sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Oneshot: Young and Beautiful (What If - Grindhouse Fairy Tale)

Boa tarde! Temos hoje mais uma oneshot da série Grindhouse Fairy Tale, desta vez inspirada em A Bela e A Fera. Os protagonistas? Emma Carlisle e Micky Dolenz. Boa leitura! 













           

    Num vilarejo, vivia um professor de filosofia chamado Harold Carlisle. Ele vivia com a mulher, Lauren, e a filha, Emma. Emma era a moça mais bela de todo o vilarejo. Era alta, sua pele era alva, tinha cabelos que mais pareciam feitos de fios de ouro e os olhos grandes eram azuis e brilhantes como safiras. Harold e Lauren tinham muito orgulho da jovem, não só pela imensa beleza, mas também porque era gentil e uma leitora e estudiosa voraz. Ela preferia passar horas na biblioteca do pai do que dançando em bailes.
     Um dia, Harold voltava de um congresso de filosofia, quando decidiu parar para descansar, pois o cavalo estava ainda mais fatigado do que ele. No entanto, estavam numa floresta densa, e não havia um sinal sequer de civilização por perto. Harold já estava se preparando para passar a noite ao relento, tentando se proteger de animais perigosos, quando avistou um castelo.
      Ele guiou o cavalo, puxando-o pelas rédeas, até os portões. Quando estavam diante deles, os portões se abriram como mágica, permitindo que o velho professor e sua montaria atravessassem os jardins. Harold deixou o cavalo no estábulo e se aproximou da porta dupla do castelo. Elas também se abriram no mesmo instante, e ele adentrou.
      Harold foi atraído pelo delicioso cheiro de comida até uma sala. Nela, havia uma mesa enorme, repleta dos mais apetitosos pratos. O velho homem sentou-se e comeu até se fartar. Entretanto, ficou surpreso por não ver nem sinal de criados. Intrigou-se. Levantou-se para ir procurar alguém a quem dar satisfações por colocar o cavalo no estábulo e servir-se do lauto banquete, além de pedir permissão para o pernoite, quando seu caminho foi bloqueado por nada mais, nada menos, do que um monstro peludo e enorme, vestido com as roupas de um nobre.
       Parecia um lobo, porém, tinha algo similar a uma juba. A criatura rugiu:





- QUEM LHE DEU PERMISSÃO PARA ENTRAR EM MEU CASTELO?

- Mil... Mil perdões, meu senhor. Quando me aproximei de seu castelo, os portões se abriram no mesmo instante, como mágica! Depois que atravessei os jardins e cheguei à porta dupla de carvalho, ela também se abriu assim que eu me coloquei diante dela. Meu nome é prof. Harold Carlisle. Eu gostaria de pedir ao senhor que me permita repousar aqui apenas por essa noite.

- Hum... – a fera resmungou. – Não. Você é meu prisioneiro, prof. Carlisle!

- Não, meu senhor, eu imploro! Eu já deveria estar em casa há dois dias, minha esposa e minha filha decerto estão alarmadas com minha demora!

- Façamos o seguinte, professor. Eu permitirei que o senhor durma em meu castelo esta noite, e amanhã poderá partir.

- Obrigado, senhor, muito obrigado!

- Eu não terminei. Sua esposa ou sua filha deverá ficar presa no seu lugar.

- O QUÊ? SE FOR ASSIM, NADA FEITO!

- É ISSO OU A SUA MORTE!

- Apenas... Apenas se o senhor prometer não feri-las!

- Eu prometo. Aquela que vier ficar em seu lugar será bem tratada. Apenas não poderá sair daqui, nem receber visitas. E então, professor? Temos um acordo? – a criatura estendeu a pata.

-T-temos. – respondeu o professor, assustado, apertando a pata que a criatura lhe oferecia.


    

     No dia seguinte, Harold partiu cedo, e chegou a sua casa no meio da tarde. Contou tudo a Lauren e Emma. A esposa de Harold se ofereceu para ser presa no lugar dele, todavia, Emma não permitiu.



