George saía da casa de Anastacia Rosely, onde mais uma vez praticara magias com
Nora e Peter, quando ouviu uma voz feminina suave chamá-lo.
- George!
Ele virou-se, e
viu Pattie Boyd, uma aprendiz de Lyanna Smith, a avó de Nora.
- Sim, Pattie, o que quer?
- O que eu quero? – a aprendiz de
maga o encarava com um brilho nos olhos azuis. Ela era muito bonita, mas não
mais do que Mary Anne. – O que eu quero
é você... – disse ela, colocando os braços ao redor do pescoço de George e
roubando-lhe um beijo.
George viu uma
figura feminina se aproximar da cena... Era ela.
- George... – Mary Anne murmurou,
sentindo como se uma mão de gelo tocasse seu coração. – Não...
Ela se virou, as
lágrimas começando a cair, e correu de volta para a Ilha dos Lobisomens.
- Mary Anne! Espere! – George
pediu, soltando-se de Pattie.
- George, por favor! – Pattie
clamou.
- Desculpe-me, Pattie, mas não
quero você. Adeus!
E George seguiu em disparada para a ilha,
atrás de Mary Anne. Procurou por ela
durante horas na floresta, porém, o esforço foi em vão. Voltou para a mansão de
Bobby Moore, desolado. Estava mortificado por magoar sua amada. Assim que entrou, Paul indagou-lhe:
- George, viu minha irmã? Ela saiu
para caçar e ainda não voltou!
- Não... Eu não a vi. – George
falou, preocupado com ela.
Mais ou menos
uma hora após George ter voltado, uma série de uivos lamentosos se fez ouvir.
Aqueles uivos enchiam de agonia quem quer que ouvisse. Os habitantes da mansão
de Micky Dolenz também ouviram aqueles sons angustiados. Os moradores de ambas
as mansões pensaram tratar-se de Mike Nesmith, que costumava sair à noite,
solitário, chorando por Alice Stone.
Contudo,
George sabia que quem uivava com tanto sofrimento não era Mike, mas uma pessoa
que padecia por dores de amor tanto quanto o lobo: Mary Anne. “E eu sou o
culpado!”. Ele não aguentou mais:
- Vou sair e procurar Mary Anne! –
anunciou.
- Eu vou junto! – Paul disse,
prontamente.
- NÃO! – George exclamou, um pouco
exaltado demais. Se Paul viesse junto, estragaria tudo. Tentou consertar: -
Não, Paul, não há necessidade. Dou conta disso sozinho.
- Mas é a minha irmã!
- Deixe que ele vá, Paul. – disse
Moore, piscando para o mago. O líder da alcateia sabia bem o que George tinha
em mente.
Como Paul jamais ousaria questionar Bobby,
George saiu em busca de Mary Anne. Embrenhou-se por entre as árvores, vez ou
outra chamando o nome da loba. Tinha atravessado praticamente toda a floresta
quando os uivos ficaram perfeitamente nítidos.
“Ainda bem, ela está por perto”.
Chegou à boca de uma caverna.
Dali vinham os uivos. Respirou fundo e adentrou a gruta.
- Mary Anne?
Ela estava sentada junto a
uma das paredes frias da caverna, abraçando os joelhos e com a cabeça abaixada.
Seu choro era tão dolorido que havia se transformado nos uivos que todos haviam
ouvido.
- Você! – ela rosnou, ao erguer a
cabeça e vê-lo. – Por que veio atrás de
mim? Volte para a aprendiz de maga... Sua namorada.
- Ela não é minha namorada! Ela me
agarrou e me beijou! Eu mal troquei palavras com ela antes! Lamento que você
tenha que ter visto aquilo.
- Ah, você lamenta? – Mary Anne
continuava sem acreditar nas palavras de George.
George resolveu provocar um
pouco.
- Mas e se ela fosse? Por que se
incomoda, Mary Anne? Afinal... Somos só amigos.
Mary Anne corou ao ouvir
aquilo. Ela soltou um suspiro, que no ar frio da caverna produziu uma pequena
fumaça.
- George... – ela parou. Temia
dizer aquelas palavras e sofrer uma decepção. Então resolveu falar de uma vez
por todas. – Eu uivo por você.
Sua voz saiu baixa demais.
George não entendeu.
- Perdão... Mas não ouvi.
- Eu uivo por você, George
Harrison! Desde não me lembro quando! – ela exclamou.
Mesmo não sendo lobo,
George sabia muito bem o que aquela frase queria dizer. Entre os lobos, “eu
uivo por você” equivale a dizer “eu te amo”, e normalmente só é dito por um
lobo àquele por quem sente imprinting.
- Mary Anne...
- Eu não sei, mas acho que senti o
imprinting por você no exato momento em que nos conhecemos... Faz muito
tempo. – ela abaixou a cabeça novamente,
as faces muito rubras.
George ajoelhou-se diante
dela e levantou o queixo dela.
- Queria ser um lobo para responder
do mesmo modo, Mary Anne, para sentir o imprinting... Mas eu te amo mais do que
qualquer coisa, desde sempre.
Os olhos de Mary Anne se arregalaram ao ouvir
isso.
- É verdade, George?
- Sim. – ele sorriu para ela. –
Cada palavra!
A loba não disse nada.
Apenas sorriu para o mago e, colocando as mãos nas maçãs do rosto dele, puxou-o
para um beijo. Mary Anne se sentia leve, e indizivelmente feliz. George também
sentia uma alegria inexprimível. Ele acariciava os longos cabelos negros da
loba, que corria as mãos por suas costas.
- Meu mago, eu esperei tanto por
esse momento...
- Eu também, minha loba!
O beijo se intensificava
a cada segundo.
- Quero ser sua. Toda sua. – Mary
Anne sussurrou no ouvido de George.
- Então será. Mas não aqui... Não é
o melhor lugar para isso.
- Então... Vamos lá para fora. –
Mary Anne sorriu maliciosa.
O novo casal saiu da
caverna, e caminhou até uma clareira. A relva era macia ali.
- Perfeito. – murmuraram juntos.
Mary Anne deitou-se na grama, puxando George pela mão. Ele caiu por cima dela. Ela voltou a
beijá-lo e a correr seus dedos pelos cabelos, nuca e costas dele. Um começou a
despir o outro. George estava extasiado diante da nudez de sua amada.
- Você é belíssima, minha loba... Do jeito que eu sempre sonhei.
- Você também é lindo, George, lindo, lindo... – Mary Anne beijou o
pescoço de seu amado mago.
Um pouco
timidamente, George passou a apalpar os seios e as coxas de Mary Anne. Os
gemidos dela o encorajaram a pôr um pouco mais de força nas apalpadas. A loba
sentia sua parte íntima umedecer, e o toque do membro do mago enrijecendo.
- George, meu mago, eu quero você... Agora! – ela pediu.
- Estou pronto, Mary Anne, minha loba. – disse ele, sorrindo e
beijando-a em seguida.
George enfim
deu início às estocadas, sempre procurando não machucar Mary Anne. Gemiam mais
a cada instante.
- George, oh, George, eu nunca imaginei que minha primeira vez seria
tão boa!
- Seu prazer é minha prioridade, amada.
Chegaram ao ápice do prazer, e
demonstraram isso, ele com um grito, ela com um longo uivo. Trocaram um beijo
ardente e se separaram.
- Foi maravilhoso... Incrível. – a
loba sorria.
- Estou feliz porque agora é toda
minha. – o mago afagava os cabelos dela, e beijou sua testa. – Se seu irmão
descobre o que fizemos...
- Dane-se o Paul! Eu entendo que
ele queira me preservar de gente como aquele sacripanta do Daltrey... Mas você
é diferente, George. – Mary Anne devolveu-lhe o afago no cabelo.
***
Mary Anne e George
precisavam de um lugar para se encontrar, longe das vistas de Paul. Julgaram
melhor manter o relacionamento em segredo, num primeiro momento. Ambos
procuravam por todas as imediações da Ilha dos Lobisomens, até que a loba
encontrou o lugar perfeito.
- A antiga fazenda de Manuel Neuer.
Está abandonada desde que Manuel se tornou vampiro e foi viver no castelo do
conde.
- Acha que ele não vai voltar para
lá, minha loba?
- Sim, George. Está bem abandonada.
Precisamos arrumá-la para podermos nos encontrar.
- E é o que faremos, Mary Anne.
Em alguns dias, a
fazendinha nem parecia ter estado abandonada por tanto tempo.
- Está ótima, meu mago! – Mary Anne
exclamou, olhando para a grama aparada, as paredes da casa sem rachaduras e com
nova pintura. Os dois também haviam limpado e organizado tudo por dentro.
- Sim, está. Vamos entrar. – George
pegou Mary Anne nos braços como um noivo pega a noiva.
- George! – Mary Anne levou um
susto com o movimento repentino. O mago
apenas riu.
George abriu a porta com
um pequeno chute. Carregou Mary Anne casa adentro até chegarem ao antigo quarto
do vampiro rastreador. Deitou-a na cama de casal. Os olhos negros da loba
brilhavam de amor e de desejo pelo mago.
Ele se juntou a ela na
cama, fazendo carinho na amada e beijando-a docemente. Ela retribuía os gestos.
- George... Talvez nós já
devêssemos contar para a alcateia sobre nós...
- Mas assim fica mais emocionante,
meu amor.
- Bom, isso não posso negar. Mas eu
gostaria tanto de poder dizer para todos que nós nos amamos, Joj...
- E você vai poder, Mary, só espere
um pouco mais. Não se esqueça de que seu irmão vai ficar furioso!
- Paul precisa parar com isso. Ele tem
que entender que não vai me controlar para sempre! Aliás... Ele nunca me
controlou. Por ele, eu já estaria casada com Moore faria muito tempo. Mas isso
eu não admitiria. Nunca. A última coisa que eu faria na vida seria me casar sem
amor.
- Às vezes não consigo crer em quão
facilmente consegui que Moore desistisse de se casar com você.
- Você não usou nenhum encantamento
ou poção para isso, George?
- Não, Mary Anne! Eu juro, foi sem
magia alguma! Apenas disse que, se eu fosse um lobo, eu diria que sinto um
imprinting por você.
- É verdade, querido? – Mary Anne sorriu. – Seu sentimento por mim
é assim tão forte?
- Ainda duvida do meu amor?
- Não é bem isso... É que não sei
dimensionar bem o amor em padrões que não o dos lobos... Não sei dizer quando o
amor sentido por uma criatura não lupina tem uma intensidade equivalente à de
um imprinting.
- Pode confiar que o meu amor por
você é como um imprinting, loba. – George beijou o pescoço de Mary Anne.
- Oh, mago... – ela gemeu baixinho,
gemido esse que queria se transformar em uivo.
- Não uive, Mary Anne, ou seremos
descobertos!
- Não consigo controlar... Ademais,
já devem estar desconfiados de nós, pois quando um não está na mansão o outro
também não está... Acredita mesmo que todos pensam que você está na casa de
Anastacia Rosely com Nora e Peter?
- Não sei quanto aos outros, mas se
alguém desconfia de nós, esse alguém é Ringo. Ringo e sua mania de se meter na
vida alheia...
***
O palpite de George estava
correto. Ringo suspeitava fortemente que
o mago e a loba estivessem se encontrando secretamente.
- É muito estranho... Quando Mary
Anne não está, George também não está, e vice-versa. Isso só pode significar
que os dois estão juntos em algum lugar! Da próxima vez que um deles sair, vou
seguir bem de perto, mas discretamente...
Assim o lobo fez. Assim que
George saiu na tarde do dia seguinte, Ringo esperou que ele estivesse
minimamente afastado da mansão de Bobby Moore para assumir a forma lupina e
seguir o amigo. Durante o trajeto,
George ocasionalmente olhava para trás, porém, logo Ringo buscava abrigo
na sombra densa das árvores e arbustos. Na décima vez em que se sentiu seguido, George
ameaçou:
- Quem quer que esteja me seguindo,
apareça! Ou vou transformá-lo em um sapo ou coisa pior!
Ringo não se deixou intimidar. Permaneceu
quieto e tentou evitar que sua respiração ficasse alta demais. George se
afastou, ainda lançando olhares para trás. Ringo saiu do esconderijo e
continuou seguindo o mago, desta vez mais de longe.
O lobo viu o amigo caminhar até o
portão da fazenda abandonada de Manuel Neuer. “Que esquisito!”, Ringo pensou.
Estranhou ainda mais quando George abriu o portão e entrou. Começou a
farejar... E sentiu cheiro de lobo. Ou melhor, de loba. “Aha! Eu sabia, eu sabia! Espera só o Macca
saber disso... Ele vai matar o George!”.
Ficou quieto, esperando para ver se conseguiria ouvir alguma coisa... E
conseguiu ouvir, depois de um tempo, gemidos e uivos.
O lobo acabou
adormecendo junto ao portão da fazenda. Despertou com alguma coisa pressionando
sua cauda. Urrou de dor.
- Mas o que é isso? – ele ouviu
Mary Anne indagar.
Ringo abriu os
olhos e voltou à sua forma humana.
- RINGO! – exclamou o casal,
surpreso.
- Er... Olá.
- ERA VOCÊ QUE ESTAVA ME SEGUINDO,
RINGO?
- Seguindo? Eu?
- Sim, Ringo, seguindo!
- É óbvio que era ele, Joj! – Mary
Anne exclamou, irritada.
- ESCUTA AQUI, STARKEY, SE VOCÊ
OUSAR CONTAR PARA ALGUÉM, ESPECIALMENTE O PAUL, EU VOU TE TRANSFORMAR EM ALGUMA
COISA BEM ASQUEROSA! - George bradou.
- Calma, George, eu não vou falar
nada!
- Acho bom. – Mary Anne e George
disseram em uníssono.
Os dois lobos e o mago voltaram
para a mansão de Bobby Moore. Mary Anne e George entraram separadamente, para
não gerar quaisquer suspeitas. George estava bem de olho em Ringo. Se ele
ousasse abrir a boca, apontaria sua varinha para ele no mesmíssimo instante e o
transformaria na criatura mais repulsiva em que conseguisse pensar.
No entanto, era difícil para o
casal manter-se como simples amigos. Trocavam olhares furtivos. Moore sabia o
que estava acontecendo, afinal, George havia confidenciado a ele seu amor pela
loba. Ringo estava muito preocupado com a possibilidade de ser transformado em
alguma coisa nojenta para se atrever a falar qualquer coisa. Rosie e Best
também logo entenderam o que havia ali, pois eles próprios tinham que se
encontrar às escondidas. Vivian também compreendia, e achava tudo aquilo muito
romântico. E Alberta ria internamente,
pois sabia que seu amado Ringo estava tentando descobrir se Mary Anne e George
estavam mesmo se encontrando escondidos. Bem que ele podia parar de cuidar
tanto da vida dos outros e pensar em outras coisas...
Somente Paul parecia não notar nada.
Porém, ele percebia que sua irmã, por vezes, se perdia em pensamentos
facilmente, e que suas saídas eram muito mais longas do que antes. Aquilo o
preocupava. Decidiu abordar o assunto com Mary Anne.
- Mary Anne, maninha, posso falar
com você?
- Claro, Paul. – a loba sorriu para
o irmão.
- Eu tenho notado que... Você está
se distraindo mais do que de costume. E também demorando mais para voltar para
casa quando sai. Tem alguma coisa acontecendo?
- Não! Claro que não! Se estou mais
distraída, é porque estou mais cansada. Se estou mais cansada, é porque
realmente estou demorando mais para voltar para casa. E se estou demorando mais
para voltar para casa, é porque estou explorando uma maior área para caçar e
passear.
A resposta de Mary Anne pareceu
convencer Paul. Contudo, ela tinha consciência de que ela e seu amado não
podiam continuar fingindo que não estavam envolvidos por muito mais tempo. Ela
sentia algo muito intenso pelo mago para não deixar transparecer, e a alegria
de estar com ele tornava isso ainda mais difícil.
Alguns dias depois, a loba e o mago
marcaram um encontro na fazendinha abandonada. George saiu um pouco mais cedo,
para preparar o local. Mary Anne chegou à fazenda mais ou menos uma hora após
George. Ao abrir o portãozinho, o delicioso cheiro de rosas invadiu as narinas
da loba. Seu faro lupino aguçado estava extasiado.
Ela adentrou a casa.
- George? - ela chamou pelo amado.
- Estou aqui... No quarto.
Mary Anne foi até o
cômodo onde se encontrava o mago. Viu-o deitado na espaçosa cama que outrora
havia pertencido a Manuel. Por todo o quarto havia rosas e pétalas espalhadas,
mesmo na cama.
- Oh, George... – Mary Anne não
sabia o que dizer.
- Tudo para você, minha belíssima
loba!
Ela envolveu o amado num
abraço e beijou-o longa e docemente.
- Obrigada!
