sábado, 1 de fevereiro de 2014

I'm going on adventure

      Meu pai me criou para que eu fosse uma leitora tão voraz quanto ele. E ele não falhou. Ler é uma das coisas que mais me dá alegria, quase tesão. Os livros de que mais gostei sempre foram os de aventura, e até hoje você pode ver que a maioria dos livros que tenho em meu quarto tratam de grandes aventuras.
      Por causa disso, sempre achei que a vida que eu levo é muito tediosa. Uma mera sucessão de fatos repetitivos. Acordar, ir à escola, chegar em casa, almoçar, estudar e fazer tarefas, ler, entrar na internet, comer, ler mais um pouco e dormir.
       Esse ano, essa rotina vai se repetir, com algumas mudanças (vou ficar bastante distanciada do computador nos próximos meses), mas dessa vez, essa rotina será mais que apenas isso: ela será o treinamento para a grande aventura que me aguarda.
       E que grande aventura será essa? A vida adulta! E quando minha aventura se iniciará? A partir do momento em que meu nome aparecer na lista dos aprovados na segunda fase da Fuvest (ou da Unicamp, ou da Vunesp, ou de alguma federal).
         Esse é meu grande objetivo. E vou correr atrás até alcançá-lo. Eu não vou desistir. Enfrentarei grandes adversidades? Claro. Mas meus heróis nunca desistiram, e eu também não vou fraquejar.
           Percy derrotou Cronos e derrotará os gigantes. Harry derrotou Voldemort. Katniss venceu os Jogos Vorazes e destituiu o cruel Presidente Snow. Will derrotou inúmeros inimigos de Araluen, nem me lembro de todos. Bastian devolveu a alegria, a paz e a magia ao mundo de Fantasia. Os semideuses da mitologia grega acabaram com os monstros e com as  pessoas más.
             E eu? Eu vou vencer o vestibular, pois vou treinar como um grande herói!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Mary Anne With The Shaky Hands - Capítulo 3: "Jealous Guy"

  Passaram-se três semanas desde meu almoço com Lennon e o The Who. Consegui um emprego no "The Mirror", fazendo reportagens relacionadas à área de cultura. Logo fiquei amiga de uma outra jornalista recém-contratada, Evanna Davies. Ela era prima dos irmãos Davies, dos Kinks.
    Quando descobriram que Evanna era prima deles e que eu era irmã de Paul, nossos colegas mais jovens passaram a nos assediar, pedindo que lhes conseguíssemos autógrafos. Minha amiga não via os primos com muita frequência, mas eu não podia usar essa desculpa.
     Meu expediente começava às 8h e terminava às 17h. Antes de ir a Abbey Road, Paul me deixava no prédio onde ficava a redação do "The Mirror". Eu voltava para casa de ônibus, e depois de tomar um bom banho, preparava o jantar. Às vezes, jantava com meu irmão. Outra vezes jantava sozinha, ou porque Paul ia jantar fora ou porque ele trabalhava até mais tarde.
      Certa noite, saí da rotina ao receber um telefonema. Assim que me vesti após o banho, o telefone tocou. Atendi:

- Alô?
- Mary Anne? É Roger Daltrey.
- Ah, olá. - respondi. - Desculpe-me perguntar, mas como conseguiu meu telefone?
- O Lennon me passou.
- Ah, certo.
- Bem, eu estava pensando... Quer jantar comigo amanhã?

         Hesitei por um momento. Primeiramente, porque eu ainda estava apaixonada por George, e era óbvio que Roger estava interessado em mim. Além disso, Paul não entendia nada de afazeres domésticos, e eu não sabia como ele iria se virar caso eu não preparasse o jantar para ele.
       Entretanto, pensei: "Bom, George já está demorando muito a se declarar, e Paul pode se virar pedindo uma pizza ou indo jantar fora". Então aceitei o convite.

                                                         ***

      Quando cheguei em casa no dia seguinte, tratei de me arrumar para o jantar. Eu já havia avisado Paul, e ele estava uma pilha de nervos porque, pela primeira vez na vida, não conseguira evitar que eu marcasse um encontro.
      Coloquei meu melhor vestido, fiz um coque delicado no cabelo e passei uma maquiagem leve. Roger veio me buscar às 20h em ponto. Quando entrei no carro, ele disse:

- Uau, você está linda.
- Obrigada. - senti meu rosto ficar quente e se avermelhar.
- Lennon me contou que Paul te protege demais. Como conseguiu que ele te deixasse sair comigo?
- O mano não pode me controlar para sempre. Ele nem é tão mais velho do que eu. Ele tem apenas dois anos a mais.

