segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Stop! In The Name Of Love - Capítulo 17

Boa noite! Não faz nem uma hora que a Inara postou o capítulo 16, e aqui já está o capítulo 17 de Stop. A fic está caminhando para a reta final... Boa leitura! 









Capítulo 17 - When Will The Good Apples Fall (Dianna’s POV) 

       Depois de Amsterdã, a turnê passou por Roma e Madri, sem que acontecesse nada de especial entre Davy e eu, porque Fefe passou a nos acompanhar. Para não arriscar, eu ficava o tempo todo com Emma e nem me aproximava de Davy. Não que isso me agradasse. 
      Até que chegamos a Berlim. Eu sabia que havia poucos dias que meus pais tinham se mudado de Colônia para a capital da Alemanha, por questões de trabalho, e meu irmão estava visitando-os. Então decidi que eu iria visitá-los também. Talvez até fugisse da turnê, ficando por lá mesmo. Porque tenho que admitir, eu estou errada em continuar deixando que Davy se aproxime. Eu tenho que parar com isso antes que seja tarde demais. Se já não for. 
      Só não contava que, na mesma hora em que eu estava deixando o hotel para ir à casa dos meus pais, alguém iria me interpelar, dizendo:

- Vai a algum lugar? 
- Vou, e não é da sua conta, Jones. – eu respondi, seca. 
- Por que essa mudança no seu tom quando fala comigo? – indagou ele, sua voz denotando sincera surpresa. 
- Porque já basta, Davy. Já fomos longe demais nessa brincadeira. 
- Você é a única que ainda acha que isso é uma brincadeira. 
- Porque é mesmo! Vamos cair na real. Você é namorado da Louise e tem que voltar para ela. Eu sou noiva do Gerd e tenho que me casar com ele. 
- Dianna, agora é você que precisa cair na real. Não tem mais jeito de eu continuar namorando a Lulu. O amor se esgotou. Pelo menos na forma em que existia antes. Talvez ainda exista um resto de amizade entre mim e ela, e preciso me agarrar a esse resto, se ainda quero voltar a ser amigo dela. Acho que a pior coisa que fiz foi namorá-la. Porque posso ter matado a nossa amizade, e isso sempre foi a última coisa que quis em minha vida. Quanto a você e a Gerd...
- Quanto a mim e Gerd, você não tem nada em que se meter. – cortei. 
- Posso pelo menos dizer a minha opinião? 
- Pode. 
- Você não tem mais a menor vontade de se casar com Gerd, até onde posso ver. E pelo que me contou, vocês estão noivos há dois anos, e até agora nada. Se quisessem mesmo ser marido e mulher... 
- Já teríamos nos casado há muito tempo? 
- Sim. Há um ano, pelo menos. 
- Odeio admitir que você está certo. Gerd e eu tivemos vários contratempos que impediram que marcássemos a data do casamento. E quanto mais postergamos... Tudo se perdeu. Eu não amo mais o Gerd. Tenho que admitir isso para mim mesma, porque eu mesma não quero aceitar que seja essa a verdade. Para mim, me casar com Gerd só significa uma coisa.
- E o que seria? 
- Desistir de você. De vez. 
- Dianna...
- Você acha que não ama mais a Louise. Pode ser que seja verdade. Mas eu não suporto mais ser tratada por praticamente todo mundo como a vadia que separou vocês dois. Então eu estou saindo do caminho. De uma vez por todas...


           Ele me puxou para um beijo, e eu tentei me libertar, mas não consegui. Esse maldito sabe que me tem nas mãos. 


- Di, por favor, coloque na sua cabeça de uma vez por todas. Eu não vou mais ter nenhum relacionamento amoroso com a Louise. Isso é impossível, impraticável. Porque é você quem eu amo. Eu quero você do meu lado. E eu sei que você sente a mesma coisa. Você mesma disse. 
- Tá, tá, você venceu. Realmente não podemos mais fugir disso. Então nós vamos acabar com essa história de uma vez. Em Londres, você termina com a Louise e eu termino com o Gerd. E ficamos juntos. Fugimos para Verona ou alguma coisa assim. 
- Por que para Verona? 
- Porque não tínhamos permissão para nos envolver assim. Mas foi o que aconteceu. 
- E me diga uma coisa. 
- O quê? 
- Para onde estava indo antes de eu vir falar com você? 
- Bem... Visitar meus pais. 
- Eles moram aqui em Berlim? 
- Sim. 
- Posso conhecê-los?
- Ora, ora, quer que eu te apresente para minha família? Está levando a coisa a sério mesmo.
- Achou que eu não levaria?
- Eu tinha minhas dúvidas. Mas... Tudo bem, se você quer ir... Então vamos. 