- Você merece, Mary Anne. – ele deu
um grande sorriso para ela. Tudo o que mais desejava era agradá-la.
O casal passou a tarde na
cama, trocando carícias e beijos e se amando. Acabaram adormecendo. Quando já
era noite, Manuel deixou seu caixão no Castelo Beckenbauer e dirigiu-se à sua
fazenda. Ao abrir o portãozinho, ouviu... Gemidos vindo da casa?
Entrando, os ruídos ficaram
mais altos, e logo o vampiro rastreador ouviu uivos também. Havia,
possivelmente, um casal de lobos se amando em seu antigo quarto. Ficou furioso.
Escancarou a porta e berrou:
- Ei! Vocês! SAIAM DA MINHA FAZENDA
AGORA!
George e Mary Anne
foram tomados de surpresa. Pegando suas roupas e se vestindo o mais rapidamente
que eram capazes, saíram dali numa corrida desabalada. Acabaram por chegar à mansão de Bobby Moore
juntos. Paul viu-os entrando juntos, e reparou nos cabelos despenteados e nas
roupas amarrotadas dos dois. Sem notá-lo, um começou a arrumar o outro.
Paul pigarreou para
que soubessem de sua presença na cena.
- PAUL! – os dois exclamaram,
surpresos, ao vê-lo.
- O que significa esta cena que
acabei de presenciar?
- Hã... Paul... – Mary Anne tentou
começar a explicar.
- Primeiro eu quero ouvir dele,
Mary. – Paul voltou-se para o amigo, as sobrancelhas franzidas.
- Paul, em momento algum eu traí
sua confiança. Sou o seu amigo de sempre... Mas estou apaixonado pela sua irmã
há muito tempo...
- Eu não quero que Mary Anne sofra!
- Paul, eu jamais...
- Era o que Daltrey dizia!
- Paul, meu irmão, por favor! –
Mary Anne interveio. - Eu uivo por
George! Sinto um imprinting por ele, e sei que o sentimento dele tem a mesma
pungência, pode equiparar-se a um imprinting! Vejo isso nos olhos dele...
- George, você jura que ama a minha
irmã verdadeiramente?
- Sim, Macca, eu juro! Por que não
acredita?
Paul percebeu que talvez
estivesse de fato sendo muito duro com o amigo e a irmã, e que, mesmo que
desejasse protegê-la e evitar que seu coração se partisse outra vez, não
deveria privá-la de viver um amor verdadeiro, como era visível que havia ali.
- Bom... Perdoem-me por ser tão
cabeça-dura. Eu... Só desejo manter a minha maninha querida afastada de
qualquer dissabor... Contudo, creio que estou exagerando. Sei que você será bom
para a minha irmã, George. – Paul sorriu para o amigo e apertou a mão dele.
Alguns dias após
Manuel haver expulsado Mary Anne e George de sua casa, ele e Felicity se
casaram e passaram a ocupar a fazenda outra vez. Em decorrência disso, a loba e
o mago passaram a fazer amor na floresta, como os vampiros Davy e Dianna Jones
costumavam fazer na época de seu namoro.
Certa noite, porém,
como já não tinham mais o que esconder do restante dos moradores da mansão,
resolveram se amar no quarto de George, mesmo sabendo que Paul não veria isso
com bons olhos. Todos na mansão ouviram os ruídos amorosos vindo do quarto do
mago. Paul ficou um pouco incomodado, porém, acabou por não dizer nada. Não
tinha o direito de impedir a irmã e o amigo de viverem seu romance.
Após terminarem o
ato, George e Mary Anne saíram do quarto. Ao vê-los, Alberta foi até Mary Anne.
- Mary Anne, posso pedir um
conselho?
- Claro, Alberta!
- Vamos para o meu quarto para
conversarmos.
As duas lobas
entraram no quarto da loira.
- Sobre o quê quer pedir meu
conselho, Alberta? – indagou Mary Anne.
- Bem... Sobre Ringo.
- Ringo? – Mary Anne repetiu,
surpresa.
- Sim... Estou apaixonada por ele,
Mary Anne. Não é um imprinting porque já
senti o meu... Por Walter. Mas ele
morreu...
Walter
Koenig era um vampiro andarilho que foi o primeiro amor de Alberta. Eles viveram
juntos por cerca de dois anos até Walter ser morto pelo Barão Lauda, para proteger
a loba e a pequena Phillipa, a filha que tiveram. A pequena, que havia nascido
vampira como o pai, e ele próprio, não resistiram.
