sábado, 4 de abril de 2015

All The King's Horses - Capítulo 5

Bom dia! Teremos hoje mais um capítulo de All The King's Horses!



(Mike’s POV)


                     Amanhecia no acampamento das tropas das Terras do Norte e do Leste. Lord Michael Nesmith acordou com o retinir das armaduras. O exército se preparava para um ataque surpresa ao Forte Daltrey. O céu trocava o manto avermelhado da aurora por um azul límpido. Um azul como o dos olhos de Lady Alice.
                       Ele estava tenso. Esperava que Lord Daltrey não oferecesse resistência e devolvesse a princesa Mary Anne. Não era preciso aquela nova Guerra de Troia. Quando todos os cavaleiros já estavam vestidos em suas armaduras e Lord Michael Dolenz tinha conseguido parar em cima do cavalo, avançaram em direção à fortificação. Os guardas nas ameias ficaram assombrados ao vê-los. Um deles desceu, provavelmente para comunicar o ataque ao senhor do castelo. Começaram a atirar flechas no exército. Uns e outros caíram da montaria, entre eles Sir Peter Asher, das Terras do Norte, e Sir Bernard Calvert, das Terras do Leste. 
                   Logo, os portões do forte foram abertos, e apareceram mais guardas, Lord Daltrey, Lord Townshend, Lord John Entwistle e Lord Keith Moon. Os quatro lordes partiram para cima, seguidos pelos guardas. Lord Townshend bateu-se com Sir John Lennon; Lord John Entwistle, com o príncipe Paul; Lord Keith Moon, com David Jones; e Lord Daltrey, com Sir George Harrison.
                   Se aquela era uma nova versão da Guerra de Troia, Sir John Lennon era Aquiles, Lord Townshend era Heitor, Sir George Harrison era Menelau e Lord Daltrey era Páris. Lord Michael Nesmith, Lord Michael Dolenz e Lord Tork lutavam lado a lado, derrubando muitos inimigos, mas sem matá-los. Tinham aversão por matar.
                  David estava dando trabalho para Lord Keith Moon. Era pequeno, rápido e perspicaz. Michael não sabia se ficava atento à luta entre eles, à luta entre Lord Townshend e Sir John Lennon, à luta entre Sir George Harrison e Lord Daltrey ou aos inimigos que o atacavam.
                   Sir George estava furioso, e deixava isso transparecer. Às vezes parecia que já era o marido da princesa Mary Anne, não seu mero pretendente, e que ela lhe havia sido roubada. Michael não podia culpá-lo. Sabia que, se Lady Alice fosse raptada, ele dispor-se-ia a salvá-la.
                 Por que, por que ela tinha que estar prometida a um nobre germânico de quem nunca vira o rosto? E por que, por que ele tinha que estar prometido a Lady Emma desde o dia em que ela nasceu? Ela era belíssima, entretanto, não era sua Alice. Como ele queria ter talento de trovador, para cantar a beleza de sua amada!
                   Pensava em tudo isso enquanto se defendia e atacava. Até que, entre o estrépito do choque entre as espadas, ouviu-se:

- Renda-se, Lord Daltrey! – era Sir George.

- Jamais! Morrerei defendendo meu forte, se preciso, contudo, jamais me entregarei! Não sou um covarde!

- É sim um covarde! Roubou uma princesa sem mais nem menos!

- Ninguém me chama de covarde, Sir George Harrison!

- Eu chamo!

                          Lord Daltrey rosnou de raiva, e atacou o cavaleiro mais uma vez, que se defendeu formidavelmente.

- Entregue a princesa! – exclamou Sir George.

- Eu entregaria... Se ela estivesse no meu forte.

                               Todos olharam chocados para Lord Daltrey.

- O que quer dizer com isso, seu poltrão? – Sir George mais pasmo do que qualquer um.
- Quero dizer exatamente o que disse. A linda princesa não está mais sob meu poder.

                               O cavaleiro encolerizou-se profundamente.

- E onde ela está?

- Isso eu não vou dizer. Terá que procurar por todas as Terras do Sul e do Oeste se quiser encontrá-la!

                                 Indignado, Sir George ordenou às suas tropas que batessem em retirada e voltassem ao acampamento. Ele reuniu seus principais oficiais: Sir John Lennon, príncipe Paul, Sir Richard Starkey, Lord Tork, Lord Michael Dolenz e o próprio Lord Michael Nesmith. Pelo seu grande desempenho na batalha, foi permitido a David participar da assembleia.

- Teremos que revirar as Terras do Sul e do Oeste para resgatar a princesa? Pois bem, é o que faremos! – disse Sir George. – Alguém se opõe?

                                   Ninguém se manifestou.

- Ótimo. Partimos ao amanhecer.

                                 Nada, absolutamente nada, iria afastar Sir George de seu objetivo. Todos ali, Lord Michael Nesmith incluído, tinham grande admiração por ele e sua inabalável determinação.
                                  Mais tarde, Lord Michael tentava dormir, quando notou que David também estava tendo problemas para pegar no sono.



- Na batalha de hoje foi excepcional, sr. Jones.

- Obrigado, milorde!

- Está encontrando dificuldade para dormir?

- Ah... Sim, estou. – ele suspirou. – Acho que sofro de excesso de paixão por uma mulher.

- Eu o entendo, sr. Jones.

- Não, o senhor não entende. Sei que está apaixonado por uma mulher com quem pode se casar, Lord Michael. Não é o meu caso.

- Não, eu não posso me casar com minha amada. Ela e eu estamos comprometidos com outras pessoas.

- Minha amada não apenas casar-se-á com outro homem, como também é uma dama! Sou apenas um escudeiro, um reles escudeiro. – David colocou o rosto nas mãos. – O que vou fazer? Ela é tudo para mim, milorde. Se estou nessa guerra, estou apenas por ela.

                Lord Michael Nesmith pensou ter descoberto quem era a amada de David.


- Ama a princesa Mary Anne, sr. Jones?

                  
                 David Jones soltou uma risada.

- A princesa? Não, absolutamente não! Ela é belíssima, de fato, mas sua beleza é ofuscada se comparada à de Lady Dianna Mackenzie!

                    O jovem lorde estava pasmo.

- A noiva de nosso amigo Lord Tork?

- Ela mesma. Ela é o meu anjo, a minha senhora! Faço tudo por ela! Estou lutando na tentativa de ser sagrado cavaleiro e assim poder pretender desposá-la.

- Já que me confessou o nome de sua amada, confesso o da minha. Lady Alice Stone.

- Eu já imaginava.

- Quando o feudo do pai dela foi atacado por bárbaros, ela teve que se tornar noiva do filho do líder daqueles bárbaros para apaziguar os ânimos e selar a paz. Isso me parte o coração! Por meu lado, há 21 anos que estou prometido a Lady Emma Carlisle, ou seja, desde que ela nasceu e eu tinha três anos. É sem dúvida uma linda mulher, de primorosa educação e finos modos. Mas eu não posso amá-la, por mais esforços que faça neste sentido.

- Lady Alice sabe de seus sentimentos, milorde?

- Sabe. E os corresponde. Lady Dianna sabe dos seus? Ela os corresponde?

- Sim, ela sabe que eu a amo, e me ama também.

- David...

- Sim?

- E se, após o fim da guerra... Fugíssemos com elas?

- Isso é loucura!

- Loucos apaixonados como nós fazem qualquer coisa, David!

- Eu esperaria um desvario desses de Lord Michael Dolenz, mas não do senhor! Desejo do fundo do coração me casar com Lady Dianna, mas creio que ainda esteja com o pouco de juízo que me resta!

- Ora, vamos, David!

- Eu vou pensar a respeito.

                    David bocejou e pediu licença a Lord Michael para tentar dormir. Este ficou contemplando o céu, pensando se ao menos voltaria para casa para ver sua Lady Alice. Ele temia ter a vida ceifada. Ou mais ainda, a de seus amigos.

(Erin’s POV)
              


               Lady Erin estava de volta ao Forte Mackenzie, onde ela e a mãe viviam desde que seu pai, Lord Hudson, morrera. Ela estava preocupada com o tio, Lord Mackenzie, e o primo, Lord Giles. Ela também via a preocupação em sua mãe, sua tia, sua prima, nas amigas e em suas respectivas mães.
                 Naquela noite, Lady Hudson, mãe de Erin, Lady Carlisle, madrasta de Emma, Lady Mackenzie, tia de Erin e mãe de Dianna, e Lady Stone, mãe de Alice, ordenaram às filhas que se recolhessem aos aposentos de Dianna e dormissem. Mesmo contrariadas, as quatro jovens obedeceram.
                     Erin deitou-se na cama. Logo adormeceu. E teve um belo sonho.

