sábado, 26 de julho de 2014

Fanny's Autumn Almanac - Capítulo 3

-          Espere, sr. Simon! – eu pedi.
-          Srta. Frances, eu gostaria de ficar sozinho, por favor.
-          Por favor, me chame de Fanny. Não estou acostumada a ser chamada pelo meu verdadeiro nome.
-          Tudo bem. Desde que me chame de Paul.
-          Está bem, Paul. Será que você não gostaria de desabafar?
-          Seria bom. 

                  Nós nos sentamos numa mesinha de um café muito acolhedor, bastante apropriado para aquela situação. Ele me contou tudo: o nascimento da paixão por Emily, a decisão de escrever uma canção para ela, o rompante que levou-o a revelar tudo. Eu fiquei tão triste por ele... E vê-lo sofrer me levava a querer fazer o que estivesse ao meu alcance para consolá-lo. Fui me aproximando... E o beijei. Ele me olhou, espantadíssimo. A minha surpresa não era menor. Em seguida, fiz a única coisa que me ocorreu. Saí correndo.
                 Cheguei em casa. Minha irmã e minha prima não estavam. Elinor rabiscara um bilhete explicando que Emily estava muito nervosa e que elas haviam saído para que minha prima se acalmasse.
                  Eu resolvi aproveitar que estava sozinha para escutar música e organizar as minhas idéias. Liguei a vitrola, tirei meu precioso disco The Who Sings My Generation da capa, coloquei o disco no prato e abaixei a agulha. Enquanto ouvia minha segunda banda favorita (a primeira é The Yardbirds), fiquei pensando. Era claro que Paul me achava louca, depois do que eu fizera. Era possível que ele nunca mais olhasse na minha cara.

                     Alguns dias depois, eu estava lendo Jane Eyre, de Charlotte Brontë, em meu quarto, quando Emily entrou e me disse:

- Fanny, tem alguém na sala que quer falar com você... Mas antes, acho que você deveria se arrumar.
- Me arrumar? Por quê?
- Você vai ver.

      Dei de ombros. Vesti calça jeans, uma blusinha branca com botões e um casaquinho verde-escuro, também com botões. Calcei meus sapatos pretos de sempre. Saí do quarto e fui para a sala. E quem encontrei quando cheguei lá?

- Olá, Fanny. – era Paul Simon em pessoa.
- Hã, olá.           
- Me daria a honra de me acompanhar em um passeio?
- Ah, bem, claro.

         Passear com Paul foi divertido, mas assustador. Digamos que eu nunca havia saído com um rapaz de que eu gostasse. Ele me atraía, com seus conhecimentos sobre literatura, e por ser mais velho do que eu. Eu tinha 17 anos, e ele, 23.
          Durante um bom tempo, deixei-o falar. Fiz várias perguntas sobre poetas a ele. Poderia tê-las feito a Elinor, entretanto, ouvi-lo sanar minhas dúvidas era bem diferente de ouvir a minha irmã. Então, finalmente tive coragem de perguntar:

- Conhece os Everly Brothers?
- Quem não conhece? – ele me perguntou, sorrindo.
- Bem.... Poderia cantar uma música deles para mim, Paul?
- Claro que sim, Fanny. Qual gostaria de que eu cantasse?


               Pensei por alguns minutos. Gostava de tantas músicas dos Everly Brothers! Por fim, me decidi.


- Love Is Strange.


                   Ele cantou. Ouvi atentamente, e quando ele terminou, ele me disse:

- O amor é mesmo muito estranho. – e me beijou.

                     Quando separamo-nos, perguntei:

- Esqueceu a Emily?
- E eu tinha escolha? Mas, desde antes de ela me dispensar, eu já estava de olho em você.
- Não sei, não...
- Não duvide.  Mas, o que a atrai em mim?
- Você é culto. É jovem. Canta bem. Gosta de Everly Brothers.
- Fanny....
- Sim?
- Eu sei que vai ser meio ridículo uma garota tão linda de.... espere, qual a sua altura?
- Tenho 1, 65m.
- Bem, vai ser meio ridículo uma linda garota andando por aí com um feioso cinco centímetros mais baixo do que ela.
- Você não é feio, Paul. E eu não estou nem aí para a sua altura. Tamanho não é documento.
- Bem.... Quer namorar comigo, Fanny?

      Eu decididamente não esperava por isso! Quase chorei de tanta felicidade.

- É claro que eu aceito, Paul!





























Um comentário: