Dali a duas semanas, parecia que
estava tudo bem entre Paul e eu. Éramos novamente aquele casal apaixonado de
antes. Mas, certa tarde...
- Fanny, precisamos conversar. –
Paul me pediu.
- Sim, claro, querido.
- Eu achei que podia confiar em
você, Fanny... Mas parece que eu me enganei.
- O quê? Paul, não estou
entendendo.... É aquela história do Peter Tork de novo?
- Não, não tem nada a ver com
aquele macaco. O que você sente pelo Dylan?
- Bob é só um amigo, Paul! Como
pode pensar que ele é meu amante?
- Vocês dois estão sempre juntos,
conversando, rindo, cantando.... Você é fã dele.
- E daí? Eu jamais trocaria você
por ele! O que, ou quem, te fez pensar nisso?
- Kathy. Ela me avisou para ficar
esperto.
Kathy! A única mulher com quem fiz
amizade nos EUA! Como ela podia pensar que eu tinha capacidade de trair Paul?
Como ela.... Como ela podia fazer papel de Iago, e transformar Paul em Otelo,
eu em Desdêmona e Bob em Cássio?
- Eu vou ligar para Bob e ele
mesmo vai desmentir tudo isso! Depois vou ter uma conversinha com a srta. Kathy
Giordano.
- Vai chamar seu amante para ele
te defender, é?
- Cala a boca, Paul! Cala a boca!
Acabou tudo entre nós! Não posso ficar com um cara que não tem um mínimo de
confiança em mim!
Peguei minhas roupas, joguei-as na
mala, bati a porta do apartamento de Paul, e logo que cheguei à portaria do
prédio avistei um táxi, sinalizei e fui à casa da única pessoa em quem eu
poderia confiar naquele país horrível, os Estados Unidos: Bob.
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- Bob, vou embora para a
Inglaterra!
- O quê? Tão cedo? Como assim,
Fanny?
- É isso mesmo que você ouviu. Eu
vou voltar para casa. Terminei com o Paul.
- Assim, do nada?
- Ele acha que somos amantes!
- Ele ficou doido!
- Sim... Muito doido. A culpa é
da Kathy.
- Da Kathy?
- Ela fez Paul pensar nisso.
- Como ela pôde....?
- Eu não sei, Bob. Eu não sei.
Comecei a chorar no peito dele,
que acariciou meu cabelo para me acalmar. Passei a noite no sofá dele e, na
manhã seguinte, ele me deixou no aeroporto JFK, onde peguei um avião que
pousaria em Heathrow.
Parece mentira.... Mas quem
estava no mesmo voo que eu? Ninguém mais, ninguém menos que Davy Jones.
- Oi, namorada do Peter. – ele
deu uma risadinha.
- Nem brinque com isso, Davy, por
favor.
- Cara, ele passou a semana
inteira depois daquela festa dizendo que você era linda e que seu namorado era
um imbecil obsessivo.
- Meu ex-namorado, na verdade.
- O cara ficou tão paranoico
assim? Coitado do Peter, ele vai achar que a culpa foi dele.
- Ah, não, Paul ficou com ciúmes
do meu melhor amigo.
- Ah, sim, entendo. – disse Davy,
sem saber muito bem como agir.
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(Dylan’s POV)
Então foi por isso que a Kathy
ficou me pressionando para me declarar à Fanny! Ainda bem que não consegui
encontrar as palavras... Poderia ter sido pior.
Flashback ON
Pedi a Fanny que viesse ao estúdio
conversar comigo. Eu pensava: “Meu Deus, meu Deus, o que ela vai pensar de mim?
Se ela se afastar vai ser meu fim...”. Enfim ela chegou.
- O que queria falar comigo, Bob?
- Fanny, eu... Eu...
Emudeci subitamente. Esqueci tudo que
havia ensaiado. Algo me dizia que era melhor para nós dois que eu sufocasse
aquele amor dentro de mim.
- O que foi? – ela estava
intrigada.
- Eu... Só queria que soubesse
que vou sentir sua falta quando suas férias acabarem.
Ela me mostrou seu lindo sorriso.
- Ah, Bob, também vou sentir sua
falta! – e me abraçou. Foi como se ela tivesse me dito que me amava. E eu queria
que aquele momento fosse eterno.
Flashback OFF
Oh, pobre Fanny. Eu espero que o próximo
seja bom para ela. Não desejo nem mesmo que o próximo seja eu. Só não quero
vê-la sofrer, nunca mais.
(Fanny’s POV)
Como Kathy podia fazer aquilo
comigo? Depois que se convenceu de que Bob e eu éramos apenas amigos, ela
começou a me questionar sobre o fato de que Paul e eu namorávamos a distância.
O que ela tinha a ver com isso? Kathy não tinha direito de se intrometer no meu
namoro, mesmo sendo minha pretensa amiga. Fefe, Elinor e Emily têm muito mais
direito de opinar do que ela.
Não sei
por quê, mas algo me diz que ela armou toda essa rede de intrigas para ter
alguma vantagem sobre Paul. E tal vantagem seria conquistar o amor dele.
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(Simon’s POV)
Oh, Fanny, meu amor! Por que
você me enganou durante todo esse tempo? Se soubesse, jamais teria apresentado
aquele canalha do Dylan a você. Sinto-me tão dolorido e desamparado! Como eu,
mero girassol, vou viver sem meu Sol?
Porém, pensando melhor, Kathy
vinha se comportando de maneira muito estranha ultimamente. Vivia atrás de mim
e não parava de me dizer que eu deveria terminar com você, porque, segundo ela,
namoros a distância não têm futuro. Se eu fosse corajoso, procuraria você,
pediria desculpas e suplicaria que você voltasse para mim. Mas sou apenas um
covarde. Com que cara poderei pedir seu perdão, depois daquele escândalo? Perdi
você, Fanny. Para sempre.
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