Dianna estava passando as
férias com os pais e o irmão na Europa. Ela não pisava o chão do velho
continente, onde havia nascido, havia muito tempo. A última vez em que estivera
lá havia sido quando seus pais foram passar alguns dias na Suíça, por conta de
um importante evento em Genebra, quando ela tinha dezesseis anos, e seu irmão
Giles já estava no segundo ano de faculdade.
Naquela
semana, estavam na Itália. Haviam passado por Roma e Veneza e agora estavam a
caminho de Verona.
- Oh, a cidade mais romântica do mundo! – exclamou sua mãe
quando chegaram.
“Cenário de um amor trágico”, pensou Dianna. “Vem, gentil noite! Vem, noite amorosa de
escuras sobrancelhas! Restitui-me o meu Davy!”, ela parafraseou uma fala de
Julieta. No dia seguinte à sua chegada,
o clima romântico veronense estava sufocando Dianna. Em tudo ela via um Romeu
com as feições de Davy e uma Julieta que se assemelhava a ela. Enquanto tomava
café, ouviu duas garçonetes do hotel conversando. A moça não era fluente em italiano, porém,
pôde entender tudo perfeitamente.
- Sinto falta de Matteo. – uma delas disse.
- Escreva uma carta para Julieta pedindo ajuda para
encontrá-lo. – sugeriu sua amiga.
- Isso é besteira, Giovanna!
- Eu não acho, Chiara. – rebateu Giovanna.
Chiara
podia não acreditar no poder das cartas para Julieta, uma tradição dos
moradores e visitantes de Verona. Contudo, Dianna estava desesperada. Queria
ter Davy de volta. Ela sentia falta das tardes na praia, os dois nadando e
brincando no mar ou caminhando na areia fofa.
Sentia falta também dos passeios no parque, dos jantares românticos... E
das lindas noites de amor. Pôs-se a escrever, em italiano:
Querida Julieta, preciso de sua ajuda. Sou
inglesa, mas moro nos Estados Unidos desde criança. Sou professora de história.
Em julho deste ano, conheci o amor da
minha vida. Ele é inglês como eu, e toca numa banda de rock. Nós nos tornamos
namorados, e fomos felizes, até que uma mulher muito estranha ameaçou acabar
com nosso sossego se não terminássemos. Ficamos com medo e nos submetemos à
vontade dela.
Eu me envolvi, depois disso, com um homem
que me amava, e que eu acreditava que poderia corresponder. Tentei, em vão. Eu
só pensava no meu inglês baixinho e fofo.
Depois que me separei do meu segundo namorado, comecei a manter
correspondência com meu amado, no entanto, eu viajei e ficamos incomunicáveis
desde então.
Ajude-me a encontrá-lo, Julieta, por
favor! É minha única esperança. Obrigada.
A garota colocou a
carta num envelope e depositou-a no muro em que outros apaixonados
desesperançados deixavam suas cartas para Julieta.
* * *
Os Monkees estavam de passagem pela Itália. Mike estava desolado desde
que descobrira que a gravidez de Phyllis era uma mentira inventada por ela para
separá-lo de Alice, Micky estava prestes a casar-se com Suzy e Peter estava
feliz com sua nova namorada, Erin. Entretanto, Davy estava ficando louco sem
Dianna. Por acaso, a banda estava passando diante do muro onde eram colocadas
as cartas.
- As cartas para Julieta! – exclamou Micky. – Eis aí a
solução para seu problema, Davy!
- Eu duvido que isso funcione... – Mike opinou.
- Um desesperado como eu faz qualquer coisa! – Davy disse.
Ele pegou papel e caneta, sentou-se na fonte próxima e escreveu, em
inglês, pois o que Dianna ensinara-lhe de italiano era pouco:
Cara Julieta, estou desesperado.
Sou integrante de uma banda de rock e neste momento estamos fazendo alguns
shows aqui na Itália.
Eu não sou mais o mesmo desde
que fui forçado por uma maluca a me separar da minha pequena. Ela é para mim o
que você é para Romeu. Ela esteve envolvida por um tempo com meu antigo rival
após rompermos, mas a relação deles não deu certo.
Depois que eles se separaram,
passamos a nos comunicar por carta. Entretanto, eu saí em viagem e perdemos o
contato.
Você é a única que pode me ajudar a revê-la!
Fico muito grato desde já.
Davy colocou sua
carta ao lado das demais.
Dois dias depois...
- Dianna, por que insiste em ficar em Verona? Pensei que
você quisesse ir à França para conhecer Marselha!
