terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Oneshot: Howlin' For You (What If - Modern Vampires Of The City)

Boa tarde! Menos de 24 horas depois temos uma nova oneshot no blog! Faz tempo que eu não escrevo sobre os Beatles, né? Bem, os protagonistas desta oneshot do micro-universo Modern Vampires Of The City são o mago George Harrison e a loba Mary Anne McCartney (meu segundo otp <3). Tentei fazê-la um pouco nos moldes de I'm Gonna Love You, a oneshot de D&D (otp supremo <3) nesse micro-universo. Boa leitura! 











      Mary Anne McCartney ainda não acreditava no que havia acabado de ocorrer. John Lennon, velho amigo de seu irmão e também dela própria, havia morrido.
       A alcateia estava em Viena, Áustria, numa caçada. Uma tempestade havia os atrasado. Seria uma longa viagem de volta a Munique, na região alemã da Bavária, onde viviam. Os lobos haviam encontrado a corja de vampiros do barão Niki Lauda, que estavam realizando uma verdadeira chacina entre os lobos da capital austríaca.
        Bobby Moore, o lobo alfa, liderou seus súditos numa feroz luta contra os vampiros do barão. Lennon era o que lutava mais bravamente, ajudado por sua amante, a loba ruiva Rosie Donovan. A alcateia conseguiu salvar a vida de muitos lobos vienenses e a alcateia de Moore foi embora ilesa... Com a exceção de John, que lutou contra François Cevert até o último segundo. Quando ele tombou morto, Rosie sufocou um grito de horror e desespero.
          Vivian, a irmã mais nova de Rosie, e Mary Anne tentaram consolar a pobre loba. Internamente, apesar de muito triste pela morte do corajoso lobo e pelo risco que correu de perder seu irmão Paul, a única família que lhe restava, Mary Anne estava aliviada por George Harrison ter permanecido em Munique.
        Ele era um jovem mago poderoso, velho amigo de Mary Anne, Paul, John e Ringo, este também um lobo liverpooliano. Havia muito tempo que Mary Anne amava George, porém, não tinha certeza da correspondência. Acreditava que talvez o mago preferisse Nora Smith, uma feiticeira como ele.
         Durante a viagem de volta a Munique, todos os lobos tinham expressões pesarosas. Quando George reviu seus companheiros, notou a tristeza em seus rostos e a ausência de John, logo adivinhou o que havia acontecido. E também se enlutou.



- É tão horrível, George. – disse Mary Anne a ele. – John era tão jovem. Poderia ter vivido longos anos. Ter sido feliz com Rosie.

- Sim. Uma perda horrível. – concordou o mago, ainda menos expansivo do que de costume.

- Bem, o que ficou fazendo aqui durante nossa ausência?

- Andei praticando. Aperfeiçoando meus poderes. Tenho trocado ideias com Nora. E com um novo mago que está vivendo nas redondezas. Seu nome é Peter Tork. Ele me disse que pretende pedir abrigo a Moore aqui na ilha. Pelo que me parece, é amigo de Mike Nesmith e Micky Dolenz, aqueles lobos americanos que chegaram da Inglaterra.

- Ah sim.

- Mary Anne, sei que está triste, afinal John era seu amigo também. Crescemos todos juntos entre os lobos de Liverpool. Mas você me parece mal por outro motivo. O que aconteceu?

- Não é nada. – Mary Anne tentou desconversar. Não poderia dizer a George a verdade, que era ele a causa do seu sofrimento.

                


                A loba havia sido infeliz no amor, e desde então seu irmão controlava sua vida amorosa. Paul se tornou ciumento e a protegia demais. Antes de George, ela havia se apaixonado por um jovem londrino, chamado Roger Daltrey, que havia conhecido numa viagem dele a Liverpool.
               Roger havia feito mil promessas a Mary Anne, e a principal delas era que se casaria com ela. Contudo, quando ela revelou ao amado que era uma loba, Roger a abandonou, sem pensar duas vezes.
               O que ela mais temia era ser rejeitada novamente. Embora sentisse que George não faria isso com ela. Resolveu desabafar sobre isso para Evanna Davies, sua melhor amiga, que vivia em Nova York, casada com um rapaz chamado Art Garfunkel.

                

                    Querida Evie,

                  Eu não sei o que fazer. Eu amo muito George, e a cada dia que passa sinto que preciso dizer isso a ele, ou vou ficar louca. Todavia, tenho muito receio de ser rejeitada outra vez. Você sabe o que Daltrey fez comigo.
               Sei que George não me rejeitará porque sou loba. O que me faz pensar que ele pode me rejeitar é o fato de que gosta muito de uma certa maga chamada Nora Smith, de quem ele é muito amigo.
              Os livros dizem que as mulheres sempre sabem quando são amadas. Acontece que eu não sei se George realmente me ama, ou apenas tem uma forte amizade por mim. Vivo tão cheia de dúvidas... Ajude-me, Evie! Dê-me uma luz, por favor! Antes que diga que não está em posição de dar conselhos amorosos, eu digo que está sim! Você conseguiu casar-se com o homem que ama.
            A morte de John abalou toda a alcateia. Todos nós gostávamos muito dele. A Ilha dos Lobisomens tem novos moradores. Um mago chamado Peter Tork, conhecido de George, teve abrigo aqui concedido por Bobby Moore. Pelo que sei, ele é amigo de dois lobos que vivem aqui há algum tempo, Mike Nesmith e Micky Dolenz. Além dele, um amigo dos três, um vampiro chamado Davy Jones, veio morar aqui depois que o Conde Beckenbauer o baniu dos seus domínios.
            Como estão as coisas aí em Nova York? Tudo bem com você? Art está bem? E o seu filho, o pequeno Jamie? Quando você virá me visitar?

             Aguardo ansiosa a sua resposta.
          
             Sua amiga,


                                                                                                                        Mary Anne




                      


                         Mary Anne colocou a carta no correio. Esperava que a carta chegasse logo à sua amiga, permitindo que ela escrevesse logo dando algum conselho à loba. Para a sorte dela, a carta não demorou a ser entregue às mãos de Evanna, que leu a carta atentamente.            Percebendo o quanto sua amiga estava sofrendo com aquele dilema, Evanna tentou ajudar Mary Anne da melhor forma possível. Escreveu sua resposta.



                            Querida amiga Mary Anne,


                             Eu não acho que você deva ter receios em relação a George. Por tudo que sei a respeito de vocês dois, ele gosta muito de você. Mais do que você imagina. Não acho que essa Nora Smith seja mais do que uma boa amiga para ele. Procure saber mais sobre a relação que eles têm. Estou com um pressentimento de que você vai acabar se surpreendendo.
                             Está tudo muito bem aqui em Nova York. Eu estou bem, e meu marido também. Nosso filho também, a cada dia mais esperto e parecido com o pai. Contudo, ainda não é crescido o suficiente para que eu me afaste dele, e também acho arriscado trazê-lo comigo. A viagem de Nova York a Munique é bastante longa, você sabe. Perdoe-me por não poder ir vê-la por enquanto.
                            Escreva-me sempre que quiser. Sempre estarei pronta para responder.
                               Sua amiga,

                                                                                                                                    Evie
  


        


                  Assim que leu a missiva de sua amiga, Mary Anne respirou profundamente. Evie estava certa. Precisava saber mais sobre George e Nora. Contudo, não sabia se tinha liberdade o suficiente para fazer aquele tipo de questionamento a George.

                                                            

                                                                        ***





- Ah, Nora, se eu não soubesse o perigo que as poções de amor representam, faria uma e daria um jeito de Mary Anne bebê-la!

- Acha mesmo que ela não corresponde ao seu sentimento, George? – indagou Nora.

- Não... Ela gosta de mim, isso é certo, mas sempre parece distante... Talvez ela prefira ainda aquele patife do antigo noivo dela.

- O tal que a dispensou por ser loba? Não seja ridículo, George! Você conhece Mary Anne melhor do que eu, e por tudo que você me contou sobre ela, ela não me parece o tipo de mulher que ficaria sofrendo por homens daquele tipo!

- É... Você tem razão, Nora, Mary Anne é qualquer coisa, menos tola. Mesmo assim, se não tenho um rival... Mary Anne tem um irmão excessivamente zeloso.

- Paul tem mania de se meter na vida amorosa dela, não tem?

- Sim. Sabe, não posso culpar totalmente o Macca, depois da atitude desprezível daquele verme do Daltrey. Ademais, Paul e Mary Anne só têm um ao outro...

               

                 Jim e Mary, os pais de Paul e Mary Anne, e Mike, gêmeo dela, haviam sido mortos por caça-monstros em Liverpool, enquanto os dois irmãos haviam saído do bairro dos lobos para fazer compras. Quando chegaram, viram a casa revirada e os corpos de seus familiares estendidos no chão, jorrando sangue, alvejados por balas de prata. Desamparados, os dois irmãos, acompanhados de George, John e Ringo, fugiram para Munique. Bobby Moore aceitou os quatro jovens lobos, e, pelo fato de sua profunda amizade com os novos refugiados de Moore, o jovem mago também foi aceito.




- Bom, de fato, Paul está certo em querer proteger Mary Anne, e ela faria o mesmo por ele.  – disse Nora.

- Certamente. Mary Anne... É maravilhosa. É linda. É inteligente. É determinada. É feroz com os inimigos e doce com os amigos. – George falou.

- O que está esperando para dizer a ela sobre seus sentimentos, meu amigo?

- Não sei bem, Nora, apenas não sinto que o momento seja propício.

- Entendo. Bem, tenho um encontro com Sepp daqui a meia hora. Preciso me arrumar.

- Vou deixá-la, minha amiga. Amanhã retorno para que continuemos nossas práticas, estamos combinados?

- Sim, claro! E se quiser chamar Peter, tem minha permissão!

- Está bem, falarei com ele. – disse George com um sorriso.

              


               E o mago saiu da casa para retornar à Ilha dos Lobisomens. Caminhava de volta para lá, sem saber que era observado por ninguém mais, ninguém menos do que o noivo de Nora, o vampiro Sepp Maier. O vampiro ágil como um gato ignorava o fato de que o rapaz alto e magro que espreitava era amigo de sua amada, e ainda por cima era um mago. Sepp acreditava na superstição de que sangue de mago dava azar.
              Preparou-se para o ataque. Deu um salto e aterrissou sobre o mago, que gritou com o susto.




- Suas últimas palavras antes de se tornar minha refeição? – Sepp indagou a George, sorrindo um pouco cruelmente.

- Últimas palavras coisa nenhuma, nosferatu! – George ouviu Mary Anne gritar antes que ele pudesse responder qualquer coisa.

                 

                Subitamente, lá estava ela, em forma de loba, arranhando as costas do vampiro. Ele acabou soltando George, enquanto tentava se livrar de Mary Anne, firmemente segura em suas costas. A loba caiu no chão com um movimento rápido do vampiro. Contudo, pôs-se de pé no mesmo instante e rosnou. Sepp recuou um passo, porém, Mary Anne avançou, e mordeu a canela de Sepp, fazendo-o gritar de dor. Ele pegou a canela, tentando parar o fluxo de sangue. Mary Anne assumiu forma humana novamente.




- Isso é para você aprender a não mexer com os meus amigos, Sepp Maier! – advertiu Mary Anne.

- Sepp... Maier? – espantou-se George.

- Sim. Qual é a surpresa? – Mary Anne e Sepp inquiriram em coro.

- Esse é o nome do... Noivo de Nora.

- Noivo? – Mary Anne estava surpresa e ao mesmo tempo feliz. Queria dizer que a maga não estava interessada em seu amado George?

- Você conhece a Katz... Quero dizer, a Nora? – quis saber o vampiro.

- Sim. Sou amigo dela. Meu nome é George Harrison.

- George Harrison? O mago! Eu iria beber sangue de mago e ganhar um tremendo azar!

                      


                  Mary Anne e George riram diante do desespero do vampiro. George curou o ferimento na canela de Sepp e, depois que ele partiu para encontrar Nora, o mago e Mary Anne voltaram juntos para a ilha.




