Fazia algumas semanas que Alana visitava a mansão com frequência. Mike
não aguentava mais. Precisava fazer aquele pedido. Estavam no quarto dele.
Mike olhou um
pouco culpado para o quadro de Alice pendurado na parede. Iria ter que tirá-lo
da parede, se realmente queria ter Alana como sua definitiva companheira.
Porém, isso cortaria um pouco seu coração. Respirou fundo e tomou a mão de
Alana.
- Alana...
- Sim, meu lobo?
- Eu tenho um pedido a fazer.
- Qual?
Ele respirou
profundamente mais uma vez.
- Quer se casar comigo?
Alana
sorriu para ele.
- Sim. – respondeu ela, beijando-o e colocando os braços ao
redor dele. – Sim, sim, sim.
- Devo dizer que fico aliviado por você aceitar. A última
vez em que pedi uma mulher em casamento não foi exatamente bem-sucedida...
- Isso é passado, Mike. Eu sei que você a amou demais e
respeito isso, mas ela tem uma nova vida. Dê início a uma nova também. Comigo.
- Sim, minha lobinha. – ele a abraçou fortemente. –
Escute... O que você quer que eu faça com o quadro?
- Por mim não precisa se livrar dele... Mas seria pedir
demais que você o guarde em outro lugar? Vamos nos casar, sabe, não seria
exatamente, hã... Agradável que o quadro da sua antiga amada fique no nosso
quarto.
- Claro. Vou guardá-lo. – disse Mike, passando a mão pelos
cabelos da noiva.
Para selar o noivado, Mike queria
proporcionar a Alana uma bela noite de amor. Então se lembrou de um lugar sobre o qual Davy
havia lhe falado: um riacho, já nos domínios do Conde Beckenbauer. Pelo que o
amigo vampiro havia dito, ele havia levado Dianna lá logo após terem feito os
votos matrimoniais, para a noite de núpcias.
O lobo faria as coisas de um modo um tanto diferente, mas o efeito seria
o mesmo: uma noite inesquecível para o casal. Esperou a lua atingir seu ápice,
e chamou a amada.
- Eu tenho que mostrar um lugar a você, Allie. Um lugar
incrível.
- Que lugar é esse, Mike? – a loba estava curiosa.
- Você vai ver. Venha comigo.
Os noivos
lupinos saíram da mansão e rumaram em direção ao riacho. Alana ficou preocupada ao notar que estavam
se aproximando do fim dos limites da ilha.
- Mike, querido... Logo não estaremos mais nos limites da
Ilha dos Lobisomens.
- Eu sei. – respondeu ele tranquilamente.
- E se algum vampiro do conde nos vir? Vamos ser mortos!
- Não se preocupe, meu amor. Não vão nos ver. E, mesmo que
nos vejam... Sabemos nos defender.
Chegaram.
Já iam sair do meio das árvores quando ouviram o som de sussurros e gemidos.
- Parece que alguém chegou aqui antes de nós. Merda. – Mike
resmungou.
- Quem são? – Alana tentou ficar na ponta dos pés para ver o
casal de amantes, mas, como era trinta centímetros mais baixa do que seu noivo,
não conseguiu.
- São... Meu Deus, são Rosie Donovan e George Best! – ele ficou
boquiaberto.
- O quê? – a loba ficou chocada. – Mas eles não sabem da
proibição?
- Claro que sabem. Todos sabem. Mas... O amor é implacável.
Por mais que se lute contra ele, ele vai se sobrepor. Não posso condená-los. Eu
mesmo... Eu mesmo transgredi a lei, como você sabe.
- Sim. Bem... Acho melhor irmos embora, Mike. Deixemos que
eles se amem.
- Vamos. Acho que não devemos contar a Moore, e você, Allie?
- Também acho melhor fingirmos que não sabemos de nada.
O casal
de lobos ia de volta à mansão, quando encontraram Ringo Starr.
- Boa noite, Mike e Alana.
- Boa noite, Ringo.
- O que estão fazendo? Dando um passeio noturno?
- Sim. – respondeu Mike. – Você também?
- Na verdade não. Para ser sincero, eu estava seguindo
George.
- Qual deles? – Alana perguntou.
- Harrison. Ele está agindo de modo um pouco estranho. Bem,
eu o segui. Ele foi à fazenda abandonada de Manuel Neuer... Encontrar-se com
Mary Anne! Será que devo contar ao Macca?