                        Ela caminhava solitária por um bosque escuro. Estava cansada, com fome e com frio. E começando a ficar com medo. Sentiu mãos agarrarem-na.


- O que uma linda jovem indefesa faz perambulando sozinha por esta floresta tão perigosa? Não sabe que bandoleiros se escondem nestas matas? – disse uma voz que, de tão suave, era aterradora.

- Largue-me, largue-me... – ela suplicava. – Não tenho nada que possa interessar-te.

- É mesmo? E este colar de ouro e rubis? Estou diante da filha de um nobre, estou certo.

- Por favor, deixe-me ir! – Erin chorava.

- Apenas se me der este colar.

- Jamais! – aquele havia sido o último presente que Erin ganhara do pai antes da morte dele, nunca se desfaria dele.

                    Até que...

- Solte a moça! – um cavaleiro montado num cavalo cinzento ordenou.

- E por que eu faria isso? – perguntou o bandido.

- Porque eu vou pagar. – o cavaleiro jogou uma bolsinha de moedas de prata e ouro aos pés do criminoso. – Se isso não o convencer, creio que o fio de minha espada o fará!

- Não, não, senhor, não haverá necessidade disso. – o bandido soltou Erin, deixando-a cair, e apanhou o saco de moedas, fugindo dali às pressas.

- Isso evitará que ele roube mais pessoas por um bom tempo. – resmungou o cavaleiro, oferecendo a 
mão a Erin para que ela se levantasse. – Está bem, milady?

- Estou, muito obrigada, milorde. – disse ela, se erguendo e limpando o vestido. – Pode erguer o visor de seu elmo para que eu veja o rosto de meu salvador?

- É claro, bela senhorita. – ele ergueu o visor, e Erin viu o rosto de um belo jovem, de grandes e meigos olhos castanhos, cabelos louros e um sorriso gentil. Sentiu uma estranha sensação tomar conta dela. Acreditou estar se apaixonando.

- Eu sou Lady Erin Hudson. – ela se apresentou. – E o senhor é...?

               
               Ele abriu a boca para responder, quando Erin sentiu o ombro ser chacoalhado.

                 

             A jovem abriu os olhos e encontrou os de sua criada.

- Desça para o desjejum, milady. – disse ela.

- Já estou indo, obrigada. – respondeu a jovem, com um bocejo, desapontada por ter sido acordada no momento em que iria saber o nome do nobre cavaleiro que a salvara.

                   

             Desceu. As ladies mais velhas já não estavam à mesa, mas Dianna, Alice e Emma estavam. Cumprimentou as amigas e sentou-se. Estas logo perceberam que Erin, sempre animada e expansiva, se encontrava quieta e pensativa naquela manhã.


- Não estou te reconhecendo, prima. – disse Dianna. – Sonhou com algo ruim?

- Sonhei com algo bom, na verdade. – Erin deu um pequeno sorriso.

- E o que foi? – perguntou Alice.

- Eu era salva de um ladrão por um belo cavaleiro... Ele era louro, e tinha olhos castanhos tão doces e um sorriso tão meigo...

- É mesmo um belo sonho. – disse Emma. – Uma pena que possivelmente ele seja apenas fruto de sua imaginação...

- Sim! Mas ao mesmo tempo, Emma, sinto que ele é real e que um dia irei conhecê-lo!

- Um dia você conhecerá esse cavaleiro, Erin. – disse Dianna com um sorriso.

              


                As quatro moças passavam dias quase tediosos no Forte Mackenzie. Suas mães as proibiam de sair, pois temiam que elas fossem atacadas. O que as mães não sabiam era que Erin e suas amigas estavam treinando por conta própria como se defender. Se o Forte Mackenzie fosse invadido, juntar-se-iam aos guardas e lutariam por suas vidas. Erin gostava da sensação de poder cuidar de si mesma. Contudo, não negava que, se um dia aquele belo cavaleiro se oferecesse para protegê-la, ela não recusaria a proposta.



- Oh, milorde, você é real? – ela murmurava. – Se for, onde está? Qual o seu nome? Onde vive? Está... Está prometido a alguma dama? – ao pensar nisso, o corpo dela estremeceu. Temia que ele já tivesse um compromisso.


                 


                Certa noite, Erin acordou com o grito assustado de sua prima...

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