Na ilha de Chipre, vivia um jovem escultor. Seu nome era Walter Koenig. Ele desprezava as mulheres. Dizia que elas eram cheias de defeitos. Seus amigos o advertiam de que um dia ele se arrependeria amargamente das injustiças que dizia, mas ele não lhes dava ouvidos.
Um dia, Walter tomou uma decisão ambiciosa: faria uma estátua mais perfeita do que qualquer mulher viva, e também mais perfeita do que qualquer outra estátua.
Para realizar seu projeto, encomendou o mais alvo e duro marfim e as mais reluzentes pedras preciosas. Quando as encomendas chegaram, pôs-se a trabalhar no mesmo momento.
Trabalhou dias a fio, entalhando uma bela figura feminina no marfim. Nem estava acabada e já era esplêndida. Então, ele começou a cuidar dos detalhes. Incrustou ouro para fazer os cabelos. Esmeraldas para os olhos. E rubis para os lábios.
A estátua era a coisa mais linda que uma mão humana já havia produzido. Contudo, Walter não estava satisfeito. E continuou aperfeiçoando sua obra. Até que um dia percebeu que não podia fazer mais nada para melhorar sua estátua. Estava absolutamente perfeita.
Ficava horas e horas admirando a estátua. E aconteceu algo surpreendente: apaixonou-se pela estátua. Ele a chamava de Alberta.
Desesperado de amor pela moça de marfim, ele tentava fingir que ela era uma garota de verdade, o que não era difícil, pois quem olhasse acreditaria se tratar de uma pessoa de carne e osso. Somente chegando muito perto para perceber a realidade.
Em seu faz de conta, ele a enchia de presentes: jóias, flores, perfumes. À noite, ele deitava a estátua numa cama confortável. Além de contemplar Alberta, ele a beijava, abraçava, acariciava, sussurrava palavras doces.
Porém, logo percebeu que não podia continuar com aquilo. Não o levaria a lugar algum. Então, resolveu orar a Odile, a deusa do amor.
Chipre era um dos maiores centros de culto da deusa, e a época do grande festival em honra dela se aproximava. Num certo dia do festival, Walter, assim como vários dos habitantes da ilha, foi fazer sua oferenda a Odile. Depositou a oferenda no altar da deusa, e murmurou seu pedido:
- Oh, mais bela das imortais, por favor, ajude-me a encontrar uma jovem que seja semelhante à minha adorada virgem de marfim…
Odile já estava ciente do amor que Walter nutria pela estátua havia muito tempo. E estava mais do que disposta a ajudá-lo. Para mostrar isso, ela fez a chama do altar onde ele deixou sua oferenda subir três vezes mais alto do que as chamas dos demais altares. Walter considerou aquele um sinal auspicioso.
E ele voltou para casa, esperançoso. Logo se dirigiu à sua adorada criação. E beijou seus lábios ternamente. No entanto… Ficou surpreso ao sentir lábios macios e quentes, em vez da solidez e frieza do marfim. Incrédulo, ele acariciou os cabelos dela. E não era mais ouro. Eram cabelos humanos, sedosos. A pele não era mais marfim rígido e gelado. Era pele humana, suave e morna. Walter se afastou, e viu diante dele Alberta, sua obra de arte. Mas ela não era mais uma escultura. Era uma jovem mulher de carne e osso. E ela sorria para ele com doçura.
- Olá, Walter. - disse ela, na voz mais meiga que ele já tinha ouvido.
- O-olá… - ele balbuciou. Caiu de joelhos diante dela, e orou agradecendo a Odile.
Ergueu-se novamente e beijou Alberta mais uma vez, ela agora correspondendo apaixonadamente. Eles se acariciavam com ardor. E então ele a levou para seu leito. Foi uma bela noite…
Daquele casamento, nasceriam duas meninas, Phillipa e Natalie. Um dia, elas cresceriam e se tornariam sacerdotisas de Odile. E os pais delas seriam eternamente felizes.
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