- Não, mamãe! A senhora vai ficar aqui em casa com o papai! Eu me entregarei como prisioneira a essa fera cruel!

- Emma, você tem certeza? – Harold indagou, pegando a mão da sua única filha entre as suas.

- Sim, papai! Não posso permitir que o senhor ou a mamãe sejam privados da liberdade! Eu irei, e nada me fará mudar de ideia!

        

    Assim, Emma se despediu de Dianna Mackenzie, Erin Hudson e Alice Stone, suas melhores amigas, e partiu com o cavalo do pai em direção ao castelo do monstro.  Ela cavalgou durante horas, e só parou quando se viu em frente aos portões do castelo.



- Bom... Aqui estou eu. – Emma suspirou.


        

    Tudo aconteceu como o pai dela havia descrito. Os portões do castelo se abriram imediatamente. Ela atravessou os jardins, deslumbrada com a beleza das flores, e deixou o cavalo no estábulo. Então, ela se colocou diante das portas de carvalho do castelo, e elas também se abriram no mesmo momento. Ela entrou e encontrou um magnífico jantar servido sobre uma mesa extremamente comprida, numa das muitas salas.
     Quando ela se sentiu satisfeita, ergueu-se da mesa, para ir atrás de criados... E do dono do castelo.  Emma ouviu uma voz trovejante:




- QUEM OUSOU ADENTRAR MEU CASTELO?

          


     E diante dela se encontrava a criatura mais feia que ela já havia visto. Emma era corajosa, porém, não pôde evitar tremer pela visão do seu algoz. No entanto, a fera estava paralisada. A jovem mulher à sua frente era tão linda que ele duvidava de que ela fosse mesmo real.




- Quem... Quem é você, senhorita? – ele indagou, num tom de voz bem mais suave.

- Eu... Eu sou Emma Carlisle. Filha do prof. Carlisle. Vim ficar aprisionada no lugar do meu pai.

- Estou vendo que a senhorita é bondosa e valente... Além de extremamente bela!

- Bem... Obrigada, eu acho.

           
              

      A criatura levou Emma até um quarto suntuoso. A garota notou que o monstro parecia disposto a cumprir a promessa feita ao pai dela de não machucá-la.




- Mas ele é um monstro... Mas será que é assim só por fora e que viva rugindo apenas para passar uma imagem de duro e cruel? Talvez... Talvez ele seja amável e gentil... Ou ao menos tente ser assim...

     
          

      Enquanto isso, a fera estava em seus aposentos. O cômodo era cheio de móveis, cortinas e quadros destruídos, que haviam sofrido com a fúria anterior da criatura. Nos últimos tempos, ela vinha se tornando menos selvagem, e agora, com aquela linda jovem, Emma, vivendo em seu castelo, sentia-se mais disposta a deixar de ser tão cruel e irascível. O monstro conversava com seus objetos encantados, seus únicos amigos: Mike, Peter e Davy.



- Meu amo, acredita que esta moça... – Peter, o castiçal, começou.

- O quê? Que ela seja quem vai quebrar o feitiço? Não seja ridículo, Peter! Olhe só para ela! É a garota mais bela que já vi! Nunca verá mais do que um monstro horrendo em mim! – retrucou a fera.

- Mas, senhor... Micky! Não pode ser tão pessimista! – exclamou Davy, uma xícara.

- Ela me parece ser boa e generosa o bastante para enxergar muito além da sua aparência, Micky. – disse Mike, o relógio de mesa.

- Vocês podem ir se desiludindo, porque eu já me desiludi há tempos. – Micky continuava desesperançado.


                                                                      


                                                                        ***



            


   No dia seguinte, Micky serviu a Emma um maravilhoso café da manhã, e assim que ela se sentiu saciada, guiou-a num passeio pelo castelo. No entanto, proibiu-a de andar pela região do castelo onde ficava o quarto dele, e tal proibição, sem revelar os motivos, intrigou e irritou bastante Emma.
  Ela frequentava principalmente a biblioteca, e chegou um dia em que Mike, Peter e Davy julgaram que deveriam falar com Emma sobre Micky.



- Devemos mostrar a ela que nosso amo pode ser muito agradável, apesar de às vezes ser um pouco, hã...  – Mike hesitou.

- Maluco? – arriscou Davy.

- Irritante? – Peter sugeriu.

- Ambos. – Mike disse.

            
                   

      Então, eles buscaram Emma em seu quarto e a levaram para a sala de jantar, onde uma mesa de lanche da tarde muito farta estava servida. Peter puxou a cadeira para Emma, Mike e Davy a serviram de chá e biscoitos.  Esperaram até ela parecer tranquila o bastante, e resolveram abordar o assunto.





- Srta. Carlisle... O que acha de nosso patrão? – indagou Peter.

- Bom... – Emma tentou encontrar as palavras, mordiscando um biscoito coberto de açúcar e canela.  
– Digamos que a primeira impressão que tive dele não foi exatamente positiva. Julguei pela aparência no primeiro momento. Enxerguei apenas um monstro horrendo. Mas sei que errei. E agora estou disposta a conhecer melhor o patrão de vocês. Se viverei aqui pelo resto da vida, é bom que eu goste da companhia que terei.

- Sim, senhorita! É exatamente o que deve fazer! – exclamou Davy.

- O que podem me dizer sobre ele? – Emma estava curiosa.

- Bom... Na verdade, senhorita... Houve um tempo em que Micky... Digo, nosso patrão... Não era cruel e irritadiço assim. – Mike contou.

- Não? O que o deixou assim? – a curiosidade da garota foi aguçada.

              
         


    Os objetos encantados trocaram um olhar um pouco nervoso. Não sabiam o quanto de verdade deveriam revelar à moça.




- Bem... – Davy começou. – Digamos que foram as vicissitudes da vida que fizeram isso com ele.

        


   Emma aceitou aquela explicação vaga. Talvez os verdadeiros motivos não fossem de sua conta. Ou talvez ela devesse descobri-los mais tarde. Ela terminou o lanche e saiu da sala de jantar.
    Regressava ao quarto, quando tomou a escada errada e viu-se numa parte do castelo em que nunca havia estado antes. Decidiu explorá-la. Andou por todo o extenso corredor, até ouvir o barulho de algo se quebrando dentro de um dos quartos. Parecia louça. Não resistiu. Foi até a fonte do som de estilhaço, e abriu uma fresta da porta. Viu a fera atirando vasos no chão.  Ela abriu um pouco mais da porta, tomando o máximo de cuidado para não fazer barulho, e...





- O QUE EU LHE DISSE SOBRE VIR PARA ESTA PARTE DO CASTELO?  - a criatura rugiu.

- Eu... Mil perdões... Eu não sabia que...

- SABIA SIM! EU AVISEI!

- EU ESQUECI! – ela protestou, em sua defesa.

- NÃO ACREDITO NISSO!

- JÁ PEDI DESCULPAS! E VOU PARA O MEU QUARTO!

- JÁ VAI TARDE! SUA INTROMETIDA!

- SEU MAL-EDUCADO! ADEUS!

              


   E ela saiu, batendo a porta com um estrondo.  Ela finalmente chegou ao quarto, e também bateu a porta do cômodo furiosamente.





- Ridículo! Quem ele pensa que é? Eu acreditei que ele podia ser amável e gentil... Vejo que me enganei.

                

      
      Emma sentou-se diante da penteadeira, e soltou os cabelos, revelando uma cascata de fios cacheados e dourados. Passou a penteá-los cuidadosamente. Não sabia que a Fera a observava pela fechadura.



- Ela é um anjo, a coisa mais linda que já vi... E eu sou tão horrível... E o pior de tudo é que agora acabei com todas as chances de ela gostar de mim, um pouquinho que fosse... O feitiço nunca será quebrado...

                     


      Micky foi pedir conselho aos seus amigos. Percebeu que Emma havia ficado muito ofendida, com razão. Queria se desculpar.




- O que devo fazer, pessoal? – ele indagou.

- Bom... Você poderia conversar com ela, ser sincero. – sugeriu Mike.

- E tentar ser agradável daqui por diante. – Davy disse.

- E ainda mais: fazê-la rir. – Peter sorriu.

- Fazê-la rir? Mal-humorada daquele jeito?

- Ela só foi mal-humorada porque você não foi gentil. - Mike observou.

- É. Tem razão. Tentarei ser educado com ela. E engraçado, mas sem ser de mau gosto.

        


    No dia seguinte, ele bateu à porta do quarto de Emma, e ela indagou, parecendo irritada:



- Quem é?

- Sou eu, a Fera. - Micky respondeu. - Gostaria muito de que me fizesse companhia durante o jantar esta noite. Por favor.

            


      Ele viu a maçaneta girar. Emma apareceu no umbral da porta, apertando o nó do robe e prendendo os cabelos.




- Seria uma honra. - disse ela. - Contanto que não tenhamos motivos para gritar um com o outro.

- É claro que não, senhorita. - Micky sorriu.

       


      Assim, Micky deixou Emma em seu quarto, pois acreditava que devia colocar-se mais apresentável até a hora do jantar. Quanto a Emma, ela ficou no quarto, lendo e imaginando como o tal jantar se desenrolaria. Estava nervosa, porém, fez de tudo para não perder a calma de vez.
     Arrumou-se com simplicidade quando faltava pouco mais de uma hora para o jantar. Nunca gostou de chamar a atenção, da maneira que fosse.
     Vestiu um longo vestido vermelho e penteou os cabelos louros, deixando-os soltos. Pouco depois de terminar de se preparar, ouviu leves batidas na porta. Abriu-a.




- Peter! - exclamou ela, ao ver o castiçal.

- Boa noite, srta. Carlisle. Meu amo está à sua espera.

- Vai me levar até a sala de jantar? - quis saber ela.

- Sim, eu vou.




      Emma saiu do quarto e fechou a porta, seguindo Peter. Desceram vários lances de escada, até chegarem ao andar térreo, onde ficava a sala de jantar. A porta estava fechada, contudo, Peter bateu, e Mike e Davy abriram-na, revelando Micky já sentado à mesa, aguardando Emma.



- Boa noite, srta. Carlisle. - ele saudou, cortesmente.

- Boa noite, Fera. - ela devolveu a saudação, sem saber como se referir ao dono do castelo. Não sabia seu verdadeiro nome, então o tratava por Fera. - Mas pode me chamar de Emma, eu não me importo.

- Então, está linda esta noite, Emma. - ele sorriu, erguendo-se de sua cadeira para puxar uma para Emma.

- Obrigada. - ela sorriu, sentando-se.




    
      Micky também se sentou, e começaram a comer. Porém, não trocaram uma palavra, e mal se olhavam. Peter, Mike e Davy olharam sugestivamente para Micky, para incentivá-lo a quebrar o gelo.





- Ei! - ele fez uma voz engraçada. - Eu vou pegar você, seu rato sujo! Eu vou pegar você! - ele gesticulava, e acabou caindo da cadeira, fazendo Emma rir muito.

- Você se machucou? - ela indagou, levantando-se de seu lugar e estendendo a mão para ele.

- Eu, hã... Estou bem. - ele pegou a mão dela e ficou de pé.

- Você é engraçado. E até mesmo adorável... Quando quer.

- Acha mesmo?

- Acho sim. - ela sorriu amistosamente.

- Há muito tempo que não recebo um elogio. Obrigado. - Micky devolveu o sorriso da melhor forma que pôde.





   Sentaram-se novamente e desfrutaram de um excelente jantar, conversando e rindo bastante. Emma já não sentia mais medo ou aversão pela Fera. Queria ser sua amiga. E Micky ficava a cada segundo mais deleitado pela beleza e pelas palavras gentis dela.
   Os dias passavam e os dois se tornavam bons amigos. Mike, Peter e Davy sabiam que apenas a amizade não seria suficiente para que o feitiço fosse quebrado, então, estimulavam Micky a seguir em frente.




- Você está no caminho certo, Micky. - Mike falou.

- Mas Emma precisa gostar mais ainda de você. - Peter disse.

- Acho que vocês precisam... Ficar mais a sós. - Davy deu um sorrisinho malicioso.

- O que me sugerem?

- Hummm... Que tal um bom jantar? - Mike pensou.

- E música? - Peter acrescentou.

- E dança! - Davy arrematou.




  
     Assim, Micky convidou Emma para jantar naquela noite, e disse que ela deveria colocar seu melhor vestido. A jovem ficou intrigada, imaginando o que ele tinha em mente. Contudo, preparou-se para a noite, enquanto Micky, sempre auxiliado pelos seus fiéis companheiros, limpava o salão de baile, além de cuidar de sua aparência para não ser tão repugnante.
     Finalmente veio a noite.



- Estou nervoso. - Micky andava de um lado para o outro, esperando que Emma descesse as escadas para se juntar a ele.

- Tenha calma, meu amigo. - disse Peter. - Logo logo ela estará aqui.

- E vocês terão uma grande noite! - Davy disse com entusiasmo.




    Logo, a porta no andar superior se abriu, revelando Emma, mais deslumbrante do que nunca, usando um belo vestido azul e os cabelos presos, com apenas alguns cachos caindo. Micky perdeu o fôlego diante da beleza da jovem. Ela desceu, e logo estava diante de Micky. Ele tomou a mão delicada dela em sua pata.



- Pronta para hoje à noite? - quis saber ele.

- Sim, Fera. - ela sorriu timidamente.



     

    Micky conduziu-a até a sala de jantar, onde tiveram uma lauta refeição. Quando ambos sentiam-se satisfeitos, indagou:




- Gostaria de dançar? - havia muita esperança em seu tom.

- Eu adoraria! - Emma respondeu, empolgada.



   

       Micky deu o braço a Emma, e conduziu-a ao salão de baile. Lá, Mike, Davy e Peter tocavam uma linda música, ideal para se dançar a dois. Emma e a Fera dançaram e conversaram até sentirem os pés doloridos.
       Os amigos de Micky observavam satisfeitos. Até que, muito cansados, ele sugeriu a ela que se sentassem em alguns bancos que havia na sacada. Os dois foram à sacada e se sentaram nos bancos. Micky não soltava a mão de Emma.





- Emma... Está feliz aqui comigo? - quis saber ele.

- Eu estou. - respondeu ela. - Mas...

- O quê?

- Sinto saudades. Do meu pai, da minha mãe, das minhas amigas.

- Você... Quer sair para visitá-los?

- Eu posso?

- Sim, eu permito.

- Obrigada, obrigada, obrigada! - Emma abraçou-o fortemente. - Vou ao meu quarto arrumar as minhas coisas.

- Promete que vai voltar logo?

- Prometo. - ela sorriu.




     

          A garota foi para o quarto, e Mike, Davy e Peter vieram falar com Micky.




- Você a deixou ir embora??? - Mike estava assombrado.

- Deixei. - Micky suspirou. - Estou torcendo para que ela volte.

- Esperamos que sim. - Peter disse.

- Mas por que fez isso? - Davy inquiriu.

- Porque eu a amo. - Micky respondeu, simplesmente.


    


     Peter, Davy e Mike se entreolharam e sorriram. Micky finalmente havia aprendido a amar. Emma partiu na manhã seguinte de volta ao vilarejo. Micky ficou muito triste, mesmo sabendo que havia feito o certo. Quando completou uma semana que Emma havia saído do castelo, ela comentou com as amigas:



- Já sinto saudades da Fera.

- Saudades? - Dianna ficou surpresa.

- Mas ele mantinha você prisioneira! - Alice exclamou.

- E devia te tratar tão mal... - Erin falou.

- No início, achei que ele fosse cruel... - Emma confessou. - No entanto, com o passar dos dias, ele se mostrou gentil e engraçado. E provou como é bom ao me deixar vir. Aprendi a gostar muito dele... Quem sabe até a amá-lo!

- Amá-lo? - as amigas de Emma estavam espantadas. Contudo, sorriam. Isso provava que Emma tinha um grande coração, se era capaz de enxergar a beleza mesmo em uma criatura como aquela.

- Sim... Acho que já fiquei muito tempo longe dele. Eu... Vou voltar para o castelo.

- Faça isso.




      No dia seguinte, Emma saiu muito cedo. Assim que chegou ao castelo, notou um clima pesado no ar. Não estava com um bom pressentimento. Caminhou com cautela pelo hall, quando Davy veio saltitando em direção a ela. Ele tentou sorrir, mas não pôde.



- O que houve, Davy? - perguntou Emma, se agachando no chão e pegando a pequena xícara na mão.

- Meu amo. Caiu de cama por saudades de você. Peter e Mike estão com ele.

- Oh meu Deus, eu não deveria ter demorado tanto! Leve-me até ele!




           Davy levou Emma ao quarto onde Micky convalescia. Ela aproximou-se do leito, e ajoelhou-se ao lado.




- Minha Fera... - ela acariciou a cabeça de Micky.

- E-Emma? - ele murmurou. - É você? Você voltou?

- Voltei. Voltei sim. - ela sorriu para ele.

- Estou feliz que tenha voltado... Pois posso te dizer algo importante antes de morrer.

- Você não vai morrer! Mas me diga!

- Eu te amo, Emma. Mas sei que você nunca vai corresponder...




   

        E expirou. Os amigos de Micky abaixaram as cabeças, muito tristes.





- Não! Não! Não morra! Por favor! - Emma debruçou-se sobre ele, chorando.





      Subitamente, o corpo inerte sobre o qual Emma estava debruçada sumiu, causando muita surpresa nela.
     Antes que ela pudesse formar um pensamento menos confuso, onde antes estava deitada a criatura havia agora.... Um rapaz.
     Emma arquejou. Era um rapaz bonito. Tinha cabelos cacheados, um rosto de beleza exótica e um corpo forte. As sobrancelhas davam-lhe um ar engraçado. Ela voltou-se para onde estavam os objetos falantes, entretanto, só encontrou três outros rapazes. Um era alto e moreno, muito bonito. Outro, um pouco mais baixo, era loiro e tinha olhos castanhos meigos. E o mais baixo de todos tinha espessas sobrancelhas e um rosto encantador.




- Mike? Peter? Davy? São vocês?

- Sim, somos nós. - o mais alto sorriu, e Emma reconheceu a voz de Mike. - Você quebrou o feitiço, Emma!

- Feitiço? Quer dizer que...

- O rapaz na cama é a Fera? Sim. - Peter completou.

- Ele se chama Micky. Era um rapaz rico, que tinha tudo do bom e do melhor. Mas ele era mimado, grosseiro, egoísta. - contou Davy. - Seus únicos amigos éramos nós, que crescemos com ele. Numa noite de inverno gélido, ele negou abrigo a uma pobre e velha mulher maltrapilha. Ela revelou-se uma maga de beleza deslumbrante, e para puni-lo, condenou-o a viver como uma fera horrenda, até que ele aprendesse a amar. E você o ensinou.

   

      Emma foi até o rapaz adormecido na cama, e deu-lhe um beijo na testa. Ele imediatamente despertou, e ao encontrar os olhos azuis da linda moça fixos nele, só pôde murmurar:



- Emma... Agora você sabe qual a minha verdadeira aparência. Agora pode me amar...

- Eu já te amava antes. - ela sorriu, pegando as mãos dele.



       Ele sentou-se na cama, trazendo a jovem para seu colo. Beijou-a ardentemente, sob os aplausos de Davy, Peter e Mike. Aquele amor, baseado em algo muito mais importante do que a aparência, estava destinado a ser duradouro, senão eterno.



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