- E quero, papai! Mas estou esperando que Julieta me dê um
sinal.
- Dianna! Não seja ingênua! – repreendeu sua mãe. – Aquilo
não vai trazer Davy de volta.
- Ele vale mesmo tudo isso, Dianna? – questionou Giles.
A camareira, então, trouxe uma carta, em
cujo envelope se lia “Para D. S. M.”, e o endereço do hotel, o andar e o número
do quarto. No envelope de sua carta para
Julieta, Dianna assinara exatamente daquele modo e deixara exatamente aquelas
informações. Com o coração aos pulos, ela abriu o envelope e leu a seguinte
mensagem:
Cara D. S. M., não se
desespere. Vá até a fonte ao lado do muro onde deixou a carta, às 15 h do dia
20 de dezembro. Carinhosamente,
Julieta.
A professorinha fez exatamente como era
recomendado na carta. Lá chegando, viu um rapaz de costas. Ele era baixo, e
Dianna conhecia-o tão bem que o
identificou, mesmo ele estando assim.
- Davy! – ela chamou.
O rapaz
virou-se imediatamente.
- Dianna! – ele não cabia em si de contentamento.
- Cuddly Toy, eu não acredito que estou com você novamente!
– Dianna abraçou-o fortemente.
- Eu também não acredito, meu amor, meu bem, minha querida
Dianna! – ele beijou-a ardentemente. Havia mais de um mês que Davy não beijava
aqueles lábios vermelhos que ele tanto amava.
Ao longe, um grupo de senhoras observava o
jovem e feliz casal. Elas eram as “secretárias de Julieta”.
* * *
- Davy, venha comigo para o hotel onde estou hospedada!
Quero apresentar você aos meus pais e ao meu irmão!
- Seus pais? Seu irmão? Eles não são como sua tia, são?
- Claro que não, Cuddly Toy! Fique tranquilo, eles vão
adorar você!
Dianna e
Davy foram ao hotel onde estava hospedada a família Mackenzie. A moça entrou no
quarto dos pais.
- Papai, mamãe, quero apresentar alguém a vocês.
- Quem, querida? – indagou sua mãe.
Davy entrou
no quarto.
- Inglês de Manchester, vocalista dos Monkees, ator, futuro
genro de vocês... David Thomas Jones, o grande amor da minha vida!
- Você também é o grande amor da minha vida, Di. – disse
Davy, abraçando-a. Em seguida, ele se dirigiu aos pais dela. – Fico muito
honrado em conhecê-los, sr. e sra.
Mackenzie.
- A honra é nossa. – disse o sr. Mackenzie. – Então é inglês, sr. Jones? Não tenho nada
contra os americanos, mas confesso que sempre quis ver minha filha com um
conterrâneo.
- Sim, sr. Mackenzie. Nasci e cresci em Manchester. Espero
que os senhores me considerem digno da sua filha. A tia dela não me aprova e
sempre fez questão de dizer isso.
- Eu o aprovo, sr. Jones. Parece ser um bom rapaz. – disse a
sra. Mackenzie. – Lawrence, o que você acha, querido?
- Sou da mesma opinião, Susan.
- Eu não disse? – Dianna sussurrou para Davy. Em seguida,
disse, em volume normal: - Vou chamar
meu irmão.
Logo, ela voltou com Giles. Ela disse:
- Mano, este aqui é meu namorado, Davy Jones. Cuddly Toy,
este é Giles, meu irmão mais velho.
- Como vai? – Davy apertou a mão de Giles, que o estudava
minuciosamente.
- Eu vou bem, sr. Jones. Espero que o senhor também. Pelo
seu sotaque, presumo que seja inglês.
- Sim, eu sou. Compartilha com seu pai a opinião de que é
melhor que Dianna fique com um britânico?
- Na verdade, é melhor que minha irmãzinha fique
desacompanhada, mas...
Davy ficou sem saber o que dizer. Dianna e seus pais não sabiam onde
enfiar a cara, de tanta vergonha de Giles.
- Giles querido, isso não foi nada diplomático. – advertiu a
mãe.
- Não ligue para o Giles, Davy. – disse Dianna, afastando
seu namorado de seu irmão com um sorriso amarelo. Disse, então, entredentes: -
Vou arrebentar a sua cara, Giles.
Davy sorriu,
pegando Rousseau, o coelho de Dianna, que passava por ali. Os pais dela
gostaram dele, e, ainda que o irmão tivesse dito aquilo, não aparentava ser do
tipo que faria oposição total e declarada. Giles parecia ser só um irmão
ciumento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário