Eu poderia ter escrito esse texto no comecinho do ano, mas a coisa não estava tão feia como agora. A pressão sempre, sempre, sempre foi inimiga do ser humano, principalmente nessa porra de sociedade capitalista.
E essa maldita também sempre me importunou, mas nunca tanto como neste ano. Este ano é decisivo. Tá certo, todo mundo diz que as chances de eu não passar na Fuvest são mínimas. Entretanto, eu não me convenço. Continuo estudando feito uma locomotiva desembestada, das seis da manhã até meia-noite. Eu me cobro mais do que meus próprios pais. Aliás, eles nunca precisaram me dizer o que eu tinha que fazer em relação aos estudos. Sempre fui ciente das minhas responsabilidades.
Mas não é só o estudo que me pressiona. A sociedade capitalista e suas imposições também. Meu biotipo nunca foi dos mais "magrinhos". Já sofro bastante para manter minha barriga "negativa". Não vou tentar afinar minhas coxas também, porque é pedir demais. Sou descendente de negros por parte do meu pai, e por isso tenho um cabelo grosso e com tendência a enrolar de vez em quando. E quer saber? Eu adoro meu cabelo do jeito que ele é! E vou mandar a real: não me maquio mesmo e não gosto. E que se dane quem diz que eu preciso me maquiar mais! Mulher não nasceu pra ser enfeite não, meu querido.
Vamos combinar uma coisa? Estudo é importante? Claro que é! Mas também não vamos fazer disso um drama. Esse ritmo de Revolução Industrial mata qualquer um. E, mulherada: não tem nada errado em querer manter um peso "ideal" ou se maquiar, mas também não é preciso seguir os padrões estéticos à risca! E digamos alto, homens e mulheres: WE WANT TO BREAK FREE!
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