Naquela noite, Dianna não parou de
pensar em Peter. Não queria admitir, mas o deus do verão havia conseguido um
lugar para si no coração dela. Mas bastava pensar em Davy e seu coração batia
mais forte.
Passaram-se alguns dias sem Peter
levar a moça novamente a Álfaheim, nem se manifestar de outra maneira. Dianna
já julgava que o deus havia se esquecido dela e agora procurava outra jovem
para galantear.
Peter continuava a observá-la,
contudo, desejava verificar se de fato ela amava demais o einherji, para pensar
em como poderia substituí-lo no coração da amada valquíria. Ele decidiu fazer
uma nova visita a Louise em Vanaheim, e assim fez.
Ao adentrar Sessurúmnir,
encontrou Louise desatenta e a suspirar.
- Louise! – ele chamou.
Sem resposta.
- Louise!
Tentou mais uma vez,
chamando o mais alto possível.
- LOUISE!!!
Ela saiu do transe,
assustada.
- Peter! Estás louco? Onde já se
viu gritar desse jeito?
- Estou aqui há uns dez minutos
te chamando, e não me respondes. O que foi? Estavas pensando em James?
- Eu estava pensando... Mas não
em James.
- Poderias me dizer no que estavas
pensando, então?
A deusa olhou para os
lados, hesitante. Julgando não haver ninguém que pudesse ouvir, pediu ao irmão
postiço que se aproximasse, com um sinal. Ele fez como ela pediu, e então
Louise sussurrou no ouvido dele:
- Estava pensando em Gerd.
- Gerd? O deus da guerra? – Peter
estava surpreso.
- Sim... – Louise sorriu, sem
jeito. – Ele é tão... Doce, apesar de ser um deus guerreiro. E não me importo
que ele tenha só uma mão, isso é o de menos...
- Mas, mas... Louise! Ele é um
aesir, um dos deuses de Asgard! Eles mal se importam conosco, os vanires, meros
deuses da natureza que, segundo eles, passam o dia tomando sol e cheirando
flores!
- Gerd não é assim, eu sei. E tu
sabes que os aesires não são tão arrogantes assim. Meu verdadeiro pai é um
asgardiano, sabes disso. E tu e nosso pai adotivo, Andrew, já viveram entre
eles.
- Sim, mas nos expulsaram! Viram
que nosso estilo de vida é totalmente diferente!
- Tu não podes falar muito de mim!
Tu estás apaixonado por uma valquíria. Ela ama a guerra tanto quanto Gerd!
- Eu diria que ela ama mais um
guerreiro do que a guerra.
- Ela só pensa no meu querido
einherji.
- Sim. Louise... Tu já te
envolveste com esse Davy Jones? Ou ao menos teves esse desejo?
- Peter! Por que todos pensam que
sou inconstante, por ser a deusa do amor? Justamente por isso, eu sou constante
nos meus amores. Sabe que antes de James nunca tive ninguém, e somente agora...
- Perdão, perdão, eu não quis
ofender-te, minha irmã. Então não posso confiar em ti para me livrar do meu
rival?
- Nem pensar! Mas o que pretendes?
Fazer tua amada sofrer ainda mais? E assim ela viria correndo para ti?
- Bem, eu...
- Peter, não é assim que
funciona! Ela vai vir para ti só para afogar as mágoas! E tu queres que ela te
ame, não é?
- É claro!
- Então, não vai ser fazendo Davy
beijar outra na frente dela que vais conseguir isso.
- O que farei, Louise?
- Isso só teu coração pode dizer.
Peter voltou para o seu
palácio. Tinha uma intuição muito forte sobre o que deveria fazer, contudo,
continuava inseguro. Trouxe-a para Álfaheim naquela noite, no mesmo salão de
seu palácio em que a recebeu na primeira vez.
- Olá, Dianna. – ele sorriu para
ela.
- L-Lorde Peter. – ela sorriu, tímida.
– Pensei que já tivésseis vos esquecido de mim.
- Nunca... E por favor, não me
chames de Lorde.
- Mas...
- Não precisas de formalidades
comigo. Quero que sempre te sintas confortável quando estiveres perto de mim. –
ele beijou o rosto dela e colocou uma coroa de rosas na cabeça dela. – Depois
dizes que não nasceste para reinar... Estás ainda mais linda coroada de rosas.
Pareces um lindo espírito da natureza.
A valquíria corou.
- Eu não mereço teus elogios...
- Mereces sim, e muito mais. – ele
afagou os cabelos loiros dela.
- Se sou assim tão bela, por
que... Ele não vê?
Fazer Dianna se esquecer do
guerreiro seria ainda mais difícil do que Peter previa.
- Ele pode ser um einherji, mas
ainda é um homem. Falho como todos os outros. Muito falho, devo dizer, se
consegue ignorar tamanha beleza, tamanho encanto. Mas o que tu vês nele?
- Eu... Não sei dizer... Ele é
tão bonito, tão forte, valente e nobre... Me trata com gentileza, mas...
- Mas é a outra valquíria que ele
deseja.
- Sim... – Dianna sentiu seu
coração partir-se em mil pedaços. – O que ela tem que eu não tenho?
- Sinceramente? Não sei. Tu és
tudo que ele poderia querer, Dianna. E és tudo que eu posso e de fato quero. –
ele a tomou nos braços. – Sê minha e esquece o einherji de uma vez por todas.
- Perdão... Eu não consigo, L...
Peter. Ele é tudo que eu amo, é tudo que eu quero. – ela tentou se soltar.
- Tens certeza? – Peter indagou,
as bocas de ambos perigosamente próximas.
Dianna olhou no fundo dos
olhos do vanir.
- Não. Eu não tenho. – e
beijou-o.
Peter sentiu a alegria
inundar seu coração e seu corpo. Já era um excelente começo.
- Serás minha?
- Sim... – ela respondeu,
docemente.
O deus tomou-a nos braços e deitou-a na cama
de flores. Dianna puxou Peter pela mão, fazendo-o cair sobre ela, provocando
risadas em ambos. Ele ia levar a mão até o vestido branco dela, para despi-la,
quando ela foi mais rápida e livrou o deus de suas roupas e sua capa de pele de
veado. Dianna não pôde evitar suspirar ao ver Peter nu diante dela. Ele tinha
um corpo magnífico.
Peter ajudou Dianna a
livrar-se da vestimenta, e a nudez dela era ainda mais deslumbrante de perto.
- Se tivesses ideia de quão bela
tu és... – ele sussurrou no ouvido dela, sedutor.
- E tu és... Maravilhoso... – ela
suspirou.
Começaram
a beijar-se com paixão. O senhor do verão apalpava os seios e a cintura da
valquíria, que o arranhava nas costas. Deitaram-se nas flores macias, e ele
passou a acariciar os cabelos dela, enquanto beijava-a no pescoço. Dianna
retribuía beijando-o no peito. Enfim ele abriu as pernas da jovem e penetrou-a.
Num primeiro momento, ela sentiu dor, pois ainda era donzela. Porém, logo
acostumou-se à sensação, e mostrou seu deleite, gemendo. Peter também gemia.
- Aaaah... Minha linda e doce valquíria... Eu te amo...
- Eu... Não sei o que sinto por ti, Peter... Mas é um sentimento
bom, isso eu sei...
Os beijos, carícias e movimentos prazerosos continuaram por mais
alguns minutos, até que chegaram ao máximo prazer. Gritaram, e se separaram.
- Valquíria... Valquíria linda...
– Peter não conseguia parar de afagar os cabelos dela e beijá-la.
- Peter... – ela passava a mão no peito dele. – Eu...
Nunca me senti tão amada... Tão desejada... Estou tão feliz! – ela sorriu.
- Fica comigo, e essa felicidade
será eterna. – ele sorriu, beijando-a suavemente mais uma vez.
- Ainda não sei se desejo ser tua
rainha.... Mas estou um pouco tentada a aceitar...
- Darei mais um tempo para que
penses.
Dianna dormiu nos
braços de Peter naquela noite. De manhã, ele mandou-a de volta a Valhala. Mais
tarde, porém, o deus recebeu em Álfaheim uma visita que não esperava.
- Grande Tony! – ele exclamou, ao
ver diante de si o homem mais velho, que tinha uma aparência poderosa e
intimidadora e usava um tapa-olho.
- Peter, lorde de Álfaheim,
senhor da primavera e do verão. Eu soube que vós tirastes de uma de minhas
valquírias a condição de donzela.
- S-Senhor... Eu amo Dianna de
todo o coração! Juro-vos!
- Eu sei disso, meu jovem. Mas
vós deveis prometer-me que ser vossa amante não afastará a moça de suas
obrigações como valquíria!
- Eu... Juro, meu senhor.
- Assim está melhor. Ficarei de
olho em vós e na garota. Agora... Podeis dizer-me o que se passa com minha
filha, vossa irmã postiça?
- L-Louise? – Peter engoliu em
seco. O Pai de Todos já percebia que sua filha estava diferente.
- Sim, é claro, Louise! Ela foi
adotada por Andrew, assim como vós, mas continua sendo minha filha!
Estava na dúvida se contava
toda a verdade ou tentava esconder. Não que fosse possível esconder totalmente
algo do grande Tony. Mesmo assim, preferiu fingir que não sabia de nada.
- Não, meu senhor Tony, não notei
nada de diferente no comportamento de vossa filha. Muito menos sei de algo que
poderia explicar uma mudança nela, se percebesse uma.
- Tendes certeza, meu rapaz?
- S-sim.
- Muito bem. Retornarei ao meu
palácio em Asgard. Mas fiqueis sabendo, rapaz, que se fizerdes mal a minha
valquíria... Eu mesmo a vingarei.
- P-perfeitamente, Pai de Todos.
Peter estava com medo de acabar fazendo algo
que ofendesse Tony e provocasse sua ira. Era o confidente da filha do rei dos
deuses, que via como irmã muito amada. E além disso, estava apaixonado por uma
das seguidoras do Pai de Todos.
Só lhe restava fazer o possível para alertar
Louise da suspeita do pai e tentar ao máximo não magoar sua doce amada, mesmo
que sem querer.

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