- Deixe-os serem felizes, Ringo! Eles não estão fazendo nada
de errado... A não ser que exista alguma lei que proíba o relacionamento
amoroso entre lobos e magos. – disse
Mike.
- Bem, não.
- Então deixe quieto.
Eles vão acabar contando para a alcateia mais cedo ou mais tarde. – disse
Alana. – Bem, vamos para casa, Mike?
- Sim, sim. Até mais, Ringo!
- Até mais, Mike.
- Até logo. – Alana se despediu.
- Até logo, Alana.
O
casal de lobos seguiu em uma direção e Ringo em outra. Entretanto, nem Mike nem
Alana notaram que ele ia em direção ao riacho...
* * *
Lahm havia passado os últimos dias empenhado na fabricação de uma poção
de amor. Estava tomado de desejo por Erin, e precisava saciá-lo. No entanto,
para isso precisaria fazê-la se esquecer do marido, Peter. Como percebeu que
não conseguiria esse intento por vias normais, decidiu que aplicaria seus dons
mágicos.
Uma vez pronta a perigosa bebida mágica, Lahm despejou-a num
frasquinho. O líquido era rubro, rubro
como a paixão mais desvairada. Era o efeito que ele esperava que a poção
exercesse sobre Erin. A bela humana seria sua, custasse o que custasse.
Misturá-la-ia ao chá que Erin tomaria durante a primeira refeição dos
habitantes da casa naquela noite. Naquela vez, quem se encarregou de preparar o
desjejum foi Dianna. Após preparar o chá, ela despejou-o em xícaras e colocou
cada xícara em frente à cadeira onde era o costume que cada um sentasse. Lahm
quase despejou o líquido mágico na xícara que a vampira havia depositado diante
do lugar na mesa em que Erin tinha o hábito de sentar, mas no último momento se
deteve. Podia ser que outra pessoa sentasse naquele lugar.
Assim, esperou todos
se sentarem para comer. Por um golpe de sorte, Erin sentou-se ao lado dele. Sem
que ninguém visse, despejou o conteúdo do frasco na xícara de chá da jovem. Ela
bebeu o chá misturado com poção. Agora bastava esperar que ela dormisse, e logo
que acordasse ela rejeitaria o marido friamente.
A noite transcorreu
normal. Davy Jones recebeu a visita de sua amiga Louise McGold, que veio
visitar as filhas recém-nascidas do amigo, e em seguida chamou-o para uma
conversa em particular. Depois que a vampira foi embora, foi a vez de Mary Anne
McCartney aparecer na mansão. Ela trazia um lençol que havia costurado para as
pequenas vampirinhas.
Por fim amanheceu e os moradores da mansão foram dormir. O mago alemão
estava muito ansioso para ver os resultados da sua poção. Acordou na noite seguinte com algo que soou
como música em seus ouvidos:
- SAIA DE PERTO DE MIM, PETER! EU NÃO QUERO VOCÊ, EU QUERO
PHILLIP!
- Mas, Erin, querida, o que deu em você?
- NÃO ME CHAME DE QUERIDA! NÃO SOU MAIS SUA ESPOSA!
Lahm saiu do
quarto com um sorriso triunfante. Peter viu-o, e irrompeu em sua direção.
Agarrou-o pelo colarinho da camisa.
- Escute aqui, seu mago de araque, eu ainda não descobri que
tipo de feitiçaria aplicou na minha esposa, mas vou descobrir, e você pode ir
rezando por sua vida, porque vou matá-lo!
- É o que vamos ver, Tork. Venha comigo, Erin.
- Sim, eu vou! – a moça sorriu apaixonadamente para ele, e
deu-lhe seu braço.
- Erin! Não! – Dianna, que entrava na sala de visitas
carregando uma de suas filhas, tentou alertar a prima. – Ele não vale nada!
- Eu tenho que ir, Di. É ele quem eu quero. – Erin novamente sorriu para Lahm, e
beijou-o, fazendo Peter quase explodir.
- Sim, meine Liebe. Você deve vir comigo. – disse o mago
alemão, e, por encanto, ele e Erin sumiram da sala de visitas da mansão.
- Eu juro que vou livrar Erin do encantamento! Ou meu nome
não é Peter Tork!
- Calma, Peter. Sente-se e pense em algo. – disse Emma.
Peter não se sentou. Andando em círculos pela sala de visitas,
murmurava:
- Aquilo decididamente é efeito de uma poção de amor...
Agora, qual? Há nove tipos de poções de amor...
Ele foi ao
seu quarto, onde guardava seus grimórios. Tirou um da estante, e procurou
impacientemente até que encontrou o que buscava: os nove tipos de poções de
amor. Havia ali algumas das principais características de cada tipo. Nenhum
deles parecia corresponder aos sintomas apresentados por Erin, até que...
Poção de Amor N. 9
O tipo mais perigoso
de poção de amor. De cor escarlate, como um amor tresloucado, que é justamente
o que apresenta quem o toma. Ministrado normalmente para se obter o amor de
quem já ama profundamente outra pessoa. Caso o bruxo magoe quem beber a poção,
a vítima morrerá, após arder em febre.
- Meu Deus... – Peter murmurou. – Preciso livrar Erin dessa
maldita poção, antes que Lahm a magoe. Não posso deixá-la morrer.
* * *
Mais tarde naquela mesma noite, Louise bateu à porta da mansão.
- Olá, Frau Müller. – saudou-a Micky ao abrir a porta.
- Micky, Davy está? Preciso muito falar com ele. – perguntou a vampira.
- Está sim. Vou chamá-lo. Entre. – o lobisomem fez um gesto
convidativo.
A vampira foi
colocada para esperar num sofá na sala de visitas. Micky foi até o quarto do
casal de vampiros e bateu à porta.
Lá dentro, os dois
estavam ocupados cuidando das filhas. Davy brincava com Cecilia, enquanto
Dianna amamentava Rebecca.
- Davy!
- O que é, Micky?
- É Louise. Diz ela que precisa muito falar com você.
- Está bem. Já venho, Di. – disse ele com um sorriso para a
esposa.
- Tudo bem. – ela devolveu o sorriso.
Ainda com a filha nos braços, Davy saiu do quarto, e foi até a sala ver
a amiga.
- Olá, Lulu. – ele cumprimentou a vampira. – Micky disse que
você precisava falar comigo...
- Olá, Davy. Sim, eu preciso sim! Mas antes, como estão
minhas afilhadas? – Louise pegou por um instante a bebê vampira dos braços do
pai.
- Estão bem. – Davy sorria, orgulhoso de sua filhas. – Logo
a Cece aqui e a irmã estarão suficientemente crescidas para começar a se
alimentar de sangue... Animal, é claro. Dianna e eu não nos alimentamos de
sangue humano, você sabe.
- Sei bem. Sabe... É sobre essa questão que eu vim falar com
você. Filhos.
- Como assim, Louise?
- Desde que eu soube que minha prima Felicity está grávida e
que as suas filhas nasceram, Davy, eu tenho nutrido o desejo de ser mãe.
Porém... Gerd não deseja ter um filho.
- Ora, por quê? Crianças são uma benção. – ao dizer isso, o vampiro pegou novamente a
filha nos braços.
- Gerd acha que... Bem, ele acha que não poderemos mais nos
amar com tanta frequência com um bebê em casa.
Davy soltou uma
risada.
- Qual é a graça? – irritou-se Louise.
- Quem disse que o fato de que um casal tem filhos implica o
fim da diversão? – o pequeno vampiro deu um sorrisinho malicioso.
- O que quer dizer com isso, Davy? Você e a Dianna...?
- Todos os dias, Lulu. Depois que as meninas dormem. – ele
piscou para a amiga.
- Vocês passam a noite cuidando das duas filhas... E ainda
têm fôlego perto do amanhecer para...?
- Claro. Di e eu adoramos fazer isso. Reacende o fogo da
paixão, se é que você me entende.
- Entendo perfeitamente.
O problema é que Gerd e eu brigamos feio devido a essa divergência
quanto a ter um bebê.
- Eu não acho que vocês devem brigar por isso. Mesmo porque
os motivos dele são inválidos. Bem, a gravidez da Di me pegou de surpresa...
Mas Cece e Becky foram uma surpresa muito agradável. – Davy beijou a filha.
- Tentarei conversar com ele. Tomara que eu possa
convencê-lo!
- Tomara mesmo. Eu quero afilhados, Lulu!
- Você os terá, Davy. Em breve.
Louise foi
embora. Cecilia começou a chorar.
- Você quer a mamãe, filhinha? – perguntou Davy
carinhosamente à bebê. – Vamos para o quarto ficar com ela e a sua irmã.
O vampiro
voltou ao quarto, levando a filhinha chorosa.
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