-
Espere, sr. Simon! – eu pedi.
-
Srta. Frances, eu gostaria de ficar sozinho, por favor.
-
Por favor, me chame de Fanny. Não estou acostumada a
ser chamada pelo meu verdadeiro nome.
-
Tudo bem. Desde que me chame de Paul.
-
Está bem, Paul. Será que você não gostaria de
desabafar?
-
Seria bom.
Nós nos sentamos numa
mesinha de um café muito acolhedor, bastante apropriado para aquela situação.
Ele me contou tudo: o nascimento da paixão por Emily, a decisão de escrever uma
canção para ela, o rompante que levou-o a revelar tudo. Eu fiquei tão triste
por ele... E vê-lo sofrer me levava a querer fazer o que estivesse ao meu
alcance para consolá-lo. Fui me aproximando... E o beijei. Ele me olhou,
espantadíssimo. A minha surpresa não era menor. Em seguida, fiz a única coisa
que me ocorreu. Saí correndo.
Cheguei em casa. Minha irmã e
minha prima não estavam. Elinor rabiscara um bilhete explicando que Emily
estava muito nervosa e que elas haviam saído para que minha prima se acalmasse.
Eu resolvi aproveitar que
estava sozinha para escutar música e organizar as minhas idéias. Liguei a
vitrola, tirei meu precioso disco The Who Sings My Generation da capa,
coloquei o disco no prato e abaixei a agulha. Enquanto ouvia minha segunda
banda favorita (a primeira é The Yardbirds), fiquei pensando. Era claro que
Paul me achava louca, depois do que eu fizera. Era possível que ele nunca mais
olhasse na minha cara.
Alguns dias depois, eu estava lendo Jane Eyre, de Charlotte Brontë, em meu
quarto, quando Emily entrou e me disse:
- Fanny, tem alguém na sala que
quer falar com você... Mas antes, acho que você deveria se arrumar.
- Me arrumar? Por quê?
- Você vai ver.
Dei de ombros. Vesti calça jeans, uma
blusinha branca com botões e um casaquinho verde-escuro, também com botões.
Calcei meus sapatos pretos de sempre. Saí do quarto e fui para a sala. E quem
encontrei quando cheguei lá?
- Olá, Fanny. – era Paul Simon em
pessoa.
- Hã, olá.
- Me daria a honra
de me acompanhar em um passeio?
- Ah, bem, claro.
Passear com Paul foi divertido, mas
assustador. Digamos que eu nunca havia saído com um rapaz de que eu gostasse.
Ele me atraía, com seus conhecimentos sobre literatura, e por ser mais velho do
que eu. Eu tinha 17 anos, e ele, 23.
Durante um bom tempo, deixei-o falar.
Fiz várias perguntas sobre poetas a ele. Poderia tê-las feito a Elinor, entretanto,
ouvi-lo sanar minhas dúvidas era bem diferente de ouvir a minha irmã. Então,
finalmente tive coragem de perguntar:
- Conhece os
Everly Brothers?
- Quem não
conhece? – ele me perguntou, sorrindo.
- Bem.... Poderia
cantar uma música deles para mim, Paul?
- Claro que sim,
Fanny. Qual gostaria de que eu cantasse?
Pensei por alguns minutos.
Gostava de tantas músicas dos Everly Brothers! Por fim, me decidi.
- Love Is Strange.
Ele cantou. Ouvi
atentamente, e quando ele terminou, ele me disse:
- O amor é mesmo
muito estranho. – e me beijou.
Quando separamo-nos,
perguntei:
- Esqueceu a
Emily?
- E eu tinha
escolha? Mas, desde antes de ela me dispensar, eu já estava de olho em você.
- Não sei, não...
- Não duvide. Mas, o que a atrai em mim?
- Você é culto. É
jovem. Canta bem. Gosta de Everly Brothers.
- Fanny....
- Sim?
- Eu sei que vai
ser meio ridículo uma garota tão linda de.... espere, qual a sua altura?
- Tenho 1, 65m.
- Bem, vai ser
meio ridículo uma linda garota andando por aí com um feioso cinco centímetros
mais baixo do que ela.
- Você não é feio,
Paul. E eu não estou nem aí para a sua altura. Tamanho não é documento.
- Bem.... Quer
namorar comigo, Fanny?
Eu decididamente não esperava por isso!
Quase chorei de tanta felicidade.
- É claro que eu aceito, Paul!
Que capítulo lindo!Quero mais por favor!!!!!!!!Estou apaixonada pelos dois!
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