- Obrigado por me salvar, Mary Anne. – disse George com um sorriso.

- Não precisa me agradecer. Sei que faria o mesmo por mim.

- Claro que faria.

                           

                   Houve alguns minutos de silêncio, que Mary Anne quebrou.




- Então, sua amiga Nora vai se casar.

- Sim. Com esse vampiro.

- Você... Não se incomoda com isso, George?

- Não. Por que deveria? Nora o ama, devo é ficar feliz por ela!

- Você não acha que ela vai ter menos tempo para vocês praticarem?

- Isso é fato. Mas não me incomoda. Nora não se incomodaria se eu fosse ter menos tempo por... Me casar com a minha amada.

- Você... Tem uma amada? – Mary Anne não se conteve.

- Tenho. – George respondeu, sorrindo. Mary Anne sentiu uma certa esperança. Porém, ao mesmo tempo, temia que a tal amada de George fosse outra, mesmo que não fosse Nora.

                                                                        

                                                                          ***

        


         Bobby Moore, líder da alcateia, estava interessado em encontrar uma esposa para si. Passou a pensar nas lobas que habitavam a ilha. Vivian Donovan era excluída de imediato. A lobinha ruiva era pouco mais do que uma criança, e Christopher Romanov já tinha seu coração.
        A irmã mais velha de Vivian, Rosie, também não servia. Na verdade, a ruiva seria sua esposa ideal, por ser bela, inteligente, forte e corajosa, contudo, estava de luto pela morte de John Lennon, e certamente continuava a amar o falecido namorado. Portanto, também não era uma opção. Havia as duas recém-chegadas, Emma Carlisle e Alberta Mann.
        Emma era linda, dona de um porte nobre, e dura na queda. Não seria uma má esposa. No entanto, também não era uma opção para o macho alfa. Micky Dolenz, o lobisomem que era dono da mansão vizinha, havia tido um imprinting com a loba loira e alta. E era visível que Emma também havia sentido o imprinting por ele.  
      Alberta, loba meiga e valente, também estava de luto desde que seu namorado, Dennis Wilson, também um lobo, havia sido morto por François Cevert, o vampiro do séquito do Barão Lauda que havia sido responsável pela morte de Lennon.
      Assim, Moore tinha apenas uma opção restando: Mary Anne McCartney. Sim, a irmã de Paul seria uma excelente esposa para ele. Mary Anne era uma linda loba, sem dúvida, mas também gozava da plena confiança de Bobby. Tinha inteligência, força, coragem e determinação, e quando era necessário demonstrava uma grande ferocidade. Em suma, reunia todas as qualidades que a esposa de um líder de alcateia deveria apresentar. Caso ele viesse a cair, Mary Anne assumiria a liderança da alcateia, e ensinaria aos filhotes que tivessem tudo sobre ser um bom líder.
       Estava decidido. Ela seria sua noiva. Primeiramente, Moore tinha que falar com o irmão da jovem, e pedir a permissão dele para fazer a corte. Após um tempo cortejando-a, faria o pedido, e daria tempo a ela para pensar se aceitaria ou não. Todavia, o lobo alfa estava quase certo de que Mary Anne aceitaria. Que loba não gostaria de se tornar a fêmea alfa de sua alcateia?
         Foi até o quarto de Paul e bateu à porta. O lobo poeta abriu-a.




- Sim, senhor? O que deseja?

- Paul, gostaria de falar com você. É um assunto de extrema importância. Envolve sua irmã.

- Minha irmã? Qual é o problema com Mary Anne?

- Não é um problema, muito pelo contrário. Paul, eu gostaria de pedir-lhe permissão para cortejar sua irmã.

        


        Paul ficou surpreso. A última vez em que alguém havia pedido permissão para fazer a corte a Mary Anne não tinha terminado nada bem. Entretanto, sabia que Moore era honrado, diferentemente de Roger Daltrey. Se ele e Mary Anne firmassem compromisso, o casamento aconteceria. Mesmo assim, Paul tinha suas dúvidas quanto a dar sua autorização.




- Se me permite, senhor... Por que minha irmã? Não crê que Rosie seria uma esposa melhor?

- Sim, eu creio. Porém, Rosie está em luto por Lennon, que ela ainda ama. E eu respeito isso.  Sua irmã reúne as mesmas qualidades de Rosie. Sei que, se eu vier a ser derrotado e morto, Mary Anne será uma ótima líder para a alcateia e preparará nossos filhotes para um dia assumir a liderança.

- Bem... Está bem, está autorizado a fazer a corte à minha irmã.

- Eu agradeço, Paul. – Moore apertou a mão de Paul.

                                                               


                                                                                  ***


                  

               Mais tarde, Paul bateu à porta do quarto da irmã.




- Quem é? – perguntou ela.

- Sou eu, Mary Anne.

- Entre, Paul.

              

               O lobo adentrou o quarto de sua irmã. Mary Anne depositou sobre a cama o livro que lia.


- O que deseja, meu irmão?

- Irmãzinha... Tenho uma notícia importante para comunicar a você.

- Que notícia?

- Mary Anne... Moore veio me pedir permissão para fazer-lhe a corte.
                          
          


            A loba ficou espantadíssima.



- O quê?

- Foi o que você ouviu. O líder da alcateia quer torná-la a loba dele.

- Mas... Por que eu, Paul?

- Diz ele que, depois de Rosie, você é a melhor esposa que ele poderia ter.

- Então por que ele me escolheu no lugar dela?

- Ele não vai desposar Rosie porque ela está de luto por John, e ainda o ama.

- Paul, não posso me casar com Moore! Ele não me ama! Só está pensando na sucessão! No poder! Não vou me casar com ele.

- Mas, Mary Anne, ele quer que você seja a líder da alcateia caso ele morra!

- Moore quer que os filhotes sejam os líderes, não eu! Ele só está pensando em mim como o meio que garantirá herdeiros para ele... Não, eu não vou aceitar essa corte! Vá dizer isso a ele!

- Mary Anne...