(Davy’s POV) 



         A casa dos pais de Dianna ficava na área nobre de Berlim, próximo da embaixada britânica. Dianna parou diante de um portão azul e tocou a campainha. Vi um bonito jardim em torno da casa. 
          Uma mulher loira e baixinha, de olhos azuis, veio abrir o portão. 


- Olá, mo ghrá. – a mulher cumprimentou Dianna, chamando-a numa língua que não conhecia, mas supus que fosse irlandês, pelo sotaque dela. 
- Olá, mamãe. – respondeu ela, sorrindo para a mulher e a beijando e abraçando. 
- Seu pai e eu estávamos mesmo esperando sua visita. E quem é esse rapaz? – indagou a senhora, apontando para mim. 


           Fiquei apreensivo. Como Dianna me apresentaria aos seus pais? Um amigo? Um... Novo namorado? 


- Ah... Esse é Davy Jones, meu... Amigo. – Dianna falou, parecendo esperar que a mãe se convencesse. 
- Você disse... Davy Jones? 
- Sim... Davy, esta é a minha mãe, Susan Mackenzie. 
- Como vai, sra. Mackenzie? – eu apertei a mão dela. 
- Vou bem. Não foi você quem interpretou o Duque de Stanford em On The Victory? 
- Eu mesmo...
- Eu não sabia que a senhora acompanhava séries, mamãe. 
- Ora, Di, eu também sou humana! Mas vamos entrando. 

     Atravessamos o jardim e entramos na casa. A sala era muito bem mobiliada, com lareira e uma estante de livros imensa. Era claro que os Mackenzie tinham um bom padrão de vida, mas não gostavam de ostentar. 
       Sentado numa poltrona, lendo um grosso livro, que identifiquei como Tom Jones, de Henry Fielding, estava um homem de estatura média e cabelos grisalhos. Ele ergueu os olhos, e reconheci por trás das lentes dos seus óculos os olhos de Dianna. 

- Dianna! Até que enfim você apareceu! - disse o sr. Mackenzie, e não pude deixar de notar o forte sotaque escocês dele. 
- Oi, papai. - Di foi até ele e o abraçou forte. - Onde está o Giles? 
- Dormindo no quarto dele. - respondeu o homem. - E esse jovem, quem é? 

      Engoli em seco. Finalmente "meu sogro" tinha notado minha presença. Como ele iria reagir à minha visita? 

- Eu sou David Jones. - me apresentei, nervoso. - Sou... Amigo da sua filha. Como vai, sr. Mackenzie?

         O sr. Mackenzie me olhou de alto a baixo, olhou nos meus olhos e disse:

- Muito prazer, David. Eu sou Lawrence. Eu vou bem, e espero que você também. Mas me diga algo: você é de Manchester, estou correto?
- Sim, senhor. 
- Imaginei. Seu sotaque não deixa enganar. Agora, Dianna querida, vejo que realmente você tem uma preferência por "sassenachs".


        Dianna ficou vermelha. Acho que entendi o que o pai dela insinuou, embora eu não tenha a menor ideia do que significa "sassenach". Ela disse:

- Ora, papai, o senhor se casou com uma "sassenach". Mas, de qualquer maneira... Davy é só meu amigo. 
- Hum... - e ele ia dizer alguma coisa, quando outra voz masculina, mais jovem, se fez ouvir. 
- Eu ouvi a voz da Di? Maninha, está aí? 

           O irmão de Dianna entrou na sala. Ele tinha cabelos loiros e olhos azuis, como sua mãe. Ele sorriu para Dianna e a abraçou. Sem se soltar dela, ele indagou, num tom de voz não muito amistoso:


- E quem é esse cara? 
- Ah... Esse é Davy Jones. Meu amigo. 
- Amigo... Sei. - diferentemente de seus pais, Giles não se deu ao trabalho de disfarçar sua desconfiança. 
- Eu tô falando sério, Giles. - disse Dianna. - Gerd e eu continuamos noivos. Olha a minha aliança aqui. - e ela mostrou a aliança de noivado no dedo. De repente senti uma certa dor no coração. 
- Pode dizer o que quiser, maninha, mas isso não muda nem um pouco o fato de que você tem dedo podre para escolher os seus namorados. 


        Dianna ficou ainda mais vermelha, e eu senti minhas bochechas pegarem fogo. 


- Giles, para um diplomata, você não é nada diplomático fora do trabalho. - disse a mãe, que parecia tão envergonhada quanto a filha e o marido.
- Mas é verdade, mãe! - protestou ele. 
- Quando você vai aprender a ser mais educado, Giles? - Dianna esbravejou contra o irmão. - Vem, Davy. Se meus pais trouxeram as minhas coisas que estavam em Colônia, quero te mostrar meus discos. 
- Estão na biblioteca. - disse o sr. Mackenzie, com um tom de voz bem mais afável agora. 

     Ela me levou até a biblioteca, que era o último cômodo de um longo corredor. Estava abarrotado de livros, mas em uma estante havia CDs e vinis.  Ela puxou um disco de uma prateleira, com um sorriso no rosto. Olhei para a capa do disco. Dizia The Best Of The Seekers. 

- Meu disco preferido quando eu era adolescente. - disse ela. - Meu pai trouxe para mim quando ele viajou a Camberra.
- Que legal. Posso ver?
- Claro. 

     Ela me passou o disco. Olhei todos os detalhes da capa. Tirei o disco de dentro, admirei-o com todo o cuidado para não riscar, coloquei na capa e devolvi a Dianna. 

- Vamos ouvir um pouco? - indagou ela, animada. 
- Vamos. - concordei.

       Ela colocou o disco na vitrola que havia na biblioteca e pousou a agulha na quarta ou quinta ranhura. Di tinha um brilho nos olhos enquanto cantava:

 I may be a  rich man's daughter, 
And have servants of my own, 
I could snap my fingers and I could have 
Anything I want... 

Sometimes I look at my window, 
See lovers hand in hand walk by... 
They see the diamonds I wear,
But not the tears of envy in my eyes...

When will the good apples fall
On my side of the fence?
When will I taste 
The sweet fruits of life?
When will the Sun smile for me 
Through grey cloudy skies above?
When will I find 
My true true love? 

       E nessa parte ela olhou para mim com um sorriso.

- Essa era a minha música favorita quando eu tinha dezessete anos. - ela sorriu. - Eu a ouvia e sonhava com o dia em que encontraria meu muso. 
- E você achou? 
- Claro, seu bobo. É você! - ela riu, me abraçando.
- Eu fico feliz por ser seu muso... Mas as coisas não têm sido fáceis para nós...
- Sim... - ela aninhou a cabeça no meu ombro. - Eu não sei o que fazer. Me odeio por trair Gerd e Louise assim. Me odeio por sentir isso. Mas é mais forte do que eu. Davy... Eu amo você, você sabe disso, não sabe?
- Sei... E eu amo você também. Minha leoazinha, meu amor. - encostei minha cabeça na dela.
- Meu leãozinho, meu amor.  

      E ela tomou meus lábios num beijo. Estávamos no melhor do beijo quando...

- Dianna, Davy, vocês querem tomar chá?

        Por sorte, a porta estava fechada, e quando a Sra. Mackenzie a abriu já tínhamos nos separado. 

- Já estamos indo, mãe. - disse Dianna, se ajeitando. 
- Tudo bem. - disse a senhora, voltando para a cozinha. - Mas não demorem, hein?
- Acho que a sua mãe desconfia de nós. - eu falei. 
- Também acho... Nunca consigo esconder as coisas da minha mãe por muito tempo. - Di falou. 
- Mas me diz uma coisa. 
- O quê? 
- O que quer dizer "sassenach"? Seu pai me chamou disso... E você disse que sua mãe também era uma.
- Ah, é "estrangeiro" em gaélico escocês. - ela riu. - Papai é escocês até a medula, embora trabalhe para o governo britânico. Ele sempre quis que meu irmão e eu nos casássemos com escoceses, o que é meio estranho da parte dele, já que a esposa é irlandesa.
- Ah sim...

        Fomos até a cozinha, e quando Di foi puxar uma cadeira para se sentar, ela colocou a mão na testa e as pernas cambalearam um pouco. 

- O que foi, filha? - indagou a mãe, enquanto eu a ajudava a se sentar na cadeira. 
- Nada... Uma tontura. Não deve ser nada de mais.

        Ninguém disse nada. Cada um se serviu de chá e torrada ou bolinhos. Enquanto comíamos, o sr. e a sra. Mackenzie conversavam comigo sobre meu trabalho. 

- Você atuou numa série que se passava na Roma Antiga, não é, Davy? - inquiriu o pai de Di.
- Sim. Fight For The Glory. - respondi. 
- Como Louise McGold estava maravilhosa naquela série... - comentou Giles, parecendo um pouco aéreo. - Espera aí! Você é, ou foi, namorado dela, não é? 
- Bem... - olhei para Di discretamente. Acho que por enquanto ela prefere que sua família não saiba sobre nós. Então eu disse: - Sim, eu sou. 

***

(Dianna's POV)

    O chá da tarde transcorreu sem grandes problemas. Giles colocou Davy na parede, mas ele se desenroscou bem. Por hora, prefiro que minha família acredite que somos apenas amigos.
      Mas algo me perturbou. A tontura que senti. Tudo bem, às vezes fazemos movimentos rápidos demais e ficamos tontos. Mas não foi o caso... E outra coisa: minha menstruação. Está um pouco atrasada. Meu ciclo é irregular, mas já faz uma semana que deveria ter vindo. 
        Será que estou grávida? Se eu realmente estiver... Não dá outra. Davy é o pai. O que eu faço? Será que devo falar com a minha mãe? Contar a verdade? O que ela vai dizer se souber?
       Davy e eu voltamos para o hotel. Ele percebeu que eu estava aérea, porém, fingi que estava tudo bem. Fiquei imaginando qual seria a reação dele caso minha suspeita se confirmasse. Não acho que ele me abandonaria à minha própria sorte, mas estou com medo. Lá chegando, fui conversar com Emma. Em particular. 

- Emma, preciso muito falar com você.
- O que houve, mozinho?

        Respirei fundo e disse:

- Mozão... Acho que eu tô grávida.

      Os olhos de Emma ficaram gigantes. Se mineiros encontrassem safiras do tamanho dos olhos dela naquele momento estariam absurdamente ricos.

- Como é que é? Dianna, por favor, me diz que é um Gerd Müller Jr. 
- Receio que não. - respondi, simplesmente.
- Ai meu Deus. Ai meu Deus! Di, você tem certeza mesmo?
- Bem, não, mas...
- Mas se você realmente estiver, não tem uma chancezinha pequenininha de Gerd ser o pai? 
- Ter até tem, mas é mínima. Menos de 1%. - suspirei.
- Era só o que faltava. Você tá grávida do nanico. Você nunca ouviu falar de pílula? Camisinha? 
- Eu tomo pílula, você sabe muito bem disso, Emma! 
- Acho melhor... Você ir ao médico. Talvez você devesse dar um pulo em Munique e ver seu ginecologista. 
- Você tem razão, Emma.

     Aproveitei e liguei no consultório do Dr. Schubert na mesma hora. A secretária conseguiu um horário para mim no dia seguinte, no fim da tarde. Como Munique ficava a quase seis horas de Berlim, eu ia ter que sair cedo de lá. Pedi para Emma ir comigo. Tomara que seja só um alarme falso...

***

No dia seguinte...


- Olá, Dianna. Há quanto tempo não nos vemos!
- Olá, Dr. Schubert. - apertei a mão do médico.
- Você não veio para sua consulta de rotina, não é? Fraülein Brundenbrook disse que você estava com pressa.
- Na verdade... Estou sim.
- O que houve? Sente-se, por favor. - ele me indicou a cadeira diante da sua mesa, e ele tomou seu lugar.
- Doutor... Uma mulher pode engravidar mesmo tomando a pílula regularmente, não é?
- Sim, é possível. Se ela por engano comprar um placebo... Ou se por algum motivo o anticoncepcional não fizer mais efeito no organismo dela... Por isso mesmo, o ideal é usar preservativo também. 

   "Como eu sou burra", pensei.

- Mas por que está perguntando? Acredita que esteja grávida?
- Sim... Preciso confirmar isso. Minha família... Vai querer que Gerd e eu nos casemos o mais rápido possível.
- Bom... Você pode fazer um exame de sangue para verificar. Mas ainda vai demorar uns dois dias para sair o resultado.
- Tudo bem...
- Por hora... Você está com sua caixa de pílulas?
- Sim. - entreguei a caixinha a ele.