                                                           ***
     
        O restaurante era muito chique. Sentamo-nos numa mesa para dois que Roger reservara. De repente, tomei um grande susto. George também fora jantar lá naquela noite. Cumprimentei-o com um aceno. Roger fez o mesmo. George tentava disfarçar, mas olhava para nossa mesa, perplexo e querendo fuzilar Roger. "Ok, ele ainda gosta de mim", pensei.
         Roger foi ao banheiro. George rapidamente veio à mesa e se sentou no lugar dele.

- O que você está fazendo aqui? E com ele? - perguntou.
- Vim jantar, ora.
- Desde quando vocês estão saindo?
- Hoje estamos saindo juntos pela primeira vez. Por quê a pergunta?
- Mary... Eu nunca tive coragem de dizer isso a você, mas... Eu estou apaixonado por você há anos. Acho que você sabe disso. Pensei que você também estivesse apaixonada por mim... Mas parece que não é bem assim.
- George...
- Não diga nada. Sei que sou apenas um amigo para você. - ele deu um beijo em meu rosto e voltou para sua mesa.

            Fiquei sem saber o que pensar.

Minhas personagens -> Susie Morris (editado)

    Agora, vamos ser apresentadas à namorada de John Paul Jones e amiga da Elinor, da Angie e da Vicky: Susie Morris. Quem faz seu papel é a atriz Georgie Henley.






Nome completo: Susan Harriet Morris.

Data e local de nascimento:  07/04/1945, em Blackpool, Inglaterra.

Cidade em que reside: Londres, Inglaterra.

Idade: 24 (em 1969, ano em que se passa "Heartbreaker").

Amigas mais próximas: Vicky Summers, Angie Smith e Elinor Fitzwilliam.

Profissão: Ilustradora, formada pela Escola de Belas Artes de Liverpool.

Namorados: Malcolm "Mac" McStuart (colega de faculdade - 1963 a 1966); John Paul Jones (1966 em diante -> nunca se casaram formalmente e tiveram um filho: Simon).

Canção que inspirou: "Since I've Been Loving You" - Led Zeppelin.

Características: Susie é a mais sensata do seu grupo de amigas. Ela tem um forte senso artístico e apoia Jonesy em quase tudo.
                         Faz papel de durona, mas tem um coração meigo e se preocupa muito com as pessoas de quem gosta. Ama desenhar e pintar e está sempre aprimorando sua técnica. Sua guloseima preferida são balas mastigáveis com sabor de frutas, e o livro de que mais gosta é Frankenstein, de Mary Shelley.

Do que Susie mais gosta: Desenhar, pintar, visitar galerias e assistir aos filmes de Laurel & Hardy.

Do que Susie menos gosta: Pessoas fúteis e artificiais.

Medo: Ratos.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Minhas personagens -> Vicky Summers (editado)

            Hoje começo a fazer os perfis dos coadjuvantes das minhas fics. A primeira coadjuvante a ser apresentada é Vicky, amiga da Elinor e amada de Jimmy Page. Ela é representada pela atriz Anne Popplewell.







Nome completo: Victoria Jean Summers.

Data e local de nascimento: 16/07/1945, em Manchester, Inglaterra.

Cidade em que reside: Londres, Inglaterra.

Idade: 24 (em 1969, ano em que se passa "Heartbreaker").

Amigas mais próximas: Elinor Fitzwilliam, Susie Morris e Angie Smith.

Profissão: Historiadora, formada pela Universidade de Manchester.

Namorados: Tony Hicks (1964 a 1968) e Jimmy Page (1968 em diante - casaram-se por volta de 1971 e tiveram dois filhos: Scarlett e James Page III).

Canções que inspirou: Bus Stop, Jennifer Eccles - The Hollies; Dazed And Confused, Whole Lotta Love, Since I've Been Loving You - Led Zeppelin.

Características: Vicky é uma historiadora apaixonada pelo que faz e com um fascínio especial pelo Renascimento. Ama a arte de Rafael Sanzio e lê tudo a respeito do pintor que cai em suas mãos. Admira Thomas Edison quase tanto quanto admira Rafael, talvez mais.
                         Quando criança, teve um peixinho dourado, que batizou em homenagem ao seu cientista preferido. Já adulta, ganhou de Jimmy um cocker spaniel, ao qual ela deu o nome de Rafael Sanzio. Gosta muito das bandas Herman's Hermits e The Easybeats.