- Eu não vou recuar, Paul! Eu sei muito bem o que quero!

                                                             

                                                                         ***






- Moore está querendo se casar com Mary Anne.  – disse Paul a Ringo e George.

        

       O lobo e o mago se surpreenderam com a notícia. George sentiu como se fosse apunhalado no peito.  Decerto Mary Anne aceitaria o pedido do lobo alfa.


- E... O que ela acha disso? – quis saber Ringo.

- Ela não está nada feliz com isso, para falar bem a verdade.  – Paul falou.

               

          George reprimiu um suspiro de alívio.



- Por quê? Porque já teve uma má experiência em termos de noivado? – indagou George.

- Pode ser.  – disse Paul. – Mas minha irmã não deixou isso tão claro. Ela está mais furiosa pelo fato de que Bobby escolheu-a como noiva por questões práticas, não por amor. E sabe, acho que ela não está tão errada assim. Contudo, estou com medo de qual será a reação dele quando souber que minha irmã não aceitará a corte.

          
          O mago se indagava se aquela recusa veemente de Mary Anne a se casar com o lobo alfa, além da indignação dela pelo fato de que aquele casamento ocorreria somente para garantir herdeiros que sucederiam Moore na liderança da alcateia, refletia o sentimento que ela poderia ter por algum homem... Se fosse assim, George esperava que ele fosse o homem.

                                                                        
                                                                      ***


              

            No dia seguinte, George foi se encontrar com Nora e Peter na casa de Anastacia Rosely, para praticar seus feitiços e poções. Os outros dois magos notaram que George estava ainda mais quieto e pensativo do que o normal.



- Eu não tenho muita intimidade para falar com ele... Mas você sim, Nora. – disse Peter. – Acho que você deve abordar o assunto com ele.

- Sim, Peter. Eu devo. Creio que deve ser algo relacionado a Mary Anne McCartney.

             

             Nora aproximou-se do amigo, enquanto ele preparava uma poção.




- George?

- Sim, Nora?

- Está tudo bem com você?  Sei que você costuma ser assim quieto, mas... Não parece sua quietude normal.
                         
                        

                George tirou os olhos do caldeirão onde preparava a poção e fitou Nora. Soltou um suspiro.




- Mary Anne vai se casar.

- O QUÊ?

- Isto é, se depender do Moore.  Ele quer tornar minha amada loba sua esposa.

- E ela parece inclinada a querer aceitar o pedido?

- Não. Mas quando Moore quer algo, ele consegue, mesmo que seja de uma loba teimosa e turrona como a Mary Anne.

- Faça alguma coisa, George! Não pode permitir isso!

- O que eu posso fazer, Nora? – George deu de ombros.

- Pode... Conversar com o Moore. E se for preciso... A magia dará uma ajuda. – Nora piscou para o amigo.

                                      
                                                                         ***


                

          George regressou à Ilha dos Lobisomens. Encontrou Moore administrando mais uma sessão de treinamento. Os lobos corriam, usavam sacos com enchimento como possíveis presas, e lutavam entre si.


- Com licença, rei Moore. – ele chamou o líder dos lobos.

- Sim, Harrison?

- Preciso falar com o senhor. Em particular.

                      

          Moore ficou desconfiado. No entanto, aquiesceu.


- Certo. Vamos ao meu escritório.

                          

          O mago foi conduzido por Bobby ao quarto da mansão que lhe servia de escritório. Era um cômodo simples, com uma mesa de madeira lustrosa, algumas estantes de livros e papel, pena e tinteiro sobre o tampo da mesa. Havia duas cadeiras. Moore sentou-se e indicou a cadeira à sua frente a George.



- Sobre o que deseja falar comigo, Harrison?

                              

          George reuniu o máximo de coragem que tinha em si e falou:




- Senhor... Não pode se casar com Mary Anne.

                                 
                                

             O lobo alfa ficou surpreso.



- O que está dizendo, Harrison?

- Não pode se casar com ela! Um mero casamento de conveniência! O hábito é muito comum até hoje, eu sei, mas pense na loba! Ela não quer se casar com você simplesmente para lhe garantir a sucessão!

- E que interesse você tem nisso, Harrison?

- Eu... Eu a amo, senhor! Se eu fosse um lobo, diria que sinto um imprinting por ela!

                            

                Aquela afirmação era muito forte. Todo lobo sabe da intensidade que um imprinting possui.



- Mil perdões, Harrison, se soubesse eu jamais teria sequer cogitado cortejá-la. Ela ficará livre para você.

                        

                George não podia acreditar.



- Muito obrigado, senhor, muito obrigado mesmo!

- Mas me diga algo... Ela sabe que a ama?

- Não... Mas farei com que saiba!

                            

                Dois dias depois, George saía da casa de Anastacia Rosely, onde mais uma vez praticara magias com Nora e Peter, quando ouviu uma voz feminina suave chamá-lo.



- George!

                             

                  Ele virou-se, e viu Pattie Boyd, uma aprendiz de Lyanna Smith, a avó de Nora.



- Sim, Pattie, o que quer?

- O que eu quero? – a aprendiz de maga o encarava com um brilho nos olhos azuis. Ela era muito bonita, mas não mais do que Mary Anne.  – O que eu quero é você... – disse ela, colocando os braços ao redor do pescoço de George e roubando-lhe um beijo.

                            

                   George viu uma figura feminina se aproximar da cena... Era ela.



- George... – Mary Anne murmurou, sentindo como se uma mão de gelo tocasse seu coração. – Não...

                         

                   Ela se virou, as lágrimas começando a cair, e correu de volta para a Ilha dos Lobisomens.



- Mary Anne! Espere! – George pediu, soltando-se de Pattie.

- George, por favor! – Pattie clamou.

- Desculpe-me, Pattie, mas não quero você. Adeus!
                    

                     E George seguiu em disparada para a ilha, atrás de Mary Anne.  Procurou por ela durante horas na floresta, porém, o esforço foi em vão. Voltou para a mansão de Bobby Moore, desolado. Estava mortificado por magoar sua amada.  Assim que entrou, Paul indagou-lhe:



- George, viu minha irmã? Ela saiu para caçar e ainda não voltou!

- Não... Eu não a vi. – George falou, preocupado com ela.

                      

                    Mais ou menos uma hora após George ter voltado, uma série de uivos lamentosos se fez ouvir. Aqueles uivos enchiam de agonia quem quer que ouvisse. Os habitantes da mansão de Micky Dolenz também ouviram aqueles sons angustiados. Os moradores de ambas as mansões pensaram tratar-se de Mike Nesmith, que costumava sair à noite, solitário, chorando por Alice Stone. 
                Contudo, George sabia que quem uivava com tanto sofrimento não era Mike, mas uma pessoa que padecia por dores de amor tanto quanto o lobo: Mary Anne. “E eu sou o culpado!”. Ele não aguentou mais:



- Vou sair e procurar Mary Anne! – anunciou.

- Eu vou junto! – Paul disse, prontamente.

- NÃO! – George exclamou, um pouco exaltado demais. Se Paul viesse junto, estragaria tudo. Tentou consertar: - Não, Paul, não há necessidade. Dou conta disso sozinho.

- Mas é a minha irmã!

- Deixe que ele vá, Paul. – disse Moore, piscando para o mago. O líder da alcateia sabia bem o que George tinha em mente.

                 
                 Como Paul jamais ousaria questionar Bobby, George saiu em busca de Mary Anne. Embrenhou-se por entre as árvores, vez ou outra chamando o nome da loba. Tinha atravessado praticamente toda a floresta quando os uivos ficaram perfeitamente nítidos.  “Ainda bem, ela está por perto”.
                 Chegou à boca de uma caverna. Dali vinham os uivos. Respirou fundo e adentrou a gruta.


- Mary Anne?
                  

                 Ela estava sentada junto a uma das paredes frias da caverna, abraçando os joelhos e com a cabeça abaixada. Seu choro era tão dolorido que havia se transformado nos uivos que todos haviam ouvido.



- Você! – ela rosnou, ao erguer a cabeça e vê-lo.  – Por que veio atrás de mim? Volte para a aprendiz de maga... Sua namorada.

- Ela não é minha namorada! Ela me agarrou e me beijou! Eu mal troquei palavras com ela antes! Lamento que você tenha que ter visto aquilo.

- Ah, você lamenta? – Mary Anne continuava sem acreditar nas palavras de George.

                  

                George resolveu provocar um pouco.



- Mas e se ela fosse? Por que se incomoda, Mary Anne? Afinal... Somos só amigos.

                   

               Mary Anne corou ao ouvir aquilo. Ela soltou um suspiro, que no ar frio da caverna produziu uma pequena fumaça.



- George... – ela parou. Temia dizer aquelas palavras e sofrer uma decepção. Então resolveu falar de uma vez por todas. – Eu uivo por você.

                

               Sua voz saiu baixa demais. George não entendeu.



- Perdão... Mas não ouvi.

- Eu uivo por você, George Harrison! Desde não me lembro quando! – ela exclamou.


                  
              Mesmo não sendo lobo, George sabia muito bem o que aquela frase queria dizer. Entre os lobos, “eu uivo por você” equivale a dizer “eu te amo”, e normalmente só é dito por um lobo àquele por quem sente imprinting.


- Mary Anne...

- Eu não sei, mas acho que senti o imprinting por você no exato momento em que nos conhecemos... Faz muito tempo.  – ela abaixou a cabeça novamente, as faces muito rubras.

                      

               George ajoelhou-se diante dela e levantou o queixo dela.



- Queria ser um lobo para responder do mesmo modo, Mary Anne, para sentir o imprinting... Mas eu te amo mais do que qualquer coisa, desde sempre.

                       

                Os olhos de Mary Anne se arregalaram ao ouvir isso.



- É verdade, George?

- Sim. – ele sorriu para ela. – Cada palavra!

                    

               A loba não disse nada. Apenas sorriu para o mago e, colocando as mãos nas maçãs do rosto dele, puxou-o para um beijo. Mary Anne se sentia leve, e indizivelmente feliz. George também sentia uma alegria inexprimível. Ele acariciava os longos cabelos negros da loba, que corria as mãos por suas costas.



- Meu mago, eu esperei tanto por esse momento...

- Eu também, minha loba!

                       

              O beijo se intensificava a cada segundo.



- Quero ser sua. Toda sua. – Mary Anne sussurrou no ouvido de George.

- Então será. Mas não aqui... Não é o melhor lugar para isso. 

- Então... Vamos lá para fora. – Mary Anne sorriu maliciosa.

                        

             O novo casal saiu da caverna, e caminhou até uma clareira. A relva era macia ali.



- Perfeito. – murmuraram juntos.

                  

            Mary Anne deitou-se na grama, puxando George pela  mão. Ele caiu por cima dela. Ela voltou a beijá-lo e a correr seus dedos pelos cabelos, nuca e costas dele. Um começou a despir o outro. George estava extasiado diante da nudez de sua amada.


- Você é belíssima, minha loba... Do jeito que eu sempre sonhei.

- Você também é lindo, George, lindo, lindo... – Mary Anne beijou o pescoço de seu amado mago.


          Um pouco timidamente, George passou a apalpar os seios e as coxas de Mary Anne. Os gemidos dela o encorajaram a pôr um pouco mais de força nas apalpadas. A loba sentia sua parte íntima umedecer, e o toque do membro do mago enrijecendo.



- George, meu mago, eu quero você... Agora! – ela pediu.

- Estou pronto, Mary Anne, minha loba. – disse ele, sorrindo e beijando-a em seguida.


            George enfim deu início às estocadas, sempre procurando não machucar Mary Anne. Gemiam mais a cada instante.



- George, oh, George, eu nunca imaginei que minha primeira vez seria tão boa!

- Seu prazer é minha prioridade, amada.


            Chegaram ao ápice do prazer, e demonstraram isso, ele com um grito, ela com um longo uivo. Trocaram um beijo ardente e se separaram.



- Foi maravilhoso... Incrível. – a loba sorria.