       Ele analisou a caixa. Tirou um comprimido de dentro e o olhou de vários ângulos. 

- Isto é placebo, fraülein. 
- Ai meu Deus...
- A culpa não é sua. Mas vamos aguardar os resultados. Se você realmente estiver grávida, vou recomendar uma obstetra para você, e depois pensamos na pílula que você vai tomar depois do período adequado. Agora, caso não esteja, eu vou te recomendar outra marca de anticoncepcional e te ensinar a reconhecer o remédio certo.
- Muito obrigada, doutor...

     Eu fiz o exame, e Emma e eu ficamos em Munique até o dia em que o resultado ficaria pronto. Fui buscar no consultório do dr. Schubert. Ao entrar, vi o papel com o resultado do exame sobre a mesa dele.

- Aqui está seu hemograma, Fraülein Mackenzie. Vamos direto ao que interessa...

     Ele pareceu procurar alguma coisa no hemograma, até que achou. 

- Aqui. Gonadotrofina coriônica. - ele apontou com uma caneta. - Só aparece na corrente sanguínea de uma mulher se ela estiver grávida. Vamos ver a sua porcentagem... 

         Era um número bastante elevado.

- Com essa porcentagem de gonadotrofina coriônica no seu sangue, Dianna, não é possível ter dúvidas. Meus parabéns, você e Gerd vão ser pais. - ele apertou minha mão.
- O-obrigada, dr. Schubert. 

       Tudo que eu queria era gritar de pânico. O que eu vou fazer agora? Não posso esconder isso do Davy. Pelo menos não por muito tempo. Mas tenho dois problemas: Louise e Gerd. Davy e eu ainda estamos com eles. 
           Eu vou cuidar do meu filho com todo o amor e carinho do mundo. Mesmo que eu não possa ficar com o pai dele. O que Louise vai pensar de mim? O que todos vão pensar? Acho que não devo contar para ninguém até que eu volte a Londres e termine com Gerd. Só Emma e o dr. Schubert vão saber por enquanto. Depois que Gerd e eu finalmente tivermos nos separado de uma vez por todas... Aí sim vou revelar minha gravidez.
      Emma e eu voltamos a Berlim, e os Monkees nos encheram de perguntas. Emma disse simplesmente que tinha me acompanhado no médico e que tivemos que ficar em Munique por três dias devido ao exame que tive que fazer. Não entrou em detalhes que poderiam causar alguma suspeita.
    Mas Davy se mostrou preocupado comigo. Ele queria saber se eu estava doente. 

- Eu estou bem, pode ficar tranquilo. - falei.
- Tinha a ver com aquela tontura que você sentiu na casa dos seus pais?
- Não. - menti. - Fui fazer uma consulta de rotina.
- Mas seu médico pediu um exame, a Emma falou.
- Exames de rotina.
- Você está escondendo alguma coisa de mim, Dianna?
- Davy, é sério. Eu estou com a saúde perfeita. Agradeço a sua preocupação. - beijei o rosto dele e dei o assunto por encerrado. Espero que ele não insista.

      Desabafei com Emma mais tarde.

- Eu estou com tanto medo, Emma. 
- Do quê, exatamente, Di?
- De várias coisas. De Davy e eu não conseguirmos romper com Lulu e Gerd, e do meu filho ficar sem pai. De alguém dizer que engravidei de propósito para arrancar o Davy da Louise. Eu fui tão burra... - comecei a chorar desesperada. - Não sei nem se estou pronta para ser mãe...
- Calma, Di, calma. - Emma me abraçou. - Vai dar tudo certo. Você vai ver. Vamos, respira e se acalma. Tem um mini você ou um mini Davy aí dentro. Você precisa cuidar dela ou dele. 
- Eu sei... - funguei.
- E pode contar comigo, viu?
- Obrigada, mozão. Eu te amo.
- Eu também te amo, mozinho.

*** 

    Voltamos a Londres dali a menos de uma semana. Eu andava um pouco enjoada, mas, para minha sorte, Davy não desconfiou de nada. Eu já tinha combinado com a Erin que na volta eu ficaria no apartamento dela. Definitivamente. E quando cheguei lá...

- JESUS CRISTO! O que significa isso?

     Erin estava fazendo amor no sofá com um cara. Então o cara olhou para mim, muito vermelho, e eu o reconheci. Patrick Shepherd, o intérprete do Visconde de Valmont na série de Ligações Perigosas.

- Ah... Oi, Di. - disse minha prima, muito vermelha. - Esse é o Pat, meu novo namorado. Desculpe por vocês se conhecerem assim. 
- Ah... Ok. 
- Desculpe. - Patrick saiu de cima da Erin, com uma almofada tampando aquela parte, e se enfiou num quarto. 

       Eu me virei para Erin e falei:

- Que mudança, hein, prima? Tudo bem que o Peter é bonito sim, mas o Patrick... Que homão! 
- Pois é. - ela sorriu sem jeito. - Depois conto melhor para você e a Emma como o conheci, para Alice já contei tudo... Mas você não me parece muito bem. 
- Ah... Erin, o que vou contar é muito importante. Só a Emma e o meu médico sabem.
- Ai Jesus, não fala assim que eu fico nervosa, Dianna! 
- Calma, eu tô bem de saúde. 
- O que é, então? Fala, mulher! 
- Eu estou grávida, Erin.
- E quem é o pai? Davy?
- Sim.
- Você já terminou com o Gerd? 
- Não... Mas eu vou terminar. - senti o celular vibrar no bolso. - Falando nele...

 Oi, Di. Comprei um apartamento aqui em Londres, estava mais do que na hora. Vamos ficar morando nele?


      E embaixo vinha o endereço. Eu não pretendia morar com ele, mas ia até lá para dar um fim ao nosso relacionamento. De uma vez.
        Cheguei lá quase na hora do jantar. 

- Olá, Di. Estava esperando por você. Fiz lasanha ao molho branco, sua favorita.
- Ah, obrigada, Gerd, mas...

      Não aguentei. Bela hora para ter ânsia de vômito. Fiz uma meleca no tapete dele.

- Desculpa, Gerd! Desculpa!
- Tudo bem... - dizia ele, passando um pano com álcool onde sujei. - Passou? 
- Acho que sim... - eu disse.
- Você nunca teve estômago fraco...
- Sei lá, deve ter sido alguma coisa que comi no aeroporto. - inventei uma desculpa. 

     Tentei de todas as maneiras introduzir uma discussão de relacionamento, mas Gerd conseguiu evitar isso. Que raiva! Acabei dormindo lá. Mas me recusei terminantemente a fazer sexo. Disse que estava cansada demais para isso. 
        E fomos na manhã seguinte para o novo estúdio de Odile, na casa de Bobby Moore, jogador do West Ham. Fui colocada a par de todas as novidades no roteiro, como o tio e os pais gays de Poppy, e que Alex e Hillary não teriam mais cenas. Ou seja, Davy e eu não precisávamos mais aparecer para gravar. 
        Enquanto andava pelo estúdio, ouvi um choro de cortar o coração. E vi quem era. Lulu. Mesmo que ela praticamente me odeie agora, e com razão, eu fiquei com muita pena dela. Aproximei-me e estendi um lenço para ela.

- Oi. - cumprimentei, dando o lenço. – Pode pegar.

      Para minha surpresa, ela aceitou minha gentileza. Sempre que tentei uma aproximação nesses últimos tempos, ela foi fria comigo.

- Obrigada, Dianna. – e ela continuou a chorar.
- Eu sei que andamos distantes... Mas gostaria de te ajudar. - eu disse, sincera e sorrindo. 

    Ela me abraçou. Senti que ela queria um pouco de carinho, e isso eu podia dar. Sentia falta da minha amadinha.

- Tenho algo pra contar, Dianna. – ela respirou fundo e por fim revelou: – Estou grávida.

     E ela chorou mais ainda. Eu queria chorar também. Se ela está grávida também... Davy não pode nem sonhar que esse filho que estou esperando é dele. Eu preciso contar para o Gerd. É minha única solução. 
        Eu procurei consolar Louise.

- Calma, Lulu. Tudo bem... Sei que será uma boa mãe. Você é ótima com crianças. Eu... Eu que estou ferrada. 
- O que quer dizer com isso?

      Eu e minha grande boca.

- Eu... Estou grávida também.
  
         Lulu me olhou com cara de espanto. 

- Ah... Parabéns para você e o Gerd. Você já contou para ele? 
- Não ainda... Mas vou contar. E você? Contou para o Davy?
- Ele estava junto quando fiquei sabendo.
- Ah sim... Parabéns para vocês também.

        O que Lulu diria se soubesse que meu bebê e o dela são filhos do mesmo homem? 




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