Do que Vicky mais gosta: Ir ao museu, sair com as amigas e ficar em casa com Jimmy.

Do que Vicky menos gosta: Ver moças dando em cima de Jimmy.

Medo: Perder o amor de Jimmy.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Heartbreaker - Capítulo 7

       Dois dias após a ligação de Jimmy, recebi outro telefonema, desta vez de Fanny. Ela queria apresentar-me ao seu namorado Allan e ao restante dos Hollies, no dia seguinte. Não pensei duas vezes antes de aceitar.
       Fui apresentada ao meu cunhado Allan, a Tony Hicks, a Bern Calvert, a Terry Sylvester, a Bobby Elliot.... E a um cara muito bonito chamado Graham Nash.
       Este último foi mais simpático do que todos os outros, e conversou muito comigo. Fiquei um pouco acabrunhada, pois eu ainda me sentia como Elinor Fitzwilliam, futura sra. Plant. Ele me contou que era muito amigo de Allan e praticamente vivia na casa do amigo. Contudo, naquele momento ele tinha uma banda nos Estados Unidos, chamada Crosby, Stills & Nash, e por isso aproveitava ao máximo quando retornava à Inglaterra.

- Desta vez vim determinado a me aventurar um pouco. - ele disse.
- É mesmo? - eu ri. - Que tipo de aventura, sr. Nash?
- Ah, por favor, me chame de Graham. Ainda não sei direito, talvez uma aventura amorosa... Estou tendo uns probleminhas com garotas.
- Entendo. - respondi laconicamente.

          Em alguns dias eu já era amiga dos Hollies, sobretudo de Allan e Graham (mesmo ele não fazendo mais parte da banda), e comecei a frequentar a casa de Allan, acompanhada de Fanny.
           Certa vez, duas semanas depois, Allan, Graham, Fanny e eu íamos ver um filme. Allan e Fanny foram à cozinha preparar a pipoca e pegar refrigerantes. Subitamente, antes que eu pudesse perceber o que estava havendo, Graham me beijou. Parecia que eu seria a "companheira" das aventuras amorosas que ele pretendia viver durante aquele tempo na Inglaterra.
             Não posso negar que aquele beijo mexeu comigo. Eu gostava dele. Entretanto, eu ainda me sentia como a namorada de Robert, e aquilo me pareceu traição.

- Graham, não. - eu disse, empurrando-o com delicadeza.
- Qual é o problema, Ellie?

                 "Pelo menos ele não me chamou de Lily", pensei. Prossegui:

- Graham, você é muito divertido, muito inteligente, muito bonito... Mas eu não posso ficar com você.
- Não tenha vergonha de mim...
- Não é isso. Eu.... Ainda me sinto ligada ao meu ex.

                    Então contei tudo a Graham. Ele pareceu desolado. Passou pela minha cabeça que ele realmente gostava de mim.

- Querida Elinor, por favor! - ele pediu docemente. - Dê-me uma chance! Será mesmo que você e seu ex-namorado vão voltar?
- Oh, Graham... Tudo bem. - consenti.

                    Eu não tinha certeza nenhuma de que estava fazendo o certo. Eu queria ficar com Graham, mas também sentia em meu coração que Robert ainda era tudo para mim, mesmo sabendo que talvez ele nunca mais quisesse nada comigo após descobrir o quanto eu podia ser dramática.
                    Graham não me tratava como se eu fosse uma "aventura", para utilizar as palavras dele. Eu ficava cada vez mais certa de que ele gostava de mim. Certa vez, eu estava deitada com ele na cama do quarto de hóspedes da casa de Allan, onde Graham estava dormindo durante sua estada em Londres. Eu sabia o que Graham queria, mas não estava disposta a ceder.

- Elinor, por que você é tão fria comigo?
- Fria? Oh, Graham...
- Eu sei, eu sei. Você ainda pensa no seu ex-namorado.
- Bem, sim.
- Ellie, eu só queria que... Você demonstrasse que gosta de mim.
- Mas eu gosto de você, Graham!
- Sem querer ser chato, Elinor, mas apenas dizer não basta. Você mal me deixa beijá-la, abraçá-la...
- Graham...
- Não peço que você me ame, somente que me trate mais de acordo com o relacionamento que temos agora.
- E que relacionamento temos agora, Graham? Estamos ficando?
- Eu... Acho que sim.
- Você disse que queria se aventurar... Eu sou apenas isso? Uma aventura?
- Não, Elinor... Mais do que isso. Quando eu olho para você, penso: "Por que uma coisinha tão linda e encantadora não pode ser toda minha?"
- Eu nem sei o que dizer, Graham...
- Não diga nada... - e ele me deu um beijo, um dos mais doces que recebi em minha vida.

                      As semanas passavam, com Graham querendo aprofundar o relacionamento e eu tentando ao máximo evitar isso. Eu gostava dele e não queria magoá-lo, mas sabia que o que estava fazendo implicava destruir os sentimentos de Rob.  E, entre perder Graham ou Robert para sempre, eu preferia perder Graham.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Minhas personagens -> Fanny Fitzwilliam (editado)

    Hoje, apresento a vocês a irmãzinha da Elinor, Frances, mais conhecida como Fanny. Assim como a irmã e a prima, Emily, ela também tem uma queda por roqueiros! A atriz que a representa é Lucy Hale.




Nome completo: Frances Elizabeth Fitzwilliam.

Idade: 22 (em 1969, ano em que se passa "Heartbreaker".)

Data e local de nascimento: 14/11/1947, em Epsom, Inglaterra.

Cidade em que reside: Londres, Inglaterra.

Amigos mais próximos: Elinor Fitzwilliam, Emily Fitzwilliam, Felicity McGold e Bob Dylan.

Namorados: Paul Simon (1965-1966), Ray Davies (1966-1967) e Allan Clarke (1969 em diante -> casaram-se em 1970 e tiveram três filhos: Tim, Toby e Piper).

Admirador: Bob Dylan (1966 em diante).

Profissão: Professora de Geografia, formada pela Universidade de Cambridge.

Canções que inspirou: "Cecilia", "Mrs. Robinson" - Simon & Garfunkel; "Just Like A Woman", "I Want You", "Lay Lady Lay" - Bob Dylan; "She's Got Everything" - The Kinks; "Carrie Anne" - The Hollies.

Características:  Fanny é uma jovem meiga e alegre. Ela gosta muito de ler e ouvir música, assim como a sua irmã Elinor. Nem todos sabem disso, mas sua banda favorita é The Yardbirds, o que é uma sorte para ela, pois Elinor é uma grande amiga de Jimmy Page.
                         O livro favorito de Fanny é Mansfield Park, de Jane Austen, cuja protagonista se chama Fanny Price. Seu filme favorito é Cantando na Chuva, e por causa disso ela até mesmo cogitou se tornar atriz de musicais durante sua adolescência. Não sabe viver sem seu melhor amigo, Bob Dylan, a tal ponto de muitos acharem que há mais do que amizade entre eles (o que é verdade no caso de Bob).

Do que Fanny mais gosta: Ler livros e jornais, assistir às gravações de Bob e ver filmes, sobretudo musicais.

Do que Fanny menos gosta: Arrogância.

Medo: Altura.

Heartbreaker - Capítulo 6

- Robert, seu mentiroso! Você me disse que nunca faria uma coisa dessas! Quero que você fique longe de mim a partir de agora!
 - Elinor! - Robert se livrou de Georgiana, que tentava prendê-lo a qualquer custo. - Não é nada disso! Deixe-me explicar!
- Dispenso suas explicações! - exclamei, batendo a porta. Mas fechei a porta de forma lenta o suficiente para ver um sorrisinho cruel se formando nos lábios da maldita Sparks.

   Bati na porta do quarto de Jimmy. Chorei todas as minhas mágoas no ombro dele, que me escutou com gentileza e paciência. Ganhei  também um abraço afetuoso de Vicky. Ela teve uma ideia muito inteligente: eu passaria aquela noite no quarto deles, e Jimmy iria para o quarto de Robert, e agiria como diplomata.
     Na manhã seguinte,  Jimmy contou que Robert estava muito triste e furioso com Georgiana. Mas meu orgulho estava ferido. Eu não iria me reconciliar com Robert tão cedo...