- Estou feliz porque agora é toda minha. – o mago afagava os cabelos dela, e beijou sua testa. – Se seu irmão descobre o que fizemos...

- Dane-se o Paul! Eu entendo que ele queira me preservar de gente como aquele sacripanta do Daltrey... Mas você é diferente, George. – Mary Anne devolveu-lhe o afago no cabelo.
                                                                  

                                                                     ***


                         
                 Mary Anne e George precisavam de um lugar para se encontrar, longe das vistas de Paul. Julgaram melhor manter o relacionamento em segredo, num primeiro momento. Ambos procuravam por todas as imediações da Ilha dos Lobisomens, até que a loba encontrou o lugar perfeito.



- A antiga fazenda de Manuel Neuer. Está abandonada desde que Manuel se tornou vampiro e foi viver no castelo do conde.

- Acha que ele não vai voltar para lá, minha loba?

- Sim, George. Está bem abandonada. Precisamos arrumá-la para podermos nos encontrar.

- E é o que faremos, Mary Anne.

                     

                    Em alguns dias, a fazendinha nem parecia ter estado abandonada por tanto tempo.



- Está ótima, meu mago! – Mary Anne exclamou, olhando para a grama aparada, as paredes da casa sem rachaduras e com nova pintura. Os dois também haviam limpado e organizado tudo por dentro.

- Sim, está. Vamos entrar. – George pegou Mary Anne nos braços como um noivo pega a noiva.

- George! – Mary Anne levou um susto com o movimento repentino.  O mago apenas riu.

                     

                    George abriu a porta com um pequeno chute. Carregou Mary Anne casa adentro até chegarem ao antigo quarto do vampiro rastreador. Deitou-a na cama de casal. Os olhos negros da loba brilhavam de amor e de desejo pelo mago.
                    Ele se juntou a ela na cama, fazendo carinho na amada e beijando-a docemente. Ela retribuía os gestos.



- George... Talvez nós já devêssemos contar para a alcateia sobre nós...

- Mas assim fica mais emocionante, meu amor.

- Bom, isso não posso negar. Mas eu gostaria tanto de poder dizer para todos que nós nos amamos, Joj...

- E você vai poder, Mary, só espere um pouco mais. Não se esqueça de que seu irmão vai ficar furioso!

- Paul precisa parar com isso. Ele tem que entender que não vai me controlar para sempre! Aliás... Ele nunca me controlou. Por ele, eu já estaria casada com Moore faria muito tempo. Mas isso eu não admitiria. Nunca. A última coisa que eu faria na vida seria me casar sem amor.

- Às vezes não consigo crer em quão facilmente consegui que Moore desistisse de se casar com você.

- Você não usou nenhum encantamento ou poção para isso, George?

- Não, Mary Anne! Eu juro, foi sem magia alguma! Apenas disse que, se eu fosse um lobo, eu diria que sinto um imprinting por você.

- É verdade, querido?  – Mary Anne sorriu. – Seu sentimento por mim é assim tão forte?

- Ainda duvida do meu amor?

- Não é bem isso... É que não sei dimensionar bem o amor em padrões que não o dos lobos... Não sei dizer quando o amor sentido por uma criatura não lupina tem uma intensidade equivalente à de um imprinting.

- Pode confiar que o meu amor por você é como um imprinting, loba. – George beijou o pescoço de Mary Anne.

- Oh, mago... – ela gemeu baixinho, gemido esse que queria se transformar em uivo.

- Não uive, Mary Anne, ou seremos descobertos!

- Não consigo controlar... Ademais, já devem estar desconfiados de nós, pois quando um não está na mansão o outro também não está... Acredita mesmo que todos pensam que você está na casa de Anastacia Rosely com Nora e Peter?

- Não sei quanto aos outros, mas se alguém desconfia de nós, esse alguém é Ringo. Ringo e sua mania de se meter na vida alheia...

                                                                 

                                                             ***


             
                     O palpite de George estava correto.  Ringo suspeitava fortemente que o mago e a loba estivessem se encontrando secretamente.



- É muito estranho... Quando Mary Anne não está, George também não está, e vice-versa. Isso só pode significar que os dois estão juntos em algum lugar! Da próxima vez que um deles sair, vou seguir bem de perto, mas discretamente...

             
                

                     Assim o lobo fez. Assim que George saiu na tarde do dia seguinte, Ringo esperou que ele estivesse minimamente afastado da mansão de Bobby Moore para assumir a forma lupina e seguir o amigo. Durante o trajeto,  George ocasionalmente olhava para trás, porém, logo Ringo buscava abrigo na sombra densa das árvores e arbustos.  Na décima vez em que se sentiu seguido, George ameaçou:



- Quem quer que esteja me seguindo, apareça! Ou vou transformá-lo em um sapo ou coisa pior!

                      

                      Ringo não se deixou intimidar. Permaneceu quieto e tentou evitar que sua respiração ficasse alta demais. George se afastou, ainda lançando olhares para trás. Ringo saiu do esconderijo e continuou seguindo o mago, desta vez mais de longe.
                      O lobo viu o amigo caminhar até o portão da fazenda abandonada de Manuel Neuer. “Que esquisito!”, Ringo pensou. Estranhou ainda mais quando George abriu o portão e entrou. Começou a farejar... E sentiu cheiro de lobo. Ou melhor, de loba.  “Aha! Eu sabia, eu sabia! Espera só o Macca saber disso... Ele vai matar o George!”.  Ficou quieto, esperando para ver se conseguiria ouvir alguma coisa... E conseguiu ouvir, depois de um tempo, gemidos e uivos.
                      O lobo acabou adormecendo junto ao portão da fazenda. Despertou com alguma coisa pressionando sua cauda. Urrou de dor.



- Mas o que é isso? – ele ouviu Mary Anne indagar.

                             

                      Ringo abriu os olhos e voltou à sua forma humana.



- RINGO! – exclamou o casal, surpreso.

- Er... Olá.

- ERA VOCÊ QUE ESTAVA ME SEGUINDO, RINGO?

- Seguindo? Eu?

- Sim, Ringo, seguindo!

- É óbvio que era ele, Joj! – Mary Anne exclamou, irritada.

- ESCUTA AQUI, STARKEY, SE VOCÊ OUSAR CONTAR PARA ALGUÉM, ESPECIALMENTE O PAUL, EU VOU TE TRANSFORMAR EM ALGUMA COISA BEM ASQUEROSA!  - George bradou.

- Calma, George, eu não vou falar nada!

- Acho bom. – Mary Anne e George disseram em uníssono.

               

              Os dois lobos e o mago voltaram para a mansão de Bobby Moore. Mary Anne e George entraram separadamente, para não gerar quaisquer suspeitas. George estava bem de olho em Ringo. Se ele ousasse abrir a boca, apontaria sua varinha para ele no mesmíssimo instante e o transformaria na criatura mais repulsiva em que conseguisse pensar.
              No entanto, era difícil para o casal manter-se como simples amigos. Trocavam olhares furtivos. Moore sabia o que estava acontecendo, afinal, George havia confidenciado a ele seu amor pela loba. Ringo estava muito preocupado com a possibilidade de ser transformado em alguma coisa nojenta para se atrever a falar qualquer coisa. Rosie e Best também logo entenderam o que havia ali, pois eles próprios tinham que se encontrar às escondidas. Vivian também compreendia, e achava tudo aquilo muito romântico.  E Alberta ria internamente, pois sabia que seu amado Ringo estava tentando descobrir se Mary Anne e George estavam mesmo se encontrando escondidos. Bem que ele podia parar de cuidar tanto da vida dos outros e pensar em outras coisas...
               Somente Paul parecia não notar nada. Porém, ele percebia que sua irmã, por vezes, se perdia em pensamentos facilmente, e que suas saídas eram muito mais longas do que antes. Aquilo o preocupava. Decidiu abordar o assunto com Mary Anne.



- Mary Anne, maninha, posso falar com você?

- Claro, Paul. – a loba sorriu para o irmão.

- Eu tenho notado que... Você está se distraindo mais do que de costume. E também demorando mais para voltar para casa quando sai. Tem alguma coisa acontecendo?

- Não! Claro que não! Se estou mais distraída, é porque estou mais cansada. Se estou mais cansada, é porque realmente estou demorando mais para voltar para casa. E se estou demorando mais para voltar para casa, é porque estou explorando uma maior área para caçar e passear.

                

                  A resposta de Mary Anne pareceu convencer Paul. Contudo, ela tinha consciência de que ela e seu amado não podiam continuar fingindo que não estavam envolvidos por muito mais tempo. Ela sentia algo muito intenso pelo mago para não deixar transparecer, e a alegria de estar com ele tornava isso ainda mais difícil.
                  Alguns dias depois, a loba e o mago marcaram um encontro na fazendinha abandonada. George saiu um pouco mais cedo, para preparar o local. Mary Anne chegou à fazenda mais ou menos uma hora após George. Ao abrir o portãozinho, o delicioso cheiro de rosas invadiu as narinas da loba. Seu faro lupino aguçado estava extasiado.
                  Ela adentrou a casa.



- George?  - ela chamou pelo amado.

- Estou aqui... No quarto.

                      

                  Mary Anne foi até o cômodo onde se encontrava o mago. Viu-o deitado na espaçosa cama que outrora havia pertencido a Manuel. Por todo o quarto havia rosas e pétalas espalhadas, mesmo na cama.



- Oh, George... – Mary Anne não sabia o que dizer.

- Tudo para você, minha belíssima loba!

                                              
                   Ela envolveu o amado num abraço e beijou-o longa e docemente.



- Obrigada!

- Você merece, Mary Anne. – ele deu um grande sorriso para ela. Tudo o que mais desejava era agradá-la.

                   
                   O casal passou a tarde na cama, trocando carícias e beijos e se amando. Acabaram adormecendo. Quando já era noite, Manuel deixou seu caixão no Castelo Beckenbauer e dirigiu-se à sua fazenda. Ao abrir o portãozinho, ouviu... Gemidos vindo da casa?
                  Entrando, os ruídos ficaram mais altos, e logo o vampiro rastreador ouviu uivos também. Havia, possivelmente, um casal de lobos se amando em seu antigo quarto. Ficou furioso. Escancarou a porta e berrou:


- Ei! Vocês! SAIAM DA MINHA FAZENDA AGORA!

                         

                    George e Mary Anne foram tomados de surpresa. Pegando suas roupas e se vestindo o mais rapidamente que eram capazes, saíram dali numa corrida desabalada.  Acabaram por chegar à mansão de Bobby Moore juntos. Paul viu-os entrando juntos, e reparou nos cabelos despenteados e nas roupas amarrotadas dos dois. Sem notá-lo, um começou a arrumar o outro.
                    Paul pigarreou para que soubessem de sua presença na cena.



- PAUL! – os dois exclamaram, surpresos, ao vê-lo.

- O que significa esta cena que acabei de presenciar?

- Hã... Paul... – Mary Anne tentou começar a explicar.

- Primeiro eu quero ouvir dele, Mary. – Paul voltou-se para o amigo, as sobrancelhas franzidas.

- Paul, em momento algum eu traí sua confiança. Sou o seu amigo de sempre... Mas estou apaixonado pela sua irmã há muito tempo...

- Eu não quero que Mary Anne sofra!

- Paul, eu jamais...

- Era o que Daltrey dizia!

- Paul, meu irmão, por favor! – Mary Anne interveio.  - Eu uivo por George! Sinto um imprinting por ele, e sei que o sentimento dele tem a mesma pungência, pode equiparar-se a um imprinting! Vejo isso nos olhos dele...

- George, você jura que ama a minha irmã verdadeiramente?

- Sim, Macca, eu juro! Por que não acredita?

                   

         Paul percebeu que talvez estivesse de fato sendo muito duro com o amigo e a irmã, e que, mesmo que desejasse protegê-la e evitar que seu coração se partisse outra vez, não deveria privá-la de viver um amor verdadeiro, como era visível que havia ali.



- Bom... Perdoem-me por ser tão cabeça-dura. Eu... Só desejo manter a minha maninha querida afastada de qualquer dissabor... Contudo, creio que estou exagerando. Sei que você será bom para a minha irmã, George. – Paul sorriu para o amigo e apertou a mão dele.

                           

           Alguns dias após Manuel haver expulsado Mary Anne e George de sua casa, ele e Felicity se casaram e passaram a ocupar a fazenda outra vez. Em decorrência disso, a loba e o mago passaram a fazer amor na floresta, como os vampiros Davy e Dianna Jones costumavam fazer na época de seu namoro.
            Certa noite, porém, como já não tinham mais o que esconder do restante dos moradores da mansão, resolveram se amar no quarto de George, mesmo sabendo que Paul não veria isso com bons olhos. Todos na mansão ouviram os ruídos amorosos vindo do quarto do mago. Paul ficou um pouco incomodado, porém, acabou por não dizer nada. Não tinha o direito de impedir a irmã e o amigo de viverem seu romance.
             Após terminarem o ato, George e Mary Anne saíram do quarto. Ao vê-los, Alberta foi até Mary Anne.



- Mary Anne, posso pedir um conselho?

- Claro, Alberta!

- Vamos para o meu quarto para conversarmos.

                                  

              As duas lobas entraram no quarto da loira.



- Sobre o quê quer pedir meu conselho, Alberta? – indagou Mary Anne.

- Bem... Sobre Ringo.

- Ringo? – Mary Anne repetiu, surpresa.

- Sim... Estou apaixonada por ele, Mary Anne.  Não é um imprinting porque já senti o meu... Por Walter.  Mas ele morreu...

                                    

                 Walter Koenig era um vampiro andarilho que foi o primeiro amor de Alberta. Eles viveram juntos por cerca de dois anos até Walter ser morto pelo Barão Lauda, para proteger a loba e a pequena Phillipa, a filha que tiveram. A pequena, que havia nascido vampira como o pai, e ele próprio, não resistiram.



- Mesmo não sendo um imprinting, Alberta, você precisa falar com ele!

- Não tenho coragem...

- Bom... Eu entendo. – Mary Anne abraçou Alberta. – Mas falo por experiência própria: quanto antes abrir o jogo, melhor. Certo?

- Certo.


                     
                   Naquela noite, Mary Anne, Alberta, as irmãs Donovan e Marianne Jones, assim como todas as mulheres da região, com exceção das bruxas Nora e Lyanna Smith e Renée Chapelle, despertaram enfeitiçadas por uma voz rouca e sussurrante, sensual.
                   Para elas, a voz, que na verdade era o som produzido pela flauta mágica do nosferatu Ronnie Peterson, soava como os amados chamando-as. Assim, elas não podiam resistir.
                   Os homens acordaram em desespero, e saíram em busca delas. George saiu armado com uma besta de prata. Em meio à luta com Peterson, que havia levado as mulheres para a Ilha das Mandrágoras e enlouquecia e torturava os homens com sua música, George conseguiu acertá-lo com uma de suas flechas prateadas, queimando a mão do vampiro e fazendo-o largar a flauta, que Gerd Müller pegou e partiu ao meio, em seguida jogando na boca de Caríbdis. Por ser mago, George foi o único homem, além de Peter Tork, que não foi afetado pela música maléfica de Peterson.
                   Quando a luta acabou, as mulheres saíram do transe, desnorteadas. George carregou Mary Anne até a mansão de Bobby Moore, e lá ele deitou-a na cama.



- George... Eu... Estou meio perdida... Minha cabeça... Está girando...

- Calma. Durma agora. Amanhã eu te explico tudo. – ele beijou a testa da loba e deixou-a dormindo, indo para seu próprio quarto.

                              

                      No dia seguinte,  George explicou tudo à amada, que ficou muito espantada com tudo aquilo.



- Meu Deus... Que horror...

- Não se preocupe, Mary Anne. Agora está tudo bem. Tudo voltou ao normal.

- Sim... Mas não deixa de ser assustador...

- Bem, não mesmo. Mas eu tenho uma pergunta a te fazer, minha loba.

- Que pergunta, meu mago?

- Bom... Mary Anne, minha amada loba, quer ser minha esposa?

                       

             Mary Anne num primeiro momento não conseguia acreditar.



- Sua... Sua esposa?

- Sim... Eu sei que é um pouquinho cedo, mas eu te amo tanto, Mary Anne, quero tanto ficar com 
você para sempre...

- Eu aceito, George! – a loba abraçou o amado. – Quero tanto você, meu lobo!

                        

              O casal então trocou um beijo apaixonado para selar o compromisso. Alguns dias depois, realizava-se diante de toda a alcateia o ritual de casamento dos lobos.


- Como macho alfa desta alcateia, tenho poder para unir estas duas vidas para sempre. Mary Anne McCartney, jura que ama George Harrison com toda a força de seu ser? Que será fiel a ele para sempre? – perguntou Bobby Moore.

- Eu juro. – Mary Anne afirmou, sorrindo para George.

- George Harrison, jura que ama Mary Anne McCartney com toda a força de seu ser? Que será fiel a ela para sempre?

- Eu juro.

- Assim sendo, pelo poder em mim investido, eu os declaro marido e mulher. Coloquem suas alianças e podem se beijar.


                                

                George colocou a aliança de ouro no dedo de Mary Anne, que fez o mesmo com ele em seguida. A loba tomou o mago nos braços e se beijaram apaixonadamente. Agora nada nem ninguém seria capaz de separá-los. Nem Paul e seus ciúmes, nem Pattie Boyd, nem Bobby Moore.

                A felicidade do mago e da loba só foi maior quando, pouco mais de um ano depois, Mary Anne deu à luz um lobinho com poderes mágicos, que os pais nomearam George Jr. Ele foi o primeiro de uma prole de crianças híbridas. Além de lupinas, tinham também herdado os poderes do pai. A George Jr. se seguiram Amanda Elizabeth, Corina e Dhani. Os pais olhavam orgulhosos para seus filhos, e então trocavam um beijo doce, como o primeiro que trocaram, naquela noite na caverna.