- Mesmo não sendo um imprinting,
Alberta, você precisa falar com ele!
- Não tenho coragem...
- Bom... Eu entendo. – Mary Anne
abraçou Alberta. – Mas falo por experiência própria: quanto antes abrir o jogo,
melhor. Certo?
Naquela noite, Mary Anne,
Alberta, as irmãs Donovan e Marianne Jones, assim como todas as mulheres da
região, com exceção das bruxas Nora e Lyanna Smith e Renée Chapelle,
despertaram enfeitiçadas por uma voz rouca e sussurrante, sensual.
Para elas, a voz, que na
verdade era o som produzido pela flauta mágica do nosferatu Ronnie Peterson,
soava como os amados chamando-as. Assim, elas não podiam resistir.
Os homens acordaram em desespero, e saíram em
busca delas. George saiu armado com uma besta de prata. Em meio à luta com
Peterson, que havia levado as mulheres para a Ilha das Mandrágoras e
enlouquecia e torturava os homens com sua música, George conseguiu acertá-lo
com uma de suas flechas prateadas, queimando a mão do vampiro e fazendo-o
largar a flauta, que Gerd Müller pegou e partiu ao meio, em seguida jogando na
boca de Caríbdis. Por ser mago, George foi o único homem, além de Peter Tork,
que não foi afetado pela música maléfica de Peterson.
Quando a luta acabou,
as mulheres saíram do transe, desnorteadas. George carregou Mary Anne até a
mansão de Bobby Moore, e lá ele deitou-a na cama.
- George... Eu... Estou meio
perdida... Minha cabeça... Está girando...
- Calma. Durma agora. Amanhã eu te
explico tudo. – ele beijou a testa da loba e deixou-a dormindo, indo para seu
próprio quarto.
No dia
seguinte, George explicou tudo à amada,
que ficou muito espantada com tudo aquilo.
- Meu Deus... Que horror...
- Não se preocupe, Mary Anne. Agora
está tudo bem. Tudo voltou ao normal.
- Sim... Mas não deixa de ser
assustador...
- Bem, não mesmo. Mas eu tenho uma
pergunta a te fazer, minha loba.
- Que pergunta, meu mago?
- Bom... Mary Anne, minha amada
loba, quer ser minha esposa?
Mary Anne num primeiro
momento não conseguia acreditar.
- Sua... Sua esposa?
- Sim... Eu sei que é um pouquinho
cedo, mas eu te amo tanto, Mary Anne, quero tanto ficar com
você para sempre...
- Eu aceito, George! – a loba
abraçou o amado. – Quero tanto você, meu lobo!
O casal então trocou um
beijo apaixonado para selar o compromisso. Alguns dias depois, realizava-se
diante de toda a alcateia o ritual de casamento dos lobos.
- Como macho alfa desta alcateia,
tenho poder para unir estas duas vidas para sempre. Mary Anne McCartney, jura
que ama George Harrison com toda a força de seu ser? Que será fiel a ele para
sempre? – perguntou Bobby Moore.
- Eu juro. – Mary Anne afirmou,
sorrindo para George.
- George Harrison, jura que ama
Mary Anne McCartney com toda a força de seu ser? Que será fiel a ela para
sempre?
- Eu juro.
- Assim sendo, pelo poder em mim
investido, eu os declaro marido e mulher. Coloquem suas alianças e podem se
beijar.
George colocou a aliança de ouro no
dedo de Mary Anne, que fez o mesmo com ele em seguida. A loba tomou o mago nos
braços e se beijaram apaixonadamente. Agora nada nem ninguém seria capaz de
separá-los. Nem Paul e seus ciúmes, nem Pattie Boyd, nem Bobby Moore.
A
felicidade do mago e da loba só foi maior quando, pouco mais de um ano depois,
Mary Anne deu à luz um lobinho com poderes mágicos, que os pais nomearam George
Jr. Ele foi o primeiro de uma prole de crianças híbridas. Além de lupinas,
tinham também herdado os poderes do pai. A George Jr. se seguiram Amanda
Elizabeth, Corina e Dhani. Os pais olhavam orgulhosos para seus filhos, e então
trocavam um beijo doce, como o primeiro que trocaram, naquela noite na caverna.