- Oh, Jimmy! - eu exclamava, mortificada. - Essa prima da Emily, sempre me perseguindo e me causando mal!
- Ela vai ter o que merece, Elinor. Eu apenas acho que você deveria pedir desculpas ao Robert.
- Não vou fazer isso, James! Até parece que você não me conhece!
- Me desculpe, Elinor, mas quem está errado nessa história é você.
- Eu sei! Mas com que cara eu vou pedir desculpas a ele?
- Outra pessoa acharia que você é arrogante, Elinor. A sua sorte é que eu te conheço bem, minha querida amiga, e sei que você está se sentindo culpada. Deixe a poeira baixar, livre-se do orgulho e faça as pazes com o Robert.
- Claro... Mas amanhã eu volto à Inglaterra.
- Elinor... Não faça algo de que possa se arrepender depois!
- Eu quase nunca me arrependo de minhas ações, Jimmy. Eu gosto de pensar muito bem antes de tomar uma decisão.
- Isso é bom.

       Um pouquinho mais tarde, quando eu estava com minhas amigas, fazendo minha bagagem...

- Eu acho que o Jimmy tem razão. - disse Susie. - Você não deveria se precipitar, Elinor.
- Meu mago sempre tem razão. - disse Vicky.
- Eu levo a opinião de vocês muito a sério, garotas... E a do Jimmy também, claro. Mas acho que neste momento somente eu sei o que é melhor para mim.
- Qual é o seu plano? - quis saber Angie.
- Vou voltar a Londres e ficar na minha. Vou esperar até que o Robert me procure. Eu sei que não vai demorar muito. Ele não fez nada de errado, portanto não deve estar morrendo de remorso e de vergonha de me procurar... Como eu estou.
- Todos cometemos erros, Elinor. - disse Susie, consoladora.
- Sim, mas eu fui muito idiota! E sequer quis ouvir o que ele tinha a dizer!
- Essa era a ideia da Georgiana. - deduziu Vicky.
- Muito provavelmente. - concordei.

       Comprei a passagem e embarquei de volta à minha cidade. Fui buscar meu gatinho, Shakespeare, na casa de Lydia, que ficou cuidando dele para mim. Graças a Deus, Keith não estava lá. A última coisa que eu queria era encontrá-lo.

- Ele se comportou direitinho, Lydia?
- Sim, ele é um ótimo gatinho, Elinor. Então você brigou com o Robert?
- É... Eu fui tão estúpida, Lydia.
- Pelo jeito que você fala, acho que o Robert te ama demais. Portanto, ele não vai conseguir ficar sem você por muito tempo.
- Eu espero que sim. - falei.
- Sabe quem está na cidade?
- Quem?
- Sua irmã Fanny.

           Fanny! Minha irmãzinha! Eu não a via fazia muito tempo. E sentia terrivelmente a falta dela. Ela tinha 22 anos naquele ano de 1969 e acabara de se formar em Geografia pela Universidade de Cambridge, a mesma que Emily e eu frequentamos.
            Emily se tornou fotógrafa, mas preferiu continuar vivendo na sua cidadezinha, um lugar privilegiado, que ainda conserva muito da bela paisagem natural. Como minha prima sempre gostou de fotografar paisagens, acho que ela está muito satisfeita com a escolha que fez.
              E eu decidi ir para Londres, afinal, eu já tinha dois amigos lá, Jimmy e Lydia, o que facilitou um pouco as coisas. No entanto, minha irmã, logo depois de formar-se, voltou para Epsom, nossa cidade natal, onde nossos pais vivem. Mas o que Epsom tem a oferecer a uma mulher de 22 anos, culta e jovial? Já era tempo de ela vir a Londres.

- Onde ela está hospedada?
- Ela está morando com algumas amigas... Mas já está frequentando a casa do namorado.
- Namorado?
- Sim, um tal de Allan Clarke.

                Allan Clarke, dos Hollies? Só podia ser. Devo dizer que não fiquei tão surpresa. Ela vivia entre os jovens intelectuais londrinos, que eram muito próximos dos jovens artistas. Além disso, Fanny é muito bonita... E minha irmã. Creio que ela soube tirar proveito do fato de conhecer Jimmy Page e ser cunhada de Robert Plant.
                 Eu ainda era namorada de Robert? Esperava que sim. Contudo, com minha reação exagerada, devo ter dado uma pausa, ou até mesmo um fim, em nosso relacionamento.
                  Como disse às garotas, fiquei na minha, sem sair de casa. Uma semana depois, Jimmy me ligou dizendo que dali a dois meses o Zeppelin estaria de volta à Inglaterra. A reconciliação com Robert se aproximava....