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Nas três
semanas seguintes, tornei-me amiga de Bob Dylan e Joan Baez, especialmente de
Bob. Comigo, ele parecia perder um pouco do jeitão sério que lhe era
característico, reforçado pelo pós-acidente.
Também
comecei a acompanhar o seriado dos Monkees, e até mesmo ganhei de Paul um
single deles: Last Train To Clarksville/
Take A Giant Step. O meu favorito era Peter Tork, porque praticamente
ninguém ligava para ele. Davy era o fofinho, Micky era o vocalista e Mike era o
cara do gorrinho. Mas ninguém se lembrava do Tork!
Numa
quarta-feira, Paul me disse:
- Art e eu fomos convidados para uma festa, Fanny. Vai ser
uma ótima oportunidade para apresentar você ao circuito musical dos EUA.
Eu não
sabia se estava muito a fim de ir a essa festa. Nunca gostei muito de lugares
cheios de gente que eu não conheço.
- Quem vai estar lá, Paul? – eu quis saber.
- Hum... Peter, Paul & Mary e os Byrds, creio eu. Possivelmente
os Beach Boys. Bob e Joan foram convidados também. E a grande expectativa é a
presença dos Monkees.
- Os Monkees vão estar lá? Preciso ir a essa festa!
- Sabia que você ia mudar de ideia.
- E quando será essa festa?
- Sábado à noite.
Até sábado, quase morri de ansiedade.
Se tudo desse certo, eu ia conhecer os Monkees! E precisava dar um jeito de
conseguir autógrafos dos Beach Boys para Elinor e Emily.
Finalmente chegou o dia da festa. Meus nervos estavam à flor da pele.
Art, Paul e eu chegamos por volta das 19:30. Logo que entramos no local da
festa, uma jovem de ares italianos, acompanhada por um rapaz, aproximou-se de
nós.
- Boa noite, Paul Simon e Art Garfunkel. – disse ela. Minhas
suspeitas se confirmaram: seu sotaque era uma mistura de americano do
Meio-Oeste com italiano.
- Fanny, esta é a fotógrafa Kathy Giordano, de Detroit. –
disse Art. – E este rapaz é o jovem pintor Danny Peters, namorado dela.
- Muito prazer. – saudei-os.
- Fanny é minha namorada. – disse Paul à fotógrafa e ao
pintor.
- Estamos encantados em conhecê-la, Fanny. – disseram os
dois.
Ficamos conversando até que avistei Brian, Carl e Dennis Wilson, Mike
Love e Al Jardine. Pedi licença e fui correndo até eles.
- Hã, com licença, srs. Beach Boys. – pedi.
- O que deseja, mocinha tão educada? – perguntou-me Mike
Love.
- Eu me chamo Fanny Fitzwilliam. Sou namorada do Paul Simon.
Minha irmã, minha prima e eu somos suas fãs. Será que poderiam deixar seus
autógrafos nesse caderninho aqui? – estendi um bloco de anotações e uma caneta
para eles.
- Claro. – disse Mike Love, e os demais concordaram.
- Obrigada.
Pronto. Tinha conseguido um bom presente para trazer dos EUA para minha
irmã e minha prima. Voltei para perto de Paul, e logo vi que Bob tinha chegado.
Joan Baez conversava com Peter Yarrow, Paul Stookey e Mary Travers.
Parecia que o ex-casal estava começando a se afastar. Mesmo com o
término, Bob e Joan eram como fogo e fumaça. Aonde um ia, o outro ia junto.
Pedi ao Paul licença para ir conversar com Bob. Um namorado comum
ficaria morto de ciúmes, mas o meu não era tão comum assim. Deixou que eu
fosse.
- Oi, Bob.
- Oi, Fanny. O que fez você mudar de ideia? Sei que você
odeia sair de casa.
- Paul me disse que os Monkees eram esperados para a festa.
Mas nem sinal deles até agora...
- Eu não ficaria tão certo quanto a isso. Acabo de ver um
gorrinho verde.
Virei-me para a direção em que Bob apontava.
- Mike Nesmith! – exclamei. – Mas onde estão Micky Dolenz,
Davy Jones e Peter Tork?
- Procurando por nós, senhorita? – perguntou Micky Dolenz,
de maneira engraçadinha.
- Oh, meu Deus! Meu nome é Fanny Fitzwilliam, adoro o
seriado e as músicas!
- Ah, nós só cantamos... – disse Davy. – Mas tudo bem. É
legal conhecer você.
- Sim, adoramos conhecer nossos fãs! – disse Tork. –
Especialmente se for uma moça bonita.
- O que você disse sobre a minha namorada, seu Monkee
maldito? – Paul surgiu num átimo.
- Ficou doido, cara? Eu nem falei nada de mais, e.... –
Peter tentou se justificar.
- Falou sim! – e Paul acertou-lhe um soco.
- Paul Frederic Simon! – gritei. – Não pensei que você fosse
capaz disso!
- Fanny, vamos sair de perto. – disse Bob, me puxando para
longe dali.
- Quem você acha que ganha a briga? – Peter Yarrow, do trio
Peter, Paul & Mary, perguntou a Gene Clark, dos Byrds.
- Acho que Tork, ele é mais alto. – Gene Clark deu uma
risadinha.
- Aposta quanto?
- Quinze dólares.
- Feito.
Ouvi esse acerto enquanto me afastava o mais rápido possível dali com
Bob. De um lado, Art e Micky seguravam
Paul (ou pelo menos tentavam), enquanto Mike e Davy tentavam conter Tork.
Só me faltava ter que passar o
resto da noite cuidando dos machucados de Paul.... Bob me deixou no apartamento de meu namorado,
e disse que já ia para casa. Mas pedi a ele que ficasse um pouco comigo. Eu
ainda estava em estado de choque.
- O Paul sempre foi tão calmo, nunca imaginei que ele podia
surtar desse jeito!
- Isso é efeito colateral do namoro a distância de vocês.
- Ai, ai, eu devia ter imaginado que isso acabar mal....
- Não fique se culpando, Fanny, porque não há motivo para
isso.
- Você acha mesmo, Bob?
- Acho sim. – disse ele, e beijou minha testa. – Hã, bem, desculpe por isso. – ele pediu.
- Não tem problema, amigos sempre beijam uns aos outros, não
beijam? – perguntei.
- Bem... Acho que sim. – disse Bob.
Opa esse negócio de apostas veio do Jack Bruce. No próximo cap faz a Fanny ver a construção da capa do disco dos Beach Boys feitos pela Fefe. É só uma sugestão. Adorei cap.
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